Artigo publicado em farsi (persa) na Atash/Fogo, n.º 171, de fevereiro de 2026, a revista do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista). Foi traduzido para português a partir das traduções feitas por voluntários, publicadas no Revolution/Revolution, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA, em inglês a 26 de janeiro de 2026 e em castelhano a 29 de janeiro de 2026.
Da Atash/Fogo, revista do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista)
A guerra faz vítimas?!
(Montagem: ©Amnistia Internacional)
A República Islâmica amontoou os cadáveres das pessoas que massacrou e depois mostrou-os na televisão como forma de intimidação, e como justificação do assassinato organizado pelo estado contra um povo enfurecido e esgotado por 47 anos de opressão e repressão implacáveis. Mas, na mente das pessoas, não ficaram legitimados nem os assassinatos de janeiro de 2017, nem os ocorridos em novembro de 2019, nem os da revolta Jina [o movimento Mulher, Vida, Liberdade de 2022–2023]. O que ganhou legitimidade foi a necessidade de uma sublevação para derrubar este regime, que assumiu enormes e surpreendentes dimensões em janeiro de 2026. Desta vez, no entanto, os esbirros do [aiatola] Khamenei não estavam sozinhos. Os esbirros do [monarquista Reza] Pahlevi também fizeram tudo o que podiam para sequestrar a voz da revolta do povo e para usar este massacre como uma cobertura política e de direitos humanos para legitimar os ataques militares do fascista Trump e do genocida Netanyahu que, sem dúvida, trarão inimagináveis massacres e destruição. Que a vergonha e o ódio se abatam sobre eles.
Mesmo alguns analistas norte-americanos de menor dimensão qualificaram as ordens de “guerra” de Reza Pahlevi como não só infantis, mas também desastrosas. Mas Pahlevi respondeu com um sorrisinho: “Bem, é uma guerra, e a guerra faz vítimas”, apesar de a República Islâmica do Irão (RII) ter declarado uma guerra unilateral contra uma sublevação espontânea do povo.
Se os EUA iniciarem uma guerra contra a República Islâmica, na realidade será para suprimir a sublevação do povo e, a pretexto de defender o povo do Irão, promover as políticas internacionais do imperialismo norte-americano. A guerra de Reza Pahlevi com a RII é uma guerra que tem sido levada a cabo há anos pelas organizações de segurança da Mossad, dos EUA e de outros países da região contra o aparelho de segurança da República Islâmica. Qualquer movimento, grupo ou voz que encaixe nesse quadro estará a usar o povo como carne para canhão nessas guerras levadas a cabo pelos aparelhos de segurança de forças que são profundamente antipopulares. A alternativa defendida por ambos os lados é substituir um regime teocrático fascista que é antipopular até à medula por um regime fascista “laico” que é antipopular até à medula. A República Islâmica não tem limites para os massacres e a destruição, tal como não o têm Israel, os EUA e os grupos sob o seu comando.
A nossa mensagem às jovens mulheres e homens é: durante 47 anos, geração após geração, fizemos grandes sacrifícios em guerras contra a RII, e continuaremos a fazê-los. Mas a independência política e operacional nesta batalha tem sido um dos nossos princípios. Sem uma guerra contra a RII, não poderemos derrubá-la. No entanto, para nos prepararmos para levar a cabo essa guerra, temos de fazer com que a sublevação política contra a República Islâmica seja tão generalizada, extensa e firme quanto possível. Para defender esta abordagem de “mais universal, mais ampla e mais resiliente”, temos de estar permanentemente preparados para assumir novos desafios e encontrar soluções que apanhem de surpresa as forças de repressão.
Mas o mais importante, o conteúdo político da nossa luta e revoltas deve expressar as reivindicações gerais que as pessoas de todos os segmentos da sociedade têm gritado e exigido nos últimos 47 anos. Só assim poderemos isolar o regime e, ao mesmo tempo, evitar o sequestro da nossa luta por aqueles que, não fazendo parte do governo, não têm nenhuma diferença fundamental em relação à RII.
As reivindicações de qualquer sublevação abrangem as reivindicações que as pessoas de todos os setores da sociedade têm vindo a levantar nos últimos 47 anos e mais que isso, e devem lutar por essas reivindicações, ao mesmo tempo que formem as pessoas para se tornarem tribunos de todas elas, e que as vivam. Todas as sublevações devem ser uma plataforma para a liberdade e a igualdade dos homens e das mulheres, uma plataforma para a liberdade e a igualdade para todas as nacionalidades no Irão, uma plataforma para a libertação dos presos políticos e o fim das execuções, acabar com o trabalho infantil, acabar com a destruição do meio ambiente, exigir uma rutura completa com a teocracia, exigir o fim do genocídio do povo de Gaza, exigir que os imperialistas norte-americanos, chineses e russos tirem as mãos do Irão, eliminar o controlo dos capatazes sobre os setores petrolífero, petroquímico, bancário, da água e das minas. A maioria do nosso povo sofre com estes [horrores], e este sofrimento mostra a urgente necessidade de derrubar a RII.
Não devemos tratar esta sublevação como se fosse uma “guerra”, porque não o foi. Em vez disso, a nossa abordagem deve ser a de a tratar como uma “escola de guerra” ou, por outras palavras, como a preparação política de milhões de pessoas para levar a cabo uma luta de libertação com o fim de estabelecer o nosso próprio estado revolucionário. Temos de transformar esta sublevação numa máquina semeadora de uma consciência de um estado que seja nosso e diferente — a Nova República Socialista do Irão — e numa plataforma para a consciencialização sobre a necessidade e a natureza da guerra revolucionária. Sem essa guerra não conseguiremos quebrar a espinha dorsal das forças armadas deste regime nem cortar as mãos às potências mundiais que hoje competem sobre como fragmentar o Irão em proveito próprio.
No mundo de hoje, só pode haver um tipo de guerra justa, que é uma guerra por uma revolução para criar uma sociedade sem classes e sem distinções sociais. Qualquer guerra lançada por Israel, pelos EUA e pelas suas forças afiliadas, tais como os esbirros de [Reza] Pahlevi, estará destinada a reforçar o domínio das classes capitalistas do Irão, o que irá soterrar as reivindicações e aspirações populares a um mundo melhor, e usar o povo como carne para canhão a ser consumida e, em seguida, atirada para o lixo.
O Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista) forjou o caminho e a estratégia da guerra revolucionária para uma revolução no Irão, e está atualmente a revê-los e desenvolvê-los. Estamos a viver uma situação crítica que é muito diferente das anteriores. Mais do que nunca, as massas populares precisam de entender o caráter emancipatório dessa guerra.
Futuramente publicaremos um resumo dos princípios dessa estratégia.