Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 2 de Abril de 2007, aworldtowinns.co.uk

Maoistas entram formalmente no governo do Nepal

O Partido Comunista do Nepal (Maoista) entrou formalmente para o governo a 1 de Abril, com o estabelecimento de um novo gabinete de 21 membros, entre os quais cinco ministros do PCN(M). A tomada de posse do gabinete completa o processo de formação de um governo interino iniciado em Novembro passado com a assinatura de um acordo de paz entre o PCN(M) e os sete partidos parlamentares, depois da queda do governo directo do rei devido à sublevação urbana das massas de Abril passado. Esse acordo marcou o fim da guerra popular iniciada uma década antes e que tinha levado o poder político revolucionário a 80 por cento do país e ao início de extensas transformações sociais.

O governo da nova aliança de oito partidos, como é largamente conhecida no Nepal, foi ratificado pelo parlamento, tal como o foi a renomeação do líder do Partido do Congresso G. P. Koirala, antigo primeiro-ministro do rei, como primeiro-ministro do novo governo. Koirala também detém as pastas da Defesa, da Saúde e da População. O Ministério do Interior também está sob controlo do seu partido. Ao PCN(M) foram entregues os ministérios da Informação, do Desenvolvimento Local, das Florestas e Conservação da Terra, das Obras e Planeamento Físico e das Mulheres, Crianças e Segurança Social.

Este governo irá organizar as eleições de 20 de Junho para a Assembleia Constituinte que decidirá o futuro da monarquia. A campanha eleitoral terá uma duração de apenas dois meses e meio, em vez dos seis meses originalmente previstos. Segundo a nepalnews.com, depois dos ministros terem tomado posse, o Presidente Prachanda do PCN(M) disse aos jornalistas que “a principal prioridade do seu partido após ter entrado para o governo interino será assegurar a eleição de uma Assembleia Constituinte num ambiente de liberdade, justiça e ausência de medo”. Segundo essa agência noticiosa nepalesa e as notícias da televisão, ele acrescentou que “o seu partido também terá duas outras prioridades – fornecer ajuda imediata às massas e orientar o estado para um novo processo de longo prazo”. O Presidente Prachanda foi citado a dizer: “Que não se pense que nós nos juntámos ao velho sistema. A formação de um governo interino inicia um novo processo. Agora já não há dois estados.” E continuou, dizendo que os oito partidos tinham assinado um acordo em que o rei podia ser deposto numa votação de dois terços do parlamento, se se vier a descobrir que ele conspira para minar as eleições. De agora em diante, os ministros maoistas terão a sua segurança assegurada pelo governo.

Muitos países e organizações internacionais, incluindo a Grã-Bretanha e a ONU, saudaram a formação do novo governo. A Índia disse: “O Governo da Índia espera vir a trabalhar com o governo interino para fortalecer as relações tradicionalmente próximas e mutuamente benéficas da Índia com o Nepal.” A Embaixada dos EUA emitiu um comunicado em que exprime “apoio total” e a continuação da “ajuda” ao novo governo, embora acrescentando uma ameaça não muito oculta: “O Partido Comunista do Nepal (Maoista), que até à data se tem recusado a abandonar a violência, tem que fazê-lo agora. Como membros do Governo Interino, os maoistas devem agora ser considerados integralmente responsáveis pelos seus actos. Têm que cumprir os seus compromissos e juntar-se finalmente à cultura dominante como partido político não violento.”