Síria: Salameh Kaileh foi libertado

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 21 de Maio de 2012, aworldtowinns.co.uk

Salameh Kaileh, um proeminente marxista e activista político palestiniano que vivia na Síria há várias décadas, foi libertado e está agora em Amman, na Jordânia, a receber tratamento médico aos ferimentos infligidos pela tortura durante a sua detenção pelas forças de segurança de Bashar al-Assad.

Kaileh foi preso, por agentes à paisana dos Serviços de Informações da Força Aérea Síria, na sua casa em Barzah, um subúrbio de Damasco, ao princípio da manhã de 24 de Abril. Foi levado para instalações dos Serviços de Informações da Força Aérea Síria em Damasco, onde foi insultado e espancado durante vários dias. Os agentes aplicaram-lhe o método de tortura falaqa, chicoteando-lhe as palmas dos pés com uma vara fina de bambu, e também com um bastão eléctrico para gado. Ele foi alvo de insultos contra os palestinianos da parte de oficiais de um regime que sempre tentou obter legitimidade política alegando apoiar a causa palestiniana, mas que frequentemente comprava pelo menos alguma aceitação relutante dos EUA ao trair essa causa.

Kaleih sofre de graves problemas de saúde em resultado de ter vencido uma crise de cancro da tiróide, e havia um receio generalizado pela sua vida na prisão. Mas mesmo quando ele foi transferido para um hospital militar, teve que enfrentar ainda mais tortura que antes.

“Infelizmente, o hospital foi muito pior do que aquilo a que eu fui sujeito na prisão. Não era um hospital, mas um matadouro”, disse Kaileh à Amnistia Internacional após a sua libertação. A Amnistia disponibilizou online fotografias dos ferimentos dele.

Kaileh foi sujeito a espancamentos frequentes e implacáveis, quando estava vendado e amarrado a uma cama, relata a Amnistia. Os médicos juntavam-se aos oficiais militares gritando insultos aos pacientes, mas ele não conseguiu ver se eles também participavam nos espancamentos. O uso de pessoal médico para vigiar e talvez participar em torturas é chocante, mas foi justamente para aproveitar este tipo de procedimentos que durante a última década os EUA entregaram presos ao regime sírio para serem torturados e interrogados.

A 14 de Maio, Kaileh foi colocado num avião e levado para Amman, na Jordânia. Nascido em Birzeit, na Palestina, em 1955, ele, tal como a maioria dos refugiados palestinianos nos países árabes, nunca obteve cidadania no seu país de residência e mantém um passaporte jordano. Kaileh considera que a sua expulsão foi ilegal e planeia iniciar um processo jurídico para obter o direito a regressar.

O sítio internet de emergência freesalamahkaileh.wordpress.com, criado imediatamente após a sua prisão, reflectiu algum do forte apoio que surgiu de todo o mundo árabe e da Europa. Descreve as ideias políticas dele da seguinte forma:

“Salameh já passou oito anos em prisões sírias. Os activistas sírios crêem que Salameh foi detido pelas autoridades devido aos artigos dele que são extremamente críticos da ditadura síria antipopular e também dos dois principais grupos de oposição, o Conselho Nacional Sírio e o Conselho de Coordenação Nacional para uma Mudança Democrática, nenhum dos quais, segundo Salameh, tem fé na capacidade do povo sírio de fazer a mudança ou derrubar o regime sírio. Estes activistas alegam que foi justamente devido ao apelo dele a uma posição mais radical, revolucionária, pela crítica dele dos sinais de crescente acomodação vindos dos principais grupos de oposição, que o regime sírio o reconheceu como importante ameaça e actuou para o silenciar”.

É significativo que os EUA, que na sua campanha por uma mudança de regime na Síria alegam ser motivados por uma preocupação com a segurança e os direitos do povo sírio, não tenham levantado a sua voz em defesa deste opositor da intervenção estrangeira.

Ver também: Síria: Salameh Kaileh preso.