Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 24 de Setembro de 2007, aworldtowinns.co.uk

Jena, Luisiana, EUA:
Levantamento de massas contra a opressão racial

“Nada semelhante a este movimento – nada semelhante ao seu espírito, mobilização ou determinação – havia sido visto há muito tempo.” Foi assim que o jornal Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA, descreveu a vaga de dezenas de milhares de pessoas, predominantemente afro-americanos que se manifestaram na pequena cidade de Jena, no Luisiana, a 20 de Setembro, contra as tentativas das autoridades para mandarem para a prisão seis jovens negros por se terem oposto à supremacia branca. Nesse dia, decorreram outras manifestações de apoio em cidades e vilas em muitas zonas do país, muitas delas organizadas por estudantes do ensino secundário e universitário que, no último minuto, se baseavam na Internet e na rádio.

Há um ano atrás, no início do período escolar, um estudante negro pediu autorização ao director da escola secundária de Jena para se sentar à sombra da árvore situada à frente da escola, um local que até então tinha sido considerado “apenas para brancos”. No dia seguinte, apareceram penduradas da árvore três cordas com laços, um símbolo da tortura e do linchamento por turbas brancas que foi usado para manter os negros “no seu lugar” depois de a escravidão ter sido oficialmente abolida há quase um século e meio atrás – uma prática terrorista que se intensificou no início do século XX, persistindo nessa forma durante muitas décadas, e que continua hoje sob outras formas. É um ícone dos dias em que aos descendentes dos escravos era negado sequer uma aparência de igualdade e em que, de facto, eram assassinados por a exigirem.

Como contou depois ao jornal maoista a mãe de um dos jovens que ficariam conhecidos como os “6 de Jena”, “Nós sentimo-nos como se os brancos estivessem a dizer: ‘Bem, se se sentarem debaixo dessa árvore, vamos enforcar-vos.’ Foi assim que nós, enquanto negros, nos sentimos, embora os brancos tenham dito que era uma brincadeira. Como podia ser uma brincadeira quando algo semelhante foi feito aos negros durante anos?”

Pouco depois dessa ameaça de linchamento, um grupo de estudantes negros permaneceu debaixo da árvore num acto de protesto. As autoridades locais ameaçaram punir os estudantes negros. Após uma série de provocações violentas contra os jovens negros, começou uma luta no pátio da escola que deixou um estudante branco momentaneamente inconsciente. (Mais tarde, os seus pais deram uma entrevista a um jornal declaradamente supremacista branco.) Seis estudantes afro-americanos dessa escola foram detidos e acusados de conspiração para cometer assassinato.

A maioria deles passou meses na cadeia. O único que chegou a julgamento até agora, Mychal Bell, foi condenado e mandado para a prisão. Agora com 17 anos, ele tem estado na prisão desde Dezembro passado, mesmo após um tribunal superior ter anulado essa condenação a 14 de Setembro. Os outros cincos jovens continuam sob ameaça de acusação. As suas famílias têm sido intimidadas e ameaçadas de morte. O FBI e as autoridades nacionais enviaram agentes a Jena que declararam as detenções e os julgamentos como “não irregulares”.

Foi isso que motivou tanta gente a vir apoiar os 6 de Jena. O protesto foi amplamente descrito como resultado de “um trabalho de organização de base” que trouxe gente que afluiu à cidade em autocarros, carrinhas, automóveis e motorizadas, vindos dessa zona do sul dos Estados Unidos e de tão longe quanto Nova Iorque e a Califórnia. O Revolution/Revolución escreveu: “Tinha sido passada a palavra para se ‘vestir roupas negras’ e quase toda a gente trazia t-shirts negras. Em todo o lado para onde se olhasse, havia grupos de pessoas reunidas – usando as t-shirts originais que tinham feito e transportando sinais de fabrico caseiro, expressando a luta pela Libertação dos 6 de Jena: ‘Basta!’, ‘Abaixo o Jenacídio’, ‘Libertem os cativos’, ‘Vão à raiz do problema’, ‘Os Seis de Jena fizeram o que era correcto’, ‘Seis de Jena, Harlem apoia-vos’, ‘O nó está solto, roupa sem algemas, Liberdade para os Seis de Jena’, ‘Não há lugar para o racismo’... À medida que as pessoas regressavam a casa, havia um verdadeiro sentimento de que tinha sido feito história. Muitas pessoas estavam a falar sobre como isto era o início de algo que era necessário há muito tempo, o início de um novo movimento.”

A situação tem-se tornado mais intensa desde então. Tem havido uma contra-ofensiva reaccionária contra as reivindicações das massas. Na mesma altura em que os manifestantes se agrupavam nessa tarde para se dirigirem à vizinha cidade de Alexandria, jovens racistas brancos num camião com cordas penduradas na traseira passaram repetidamente por eles. Duas pessoas que estavam no camião foram presas. Aparentemente, um deles tinha as letras “KKK” tatuadas no tórax e era de uma família envolvida na organização violentamente supremacista branca Ku Klux Klan. No dia seguinte, um juiz recusou-se a libertar Mychal Bell da prisão sob fiança.

O Revolution/Revolución escreveu: “Não se trata apenas de Jena. Trata-se de tudo – da forma como este sistema engole tantos jovens negros e de outras minorias, e de tudo o resto que eles têm imposto às massas durante anos e anos a fio. E trata-se de um facto: a única coisa que até agora tem impedido estes jovens de serem total e injustamente condenados (enviados para a prisão sem muitas preocupações com uma aparência de legalidade), e que tem conquistado algumas concessões iniciais, tem sido a força das massas em luta.” Mas, continuava o jornal, as massas precisam de se questionar “por que é que coisas como esta continuam a acontecer”. Um editorial concluiu: “O povo não pode permitir que esta injustiça vença. O povo tem que impedir, através de acções políticas de massas, esta imposição violenta da supremacia branca e impedir mais outro caso de jovens negros que desaparecem nos calabouços do sistema. Os 6 de Jena devem ser libertados. E tudo isto tem que se tornar parte de um crescente movimento revolucionário.”