Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 30 de Outubro de 2006, aworldtowinns.co.uk

O Irão e a ameaça de uma nova guerra – Introdução

Enquanto no Conselho de Segurança da ONU se arrastam as disputas diplomáticas sobre as sanções contra o Irão, neste mesmo momento os EUA levam a cabo exercícios militares no Golfo Pérsico. Com a participação de membros do Conselho de Segurança como a França e a Grã-Bretanha, bem como do Barém e do Kuwait, a força naval liderada pelos norte-americanos está a exercitar a interceptação e busca dos navios que entram e saem do Irão. Claramente, o objectivo é forçar o regime iraniano a escolher entre a humilhação e rendição ou a guerra. Pelo menos até agora, trata-se apenas de uma ameaça – mas é muito mais que apenas palavras.

Um artigo recente na revista Time intitulado “Como seria a guerra” (17 de Setembro) avisa que “Do Departamento de Estado à Casa Branca e aos mais altos escalões do comando militar, há um crescente sentimento de que um enfrentamento com o Irão... pode ser impossível de evitar.” O objectivo disto é, sem dúvida, fazer com que “a América média” se habitue a essa ideia. Um outro “jornalismo”, mais histérico, mesmo na comunicação social “liberal” firmemente favorável ao Partido Democrata (New York Times Magazine, 29 de Outubro), associa o programa nuclear do regime iraniano aos atentados suicidas. Embora esse artigo seja de falas mansas e vagamente académico, a sua implicação não explicitada é a oposta: que o regime iraniano e talvez o país devem ser violentamente eliminados o mais cedo possível. Tal como as invasões do Afeganistão e do Iraque, isso seria apresentado como uma guerra de “autodefesa”.

Com estas luzes avisadoras vermelhas intermitentes como pano de fundo, publicamos uma nova introdução a um folheto que reúne a série de artigos sobre os EUA e o Irão que apareceram em Maio e Junho de 2006 no Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar. O folheto estará disponível em breve na forma digital (formato PDF) para reimpressão onde quer que seja sentida a necessidade de construir um movimento contra uma nova guerra norte-americana.

Esta série de artigos visa analisar as razões políticas, económicas e sobretudo geoestratégicas por que os EUA escolheram engendrar uma crise em torno do programa nuclear do Irão. Mesmo neste curto período que decorreu desde que foi publicada, o mundo sofreu uma tremenda turbulência e novos desenvolvimentos, entre os quais a invasão do Líbano por Israel. Porém, as contradições objectivas que criaram a ameaça de uma nova e porventura maior guerra contra o Irão não mudaram na sua essência. De facto, estes desenvolvimentos confirmam a seriedade da ameaça – a inflexível determinação dos EUA e dos seus aliados em imporem um domínio mais directo sobre os povos do Médio Oriente – bem como os obstáculos e as limitações que esses imperialistas enfrentam.

Os ministros dos negócios estrangeiros dos países “5 mais 1” (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas – EUA, Rússia, Grã-Bretanha, China e França – mais a Alemanha) aprovaram um pacote de incentivos inventado pela União Europeia (UE) e que foi apresentado a 6 de Junho pelo responsável pela política externa da UE, Javier Solana, ao chefe da segurança nacional do Irão, Ali Larijani. Embora o conteúdo do acordo oferecido seja secreto, parece que os seus termos permitiriam que os dois lados pudessem reivindicar alguma vitória. A apresentação desse pacote e a sua aprovação pelos norte-americanos criaram a ideia de que Washington estava à procura de uma saída pacífica para a actual crise. Ao contrário do que aconteceu no passado, os EUA sugeriram mesmo que participariam nas negociações em conjunto com as outras cinco grandes potências, com a condição de o Irão suspender primeiro o seu programa de enriquecimento de urânio. Mas, na realidade, a oferta europeia tinha como objectivo controlar e desacelerar os EUA na sua pressa de intensificar as suas contradições com o Irão. Embora os EUA tenham tido que aprovar o pacote em palavras, procuraram uma desculpa para recuperar a iniciativa. O regime islâmico acolheu a sugestão e Larijani chamou-a de “encorajadora”. O Irão disse que daria a sua resposta a 23 de Agosto. Isso foi desculpa suficiente para os EUA ultrapassarem as iniciativas da UE dizendo que essa demora era inaceitável. A Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, disse que o Irão só tinha “semanas e não meses” para responder.

Mas, muito antes de Agosto, um novo desenvolvimento no Médio Oriente mudou todo o cenário e, numa questão de horas, a ideia de uma saída pacífica para a actual crise no Médio Oriente parecia muito menos provável. Em vingança por dois soldados israelitas terem sido raptados pela organização libanesa Hezbollah, num tipo de operação que tem ocorrido regularmente durante os últimos anos, Israel desencadeou uma guerra total. Os sionistas não conseguiram convencer muita gente da honestidade da sua explicação para terem causado tanta destruição no Líbano. Pelo contrário, muito mais gente no mundo inteiro viu essa guerra como ligada aos planos imperialistas dos EUA para reestruturar aquilo a que eles chamam o Grande Médio Oriente e como parte da sua busca de uma Nova Ordem Mundial. Rice admitiu-o de certo modo quando há pouco desdenhou do sofrimento do povo libanês como “as convulsões do nascimento do novo Médio Oriente”. Mais especificamente, muita gente viu isso como um primeiro passo do processo de preparação para uma possível guerra contra o Irão.

O jornalista norte-americano Seymour Hersh relatou na revista The New Yorker (21 de Agosto) que “Segundo um perito no Médio Oriente com conhecimento do actual pensamento tanto do governo israelita como do norte-americano, Israel tinha inventado um plano para atacar o Hezbollah – e partilhou-o com responsáveis da Administração Bush – muito antes dos raptos de 12 de Julho. ‘Não se trata de que os israelitas tinham uma armadilha em que o Hezbollah caiu’, disse ele, ‘mas de que havia na Casa Branca um forte sentimento de que mais cedo ou mais tarde os israelitas o iriam fazer’.”

As razões por trás do ataque ao Líbano – e os seus resultados

Mas porquê escolher o Líbano como uma janela por onde atacar o Irão? Como gendarme do imperialismo norte-americano na região, Israel estava em guerra com o Líbano desde 1970, por vezes num conflito de alta intensidade e por vezes num de baixa intensidade. Israel partilhava o interesse norte-americano de tentar esmagar o Hezbollah por duas razões. Primeiro, porque essa organização se tinha desenvolvido como a principal barreira à capacidade de Israel invadir e controlar o Líbano à vontade. Segundo, porque uma das formas mais efectivas de o regime islâmico iraniano responder a um ataque dos EUA ao Irão seria através do Hezbollah. Os estrategas militares de Washington estavam muito preocupados com os mísseis de longo e médio alcance do Hezbollah e temiam que ele pudesse organizar uma guerra de guerrilha dentro da própria Israel. Ao mesmo tempo, os EUA e Israel esperavam que esse ataque ao Hezbollah provocasse uma nova guerra civil de base étnico-religiosa no Líbano, semelhante à que eles causaram no Líbano nos anos 70 ou à que está a acontecer hoje no Iraque. Essa guerra não só debilitaria o Hezbollah como também poderia servir de desculpa a algum tipo de intervenção ou presença israelita ou mesmo norte-americana mais de longo prazo.

Quando ficou evidente que os bombardeamentos aéreos que mataram provavelmente um milhar de civis não seriam suficientes para atingirem os seus fins, Israel invadiu por terra. Mas os estrategas militares não atingiram o seu objectivo. O Hezbollah, cujo braço armado é muito mais parecido a um exército que os informais grupos combatentes palestinianos, opôs uma resistência muito mais forte que a esperada. Os libaneses não se voltaram uns contra os outros, mas ficaram ainda mais unidos contra Israel e os EUA. O Hezbollah é uma organização de base religiosa e étnica e não anti-imperialista – isto é, o seu objectivo não é libertar o Líbano da teia mundial de relações económicas e políticas dominadas pelo imperialismo, mas sim reconfigurar a paisagem política dentro do Líbano. Apesar disso, esta guerra impulsionou a moral e o prestígio do Hezbollah como força de luta contra Israel. A classe dirigente dos EUA ficou decepcionada com a sua incapacidade de progresso nos seus planos para o Médio Oriente e de preparação da guerra contra o Irão.

O artigo de Hersh acima citado continua fazendo os seguintes comentários: “Segundo Richard Armitage, que foi Secretário de Estado Adjunto no primeiro mandato de Bush – e que, em 2002, disse que o Hezbollah ‘é provavelmente a elite dos terroristas’ – a campanha de Israel no Líbano, a qual enfrentou dificuldades inesperadas e críticas generalizadas, pode, afinal, servir de aviso à Casa Branca sobre o Irão. ‘Se a força militar mais poderosa da região – as Forças de Defesa de Israel – não conseguem pacificar um país como o Líbano, com uma população de quatro milhões de pessoas, dever-se-ia pensar cuidadosamente sobre a aplicação desse modelo ao Irão, que tem uma profundidade estratégica e uma população de setenta milhões’, disse Armitage. ‘A única coisa que os bombardeamentos conseguiram até agora foi unir a população contra os israelitas’.”

Esta guerra também amplificou as contradições inter-imperialistas. A UE viu esta guerra como uma tentativa israelo-norte-americana para esmagar a iniciativa europeia na questão nuclear iraniana e fez pressão para um cessar-fogo, usando o sofrimento do povo do Líbano como pretexto para as suas próprias manobras.

Estes desenvolvimentos recentes parecem ter incentivado a estratégia do regime iraniano. A 22 de Agosto, o Irão respondeu ao dito pacote de incentivos dos “5 mais 1”. Era agora claro que, influenciado pelos desenvolvimentos no Líbano, Teerão tinha chegado à conclusão de que os EUA e Israel não respeitariam ou reconheceriam necessariamente qualquer acordo entre o Irão e a Europa, e que qualquer concessão feita pela UE não levaria a nada. As recentes declarações de um responsável iraniano (segundo o Serviço da BBC em persa), acusando os EUA de sabotarem as negociações entre o Irão e a UE, apoiam esta tese. Além disso, essas declarações parecem destinadas a iniciar uma nova série de esforços para pôr os EUA, a Europa e a Rússia uns contra os outros, dada a oposição russa e chinesa às sanções e a oposição da UE a uma guerra contra o Irão. O regime islâmico parece estar à espera que os resultados da guerra do Líbano tenham tornado a França em particular um pouco mais corajosa na defesa dos seus interesses contra os EUA. Contudo, estas diversas posições não estão necessariamente congeladas. Haverá mais mudanças de táctica segundo os diferentes desenvolvimentos até que finalmente um acto decisivo defina a situação durante algum tempo.

O teste nuclear norte-coreano e a questão nuclear iraniana

Os recentes desenvolvimentos em torno do teste nuclear norte-coreano interagem com a situação iraniana.

Embora as principais potências, incluindo a China e a Rússia, tenham condenado ou criticado duramente a Coreia do Norte por ter levado a cabo esse teste, elas adoptaram uma atitude muito particular. A posição norte-americana é particularmente peculiar e revela muito sobre a estratégia e os objectivos geopolíticos de Washington. Afinal, os EUA iniciaram a sua maior guerra desde a do Vietname a pretexto de o regime de Saddam Hussein ter supostamente armas de destruição em massa. A evidência usada para fundamentar essa invasão revelou-se completamente fabricada pelos EUA e pela Grã-Bretanha. Depois, mais recentemente, Bush e outros altos responsáveis norte-americanos anunciaram que nunca tolerariam a aquisição de armas nucleares pela Coreia do Norte. Agora que a Coreia do Norte testou uma, apesar de os EUA gostarem de ver aplicadas duras sanções económicas contra Pyongyang, aceitaram uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU que excluía o uso directo da força. Apesar disso, a atitude dos EUA em relação ao Irão, que segundo relatórios dos serviços norte-americanos de informações está a cinco ou dez anos de poder fazer aquilo que a Coreia do Norte já fez, é muito mais agressiva.

De facto, parece que os EUA estão a tentar usar o teste nuclear da Coreia do Norte para uma escalada contra o Irão. Bush declarou a 10 de Outubro que “o regime norte-coreano continua a ser um dos países do mundo que mais prolifera a tecnologia de mísseis, incluindo a sua transferência para o Irão e a Síria. A transferência de armas ou materiais nucleares da Coreia do Norte para estados ou entidades não estatais seria considerada uma séria ameaça para os Estados Unidos e consideraríamos a Coreia do Norte totalmente responsável pelas consequências desse acto.” Por outras palavras, o perigo da Coreia do Norte, diz Bush, deve ser visto tendo em conta o que os EUA consideram os seus problemas imediatos: o Irão e a Síria. Isso até está a ser usado como pretexto para possivelmente interceptar meios de transportes do Irão, supostamente para impedi-lo de receber material nuclear ou outro da Coreia do Norte.

Em suma, a proliferação nuclear não é a principal preocupação dos EUA ou de qualquer outra das principais potências. E, em resultado, os EUA estão dispostos a fazer concessões à China e à Rússia sobre a forma de lidar com uma Coreia do Norte nuclear, a troco das suas concessões aos EUA sobre o dossiê nuclear iraniano.

É claro que o Médio Oriente é a principal prioridade do imperialismo norte-americano. Vezes sem conta, os actos norte-americanos, bem como os documentos da sua política externa, mostraram que consideram de importância estratégica e central para os interesses dos EUA o controlo de toda essa região. Qualquer acto que possa significar uma perda de interesse nesse objectivo parece impossível e inimaginável para os EUA.

O que emergirá deste caos?

Os acontecimentos no Iraque e noutras partes do Médio Oriente correram muito mal para Washington. Essas dificuldades e esses perigos também aumentaram as contradições entre os EUA e os seus rivais imperialistas que tentam tirar partido de a superpotência estar atolada no Iraque e desafiar os objectivos estratégicos norte-americanos, perturbando os planos norte-americanos ou não cooperando como os EUA gostariam.

O momento actual é de debate e mesmo de crise entre os estrategas reaccionários dos partidos republicano e democrata sobre a forma de atingirem os seus objectivos regionais, tendo em conta as suas dificuldades. Há vozes muito importantes na classe dominante dos EUA que apelam a ajustes na forma como os EUA estão a lidar com o Iraque. Também emergiram, há meses atrás, sérias diferenças em relação ao Irão dentro da classe dominante dos EUA, mesmo antes do actual debate sobre o Iraque e do empate do Hezbollah à invasão israelita. Isso foi dramaticamente ilustrado com a publicação de um discurso intitulado “Não ataquem o Irão” de Zbigniew Brzezinski, um dos principais conselheiros de política externa do imperialismo norte-americano, que certamente não fala só por ele. É possível que as dificuldades dos EUA possam forçar um reconhecimento dos seus limites e uma reconsideração sobre como e quando tratar da República Islâmica do Irão. Mas não há nenhum verdadeiro debate sobre o mais vasto objectivo estratégico de controlo norte-americano do Médio Oriente; a questão é como conseguir esse objectivo mais vasto. Além disso, seria um grande erro concluir que desapareceu o perigo de um ataque directo dos EUA ao Irão ou mesmo que tenha necessariamente sido empurrado para um futuro distante. “Bush também jurou em privado que não acabaria o mandato com o programa nuclear iraniano intacto”, relatou a revista The New Republic a 2 de Outubro de 2006. Não conseguimos prever o futuro, mas podemos afirmar com certeza que a actual situação é volátil e extremamente perigosa.

Uma voz muito poderosa entre os círculos dominantes dos EUA está a declarar que como não há nenhuma solução boa para os EUA no Iraque ou em qualquer lugar do Médio Oriente nas actuais condições da região em geral, o único caminho é uma abordagem “tudo ou nada”. Como os acontecimentos no Iraque, no Líbano, na Palestina e no Irão estão tão interligados uns com os outros, essa abordagem visaria afastar o que os EUA consideram forças e regimes problemáticos todos de uma vez. Isso seria uma jogada desesperada, mas também poderia parecer a melhor opção disponível. Tão potencialmente desastrosa como tentar um ainda mais ousado avanço no Médio Oriente poderia ser para esses imperialistas, alguns dos seus estrategas acreditam – e não sem razão – que a situação só se porá pior para eles se não agirem decisiva e imediatamente. Embora os debates nos círculos imperialistas sejam motivados por uma necessidade real de lidarem com a situação no Médio Oriente como ela se desenvolveu de facto – e que mostrou estar, pelo menos até agora, muito para além da sua capacidade de a controlarem, isso é apenas um aspecto das necessidades que eles enfrentam. O outro aspecto é que ao não conseguirem estabelecer decisivamente o controlo dos EUA na região pode trazer-lhes um desastre ainda mais certo: poderia falhar a sua candidatura ao domínio mundial e, em vez disso, os seus rivais imperialistas ganhariam o dia.

O antipopular regime iraniano, tal como outros regimes reaccionários do Médio Oriente que estão na mira das armas de Washington, lutam por sobreviver à tentativa norte-americana de reestruturação da região. A República Islâmica do Irão tem e continuará a manobrar dentro do jogo imperialista, na esperança de encontrar um lugar para si no sistema económico e político imperialista. Ao mesmo tempo, procura tirar proveito do ódio anti-imperialista das massas do Irão e da região para assegurar a sua sobrevivência e tentará assumir uma postura anti-imperialista para enganar as massas do seu próprio país e do mundo para ganhar o seu apoio.

Os povos oprimidos do Médio Oriente foram durante muito tempo vítimas do domínio e da intervenção imperialistas e milhões de pessoas querem lutar para pôr fim a tudo isso. Mas as forças e ideologias reaccionárias como o fundamentalismo religioso, que neste momento é particularmente forte na região do Médio Oriente, estão a tirar partido desses sentimentos para objectivos que só servem para deixar as massas ainda mais escravizadas. Há a necessidade urgente e vital de um movimento mundial contra a guerra que se oponha aos imperialistas e apoie as massas e as forças verdadeiramente revolucionárias da região. Sem uma mudança revolucionária, não pode haver nenhuma solução, que sirva os interesses das massas, para essas contradições poderosas e para um potencialmente catastrófico confronto armado entre interesses reaccionários.

Série: O Irão e a ameaça de uma nova guerra
Introdução
I – O que querem os EUA
II – Possíveis tácticas dos EUA em defesa dos seus objectivos estratégicos no Irão
III – O regime iraniano
IV – Os planos dos EUA e as suas contradições
V – O que os povos precisam de fazer

(Série completa disponível em formato PDF: )