O seguinte artigo de Bob Avakian foi publicado recentemente no Revolução e nada menos, um blogue para promover o novo comunismo desenvolvido por Bob Avakian e a Revolução no Brasil.

O artigo está incluído no livro Observations on Art and Culture, Science and Philosophy [Observações sobre Arte e Cultura, Ciência e Filosofia] e foi também publicado no jornal Revolution/Revolución n.º 13, 28 de agosto de 2005 (em inglês em revcom.us/a/013/avakian-three-alternative-worlds.htm e em castelhano em revcom.us/a/013/avakian-tres-alternativas-mundo-s.htm).

Esta seleção é da 6ª Parte da palestra Ditadura e Democracia, e a Transição do Socialismo para o Comunismo, de Bob Avakian, que também está disponível em inglês em revcom.us/bob_avakian/new_speech/avakian_democracy_dictatorship_speech.htm e em castelhano em revcom.us/avakian-es/ba-dictadura-y-democracia-es.html.

Bob Avakian é o líder do Partido Comunista Revolucionário, EUA, e muito mais que isso: é um pensador inovador e crítico que elevou o marxismo a um novo nível. É um comentador singular sobre o basquetebol, a religião, a música doo-wop e a ciência. É também um lutador incansável contra a opressão, que não abandonou nem a sua solene claridade das metas nem o seu sentido do humor.

Convidamos-te a conhecer este líder revolucionário através desta passagem da coleção de ensaios Observations on Art and Culture, Science and Philosophy. Também te exortamos a visitar os sítios internet bobavakian.net e revcom.us para ouvires uma série de palestras que exploram a teoria comunista e a aplicam a uma impressionante diversidade de temas, entre os quais figuram as questões que se apresentam com urgência e força na atual situação.

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Três alternativas para o mundo

Por Bob Avakian

Basicamente vejo três alternativas possíveis para a mudança no mundo de hoje, especialmente em termos da transformação socialista da sociedade.

A primeira é o mundo tal como ele é. De jeito nenhum! [Risos].

A segunda é, em certo sentido, quase literalmente, e mecanicamente, virar o jogo. Ou seja, os hoje explorados não serão explorados da mesma maneira e os que dominam a sociedade não poderão dominar a sociedade de uma maneira significativa. A estrutura econômica básica da sociedade e algumas das relações sociais e formas de poder político irão mudar, e alguns aspectos da cultura e da ideologia irão mudar, mas, fundamentalmente, as massas não serão cada vez mais e mais e com grandes saltos incorporadas realmente no processo de transformação da sociedade. Na verdade, essa visão corresponde a uma sociedade revisionista. Se recordam da União Soviética quando era revisionista, essencialmente capitalista e imperialista, mas ainda socialista no nome? Às críticas por supostas ou reais violações dos direitos humanos, os soviéticos respondiam: “Como podem, vocês do Ocidente, nos criticar por violações dos direitos humanos? Em suas sociedades, não procurem mais que todos os desempregados! Haverá um direito mais básico que o direito ao trabalho?”.

Eles estavam certos? Sim, até certo ponto, mas, basicamente, o que propunham, a visão da sociedade que eles projetavam era de uma sociedade de assistência social, onde o papel básico das massas é o mesmo que no capitalismo clássico. Os direitos das pessoas não se devem limitar ao direito ao emprego e à renda, ainda que isso seja elementar. Vamos transformar a sociedade para que, em todos os aspectos (não apenas  economicamente, mas também social, política, ideológica e culturalmente), seja superior à sociedade capitalista? Uma sociedade que não apenas atenda as necessidades das pessoas mas também seja caracterizada cada vez mais pela expressão consciente e pela iniciativa das massas.

Esta é uma transformação muito mais fundamental do que uma sociedade de assistência social, socialista no nome, mas essencialmente capitalista, em que o papel das massas é limitado, em grande parte, a produzir riqueza, mas não a discutir e definir os assuntos da transformação do estado, da direção da sociedade, da cultura, filosofia, ciência, artes, etc. O modelo revisionista é uma visão economicista estreita do socialismo. Reduz a atividade das massas à esfera econômica de maneira muito estreita, apenas o seu bem-estar econômico. Nem sequer pensa na transformação das perspectivas das pessoas enquanto elas, por seu lado, mudam o mundo em torno delas.

Não é possível criar uma nova sociedade e um novo mundo com a visão do mundo que nos ensinam nesta sociedade. Não é possível haver uma transformação revolucionaria de verdade, a abolição das relações sociais, econômicas e políticas desiguais, se as pessoas continuarem a abordar o mundo da maneira como estão condicionadas, limitadas e restringidas a abordar agora. Será que você será capaz de assumir a tarefa de conscientemente mudar o mundo, tendo a mesma visão do mundo e abordagem ao mundo que você tem neste sistema? Impossível! Esta situação irá simplesmente reproduzir as grandes desigualdades em todas as esferas da sociedade que eu tenho assinalado.

A terceira alternativa é uma ruptura radical de verdade. No Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels disseram que a revolução comunista representa uma ruptura radical com as relações tradicionais de propriedade e as ideias tradicionais, e não é possível fazer uma ruptura sem a outra. Elas se reforçam mutuamente, de uma forma ou de outra.

Em uma sociedade em que o papel fundamental das mulheres é serem reprodutoras de crianças, como pode haver igualdade entre o homem e a mulher? Claro que não! Não atacando e varrendo as tradições, a moralidade e outros fatores que reforçam esse papel, será que é possível transformar as relações entre homens e mulheres e abolir as desigualdades profundas que impõem a divisão da sociedade em opressores e oprimidos, exploradores e explorados? Impossível!

Assim, a terceira alternativa é uma profunda ruptura radical em todas as esferas, em outras palavras, uma síntese radicalmente diferente, é uma sociedade e um mundo em que a grande maioria queira viver. Uma sociedade que não vive ao dia, preocupada sobre como irão alimentar a família ou o que irão fazer se ficarem doentes e tiverem que pagar o médico. Mas, por mais importante que isso seja, também é muito mais: é uma sociedade em que as pessoas estão enfrentando mais e mais todas as diferentes esferas da sociedade, aprendendo e as tornando suas.

A criação de tal sociedade e mundo é um grande desafio, algo muito mais profundo do que apenas mudar algumas formas de propriedade da economia e garantir o bem-estar social, mas em que continua havendo a situação em que poucos estão no comando disso para as massas, e a ciência, as artes, a filosofia e outras áreas permanecem basicamente o campo de poucos.

Dar esse salto de verdade é a luta histórica mundial monumental que iniciamos desde a revolução russa (excluindo a experiência muito curta e limitada da Comuna de Paris). Esta luta atingiu o seu ponto alto com a revolução chinesa e, especialmente, a Revolução Cultural, mas ela sofreu um revés temporário.

Temos que fazer um balanço profundo de toda essa experiência e dar outro salto, e temos que enfrentar alguns problemas muito sérios e complexos para seguir em frente e aprender com o melhor do passado e avançar ainda mais e fazer ainda melhor no futuro.