Do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (em inglês a 23 de março de 2026 e em castelhano a 25 de março de 2026)
O Pai Natal não existe, a fada dos dentes não é real, e...
A monstruosa máquina destruidora da repressão fascista não vai parar só porque Trump é impopular
TEM DE HAVER UMA LUTA POLÍTICA DE MASSAS, FEROZ MAS NÃO VIOLENTA, QUE EXIJA QUE O REGIME FASCISTA DE TRUMP SE VÁ EMBORA, JÁ!
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UM: Avançar para tentar retirar o voto a milhões de eleitores e justificar o roubo das eleições
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DOIS: Reprimir as críticas mediáticas à guerra contra o Irão
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TRÊS: Agentes do FBI “visitam” antigos e atuais membros do Extinction Rebellion
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QUATRO: O FBI e o IRS unem-se para “investigar” organizações sem fins lucrativos à procura de ligações ao “terrorismo”
Enquanto o regime de Trump leva a cabo uma massiva guerra criminosa contra o Irão e desencadeia uma investida global, também está a avançar a toda a velocidade para preparar as próximas eleições e esmagar toda a dissidência e protestos. Tudo isto como parte da consolidação do seu programa fascista mais geral.
O fascismo de Trump e do movimento MAGA está a enfrentar alguns obstáculos reais. Mas isso não o está a fazer recuar, antes está a redobrar os esforços, avançando para silenciar e reprimir todos os que denunciem e protestem contra a ilegalidade e criminalidade deste fascismo de Trump.
Em setembro passado, Bob Avakian, o líder revolucionário e arquiteto do novo comunismo, disse na sua mensagem nas redes sociais, REVOLUÇÃO nº 133 [inglês/castelhano]:
Se se permitir que este regime fascista permaneça no poder, tudo aquilo em que as pessoas decentes têm sentido que podem confiar para buscarem justiça será brutalmente eclipsado... todos os valores morais edificantes serão vilipendiados e reprimidos... cada esfera da sociedade será reconfigurada, de formas terríveis, em consonância com a crueldade da supremacia masculina e anti-LGBT, da supremacia branca e anti-imigrante e da demência anticientífica, destruidora da saúde e do clima, do regime fascista de Trump e os delírios sedentos de sangue e a violência depravada dos fanáticos que encabeçam o “departamento de guerra”, com o louco maníaco Trump a ter o dedo no botão nuclear.
Cada visão, e cada esforço ativo, por um mundo melhor, mais justo, por um futuro digno em que viver, será violentamente suprimido e efetivamente truncado, pelo menos num futuro previsível.
Isto não é uma hipérbole — é a amarga realidade que se está a impor rapidamente.
Aqueles que pensam que este regime cairá por si só... ou que Trump é um palhaço impopular e miseravelmente fracassado, que não há nenhuma maneira como o fascismo se possa consolidar, acordem e leiam o seguinte:
UM: Avançar para tentar retirar o voto a milhões de eleitores e justificar o roubo das eleições
Trump e os Republi-fascistas passaram a semana passada a esforçar-se energicamente para que o Senado aprovasse a chamada Lei de Salvaguarda da Elegibilidade para o Eleitor Americano (SAVE, no acrónimo em inglês). “NÃO MAIS ELEIÇÕES MANIPULADAS”, gritou Trump na sua rede social Truth Social. E acrescentou que a SAVE era “uma das mais IMPORTANTES E TRANSCENDENTES leis na história do Congresso, e dos próprios EUA”.
No coração da SAVE está o mito racista de que milhões de não cidadãos estão a votar como parte de uma conspiração dos Democratas para roubarem as eleições aos “verdadeiros” norte-americanos — ou seja, os brancos, nascidos no país e heterossexuais — e entregarem o país aos imigrantes, às pessoas transgénero e a outros alvos do movimento fascista MAGA. Para “salvar os EUA” de todas essas pessoas “inferiores”, esse projeto de lei pretende estabelecer como lei federal que as pessoas têm de mostrar uma prova de cidadania — ou uma certidão de nascimento, ou um passaporte — para se registarem, e depois levar um documento vigente de identificação com uma foto que corresponda em 100% a esses documentos quando forem votar.
Cerca de 146 milhões de norte-americanos não têm passaporte. Cerca de 21 milhões não têm acesso fácil às suas certidões de nascimento. E 69 milhões de mulheres que mudaram de nome ao se casarem (bem como milhares de pessoas transgénero que mudaram de género) têm agora um documento de identidade com foto que tem um nome que não corresponde às suas certidões de nascimento. Assim, na realidade, a SAVE é um enorme esforço para privar do direito de voto, bem como para demonizar milhões de pessoas.
Se a SAVE for aprovada, ajudará enormemente a assegurar uma vitória fascista nas eleições. Mas mesmo que isso falhe e os fascistas percam as eleições, a SAVE desempenhará um papel fundamental na estratégia de Trump para se manter no poder. Porque, além de promover este projeto de lei, Trump tem estado ativamente a agitar para que os Republicanos “assumam o controlo” das eleições. Ele já deu uma noção do que isso significaria a nível de todo o país quando mobilizou o FBI para apreender boletins de voto em Atlanta, (que é maioritariamente anti-Trump). Trump poderia usar a derrota da SAVE como “prova” de que as eleições foram “manipuladas” e como justificação para as cancelar antes do tempo, ou para apreender os boletins de voto e assumir o controlo da contagem de votos.
DOIS: Reprimir as críticas mediáticas à guerra contra o Irão
A 14 de março, Brendan Carr, presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), publicou na rede social X que as estações emissoras “que estão a difundir fraudes e distorções de notícias, também conhecidas como notícias falsas, têm agora uma oportunidade de corrigir o caminho antes de terem de renovar as suas licenças. A lei é clara. As emissoras devem atuar segundo o interesse público, e perderão as suas licenças se não o fizerem.” Isto aconteceu logo após Trump ter arremetido contra a cobertura mediática “desfavorável” da guerra contra o Irão, com Trump a publicar que o Irão está “a trabalhar em estreita coordenação com os Meios de Notícias Falsas”. Trump disse que os jornais New York Times, Wall Street Journal “e outras ‘Publicações’ e Meios Canalhas, na verdade, querem que percamos a Guerra...” e que alguns “deveriam ser acusados de TRAIÇÃO”. A traição é um crime que pode ser punível com a pena de morte!
Depois de Carr ter feito as suas ameaças, Trump elogiou-o, dizendo que estava “encantado” por a FCC estar a “rever as licenças de algumas dessas Organizações ‘Noticiosas’ Corruptas e Altamente Antipatrióticas”.
Na verdade, como em todas as anteriores guerras imperialistas, os órgãos de comunicação social dos EUA têm apoiado de uma forma repugnante o esforço de guerra das tropas dos EUA. Em grande parte, eles ignoram o enorme sofrimento e destruição que está a cair sobre o povo iraniano enquanto, ao mesmo tempo, trabalham para que as pessoas vejam isso do ponto de vista do que isso irá significar para as vidas dos norte-americanos. Eles centram a atenção nos preços dos combustíveis, questionando se, do ponto de vista dos interesses imperialistas dos EUA, a guerra deveria ter sido iniciada, e criticando a forma como Trump a está a conduzir.
Mas qualquer coisa que seja menos do que papaguear totalmente as mentiras de Trump sem levantar quaisquer dúvidas é demasiado para Trump e o regime fascista dele. Eles exigem — e estão ativamente a impor — um apoio acrítico à guerra.
TRÊS: Agentes do FBI “visitam” antigos e atuais membros do Extinction Rebellion
Ao longo do ano passado, e continuando até este mês, agentes do FBI, alguns deles com ligações ao Grupo de Trabalho Conjunto do FBI contra o Terrorismo, foram “visitando” ativistas do movimento Extinction Rebellion e outras pessoas à volta deles, tentando interrogá-los sobre o movimento. (Aparentemente, a maioria ou todos os ativistas muito corretamente recusaram-se a falar com os agentes).
O Extinction Rebellion leva a cabo protestos políticos destinados a fazer soar o alarme sobre a crise climática. Descreve-se a si mesmo como um “movimento internacional e politicamente não partidário e descentralizado que usa a ação direta não violenta e a desobediência civil para persuadir os governos a agirem com justiça contra a Emergência climática e ecológica”. De maneira nenhuma é um grupo “terrorista”. Mas, sob o fascismo de Trump e do MAGA, está a cair na malha cada vez mais vasta de ativistas que são alvo de “investigação” ao abrigo do Memorando Presidencial de Segurança Nacional de outubro de 2025 [inglês/castelhano] de Trump (NSPM-7, “Combater o terrorismo doméstico e a violência política organizada”), que identifica coisas como “o antiamericanismo, o anticapitalismo e o anticristianismo” como combustível para o “terrorismo”.
A finalidade dessas “visitas” é recolher informações para serem usadas contra outros ativistas e intimidar os ativistas em geral. Os membros do Extinction Rebellion falaram abertamente sobre o medo que isso causou nos seus círculos. Há uma ameaça económica de terem de gastar enormes quantias de dinheiro em meios de defesa legal, incluindo advogados, ainda que os ativistas não tenham infringido nenhuma lei federal. Um deles disse: “Eles poderiam arruinar a minha vida.” E as pessoas também mencionaram a ameaça acrescida que existe desde que, em janeiro passado, agentes federais assassinaram Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis. Um organizador disse: “Não sabemos do que essas pessoas são capazes.” Mas é importante assinalar que as pessoas não se deixaram quebrar com isso. O organizador disse terem partilhado as notícias das visitas do FBI com centenas de apoiantes através do chat Signal. “Estávamos à espera, digamos, de um êxodo em massa no chat. Em vez disso, recebemos ‘corações verdes’ e ‘em frente’.”
(Ver o artigo “Não Dizer Nada” [inglês/castelhano] no revcom.us com uma orientação sobre a oposição à repressão e a defesa dos direitos das pessoas.)
QUATRO: O FBI e o IRS unem-se para “investigar” organizações sem fins lucrativos à procura de ligações ao “terrorismo”
Ver também:
- Nove manifestantes condenados por “terrorismo” por terem protestado frente ao centro de detenção do ICE no Texas, enfrentam longas penas de prisão
Alerta: O regime fascista ameaça com uma nova onda de repressão
Temos de apoiar todos os que estão sob ataque, ao mesmo tempo que enfrentamos e derrotamos esta repressão fascista
[inglês/castelhano]
A 18 de março, o canal CBS News noticiou que “agentes do FBI e do IRS estão a criar uma nova iniciativa para investigar organizações sem fins lucrativos sobre suspeitas de possíveis ligações ao terrorismo interno.” Há cerca de dois milhões de organizações sem fins lucrativos registadas nos EUA, integradas no tecido da sociedade, incluindo muitas que apoiam — política ou humanitariamente — pessoas oprimidas, que são críticas do governo ou defensoras dos direitos humanos e jurídicos. Quais serão investigadas? A CBS News disse que “ainda não é claro que grupos serão alvo de investigação, embora [a Procuradora Geral] Pam Bondi tenha instruído todas as agências federais e policiais a vasculharem os seus arquivos sobre grupos antifascistas e enviarem a informação para o FBI”. E o FBI recebeu ordens para elaborar “uma lista de grupos que estão envolvidos em atos que ‘possam constituir terrorismo doméstico’.”
Uma vez mais, este regime define como “terrorista” qualquer pessoa que se oponha politicamente ao fascismo. Eles chamaram “terroristas domésticos” tanto a Alex Pretti como a Renee Good, depois de estes terem sido assassinados por agentes federais por terem protestado pacificamente contra os rufiões da Gestapo do ICE. As ordens executivas e os memorandos emitidos por Trump e Pam Bondi (como Procuradora-Geral, ela chefia o Departamento de Justiça e o FBI) identificaram coisas como “os pontos de vista extremos sobre a imigração, a ideologia radical de género e o sentimento antiamericano” como “combustível” para o terrorismo.
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Não podemos ficar de braços cruzados perante este monstro fascista. Uma parte fundamental disto é unir todos os que podem ser unidos para derrotar estas movimentações repressivas, apoiando todos os que estejam a ser alvo de ataque. Numa recente e importante apresentação, A humanidade à beira do precipício: Uma marcha forçada para o abismo, ou forjar uma saída da loucura? [inglês/castelhano], Bob Avakian expôs uma abordagem crítica para esta luta de vida ou morte:
(...) é importante reconhecer e agir não só para nos opormos, mas para realmente derrotarmos a severa repressão que o regime de Trump está a ameaçar impor, e que está a agir rapidamente para aplicar — por exemplo, com a sua singularização dos chamados “antifas” [antifascistas] como ação persecutória e um amplo enquadramento para perseguirem qualquer pessoa que seja (segundo eles) “anticapitalista”, “anticristão”, “antiamericano”, que tome supostas “posições extremas” contra a deportação de imigrantes, e por aí adiante. É simplesmente realista e científico esperar que esta repressão suba de nível, e muito provavelmente num futuro próximo. Por isso, é necessário estarmos preparados, tanto ativa como ideologicamente, em termos de orientação, para enfrentarmos e derrotarmos esta repressão, mobilizando as pessoas em oposição a ela, incluindo pessoas que tenham divergências políticas com aqueles que estão a ser alvo de perseguição num dado momento.
E através desta luta, é necessário ganhar mais e mais pessoas, desenvolver mais forças organizadas, para a luta contra o fascismo de Trump e do MAGA, em termos da situação imediata, e para o objetivo fundamental de fazer uma revolução — dando vida ao que descrevemos como o fenómeno R/CR/Mais R (ou seja, a revolução e a resistência contra o sistema, enfrentada pela contrarrevolução da repressão por parte do regime e, por sua vez, enfrentá-la apelando a uma mais poderosa resistência e fazendo preparativos para a revolução). Isto vai constituir um eixo e uma frente extremamente agudos da luta contra o regime de Trump e para a possibilidade de que mude algo ainda mais fundamental. Por isso, é necessário, como eu disse, que estejamos preparados ideológica e praticamente, e que façamos com que esta questão seja conhecida e discutida entre as massas, e que demos vida à orientação de unir todos os que podem ser unidos contra esta repressão, independentemente mesmo de diferenças significativas entre os que assim se unam — mas, ao mesmo tempo, não permitindo que isto, por mais grave que seja provável que se torne, faça com que as pessoas entrem em pânico e recuem da luta contra o regime e por uma mudança mais fundamental.
