Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 1 de Dezembro de 2003, aworldtowinns.co.uk

Um ramo de oliveira em mãos sionistas

Eles usam serras eléctricas e machetes. E normalmente estão carregados de armas.

A batalha anual pela colheita da azeitona palestiniana em toda a Faixa de Gaza tornou-se ainda mais amarga este ano. As colheitas anteriores foram arruinadas pelo roubo da azeitona e pela intimidação por parte dos colonos israelitas, mas a actividade dos membros dos colonatos sionistas tomou uma nova dimensão em 2003. As autoridades sionistas afirmam que esses colonos são “ingovernáveis”, mas a crescente presença do exército israelita na Faixa de Gaza só os tornou ainda mais ousados. Grupos palestinianos e de direitos humanos estimam que foram danificadas ou destruídas mais de 1000 oliveiras e a colheita da azeitona foi roubada. Algumas das árvores datavam dos tempos romanos.

A 6 de Novembro, mais de 300 oliveiras foram destruídas por colonos do colonato de Eli, que se espalha por várias colinas nas terras cultivadas de Sawiya. Sawiya é uma aldeia de 2000 palestinianos, localizada a sul de Nablus. As casas estão principalmente no lado ocidental da Estrada 60, enquanto as terras estão no lado oriental. Eli é um colonato ilegal israelita em terra palestiniana, ocupando os cumes das colinas, controlando a fonte de água e fazendo o que podem para aterrorizar os palestinianos.

Os habitantes de Sawiya reuniram-se nessa noite. A aldeia já tinha perdido grandes pedaços de terra, roubada para construir os colonatos, e as pessoas estavam relutantes em perder mais. Mas sabiam de experiência amarga que se houvesse violência, não importa quem fosse responsável, as autoridades israelitas puniriam os palestinianos com o recolher obrigatório ou pior.

Procuraram a segurança no número, e regressaram no dia seguinte com um grupo maior de trabalhadores das aldeias vizinhas. Os colonos mantiveram-se afastados, mas desceram naquela noite. Em duas colinas, serraram e cortaram as árvores, quebraram os ramos e cortaram os troncos com serras eléctricas. Alguns ramos maiores foram atirados ao chão ainda cheios de azeitonas. Quanto mais alto na colina, na direcção do colonato, maior a destruição – principalmente dos ramos férteis que demorarão uma década a voltar a crescer e a começar a produzir novamente.

Antes desse ataque, os colonos sionistas tinham destruído sistematicamente as oliveiras, perfurando buracos e inserindo veneno. Foram mortas pelo menos 40 árvores desde Outubro de 2002.

Uma pequena piscina natural perto da fonte de água foi “anexado” pelos colonos que a estão a usar como piscina recreativa. Recentemente, dispararam tiros para o ar para forçar os palestinianos a deixar a zona. Bloquearam a entrada da fonte de água para que os palestinianos não pudessem tirar água.

Os activistas de um grupo israelita prometeram ir a Sawiya impedir os colonos de usar violência contra os camponeses palestinianos e ajudá-los a arar e a fazer as colheitas.

Em Ein Abus, também a sul de Nablus, foram cortados todos os ramos de cerca de 500 oliveiras. Camponeses palestinianos dessa aldeia apontaram unanimemente o dedo acusador aos seus vizinhos no cimo da colina: os colonos israelitas de Yitzhar. Os colonos fanfarronam que pretendem roubar os palestinianos de tudo o que têm. “Todos têm de mudar, correr e agarrar tantos cumes de colinas quantos possam para aumentar os colonatos porque tudo o que tomarmos agora ficará nosso... Tudo o que nós não agarrarmos ficará para eles. As árvores voltam a crescer e finalmente nós esperamos colher em vez dos habitantes não desejados da área,” disse Yosi Peli, porta-voz da comunidade de Yitzhar numa entrevista publicada no Jerusalem Post de 3 de Novembro.

Durante os últimos dez anos o número de colonos duplicou para 230.000, com um crescimento anual de 10.000 por ano durante os últimos três anos. Os colonatos israelitas nos territórios palestinianos que Israel ocupou em 1967 são proibidos por muitas resoluções da ONU. Porém os colonatos servem um propósito estratégico como postos coloniais avançados com piscina. Os subsídios governamentais israelitas aos colonos chegam a 10.000 dólares por ano, além dos outros subsídios e subvenções sociais disponíveis para quem reivindique origem judia e concordem em morar em Israel. Em última análise, muito do dinheiro vem dos EUA.

Uma mulher entrevistada pelo Serviço Feminino Internacional de Paz, um grupo internacional que trabalha na Faixa de Gaza, descreveu como durante a colheita da azeitona do último ano, foi atacada por dois colonos homens que a pontapearam selvaticamente no tórax. Depois libertaram o seu burro e fugiram com ele e com os sacos de azeitona que ele carregava.

A reocupação da maior parte da Faixa de Gaza pelo exército israelita e as condições tipo prisão que impuseram às pessoas significam que uma maior proporção da população depende das colheitas, uma vez que milhares de trabalhadores palestinianos perderam os seus empregos em Israel. Activistas dos direitos humanos salientam que com o colapso da economia palestiniana muitas aldeias regressaram à agricultura de subsistência.

Mais de 60% dos palestinianos vive com menos de 2 dólares por dia, de acordo com o mais recente relatório do Banco Mundial. Diz-se que um olival de 250 oliveiras representa o sustento de 10 famílias numerosas.

Ibrahim escolheu um dos ramos de oliveira serrados que sujavam o seu íngreme olival da ladeira de Sawiya. “Um símbolo da paz”, disse sarcasticamente, apontando para as casas dos sionistas que destruíram as suas árvores. Com o seu olival agora parcialmente controlado pelos colonos de Eli, Ibrahim está cheio de medo e de ódio e acredita que os ataques são parte de um esforço geral israelita para afastar os palestinianos das suas terras.

(Fontes para este artigo incluem o The Guardian, a Agência France Presse, o Jerusalem Post e o website do Serviço Feminino Internacional de Paz.)