Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 14 de Março de 2005, aworldtowinns.co.uk

O que aconteceu nas zonas rurais do Nepal durante a greve?

Em reacção ao golpe de estado do Rei Gyanendra contra o parlamento, o Partido Comunista do Nepal (Maoista) convocou as massas do Nepal para participarem numa bandh (greve e paralisação geral) por tempo indefinido, incluindo uma proibição de todo o trânsito de veículos em todo o país a partir de 12 de Fevereiro. Os maoistas cancelaram a bandh ao fim de duas semanas. A imprensa nepalesa censurada pelo Exército Real denominou a greve de “infeliz” ao mesmo tempo que impedia a publicação de quaisquer notícias reais. O que foi infeliz sobre essa bandh para o regime real e seu exército era claro no terreno. O semanário maoista Janadesh publicou alguns relatos do que aconteceu durante essas duas semanas.

O semanário escreveu que a greve por tempo indefinido convocada pelo partido interrompeu todas as estradas que ligam a capital, Katmandu, ao resto do país. Na zona de Muglin-Naubise da estrada de Prithwi, a menos de duas horas da capital, houve 15 dias de movimentos de gato e de rato para trás e para a frente entre os dois exércitos dos dois estados – o Exército Popular de Libertação do novo estado e o Exército Real do antigo estado. O Exército Real fez tudo o que pôde para interromper a greve. Forçou camionistas a deslocarem-se com as suas camionetas vazias sob a ameaça de armas. Usou pessoas desarmadas como escudos humanos dos seus veículos militares.

A 19 de Fevereiro, o EPL entrou em acção contra 13 veículos que furaram o embargo e destruiu-os. No dia seguinte, uma unidade da Quarta Brigada do EPL atacou o Exército Real em Krishnabhir, na mesma estrada, matando um membro do Exército Real e ferindo outros cinco. A 21 de Fevereiro, houve um confronto entre o EPL e o ERN. Um camionista indiano morreu e três outros ficaram seriamente feridos no fogo cruzado. O jornal censurado de Gyanendra alegou falsamente que foram os maoistas que assassinaram o camionista.

Em datas diferentes, ao longo da mesma estrada, quase uma dúzia de membros do Exército Real foram feridos por minas e armadilhas colocadas pelo EPL. Os revolucionários maoistas tinham erguido barreiras em muitos lugares ao longo da estrada, derrubando árvores de grandes porte, juntando pedras, colocando armadilhas, pneus a arder, etc. Enquanto o EPL erguia essas barreiras, as massas populares faziam a segurança, além de ajudarem a erguê-las. A 21 de Fevereiro, no distrito de Lamjung, no Nepal central, dois membros do Exército Real foram mortos quando despoletaram uma armadilha.

O Exército Real fez patrulhas de helicóptero por cima das estradas quase diariamente. A 19 de Fevereiro, lançaram bombas por cima dessas zonas. Os revolucionários maoistas consideram isto uma forma de guerra psicológica contra o EPL.

Ao fim de duas semanas, o Camarada Prachanda, presidente do PCN(M) e comandante supremo do EPL, emitiu um comunicado em que dizia que “com o sentido da nossa total responsabilidade para com as massas populares” o partido decidira terminar temporariamente a bandh. Nesse comunicado de 26 de Fevereiro, ele anunciou: “Vamos começar uma nova fase de resistência militar crescente e de mobilização das massas populares.”