Da edição n.º 539, de 16 de abril de 2018, do jornal Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (http://revcom.us/a/539/palestinos-defy-israeli-bullets-and-tear-gas-for-third-straight-week-en.html, em inglês).

 

Sexta-feira, 13 de abril, Gaza:

Palestinos desafiam as balas e o gás lacrimogéneo israelitas pela terceira semana seguida

Para saberes mais sobre a natureza e o papel de Israel, vê a edição especial do jornal Revolution/Revolución/revcom.us:
“O caso de Israel: Bastião do Iluminismo ou assassino para o imperialismo?”
(lê em inglês ou em castelhano).

Pela terceira semana seguida, milhares de palestinos estiveram presentes em cinco diferentes locais de protesto ao longo da fronteira de Gaza com Israel. Estas manifestações fazem parte da atual protesto “Grande Marcha Pelo Regresso” para exigir o direito de regresso dos palestinos às terras deles roubadas por Israel e o fim do aprisionamento de mais de dois milhões de palestinos no campo de concentração ao ar livre que é a Faixa de Gaza. O dia 13 de abril foi a “Sexta-Feira da Bandeira”, em que os palestinos queimaram ou pisaram bandeiras israelitas, ao mesmo tempo que agitavam a bandeira vermelha, branca, verde e negra da Palestina. Desafiando e evitando o fogo da artilharia israelita, alguns jovens correram para a cerca da fronteira numa corajosa afirmação do direito deles a regressarem às terras deles.

Pela terceira semana seguida, estes palestinos corajosos e desarmados foram recebidos com um mortífero fogo vivo vindo do lado israelita – alguns dos manifestantes estavam a mais de 100 metros da cerca da fronteira, em terra palestina! Um manifestante foi assassinado e 233 ficaram feridos. Os israelitas feriram mais de 700 outros manifestantes com salva atrás de salva de um gás lacrimogéneo sufocante. Eles também dispararam contra as famílias com crianças que se tinham concentrado a mais de 300 metros da cerca. Há tantas pessoas a ser atingidas e feridas que os palestinos instalaram hospitais de campo nos acampamentos de protesto deles e pegaram fogo a pneus para que o fumo espesso e negro obscurecesse a visão dos francoatiradores de Israel.

Durante estas últimas três semanas, 35 manifestantes foram mortos e 3000 ficaram feridos – incluindo 1000 atingidos por munições vivas e outros 300 atingidos por balas de borracha. Ao longo destas semanas, também houve vários protestos na Cisjordânia ocupada em solidariedade com a “Grande Marcha Pelo Regresso”, com mais algumas dezenas de feridos.

Estes disparos são crimes ultrajantes contra a humanidade. Israel é um estado ilegítimo de colonos criado através da expulsão do povo palestino pela força. Agora dispara contra aqueles que desapropriou e justifica isso com a lógica genocida e nazi do Ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman: “Não há nenhuma pessoa inocente na Faixa de Gaza.”

Os EUA têm apoiado Israel e a sua limpeza étnica genocida desde a sua fundação em 1948. Ao longo das últimas décadas, Israel tem funcionado como bastião militar para defender e expandir a dominação norte-americana do Médio Oriente e do mundo.

Hoje em dia, o massacre de Israel está a ser plenamente apoiado pelo regime de Trump e Pence – que bloqueou uma investigação da ONU aos assassinatos – e pelos dirigentes do Partido Democrata que esmagadoramente se recusaram a falar contra o assassinato aberto de Israel. A ajuda militar a Israel foi aumentada para 3,8 mil milhões de dólares por ano, enquanto a ajuda humanitária aos palestinos foi reduzida!

Estes protestos corajosos e massivos mostram que o povo palestino continua a alimentar a esperança e o desejo de uma libertação nacional. Esta esperança, e estes protestos, são totalmente justos e corretos.

Ao mesmo tempo, isto não deve ser confundido com o programa e a visão islamitas do Hamas, que é agora a força política dominante em Gaza e uma importante força nos atuais protestos. Nem deve ser visto como simplesmente fluindo desse programa e dessa visão. Como pano de fundo, há vários cálculos políticos neste contexto, como a rivalidade entre o Hamas e a Fatah (o partido palestino que administra a Autoridade Palestina e que exerce um poder governativo limitado na Cisjordânia – sob o controlo global de Israel) e a consequente necessidade e objetivo deles de serem vistos como representantes legítimos do povo palestino oprimido e ocupado. E, de uma maneira mais crítica, há a intensificação da hostilidade do regime fascista norte-americano de Trump e Pence contra o Irão, que apoia o Hamas. Dois pontos em relação a isto:

Primeiro, os protestos do povo palestino, dada a sua história e realidade atual, são justos.

Segundo, o Hamas, como uma grande influência nestes protestos e um potencial papel de liderança, não é uma força em defesa da libertação da opressão, nem representa uma alternativa radical ao imperialismo e às políticas de apartheid do seu lacaio Israel. De facto, pelo contrário, o programa político, social e ideológico do Hamas é totalmente reacionário e oposto aos interesses fundamentais da vasta maioria dos palestinos e dos povos do mundo. A perspetiva fundamentalista islâmica e obscurantista dele defende um regime religioso e a subjugação de metade da humanidade, as mulheres, entre outros setores do povo.

Os interesses fundamentais do povo palestino não estão representados ma dinâmica entre os interesses imperialistas norte-americanos – agora numa forma fascista com o regime de Trump e Pence – com o seu lacaio Israel de um lado e os fascistas islâmicos representados pelo Hamas e pelos seus apoiantes no Irão do outro lado – uma dinâmica global descrita na seguinte citação de Bob Avakian:

“O que vemos em contenda aqui, com a Jihad de um lado e o McMundo/McCruzada [o cada vez mais globalizado imperialismo ocidental] do outro, são estratos historicamente obsoletos da humanidade colonizada e oprimida contra estratos dominantes e historicamente obsoletos do sistema imperialista. Estes dois polos reacionários reforçam-se um ao outro, ainda que ao mesmo tempo se oponham um ao outro: se alinharmos com qualquer um destes ‘obsoletos’, acabamos por fortalecer os dois.”

Ainda que esta seja uma formulação muito importante e seja crucial para se compreender muita da dinâmica que domina as coisas no mundo neste período, ao mesmo tempo temos de ser claros em relação a qual destes “historicamente obsoletos” tem causado mais danos e constitui a maior ameaça à humanidade. São os “estratos dominantes e historicamente obsoletos do sistema imperialista”, e em particular os imperialistas norte-americanos. (“Bringing Forward Another Way” [“Desenvolver um outro caminho”], http://revcom.us/avakian/anotherway/anotherway3-en.html em inglês ou http://revcom.us/avakian/anotherway/otrocamino3-es.html em castelhano)

Os palestinos, que têm sofrido incomensuravelmente, estão a erguer-se e a pôr-se de pé heroicamente e merecem e clamam por uma via inteiramente diferente e libertadora.

Estes protestos semanais vão continuar e culminar a 15 de maio – o dia a seguir ao 70º aniversário da fundação de Israel em 1948 através do desenraizamento violento de três quartos da população palestina. Os palestinos recordam o 15 de maio como a Nakba – a Catástrofe.

A participação massiva e heroica de tantos milhares de palestinos é uma bem-vinda e importante lufada de ar fresco, sobretudo num momento em que o regime de Trump e Pence e Israel estão a intensificar as suas ameaças e agressões em toda a região. Estes protestos – e o povo palestino – devem ser vigorosamente apoiados!