Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 9 de junho de 2019, aworldtowinns.co.uk

Em que tempo estamos? Vejam as eleições europeias

As eleições de finais de maio para o Parlamento Europeu refletiram poderosas correntes que estão a estilhaçar a ordem imperialista capitalista global. Estas eleições têm normalmente pouco destaque em comparação com as eleições nacionais em toda a Europa. Este ano foi diferente. Na maioria dos países a participação foi acentuadamente maior e, por todo o continente, as forças fascistas reforçaram ou mantiveram a posição delas no Parlamento Europeu.

A crise global em ebulição no sistema capitalista-imperialista tem levado a que crescentes setores das classes dominantes na Europa, tal como em todo o mundo, recorram a medidas desesperadas — mudando a lealdade deles para longe das formas liberais e multiculturais tradicionais dos regimes democráticos burgueses que têm prevalecido desde a II Guerra Mundial, e em direção ao fascismo. Por toda a Europa, os partidos parlamentares de “esquerda” — entre os quais os trabalhistas da Grã-Bretanha, os social-democratas e os verdes da Alemanha, os social-democratas da Dinamarca, os socialistas de França — resistem à ascensão dos fascistas, mas ao mesmo tempo adotam cada vez maiores partes do programa deles. Os dois extremos deste espectro burguês tradicional, tanto os fascistas como os democratas, são, em última instância, representantes do mesmo sistema capitalista-imperialista.

As eleições parlamentares europeias assumiram uma importância invulgar nesta paisagem turbulenta. Na Europa, até agora, os fascistas “só” tomaram o poder na Hungria, na Polónia e em Itália. Mas, em todo o lado, eles estão cada vez mais a definir as condições da maneira como a sociedade é governada. Na Hungria, os imigrantes são detidos em condições de quase fome em campos de arame farpado, enquanto culpam os judeus pela presença deles. Na Polónia, o aborto é proibido no meio de estridentes apelos a uma cruzada religiosa para tornar a Europa católica. Em Itália, as pessoas de tez “escura” são regularmente caçadas e espancadas, ao mesmo tempo que se reabilita Mussolini (o pai do fascismo moderno e aliado italiano de Hitler antes e durante a II Guerra Mundial). Já desde há muito tempo que as pessoas progressistas na Europa tinham assumido que o continente tinha sido imunizado contra o regresso do fascismo devido aos horrores vividos nas décadas de 1930 e 1940. A realidade está manifestamente a demonstrar o contrário.

Em França, o partido fascista de Marine Le Pen ficou em primeiro lugar nas eleições para o Parlamento Europeu, no meio do quase colapso dos partidos de “esquerda” e de “direita”, que se tinham vindo a revezar no governo durante várias gerações. Le Pen gritou que isso reforçava as alegações de legitimidade dela como chefe de estado, uma “representante do povo”.

Na Grã-Bretanha, os dois principais partidos políticos, o Conservador e o Trabalhista, que ao longo de um século fizeram turnos a esmagar as pessoas e as mentes delas, foram duramente atingidos pela ascensão do Partido do Brexit, de Nigel Farage — o abertamente fascista pai do movimento para “sair da UE” —, com o slogan dele, “Voltar a pôr o grande [grã] na Grã-Bretanha”. Farage é a personificação do racismo e de uma xenofobia e nacionalismo descarados que estiveram sempre no centro do Brexit. A atual primeira-ministra conservadora Theresa May demitiu-se em desgraça. O principal candidato a substitui-la é Boris Johnson, que tem o apoio aberto de Trump. Entretanto, o Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn está a tentar provar que também consegue “recuperar o controlo das nossas fronteiras e do nosso país”, decidindo tudo com base no que aparenta ser bom para “os trabalhadores britânicos” — o “nosso povo”. Isto é ainda mais repugnante em países cuja riqueza foi acumulada através do saque imperialista e da escravatura, e cujos imigrantes vêm em grande parte das antigas colónias e de outros países oprimidos e esmagados para produzirem essa riqueza — então e agora.

Na Alemanha, os principais órgãos de comunicação social exprimem alívio porque, “afinal de contas”, o partido fascista AfD não teve tanto sucesso como chegaram a temer. No entanto, este é um país onde não só o AfD foi normalizado, com mais de 90 representantes no Bundestag [o parlamento alemão], como também onde foram normalizados os pontos de vista que esse partido representa. A coligação governamental liderada por Angela Merkel, que de facto justificou os ataques de turbas contra imigrantes, declarou agora que os judeus religiosos não devem esperar ser protegidos se forem vistos a usar um yarmulke (cobertura para a cabeça) — um sinal sinistro no país que deu Auschwitz ao mundo.

Tudo isto tem implicações para além das fronteiras da Europa. Numa entrevista em Paris, o ideólogo fascista norte-americano Steve Bannon salientou a relação entre as várias componente do movimento fascista mundial e a sua dinâmica global: “Trump não teria sido eleito sem o Brexit. Isso deu-lhe um empurrão. Se os populistas [aqui com o significado de fascistas... (forem bem sucedidos nestas eleições)], isso irá dar-lhe um outro impulso que o irá ajudar em 2020 [as próximas eleições presidenciais nos EUA].” (Le Parisien, 17 de maio, leparisien.fr/elections/europeennes/steve-bannon-l-election-europeenne-sera-un-tremblement-de-terre-17-05-2019-8074545)

As economias e os estados que emergiram após as calamidades sem precedentes da II Guerra Mundial — antigos e novos representantes das mesmas classes dominantes, tal como antes — supostamente deveriam provar que o capitalismo-imperialismo tinha mudado de uma maneira fundamental, que agora é uma força para o bem. Desde então, a democracia burguesa tem significado, como escreveu um poeta, “urnas de voto recheadas de cadáveres”. Um olhar honesto ao que está a acontecer agora mostra o seguinte: Desde há vários anos que milhares de imigrantes se afogam todos os anos no Mediterrâneo, enquanto a Europa “civilizada” ergue barreiras cada vez maiores à entrada deles. Agora foi tornado ilegal resgatar refugiados em perigo — pelo governo fascista de Itália e pelo governo “centrista” de França, com o total apoio da União Europeia e da ONU. Dezenas de milhares de crianças morreram de fome, e há hospitais e casas a serem constantemente bombardeados no Iémen — com a Grã-Bretanha e a França, juntamente com o regime fascista de Trump nos EUA, a darem à Arábia Saudita o apoio militar e logístico que torna possível esta invasão. A Síria, a Líbia e muitos outros países têm sido dilacerados em guerras alimentadas pelas rivalidades imperialistas e por um fundamentalismo religioso que saiu do ventre do próprio sistema imperialista — e isto é uma razão chave para os imigrantes estarem a fugir para a Europa! E, em todo o lado, o ataque ao meio ambiente continua sem diminuição, mesmo quando os cientistas relatam com crescente frequência que se está a acelerar a crise ecológica que o planeta enfrenta.

Nesta situação de grande turbulência, há uma urgente necessidade do surgimento de um núcleo de forças revolucionárias que sejam claras em relação à necessidade de se unirem amplamente à efervescente raiva e repugnância pelas forças fascistas em ascensão, ao mesmo tempo que chamem a atenção para o facto de que elas crescem a partir do terreno do próprio capitalismo. Forças que compreendam que partidos como o Trabalhista britânico e o resto da “esquerda” parlamentar em toda a Europa têm mais medo de despertar as massas a partir de baixo para combaterem a ascensão dos fascistas do que dos próprios fascistas — e que procuram resolver a crise que este sistema enfrenta nos termos do próprio sistema — e que o seu papel principal é enjaular e domesticar a dissidência, mantendo-a dentro dos canais comprovados e estabelecidos desse sistema.

Um passo vital neste esforço é as pessoas na Europa lerem os textos e verem os vídeos de Bob Avakian [BA], o arquiteto do novo comunismo, que tem analisado extensiva e profundamente a ascensão do regime fascista de Trump e Pence nos EUA, no contexto da história e dinâmica do imperialismo capitalista. Vão a revcom.us e vejam em particular o vídeo: O Regime de Trump e Pence Tem de Se Ir Embora — Em Nome da Humanidade, RECUSAMO-NOS a Aceitar Uns Estados Unidos Fascistas. Um Mundo Melhor É Possível (em inglês). Há também inúmeros excertos da secção de Perguntas e Respostas com BA no final do filme, que são de uma relevância fundamental para os jovens revolucionários na Europa, tais como “The Democrats are supposed to be the lesser of two evils, but I don’t want to vote for them. I know the system sucks, but what do we do in the interim?” [“Os Democratas são supostamente o menor dos dois males, mas eu não quero votar neles. Sei que o sistema é uma porcaria, mas que devemos fazer entretanto?”] ou “What’s the relationship between fighting fascism and making revolution?” [“Qual é a relação entre combater o fascismo e fazer a revolução?”].

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O que É o fascismo?

O fascismo é o exercício de uma ditadura aberta pela classe burguesa (capitalista-imperialista), em que governa através do uso do terror aberto e da violência, espezinhando o que é suposto serem direitos civis e legais, usando o poder do estado e mobilizando grupos organizados de capangas fanáticos para cometer atrocidades contra as massas populares, em particular contra os grupos de pessoas que identifica como “inimigos”, “indesejáveis” ou “perigos para a sociedade”.

Ao mesmo tempo — e isto pode ser visto através do estudo dos exemplos da Alemanha nazi e da Itália de Mussolini —, embora seja provável que avance rapidamente na imposição de algumas medidas repressivas para consolidar o seu governo, também é provável que um regime fascista implemente o seu programa global através de uma série de etapas e mesmo, em diferentes momentos, que tente tranquilizar as pessoas, ou certos grupos de pessoas, de que elas irão escapar aos horrores — desde que elas alinhem pacificamente e não protestem nem resistam enquanto outras pessoas estão a ser aterrorizadas e alvo de repressão, deportação, “conversão”, prisão ou execução.

(Fonte: O que É o fascismo, seguido de uma cronologia atualizada da ascensão de Hitler ao poder)

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