Do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (publicado em inglês a 23 de março de 2026 e em castelhano a 25 de março de 2026)
Israel desencadeia o genocida “modelo de Gaza”... no Líbano
Israel não está só a assassinar civis e a destruir meios vitais de sobrevivência no Irão. Aproveitou a guerra para lançar um ataque premeditado contra o Líbano, não para “proteger Israel”, mas para implementar o “modelo de Gaza” no Líbano.1
O que significa isto? Significa a total devastação, tomada e ocupação de cidades e territórios libaneses a sul do rio Litani — cerca de entre 8 e 10% do território do Líbano. E isso significa um incalculável número de mortes e devastação em todo o Líbano.2
Significa genocídio. A situação é tão urgente que o Instituto Lemkin para a Prevenção do Genocídio e a Segurança Humana emitiu um “alerta vermelho” sobre Israel no Líbano.
Exagero? Ouçam o que dizem responsáveis e personalidades da comunicação social israelitas:
Um membro do partido do Ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, apelou: “Temos de conquistar território no sul do Líbano, destruir as aldeias dessa área e anexar o território para o estado de Israel”, relatou Ben Reiff numa importante denúncia publicada no jornal The Guardian.
O ex-Ministro da Defesa, Yoav Gallant, apelou ao exército para “atacar e eliminar tudo o que exista em Dahiyeh, Baalbek, Tiro, Sidon, Nabatieh (todas importantes cidades libanesas), em todo o lado”.
“Temos de destruir o país em termos de infraestruturas”, implorou um comentador do Canal 14. “Já não há infraestrutura civil no Líbano”.
Este crime de guerra de proporções colossais está a ocorrer AGORA
Isto não são declarações ocas. O ataque contra o Líbano tem estado a decorrer desde 2 de março, poucos dias depois do ataque dos EUA e Israel contra o Irão. Desde então, Israel lançou mais de 2200 bombas sobre o Líbano, atingindo aldeias no sul e na densamente povoada cidade de Beirute, capital do Líbano. Até este momento, já mais de mil libaneses foram assassinados e mais de 2500 ficaram feridos.
Um funcionário dos Direitos Humanos das Nações Unidas advertiu: “Em muitos casos, os ataques aéreos israelitas destruíram edifícios residenciais inteiros em ambientes urbanos densos, muitas vezes causando a morte de vários membros da mesma família, entre os quais mulheres e crianças”.3
Agora Israel está a intensificar a operação. O seu exército tem emitido ordens de evacuação generalizadas que cobrem uma vasta área do sul do país, obrigando à deslocação de um milhão de pessoas das suas habitações, segundo o jornal The Guardian. A 16 de março, anunciou o início de uma invasão terrestre e estão a ser registados confrontos com o Hezbollah no sul do Líbano.
A semana passada, Israel anunciou a mobilização de “centenas de milhares de reservistas para implementar o ‘modelo de Gaza’, mas no Líbano”. E este fim de semana, o Ministro da Defesa de Israel ordenou aos militares que intensifiquem as demolições de pontes e edifícios no sul do Líbano.
Isto é mais um crime de guerra israelita de proporções colossais, apoiado e facilitado pelos EUA!
Vimos o que o “modelo de Gaza” significou para Gaza. Agora é hora de as pessoas nos EUA e em todo o mundo se erguerem em protesto e resistência contra as criminosas guerras que estão a ser levadas a cabo pelos EUA e Israel contra o Irão e o Líbano!
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NOTAS:
1 A justificação de Israel para toda esta carnificina é que o Hezbollah, um aliado do Irão, rompeu o cessar-fogo acordado com Israel em 2024 ao disparar alguns mísseis contra Israel em retaliação pelo ataque não provocado dos EUA e Israel contra o Irão. Na verdade, nos últimos 16 meses, Israel violou o cessar-fogo por ar e terra, um total de mais de 10 mil vezes.
2 Israel invadiu o Líbano durante a sua guerra civil de 1975–1990, e depois ocupou o sul do Líbano entre 1982 a 2000.
3 Israel Launches Airstrikes on Central Beirut, Demolishing High-Rise Building [Israel lança ataques aéreos contra o centro de Beirute, demolindo um arranha-céus], Democracy Now!, 18 de março de 2026.