Do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (em inglês a 2 de março de 2026 e em castelhano a 4 de março de 2026)
Os EUA e Israel atacam o Irão e assassinam o dirigente iraniano Khamenei
– Uma criminosa guerra de agressão imperialista pelos maiores terroristas do mundo
– O Irão retalia: cresce o perigo de intensificação da guerra
Domingo, 1 de março. No momento em que escrevemos, a guerra não provocada de agressão que os EUA e Israel ontem iniciaram contra o Irão continua e ameaça propagar-se ainda mais a toda a região, e possivelmente para além dela.
Isto é mais uma indignidade gritante e um crime de guerra do capitalismo-imperialismo dos EUA, agora liderado pelo fascista Trump, e do lacaio desse sistema no Médio Oriente, o genocida primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (aka Netan-Nazi).
Também é de longe o mais perigoso. É urgente que as pessoas nos EUA saiam às ruas e exijam:
FIM À GUERRA DOS EUA E ISRAEL CONTRA O IRÃO!
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Sábado, 28 de fevereiro. Pouco depois das 9h30 em Teerão, capital do Irão. Era o início da semana. Muitos iranianos tinham deixado os filhos na escola e ido trabalhar. De repente, a cidade foi abalada por enormes explosões. As pessoas, atordoadas e aterrorizadas, correram para se abrigarem, para encontrarem os seus entes queridos, para recolherem os seus filhos das escolas, ou para fugirem da cidade.
Os EUA e Israel tinham acabado de lançar o seu ataque surpresa. Durante as horas seguintes, centenas de aviões de combate e mísseis dos EUA e Israel atingiriam mais de 500 alvos em dezenas de cidades em todo o Irão.1
Pelo menos duas escolas foram atingidas pelos ataques dos EUA e Israel. Numa delas, uma escola primária feminina no sul da cidade iraniana de Minab, cerca de 85 crianças foram chacinadas e outras 93 ficaram feridas. “Só deus sabe quantas crianças mais serão retiradas dos escombros”, publicou nas redes sociais um funcionário governamental. Num outro vídeo, um homem grita: “Debaixo deste entulho, as alunas estão enterradas”, enquanto mostra papéis e cadernos escolares: “O sangue dos nossos entes queridos, das nossas alunas, podem vê-lo nos cadernos delas.”
No sábado, a comunicação social do estado iraniano informou que 201 pessoas tinham sido mortas e 747 ficado feridas nos ataques que atingiram 24 das 31 províncias do Irão, um número que, sem dúvida, subirá nos próximos dias.
O ilegal assassinato do aiatola Khamenei
Os ataques dos EUA e Israel visaram instalações de inteligência e segurança, casas de funcionários iranianos e lançadores e armazéns de mísseis balísticos, a fim de limitar a capacidade iraniana de responder aos ataques dos EUA e Israel.
De acordo com o seu objetivo declarado de degradar as capacidades militares do Irão e derrubar o regime iraniano, os principais alvos dos EUA e Israel neste ataque surpresa foram os líderes da República Islâmica. A CIA tinha estado a seguir os movimentos do chefe de estado do Irão, Khamenei, desde há vários meses e no sábado indicou a Israel onde ele estaria. Um ataque aéreo israelita, que arrasou todo o complexo, assassinou-o, e a vários outros funcionários, bem como a alguns dos familiares de Khamenei.
O porta-voz das forças armadas de Israel disse posteriormente que as suas forças também tinham assassinado o ministro da defesa do Irão, General Aziz Nasirzadeh, o líder do Corpo de Guardas Revolucionários, General Mohammad Pakpour, um conselheiro de topo do líder supremo do Irão, Ali Shamkhani, e outras pessoas. O jornal Jerusalém Post informou que dezenas de outros altos responsáveis iranianos também podem ter sido assassinados pelos ataques aéreos israelitas.
Sejamos claros: Khamenei e todos esses outros funcionários eram a cabeça de uma teocracia fundamentalista islâmica brutal e completamente reacionária. Tinham nas mãos o sangue de muitos milhares de iranianos (incluindo comunistas revolucionários e muitos outros combatentes da liberdade). E tinham promovido a reação e a opressão em todo o Médio Oriente.
Mas isso não justifica estes assassinatos israelitas. Atacar um estado soberano que não representa uma ameaça imediata é um crime de guerra, e também o é o assassinato do líder de um estado soberano.
Durante décadas, os imperialistas dos EUA e os seus “capangas” israelitas, escarneceram destes princípios em muitas situações. No entanto, agora os fascistas Trump e Netanyahu estão a elevar as coisas a um outro nível, destruindo qualquer vislumbre do direito internacional. Os EUA estão numa ofensiva violenta para forjar um Médio Oriente (e um mundo) em que tem total supremacia militar e liberdade de ação, para mutilar e assassinar sempre que achar necessário, enquanto mais ninguém sequer tem direito ou capacidade de se defender.
Basta ver o que eles estão a fazer em Gaza, onde Israel, com o total apoio dos EUA, assassinou mais de 70 000 palestinos e impôs a fome aos restantes dois milhões. E agora, usando como desculpa a guerra contra o Irão, Israel encerrou a passagem de Rafah entre o Egito e Gaza, bloqueando uma rota-chave para a ajuda humanitária, colocando em risco imediato a vida de muitos habitantes de Gaza.
Ou na Cisjordânia, onde colonos sionistas fanáticos, juntamente com os militares israelitas, estão a aterrorizar os camponeses e aldeões palestinos que vivem nessas terras há séculos, num momento em que Israel avança em direção à anexação não oficial, mas real, de toda a Cisjordânia Palestina.
Ou no Líbano, onde Israel, novamente com o total respaldo dos EUA, lançou um ataque em larga escala [inglês/castelhano] contra o grupo pró-iraniano Hezbollah, envolvendo enormes ataques aéreos, a tomada de território, a morte de cerca de 4000 libaneses e o assassinato do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah. Israel continua a atingir o Líbano e a ocupar o seu território
Ou na Síria, onde após a queda do regime do tirano encharcado em sangue Basir Assad em dezembro de 2024, Israel intensificou a sua agressão militar contra o país. Isso incluiu mais de 600 ataques aéreos e incursões terrestres, muitas vezes para ocupar terras ou destruir infraestruturas militares da Síria e retirar-lhe a capacidade de se defender.
O Irão retalia... Trump ameaça... Aproxima-se uma escalada
No período anterior ao ataque dos EUA e Israel, em que os EUA estavam a acumular forças na região, o Irão ameaçou retaliar violentamente se fosse atacado. No sábado, depois de os EUA e Israel terem atacado, o Irão fê-lo.
Disparou mísseis contra Israel e outros aliados dos EUA no Golfo que albergam bases militares dos EUA. Entre os alvos estiveram a base naval dos EUA no Barém, a Base Aérea de al-Udeid no Catar, a Base Aérea de Ali al-Salem no Kuwait e a Base Aérea de al-Dhafra nos Emirados Árabes Unidos.
O Irão também atacou a Base Aérea de Muwaffaq Salti na Jordânia, onde os EUA recentemente basearam dezenas de aviões de combate, bem como uma base aérea no Abu Dhabi. O Irão atingiu pelo menos três aeroportos regionais, incluindo o Aeroporto Internacional do Dubai, o Aeroporto Internacional do Kuwait e possivelmente o Aeroporto Internacional de Irbil no Iraque, todos usados parcialmente por pessoal militar e tráfego aéreo dos EUA.
O Irão atingiu Riade, a capital da Arábia Saudita, com um míssil. E encerrou grande parte do tráfego naval através do Estreito de Ormuz, uma das vias-chave do mundo através da qual flui cerca de 20% das transferências mundiais de petróleo (do Irão, Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos). O medo de a guerra se espalhar também levou uma grande empresa a suspender alguns carregamentos através do Mar Vermelho e do Canal do Suez, o que também tem impacto nas cadeias globais de abastecimento.
Após o assassinato de Khamenei ter sido confirmado, os dirigentes do Irão ameaçaram escalar a situação. “Atravessaram as nossas linhas vermelhas e devem pagar um preço”, disse o seu porta-voz parlamentar numa comunicação televisiva no domingo. “Assestaremos golpes tão devastadores que vocês serão levados a implorar.”
Isto, por sua vez, levou a mais ameaças e avisos de Trump e Israel. Trump já tinha avisado: “Os bombardeamentos pesados e dirigidos, no entanto, continuarão ininterruptos durante toda a semana ou, o tempo que for necessário para atingirmos o nosso objetivo de PAZ EM TODO O MÉDIO ORIENTE E, DE FACTO, NO MUNDO!”
Depois, em resposta às novas ameaças do Irão, publicou: “É MELHOR NÃO FAZEREM ISSO... SE O FIZEREM, IREMOS ATINGI-LOS COM UMA FORÇA COMO NUNCA VISTA ANTES!”
Trump pode ameaçar, mas ele criou uma situação em que pelo menos um forte setor das forças armadas iranianas se pode sentir encurralado e como se não tivesse nada a perder. Isso torna as coisas ainda mais voláteis e suscetíveis de explodirem para fora do controlo da vontade de qualquer pessoa.
O ministro da defesa de Israel anunciou que as suas operações militares, que visam “degradar as capacidades do regime” e “criar as condições militares e operacionais para derrubar o regime iraniano”, iriam continuar durante “tanto tempo quanto necessário”.
No momento em que escrevemos, estão a ocorrer novas vagas de ataques aéreos dos EUA e Israel em todo o Irão. Israel relatou que os seus aviões de combate “atingiram lançadores de mísseis iranianos, sistemas de defesa aérea, centros de comando e quartéis-generais do regime”.
Também houve relatos de três soldados norte-americanos terem sido mortos e cinco outros ficado feridos. E também isso impõe novas necessidades, agora aos EUA de “vingarem” essas mortes com atrocidades ainda maiores.
Os ataques dos EUA e Israel e o assassinato de Khamenei constituem um importante desenvolvimento global, com implicações de longo alcance e, como temos salientado, imprevisíveis e extremamente perigosas.
Um objetivo deste ataque dos EUA e Israel pode ser obstruir ou fazer recuar a crescente influência da China na região e no Irão em particular. A China, o principal rival global dos EUA, compra 80% do petróleo do Irão e, juntamente com a Rússia, um outro grande rival dos EUA, tem crescentes laços militares e diplomáticos com o Irão. A China e a Rússia são também potências imperialistas com armas nucleares. Trump acaba de sequestrar ilegalmente um importante aliado russo na Venezuela, Nicolás Maduro, e em 2024 Biden e Netanyahu ajudaram a derrubar outro: Assad na Síria. Agora Trump está a visar um terceiro aliado russo — Cuba —, e o Irão seria o quarto.
A China e a Rússia têm denunciado o ataque dos EUA e Israel contra o Irão. Houve uma variedade de reações dos países de todo o mundo.
Tudo isto sublinha a urgência de exigir o fim desta agressão dos EUA e Israel!
Uma guerra fascista e imperialista baseada em mentiras
O fascismo é uma maneira qualitativamente diferente de como este sistema impõe o seu domínio sobre as pessoas. O fascismo de Trump é um regime que aberta e agressivamente retira direitos fundamentais e descaradamente declara que não há um estado de direito nem os devidos processos legais, a não ser o que ele ditar, e que esse poder destrutivo cruento é o que deve dominar na arena internacional, sem sequer uma pretensão de aderência ao direito internacional nem preocupação com a soberania, ou sequer o direito a existirem, para os povos e países menos poderosos.
— Bob Avakian, REVOLUÇÃO nº 114 [inglês/castelhano]
Trump tentou justificar a sua agressão descarada com uma mangueirada de mentiras. Ele ou as pessoas à volta dele alegaram que o Irão está a uma semana de criar uma bomba nuclear. Mentira.
Que o Irão está a desenvolver mísseis balísticos capazes de atingir os EUA. Mentira.
Até disseram que se estava a preparar para atacar preventivamente as forças dos EUA e, portanto, representava uma ameaça iminente. “Se tivéssemos esperado que eles nos atingissem primeiro, o número de mortes e os danos teriam sido muito piores”, disse um funcionário de topo da Casa Branca, acrescentando que “o presidente não teve escolha”. Isto também é uma mentira.
Mas há um país que realmente tem armas nucleares, que tem mísseis balísticos que podem atacar qualquer lugar do mundo, que estava a planear um ataque preventivo, e que não é apenas uma ameaça imediata para o Irão, é uma ameaça para o mundo inteiro: os EUA, agora liderados pelo regime fascista de Trump, ajudado pelo seu cão de fila no Médio Oriente, Israel!
A agência Reuters informou: “um funcionário da defesa israelita disse que a operação tinha sido planeada durante meses em coordenação com Washington, e que a data de início tinha sido decidida semanas antes”, uma data de ataque que coincide com o início do mês islâmico sagrado do Ramadão.
Pausemos aqui! Por outras palavras, todo o espetáculo de fachada de negociar com o Irão foi uma farsa que visou dar aos EUA tempo para acumular as suas forças militares no Médio Oriente e enganar os iranianos (e o público nos EUA). Parece que Trump nunca teve nenhum interesse na “paz” nem nenhuma intenção de “chegar a um acordo”.
E depois há o seguinte: Trump mente com todos os dentes ao dizer que o Irão representa uma “ameaça iminente” para as pessoas nos EUA. O Irão não tem bases nem forças militares em nenhum lugar dentro de um raio de milhares de quilómetros dos EUA. Ao mesmo tempo, desde há décadas que os imperialistas dos EUA têm mais de 30 000 tropas, cerca de 19 bases militares e o seu porta-aviões inafundável Israel logo à porta do Irão. E agora Trump deslocou mais 300 aviões de combate, dois porta-aviões e respetivos grupos de ataque e outros equipamentos militares para a região!
E onde estão os Democratas face ao ataque de Trump contra o Irão e a sua assassina investida global?
Como respondeu o Partido Democrata ao ataque de Trump ao Irão? Será que o classificaram de crime contra a humanidade? Uma flagrante e ilegal violação do direito internacional? Renunciaram à dominação dos EUA no Médio Oriente ou ao seu apoio a Israel? Não.
Eles queixaram-se de Trump não ter feito o suficiente para preparar o “povo americano” para a guerra. Chamaram-lhe um “erro”. Disseram que, mais que tudo, Trump devia consultar primeiro o Congresso, como a lei impõe. Por favor notem que não foi um apelo a que cessasse esta absolutamente ilegal, injusta, assassina e extremamente perigosa guerra de escolha, mas simplesmente que os permitissem dar uma opinião sobre ela.
Isto é mais um exemplo de como os Democratas são um partido da classe dominante que é incapaz de liderar o combate para afastar Trump do poder o mais rápido possível, através de uma luta política massiva, sustentada e não-violenta.
Uma estratégia fascista para reconfigurar o mundo
Desde o fim da 2ª Guerra Mundial que o domínio do Médio Oriente — com as suas rotas comerciais, uma localização na junção com a África, a Europa e a Ásia e vastas reservas de combustíveis fósseis — tem sido um pilar fundamental do império capitalista-imperialista dos EUA.
Hoje, a dominação regional e a predominância global dos EUA enfrentam novos desafios explosivos. E esse sistema agora escolheu o fascista Donald Trump para o liderar.
O ataque dos EUA e Israel contra o Irão é a mais recente e mais ameaçadora das investidas sanguinárias de Trump e Netanyahu em todo o Médio Oriente e no mundo.
Só este ano, Trump — que afirma ser o legítimo vencedor do Prémio Nobel da Paz — lançou operações militares no Irão, Iémen, Somália, Nigéria, Iraque e Síria. Capturou e afastou do poder o chefe do estado soberano da Venezuela — Nicolás Maduro. Ameaçou usar a força para dominar a Groenlândia e o México, aqui supostamente para combater os laboratórios de fentanil. E o regime dele assassinou mais de 150 pessoas no mar.
Ao longo de 2025, os EUA aumentaram significativamente os ataques aéreos em todo o mundo, com 622 bombardeamentos fora dos EUA registados entre 20 de janeiro de 2025 e o final do ano, visando sete países.
E Trump colocou o poder de vida ou morte, de guerra ou paz nas suas próprias mãos, e só nas suas próprias mãos. Todo o poder está nas mãos dele, só ele decide e ele não tem necessidade de dar explicações. Como escreveu um funcionário de Trump: “CONFIEM EM TRUMP!”
Isto é mais um importante passo na consolidação do fascismo.
Como escreveu o revcom.us:
Trump e outras forças no regime fascista dele têm andado numa investida: ameaçando atacar e afirmando o seu direito a dominar, controlar e invadir qualquer país em qualquer lugar — sem qualquer restrição legal. Mas embora Trump pareça um louco, isto não é simplesmente loucura. Eles estão a implementar a sua estratégia fascista para reconfigurar o mundo ao serviço dos interesses de uns EUA fascistas mais capazes de enfrentar quem eles veem como o seu principal rival imperialista, a China.
Num mundo de intensa competição de cortar gargantas entre potências nucleares, as movimentações militares fascistas de Trump e as tentativas de intimidar países e regiões inteiras do mundo contêm o extremo perigo de isto espiralar para uma confrontação nuclear, o que realmente poderia levar à extinção da humanidade.
— “A investida global de Trump, e o método da loucura” [inglês/castelhano]
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NOTAS:
1 Israel anunciou que os seus 200 aviões de combate atingiram 500 alvos. Os EUA não anunciaram quantos dos seus mais de 300 aviões e numerosos navios de combate agora na região participaram, nem quantos alvos atingiram.