Nova Iorque protesta contra Ahmadinejad

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 28 de Setembro de 2009, aworldtowinns.co.uk

Aproveitando a presença do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad na ONU em Nova Iorque, milhares de iranianos de toda a América do Norte e de outros locais levaram a cabo dois dias de vigorosos protestos contra esse ícone do ódio para muitos milhões dos seus compatriotas. Neles participaram uma grande diversidade de pessoas, incluindo muitos veteranos da revolução de 1979 forçados ao exílio e jovens de ascendência iraniana nascidos nos EUA e no Canadá que estão a despertar – e por vezes a redespertar os seus ascendentes – para a vida política. Também representavam um largo espectro da opinião política, com uma forte presença de forças que se identificam com a oposição reformista “verde” pró-República Islâmica do candidato presidencial Mir-Hossein Mousavi, bem como revolucionários, comunistas e muitas outras pessoas que se opõem tanto ao regime islâmico como ao imperialismo norte-americano.

A 23 de Setembro, enquanto Ahmadinejad falava durante a abertura da Assembleia Geral da ONU, os manifestantes juntaram-se frente à missão iraniana na ONU e marcharam para a Praça Dag Hammarskjold, frente à sede da ONU no centro de Manhattan. Algumas pessoas já tinham iniciado os protestos na noite anterior, frente ao hotel de Ahmadinejad. A 24 de Setembro, uma enorme multidão marchou pela Ponte de Brooklyn até Manhattan, levando uma faixa que dizia “Ahmadinejad não é o meu presidente” feita com a costura de panos assinados por iranianos de todo o globo.

Quando foi inicialmente anunciado o discurso de Ahmadinejad na ONU, vários grupos iranianos começaram a mobilizar as pessoas para o receberem com a maior manifestação iraniana no estrangeiro desde a visita do Xá do Irão aos EUA, não muito antes da sua queda. O regime islâmico, que roubou os frutos da revolução contra o Xá, trouxe décadas de sofrimento político e económico ao povo. A fraude nas eleições presidenciais de Junho detonou uma crise na sociedade Iraniana e o Irão tornou-se um cenário de protestos e lutas contra o regime. Milhares de pessoas foram presas e muitas foram torturadas e violadas. Centenas de pessoas foram assassinadas nas ruas ou na prisão.

O que tem estado a acontecer no Irão durante os últimos três meses também enfureceu organizações e activistas revolucionários que, em todo o mundo, se preocupam com o povo. Muitos revolucionários e progressistas nos EUA não só se juntaram aos iranianos para protestarem contra Ahmadinejad e o regime que ele representa, como também ajudaram activamente a organizar as manifestações. Entre eles estavam organizações de direitos humanos e outras e o Partido Comunista Revolucionário [PCR] dos EUA. Foi vendido uma grande quantidade de literatura comunista do PCR e do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista) em farsi [a língua persa].

Dada a presença de muitos grupos diferentes, também havia diferentes palavras de ordem a representar as suas linhas políticas, tais como “Abaixo o ditador!”, “Ahmadinejad, onde estão os teus 63 por cento?” (a percentagem de votos que ele alega ter obtido nas eleições), “Independência, liberdade, república do Irão” e “A tortura e as violações já não nos conseguem parar”.

Algumas pessoas marcharam atrás de bandeiras vermelhas, incluindo um grupo de ex-presos políticos e de familiares de pessoas mortas pelos executores e torturadores do regime, gritando palavras de ordem que visavam tanto o sistema imperialista como todo o sistema político islâmico e não apenas um seu representante ou apenas uma facção do regime. Uma das principais palavras de ordem foi: “De Guantânamo e Abu Ghraib a Evin e Kahrizak: Abaixo os Sistemas de Tortura e Execução”, bem como “Abaixo o regime islâmico do Irão”.

Eles também levavam imagens de camaradas torturados e assassinados nas duas prisões iranianas acima mencionadas, e noutras, nos anos 80, quando os comunistas e outras organizações revolucionárias foram os principais alvos do regime, e fotografias de jovens recentemente assassinados pelo regime.

Dois protestos

Pode-se dizer que o dia 23 de Setembro viu dois protestos contra Ahmadinejad. Um deles, frente ao edifício da ONU em Nova Iorque, visava a brutalidade do seu regime contra o povo. O outro, na Assembleia Geral da ONU e nas conferências de imprensa dos imperialistas e das grandes potências, visava pressionar o regime islâmico, focando-se na questão nuclear. Mas esses dois protestos vinham de duas direcções diferentes. Uma pretendia denunciar a brutalidade do regime e os crimes que está a cometer contra o povo iraniano, mas isso não era importante para os imperialistas. Eles não se preocupam com isso e nem sequer se quiseram referir a isso nos discursos que os seus representantes fizeram nessa sessão. De facto, e objectivamente, os seus ataques a Ahmadinejad serviram para desviar a atenção pública da brutalidade da República Islâmica contra o povo e visavam, em vez disso, virá-la para a questão nuclear e para os comentários de Ahmadinejad sobre Israel.

Durante os últimos anos, Ahmadinejad tem tentado dar de si próprio uma imagem militante, misturando comentários provocatórios sobre Israel e as potências ocidentais com uma ultrajante e ridícula negação do genocídio nazi contra os judeus. De facto, ao defender um anti-semitismo implícito e ao não expor o papel do sionismo ao serviço do imperialismo norte-americano, a sua abordagem também desculpabiliza os EUA. Talvez ele nem sequer se preocupe com as acusações imperialistas. Ele já tem beneficiado delas, internamente e noutros lugares do Médio Oriente, sobretudo quando foi atacado pelas autoridades israelitas. Embora a contradição entre o seu regime e os países imperialistas encabeçados pelos EUA seja real, os dois lados concordam em que o povo tem que escolher entre essas duas alternativas reaccionárias e, nesse sentido, os seus ataques mútuos também têm um elemento de apoio mútuo.

No seu discurso deste ano, tal como em anos anteriores, Ahmadinejad também declarou a morte do Marxismo, não só para agradar às potências ocidentais, mas também para promover a sua ideologia podre que está encarnada nos últimos 30 anos de terror, tortura, assassinatos, violações e encarceramento de pessoas e de miséria económica para a maioria do povo. Pelo contrário, os protestos frente ao edifício da ONU foram o verdadeiro problema para Ahmadinejad. Ajudaram a expor a sua verdadeira natureza de mentiroso, torturador e assassino. Ele enfrentará o mesmo tipo de protestos em todos os outros lugares que possa vir a visitar e onde haja uma comunidade iraniana.