Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 12 de Fevereiro de 2007, aworldtowinns.co.uk

Mulheres iranianas organizam acções para o Dia Internacional da Mulher

A Campanha das Mulheres Pela Abolição de Todas as Leis Misóginas e Baseadas no Género e das Leis Islâmicas Punitivas no Irão está a preparar acções para 3 e 8 de Março, por ocasião do Dia Internacional da Mulher.

A Campanha, conhecida pelo seu acrónimo na língua farsi, Karzar, organizou durante cinco dias em 2006 uma bem-sucedida série de marchas, de Frankfurt, na Alemanha, a Haia, na Holanda. O último dia contou com a participação de cerca de 1000 pessoas, sobretudo mulheres iranianas mas também mulheres e homens de toda a Europa e do resto do mundo, alguns viajando longas distâncias para darem o seu apoio solene às mulheres do Irão cuja opressão é legitimada pelo sistema legal imposto pelos governantes desse país.

Este ano, a Campanha das Mulheres organizou um programa a dois níveis. Está a organizar dias locais de acção a 3 de Março em muitas grandes cidades europeias, entre as quais Londres, Paris, Frankfurt, Bremen e Gutingen na Alemanha, Estocolmo, Helsínquia e também Toronto no Canadá. Mas a manifestação principal e central da Campanha das Mulheres deste ano terá lugar em Haia a 8 de Março, o próprio Dia Internacional da Mulher. Gente de todos os cantos da Europa irá juntar-se à marcha que atravessará o centro da cidade, dirigindo-se depois para a embaixada dos EUA e daí para a embaixada da República Islâmica do Irão.

“O facto de a Campanha das Mulheres passar por essas duas embaixadas é simbólico”, disse ao Serviço Noticioso UMAG Leila Parnian, uma das coordenadoras da Campanha. “Dirigir-nos-emos primeiro à embaixada dos EUA para exprimirmos a nossa oposição à ameaça norte-americana de uma guerra contra o Irão e a tudo o que os EUA fazem contra as mulheres no Afeganistão e particularmente no Iraque. Estamos cientes de que os EUA não têm nenhuma intenção de levar a democracia ao Irão e não têm nenhuma intenção de libertar as mulheres iranianas. A situação das nossas irmãs do Afeganistão e do Iraque diz muito sobre como as mulheres estão a sofrer com esses regimes fundamentalistas estabelecidos pelos EUA nos dois países. Também sabemos como Bush trata as mulheres nos próprios EUA, onde está a fazer tudo o que pode para privar as mulheres do seu direito ao aborto. Não temos nenhuma ilusão sobre as intenções e os objectivos dos EUA de invadirem o Irão.” Explicando porque é que o protesto também será levado até à embaixada iraniana, ela continuou: “O nosso principal slogan este ano é: ‘Não à reacção, Não ao imperialismo, Em frente por um mundo novo’, porque não queremos apoiar nenhum dos lados, nem contar com os imperialistas norte-americanos para acabarem com a opressão das mulheres, nem apoiar o regime islâmico reaccionário que tem sido o principal opressor das mulheres do Irão desde a sua criação e que tornou legal e um dever religioso a discriminação das mulheres.”

A Campanha das Mulheres tem-se definido a si própria pela sua posição clara contra o regime islâmico iraniano e o imperialismo norte-americano. Um outro aspecto importante têm sido os seus esforços e algum grau de sucesso na unidade de um largo sector de organizações de mulheres e de indivíduos em torno dessa posição.

Trata-se de uma necessidade numa situação em que, por um lado, os imperialistas norte-americanos estão a fazer rufar cada vez mais os tambores para uma guerra contra o Irão. Os EUA não vacilarão em apontar a opressão das mulheres do Irão como uma das suas desculpas para invadirem esse país, como fizeram aquando da invasão e ocupação do Afeganistão. Bush já pediu a aprovação de que mais de 75 milhões de dólares do seu orçamento sejam atribuídos à promoção da “democracia no Irão”, ou seja, aumentar o financiamento do sistema norte-americano de propaganda em farsi. Por outro lado, o regime iraniano, apesar do seu desespero e das tentativas de explorar o orgulho nacional do povo através da decepção e de juntar tanta gente quanto possível para salvar a sua própria pele, não mostra nenhum sinal de concessões aos direitos democráticos e em particular aos direitos das mulheres. É essa a natureza de um regime reaccionário cujos interesses estão em conflito agudo com a libertação das mulheres.

Apesar disso, tem havido algumas ideias erradas que envolvem, pelo menos temporariamente, as pessoas deixarem de lutar contra os seus opressores e exploradores mais próximos face à ameaça de uma guerra desencadeada pelos EUA. Algumas pessoas, disse Parnian, “fazem disso uma pré-condição para apoiarem a Campanha. Isso é particularmente forte na esquerda dos países ocidentais, entre pessoas que sentem repugnância pela tiranização dos países oprimidos pelos EUA e outros imperialismos ocidentais. Essa linha tem sido um obstáculo concreto a um apoio mais forte à luta das mulheres. Mas também estamos a enfrentar uma outra tendência, sobretudo dentro do movimento iraniano, que tende a apoiar os EUA contra o regime islâmico.”

Ela salientou a importância de a Campanha das Mulheres manter uma linha independente como única forma de construir um movimento de resistência mais forte e os perigos que as linhas erradas representam para esse movimento. “Esses pontos de vista (errados) forçam as pessoas a tomar partido seja pelos brutais governantes islâmicos, seja pela mortífera agressão militar dos EUA. Essas linhas não dão uma hipótese à luta independente do povo, uma luta que confie apenas na força do povo. A única forma de os oprimidos se envolverem completamente contra a reacção e o imperialismo, a única forma de tornar possível uma verdadeira oposição à agressão norte-americana, é a luta independente das massas unidas tanto contra os imperialistas como contra o poder reaccionário iraniano, não só no Irão, mas com o apoio activo de gente de todo o mundo, num movimento que tenha a perspectiva de um mundo novo onde toda a discriminação contra as mulheres tenha sido eliminada e os direitos democráticos do povo assegurados.”

Finalmente, em resposta a uma pergunta sobre quanto apoio das forças progressistas a Campanha das Mulheres prevê obter para a marcha deste ano, Parnian disse: “A situação está mais polarizada este ano, mas o sucesso da Campanha das Mulheres do ano passado certamente afectou e influenciou as forças com as quais estivemos em contacto. Muitos dos grupos que apoiaram a marcha da Campanha das Mulheres do ano passado já deram o seu apoio também este ano e as mensagens de apoio continuam a chegar. Somos agora uma força reconhecida que está disposta a unir o movimento das mulheres em torno de um slogan revolucionário – Não ao imperialismo, Não à reacção, Em frente por um mundo novo. Além disso, as mulheres do Irão sofreram mais um ano de opressão do regime. Neste momento, há muitas mulheres à espera de execução, a maior parte delas muito jovens, como Kobra Rahmanpour e Delara Darabi, cujas penas de morte geraram muitos protestos. Por outro lado, os enormes crimes dos invasores norte-americanos e dos seus regimes fantoches no Iraque e no Afeganistão, em particular contra as mulheres, fizeram muita gente pensar duas vezes antes de se juntarem a um tipo de reacção contra outro. Sentimos que isso enfraqueceu essas ideias erradas, sobretudo entre as pessoas a nível individual. Cada dia que passa, mais gente chega à conclusão que é necessário um movimento independente e está a apoiar esse movimento.”

Para mais informações: Internet: www.karzar-zanan.com. Correio electrónico: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..