Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 5 de Junho de 2006, aworldtowinns.co.uk

Série: O Irão e a ameaça de uma nova guerra

II – Possíveis tácticas dos EUA em defesa dos seus objectivos estratégicos no Irão

Depois de discutir a estratégia norte-americana em relação ao Irão, iremos agora examinar que tácticas podem os EUA utilizar para servir essa estratégia – aquilo que eles gostam de chamar “as opções na mesa”.

Dadas as dificuldades que os Estados Unidos actualmente enfrentam, sobretudo no Iraque, escolherão a opção militar contra o Irão?

Não se deve confundir a mais recente oferta norte-americana de negociações directas com Teerão com uma indicação de que os EUA decidiram não tomar esse rumo. Quer as conversações entre o Irão e os EUA venham a ter lugar ou não, e sem ser possível predizer os seus resultados, pode-se dizer com certeza que um acto unilateral de guerra contra o Irão exige um processo prévio de diplomacia para criar as condições políticas necessárias, tanto em termos de preparar a opinião pública nacional e estrangeira, como de negociar com as outras grandes potências e deixá-las preparadas.

Num artigo em que examina as razões por que os EUA fizeram essa proposta, o jornal The New York Times (2 de Junho) explicava que “poucos dos seus assessores esperam que os dirigentes do Irão aceitem a principal condição de Bush”: que o Irão, isolado entre todos os países da Terra, aceite a imposição norte-americana de uma proibição total de enriquecimento ou reprocessamento de urânio, sobretudo com inspecções internacionais. Isso significaria entregar explicitamente a sua soberania nacional aos EUA. Bush também poderia ter proposto ao regime iraniano uma hipótese de lhe lamberem as suas botas em público e cometerem suicídio político – “uma proposta com o objectivo de fracassar”, continuava o jornal. Quanto às verdadeiras intenções dos EUA, uma fonte interna foi citada a dizer: “Se vamos enfrentar o Irão, primeiro temos que dizer que ‘tentámos fazer conversações’.”

O analista da BBC Paul Reynolds (2 de Junho) sugeria uma explicação mais atenuada: “Os falcões em Washington alinharam na convicção de que uma proposta de conversações directas agora reforçará mais tarde os seus argumentos a favor de uma acção militar. Também ajuda a manter a Rússia e a China do seu lado... [quando as conversações falharem], eles então farão pressão por uma resolução obrigatória do Conselho de Segurança que imponha ao Irão a suspensão do enriquecimento e depois, se a Rússia e a China bloquearem as sanções, pedirão medidas unilaterais dos EUA e seus aliados. Se isso falhar, então acabará por se discutir uma acção militar.”

Sanções

A princípio, os EUA evitaram pedir ao Conselho de Segurança da ONU que impusesse sanções diplomáticas e económicas contra o Irão, em grande parte por causa da oposição russa e chinesa. A Secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice tentou parecer tranquilizadora em Março quando declarou: “Ninguém disse que tínhamos que nos apressar imediatamente com alguma forma de sanções”. Mas esse é o caminho que os EUA querem percorrer e, de facto, os EUA parecem ter definido o seu próprio calendário desde o princípio. No início de Junho, Rice sentiu-se preparada para anunciar: “Temos mesmo de ter isto resolvido numa questão de semanas, não meses.”

Embora os pormenores ainda sejam secretos, sabe-se que algumas sanções iniciais foram acordadas na reunião de 1 de Junho em Viena entre os EUA, outros quatro membros do Conselho de Segurança da ONU (Grã-Bretanha, França, Rússia e China), a Alemanha e o chefe da diplomacia da União Europeia. Segundo os relatos noticiosos, a Rússia e a China concordaram que mesmo que não aprovem as sanções, não as bloquearão. A “ementa” de penalizações a impor se o Irão não aceitar o ultimato imposto pelos EUA vai desde o impor da proibição de viajar aos responsáveis iranianos a um embargo de armas. Um tal embargo poderia significar possivelmente definir um anel militar à volta do Irão. Nesse cenário, passo a passo, as sanções poderiam estabelecer as condições para a guerra, mesmo que as outras potências envolvidas se mostrem relutantes ou se oponham. Olhando retrospectivamente para a guerra desencadeada pelos EUA contra o Iraque, fica claro que a diplomacia, as sanções e as manobras no Conselho de Segurança da ONU, etc., não impediram a guerra, antes abriram caminho à sua ocorrência. Desta vez, o plano dos EUA delineado por Rice é tentar minimizar ao mesmo tempo as disputas públicas entre as grandes potências.

Um embargo de armas reduziria grandemente a capacidade de defesa do regime iraniano, dado que o país importa muito do seu armamento mais sofisticado da Rússia e da China. Mais geralmente, a República Islâmica do Irão é extremamente vulnerável à pressão externa porque a sua economia é demasiado dependente dos mercados mundiais. A enorme subida do preço do petróleo durante a última década não tornou o Irão economicamente mais independente, mas antes muito mais dependente das exportações de petróleo. As receitas do petróleo do Irão quase triplicaram desde 1997. São agora pelo menos três quartos das receitas do governo. Além disso, um bloqueio das importações, incluindo maquinaria e tecnologia, poderia incapacitar rapidamente toda a economia do Irão. Só essa ruptura debilitaria enormemente a capacidade militar do regime, para não falar das consequências para a sua estabilidade política. Embora a Rússia e a China tenham resistido a aceitar as sanções que os impedirão de comprar petróleo iraniano, as marinhas norte-americana e europeias nas águas do Golfo podem persuadi-los do contrário.

Quando imposto pelas armas, um embargo transforma-se num acto de guerra. É por isso que os embargos económicos rapidamente acabam por se tornar em acções militares. Na I Guerra Mundial, a Alemanha atacou navios dos EUA que desafiavam uma proibição de remessas para a Grã-Bretanha e proporcionou assim aos EUA uma desculpa para entrarem na guerra quando já estavam preparados. Na II Guerra Mundial, um bloqueio dos EUA às entregas de petróleo ao Japão provocou o ataque japonês a Pearl Harbour. O embargo de uma década contra o regime de Saddam Hussein debilitou-o tanto, económica e militarmente, que o Iraque estava maduro para uma derrota mesmo antes de os EUA o invadirem. O embargo foi a primeira (mas não a única) arma de destruição em massa dos EUA. Isso não significa necessariamente que desta vez os EUA esperarão outra década de embargo.

As opções militares: a ocupação

Se o EUA decidirem agir militarmente contra o Irão, a forma de ataque dependerá de muitos factores, incluindo as diferenças entre as grandes potências, a oposição das massas à guerra e à situação política em geral e a capacidade militar norte-americana.

Não há nenhuma dúvida que, para atingirem os seus objectivos estratégicos na região e no mundo, que requerem o controlo do Irão e a sua transformação em neocolónia dos EUA, os EUA prefeririam uma ocupação total do Irão – algo como a ocupação do Iraque ou pelo menos como a do Afeganistão. Mas é amplamente sabido que uma tal operação seria muito perto do impossível.

O exército dos EUA está atolado no Iraque e enfrenta crescentes dificuldades no Afeganistão. Nesta altura e pelo menos no futuro próximo, os militares norte-americanos estarão eles próprios sobrecarregados só a tentar evitar uma perda completa e o fracasso final no Iraque. Os planos para reduzir o número de tropas norte-americanas nesses dois países tiveram que ser abandonados. Os EUA têm as suas reservas militares extenuadas, figurativa e literalmente.

Além disso, o Irão é um país muito maior que o Iraque, com três vezes a sua população. O seu terreno desigual seria um obstáculo para os tanques norte-americanos e outra maquinaria militar dos EUA. Mesmo no mais favorável terreno do Iraque, o armamento dos EUA mostrou ser muito ineficiente para o tipo de guerra que as forças de resistência estão a levar a cabo.

Se, como dizem muitos analistas militares norte-americanos, os EUA precisarem de três vezes o número de soldados que têm actualmente no Iraque para passarem da ocupação a um verdadeiro controlo do país, então, extrapolando isso para o Irão, pareceria que os EUA simplesmente não têm o que é necessário para atingirem directamente os seus objectivos no Irão, apesar das ameaças arrogantes do governo Bush.

Num importante apelo aos seus congéneres imperialistas norte-americanos intitulado “Não ataquem o Irão” (International Herald Tribune, 26 de Abril), o antigo Conselheiro norte-americano para a Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski, avisou: “Embora os Estados Unidos sejam claramente preponderantes no mundo, não têm o poder – nem a inclinação interna – para impor e depois manter a sua vontade face a uma resistência dispendiosa e prolongada. Essa é certamente a lição aprendida nas suas experiências no Vietname e no Iraque.” Se, de qualquer modo, os EUA prosseguirem e vierem a atacar o Irão, ele avisa: “a era da preponderância norte-americana pode vir a ter um fim prematuro”.

Para se entender o ponto de vista de Brzezinski, devemos recordar que, durante a revolução iraniana de 1979, ele era um “defensor do punho de ferro” que exigiu ao Xá que “esmagasse” e matasse tanta gente quanta necessária para se manter no poder. (Veja-se The Iranian Revolution: An Oral History [A Revolução Iraniana: Uma História Oral], de Henry Precht, nessa altura chefe do Gabinete sobre o Irão do Departamento de Estado dos EUA). Brzezinski tomou essa posição em grande parte por causa do interesse dos EUA em usarem o regime do Xá para ajudar a conter a União Soviética. A sua actual posição face ao Irão não é menos motivada pela sua concepção dos interesses globais do império dos EUA.

A preocupação de Brzezinski com a questão da “vontade interna” parece ser uma referência à necessidade da mobilização norte-americana em massa para duplicar, triplicar, ou mais, o seu número de tropas. Isso poderia activar uma enorme alteração da situação política interna que o governo Bush enfrenta. Embora reconhecendo que seria mesmo politicamente muito difícil agora, o próprio Brzezinski aponta uma possível solução para esse problema: “Se houver outro ataque terrorista nos Estados Unidos, podem apostar até aos vossos últimos dólares que também haverá acusações imediatas de que o Irão é o responsável, de forma a gerar uma histeria pública favorável a uma acção militar.”

Estas reais dificuldades da situação nos EUA deram lugar a diferenças reais dentro da classe dominante dos EUA sobre como abordar a questão do Irão.

Um ataque militar contra o Irão

Uma outra opção publicamente discutida nos EUA é um ataque militar às instalações nucleares iranianas e a alvos militares e políticos seleccionados. Isso está incontestavelmente dentro das capacidades dos EUA, apesar das suas debilidades. Seria o tipo de guerra de que os EUA gostam, baseando-se no seu poderio económico e tecnológico (“a morte vinda de cima”) num combate extremamente desigual. A questão é, o que é que se ganharia política e militarmente com essa acção?

Muitos estrategas imperialistas dizem que seria fácil desferir um revés devastador ao programa nuclear do regime islâmico usando apenas mísseis e/ou aviões. Mas, em primeiro lugar, esse programa não é a principal preocupação dos EUA. Em segundo lugar, mesmo que essa preocupação fosse real, os EUA sabem muito bem que o Irão não está de modo algum próximo de produzir armas nucleares. Esse tipo de ataque poderia infligir golpes políticos e militares ao regime iraniano, mas provavelmente não atingiria directamente os objectivos norte-americanos no Irão e na região. A ideia de que poderia ajudar a derrubar o regime parece irrealista. Na realidade, poderia ajudar os círculos do poder no Irão a cerrar fileiras. Um tal ataque poderia ajudar o isolado regime a obter mais apoio popular numa base nacionalista.

Além disso, o que se pretenderia ser uma acção limitada poderia não permanecer necessariamente limitado, porque os EUA poderia ter que enfrentar a vingança do regime iraniano noutras áreas. Por exemplo, poderia tentar bloquear o Estreito de Ormuz, pelo qual passa diariamente o petróleo da região, ou atingir bases dos EUA na região, ou tentar retaliar através dos seus aliados no Iraque, no Afeganistão ou no Líbano. Um ataque aéreo a alguns alvos poderia muito bem tornar-se num conflito militar total entre o Irão e os EUA. E, pior para os EUA, poderia inflamar todo o Médio Oriente, criando uma situação muito para além da capacidade militar dos EUA de lidar com ela – embora se possa argumentar de novo que, para os EUA, obter a hegemonia na região é uma proposta de “tudo ou nada”.

Finalmente, um ataque limitado contra o Irão – em oposição a um golpe decisivo – poderia aumentar a tensão entre os imperialistas. Já tem havido discordância entre as grandes potências sobre se, quando ou como atacar o Irão. No caso da guerra do Iraque, a oposição das classes dominantes europeias foi silenciada quando os EUA desencadearam uma invasão total e forçaram as outras potências a aceitar o domínio norte-americano como facto consumado. Além disso, ao mesmo tempo que os ganhos militares e políticos de um ataque mais limitado ao Irão possam não atingir os objectivos dos EUA, o seu resultado incluiria provavelmente uma enfurecida oposição em massa à escala mundial. Tal como na preparação da guerra contra o Iraque, isso poderia interferir com os esforços das outras potências imperialistas para defenderem os seus próprios interesses enquanto não estiver resolvida a questão de quem controla o Irão.

Desmembrar o Irão

Além das opções acima descritas, há outras formas possíveis de intervenção dos EUA que não são tão discutidas. Uma é a invasão de uma parte do Irão, numa tentativa de a cortar do resto do país. Nesse cenário, a província sul do Irão, o Khuzestão, poderia ser o mais provável alvo dos EUA. A maior parte dos recursos petrolíferos do Irão está localizada no Khuzestão. Durante a guerra Irão-Iraque dos anos 80, a tomada do Khuzestão foi o objectivo estratégico de Saddam – e que os EUA encorajaram.

O Khuzestão tem importantes vantagens para os EUA de um ponto de vista militar. Tem uma longa fronteira com o Iraque e o terreno é plano, pelo que uma invasão militar norte-americana poderia ser preparada e levada a cabo de um modo relativamente rápido. É um pequeno passeio desde Baçorá, a principal cidade do sul do Iraque, até Ahvaz, a capital do Khuzestão. Os EUA poderiam levar a cabo esse tipo de invasão parcial em nome da “estabilização” do Iraque. Para reduzir o custo político dessa jogada, os EUA estão já a construir um caso contra o Irão por interferência nos assuntos do Iraque. (Não importa que os partidos xiitas iraquianos apoiados pela República Islâmica do Irão sejam todos membros do governo de ocupação instalado pelos EUA. Os EUA acusam mesmo o Irão de “armar os terroristas” no Iraque, embora não haja nenhuma evidência ou sequer alguma lógica nessa afirmação. É inconcebível que o regime xiita iraniano dê qualquer apoio às forças sunitas anti-ocupação.)

Uma ocupação norte-americana da província do Khuzestão faria mais que infligir uma séria pressão económica sobre o regime iraniano, provavelmente paralisando-o e acelerando a sua queda. Também poderia funcionar como uma cunha introduzida nas fendas criadas pela opressão étnica em todos os cantos do Irão. Cerca de metade da população do país é constituída por nacionalidades oprimidas pelo governo central, o qual representa sobretudo a nacionalidade persa dominante. Os EUA poderiam justificar uma invasão alegando que estariam a ajudar a população maioritariamente de etnia árabe da província, dizendo que teria “convidado” os EUA para virem em seu socorro.

No seu artigo na revista New Yorker sobre os preparativos dos EUA para invadirem o Irão (17 de Abril de 2006), o jornalista Seymour Hersh escreveu: “Foi-me dito por um conselheiro governamental com fortes ligações a civis no Pentágono, que as unidades também estavam a trabalhar com grupos das minorias do Irão, incluindo os azeris, no norte, os baluchis, no sudeste, e os curdos, no nordeste.” O carácter inflamável das nacionalidades minoritárias do Irão foi de novo visto em Maio nos protestos em massa que explodiram na província do Azerbaijão em resposta às caricaturas de um jornal que descrevia os azeris como baratas estúpidas. Também tem havido incidentes no Baluchistão durante os últimos meses. E já há algumas forças curdas iranianas a seguir o caminho tomado por Jalal Talabani e Massoud Barzani, os líderes curdos iraquianos que se tornaram nos mais fiéis aliados dos EUA no Iraque. Esses líderes curdos iranianos têm visitado regularmente os EUA e participado em discussões em think-tanks sobre a política externa norte-americana.

Ahvaz tem sido palco de distúrbios há mais de um ano. Indubitavelmente, tem havido genuínos protestos em massa contra as medidas repressivas do regime de Teerão, mas os atentados em zonas urbanas sobrelotadas levantam questões sobre a natureza dos seus responsáveis. O regime islâmico tem acusado os EUA e a Grã-Bretanha de envolvimento. O facto de os informadores do governo norte-americano de Hersh não terem mencionado a minoria árabe do Irão não significa que os EUA não estejam também a trabalhar nessa frente.

Se a invasão se limitasse ao Khuzestão, poderia não necessitar de uma força militar tão grande. Mas não é claro se os EUA têm sequer capacidade para mobilizar tantos soldados adicionais. Além disso, é impossível prever o que poderia surgir exactamente de uma ocupação dessa região. Ainda poderia atrair os EUA para o tipo de circunstâncias desfavoráveis que tentam evitar.

Será uma ameaça oca o uso de bombas nucleares contra o Irão?

A revelação de que o exército dos EUA está a discutir o uso de armas nucleares “tácticas” contra alguns alvos no Irão alarmou e chocou o mundo quando o artigo de Hersh foi publicado. O artigo também revelou que “aviões de combate norte-americanos com capacidade de carga têm vindo a fazer simulações de voos com bombas nucleares, dentro do alcance dos radares costeiros iranianos”.

Algumas pessoas rejeitaram isso como sendo apenas uma ameaça oca. Jack Straw, ministro dos negócios estrangeiros da Grã-Bretanha nessa altura, disse que toda essa ideia era simplesmente “louca”. Mas, louca ou não, a discussão é suficientemente real para que mesmo alguns políticos imperialistas como o Senador norte-americano Edward Kennedy tenham exigido publicamente que os EUA usassem apenas armas convencionais e não nucleares contra o Irão. Straw foi recentemente demitido, embora fosse um dos poucos ministros importantes do primeiro-ministro Tony Blair não envolvidos nalgum tipo de escândalo pessoal. A imprensa britânica especulou que Straw tinha perdido o seu lugar por se ter recusado a abandonar a sua oposição pública à utilização de armas nucleares contra o Irão. George Bush tem-se recusado muito controladamente a prometer que os EUA não o farão. Como relatava o jornal britânico Guardian (4 de Maio), “quando lhe perguntaram o mês passado se as opções dos EUA em relação ao Irão ‘incluíam a possibilidade de um ataque nuclear’ se Teerão se recusar a parar o enriquecimento de urânio, Bush respondeu: ‘Todas as opções estão na mesa’.”

Quando o imperialismo norte-americano mostra deliberadamente os seus dentes, isso deve ser tomado a sério. Enfrentando uma contradição entre a sua ânsia em avançar para os seus objectivos no Médio Oriente e a sua incapacidade em mobilizar tropas suficientes para os atingir, poderia tentar solucionar esse problema do modo mais perigoso imaginável. O nuclear é uma “opção”, o nuclear está “na ementa” – os estrategas imperialistas usam palavras que parecem inocentes para descrever grandes crimes. Certamente que pelo menos algumas das forças no governo Bush e mais em geral na classe dominante dos EUA vêem o arsenal nuclear dos Estados Unidos como a forma de superar as suas limitações e de reafirmar a sua força como superpotência. A consequência poderia ser a morte imediata de centenas de milhares de pessoas e a morte lenta de muitas mais. Mas os governantes dos EUA já mostraram inúmeras vezes, de Hiroxima ao Vietname e ao Iraque que não temem banho de sangue nenhum, por maior que seja, desde que acreditem ser necessário para atingirem os seus objectivos e servir os seus interesses. Banhos de sangue é o que eles sabem fazer melhor. De facto, a arrogância dos responsáveis civis e militares dos EUA sobre a sua capacidade para esmagarem o regime iraniano baseia-se, pelo menos, na possibilidade de um ataque nuclear – como o próprio Bush claramente o diz.

Série: O Irão e a ameaça de uma nova guerra
Introdução
I – O que querem os EUA
II – Possíveis tácticas dos EUA em defesa dos seus objectivos estratégicos no Irão
III – O regime iraniano
IV – Os planos dos EUA e as suas contradições
V – O que os povos precisam de fazer

(Série completa disponível em formato PDF: )