Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 28 de Maio de 2007, aworldtowinns.co.uk

“Organizemos acções contra o G8 e façamos avançar a luta popular!”

O seguinte comunicado foi produzido para os protestos contra o G8 que terão lugar perto de Rostock, na Alemanha, durante a primeira semana de Junho. Entre os signatários estão o Partido Comunista do Irão (MLM), o Partido Comunista Maoista (Turquia e Curdistão do Norte), os Comunistas Revolucionários (Alemanha), o Partido Comunista (Maoista) do Afeganistão e apoiantes do TKP/ML (Centro Maoista do Partido).

Organizemos acções contra o G8 e façamos avançar a luta popular!
Paremos a guerra pelo Império –
Promovamos a luta popular por uma genuína emancipação social!
Contra os imperialistas e os reaccionários, quer lutem quer colaborem!

Os tambores para a próxima guerra no Médio Oriente rufam cada vez mais intensamente a cada dia que passa! A máquina de guerra dos EUA está a aquecer para um brutal ataque ao Irão. O corpo diplomático dos EUA está atarefado em negociações secretas com os regimes reaccionários regionais e mesmo com as forças reaccionárias fundamentalistas islâmicas para prepararem activamente o terreno político para uma nova fase da guerra no Médio Oriente.

Tomando o horrível ataque antipopular do 11 de Setembro como oportunidade, a classe dominante dos EUA, reunida em torno do seu núcleo duro de cristãos fascistas, declarou abertamente o seu objectivo de estabelecer uma nova ordem mundial. Sob a capa de “guerra ao terror”, iniciaram uma guerra sem limites com o objectivo de estabelecerem um império global incontestado.

A violência norte-americana que actualmente visa o Médio Oriente tem um âmbito muito mais vasto, cobrindo o território que vai da Turquia à Indonésia, servindo a sua restruturação estratégica global de construção de um novo império incontestado. Em poucas palavras, o seu objectivo é o “domínio total” do Médio Oriente.

Que ninguém fique à espera que esta tempestade passará e o pêndulo voltará de novo à “normalidade”. Temos uma longa noite pela frente. Por isso, preparemo-nos e acima de tudo definamos claramente qual o caminho da nossa luta contra esta guerra totalmente assassina.

Nesta sangrenta via de edificação do império, os EUA sentem-se compelidos a afastar os seus antigos fantoches e colaboradores e as instáveis estruturas políticas que não satisfazem as novas necessidades políticas e económicas do seu império. É isso que leva os EUA e a República Islâmica do Irão a enfrentarem-se num confronto final. Isto não deve ser confundido com a questão da natureza desse regime. As suas actuais contradições com os EUA não podem ser de forma alguma uma desculpa para o encobrimento do seu carácter reaccionário e dos seus crimes. Não podemos permitir que lave o sangue das suas mãos com o sangue que os EUA têm derramado e continuarão a derramar.

Ninguém deve esquecer a história da revolução iraniana. Em 1979, quando o povo do Irão se ergueu numa revolução, os EUA e outras potências imperialistas ocidentais pensaram que seria melhor apoiarem os mulás contra o povo do Irão. Por isso iniciaram a sua colaboração mútua. Afogaram a revolução em sangue e assassinaram um milhão de pessoas na guerra Irão-Iraque que durou oito anos. Os mulás que governam o Irão sempre estiveram mais que dispostos a fornecer petróleo e gordura política à engrenagem da exploração imperialista na região. As suas escaramuças verbais com os EUA e a sua ideologia fundamentalista islâmica têm sido dois parcos véus para encobrir e mistificar a verdadeira natureza das relações sociais de exploração e opressão no Irão. A República Islâmica do Irão é um regime teocrático que transformou as mulheres em escravas e as crianças em propriedade dos pais, ao restabelecer as regras da Xariá [lei islâmica – NT] de há 1400 anos. Em 1988, esse regime sangrento enforcou vários milhares de presos políticos numa questão de duas semanas, de forma a “resolver” o problema dos presos políticos. Hoje em dia, os grandes projectos industriais no Irão das companhias europeias do petróleo e do gás e de outras multinacionais são protegidos pelos chamados Guardas Revolucionários do Hezbollah Iraniano, com ordens para dispararem sobre os trabalhadores semiescravizados quando eles se revoltam. Hoje em dia, o povo do Irão, de todos os estratos sociais, está a recuperar dessa grande derrota para fazer de novo uma revolução. A sua luta revolucionária contra a República Islâmica do Irão deve ser apoiada e fortalecida.

A crise e o confronto final em preparação entre os EUA e a República Islâmica do Irão devem ser usados contra ambos: o amo e o seu lacaio de há muito. A sua disputa deve ser transformada numa brecha através da qual a iniciativa histórica independente do povo pode e deve irromper no palco da História, terminando e invertendo a infernal dinâmica reaccionária da região. A lógica de procurar protecção sob as asas de um dos lados reaccionários sempre que dois deles entram em conflito pelos seus interesses antipopulares é uma armadilha política mortal para as massas oprimidas do povo e deve ser abolida. As dificuldades dos reaccionários podem e devem ser utilizadas para os removermos efectivamente das costas do povo, não como desculpa ou oportunidade para deixar que um deles garanta a vitória e recoloque as grilhetas nas massas.

Um imenso sofrimento e destruição foram impostos aos povos do Médio Oriente. E muito mais está a ser planeado. Não há fim à vista para a escalada dos crimes do apartheid do Estado de Israel contra o povo palestiniano. As forças de ocupação norte-americanas e europeias estão a dominar o Afeganistão com os bastões dos seus exércitos hi-tech e com a lei islâmica da Xariá! Após quatro anos de uma guerra de destruição e ocupação do Iraque que assassinou mais de meio milhão de iraquianos e forçou quatro milhões de pessoas ao exílio, não há fim à vista para essa carnificina e caos. Eles definiram a ordem de trabalhos e nós, o povo, acabamos por fornecer as vítimas. Isto tem que acabar! Eles constroem impérios; nós cavamos sepulturas para os nossos entes queridos. Isto tem que acabar!

Também não podemos ignorar nem perdoar a total cumplicidade dos imperialistas europeus, dos novos czares capitalistas russos e dos imperialistas japoneses, na criminosa guerra que os EUA estão a levar a cabo no Médio Oriente. Essas potências estão cada vez mais preocupadas com a investida norte-americana pelo domínio do mundo porque têm inveja do domínio dos EUA sobre as modernas plantações de trabalho escravo assalariado em todo o mundo. Elas movimentam-se atrás dos EUA e tentam obter a melhor parte possível da exploração capitalista globalizada dos povos do mundo mas, ao mesmo tempo, tentam desenvolver os seus próprios sonhos imperiais no Médio Oriente.

Hoje em dia, as forças fundamentalistas islâmicas estão a ocupar o terreno político como opositoras à investida global dos EUA. Mas o seu objectivo, de facto, é obterem uma acomodação dentro do sistema mundial gerido pelos EUA e impor relações sociais opressivas e velhas de muitos anos sobre os povos do Médio Oriente – um brilhante exemplo disso é a escravidão das mulheres. Os EUA estão a usar a natureza reaccionária dos seus opositores para promoverem as suas próprias relações sociais e ideologia igualmente reaccionárias como algo progressista – como se a sua investida global estivesse a trazer liberdade e desenvolvimento aos povos do Médio Oriente. Esses dois pólos das forças reaccionárias e imperialistas estão de facto a reforçar-se um ao outro à custa das aspirações revolucionárias dos povos e das suas lutas de emancipação. Esta polarização política e ideológica que actualmente se desenvolve é perigosa porque forças que não representam nada de bom para os povos estão a determinar as condições do confronto ideológico e político, para empurrarem as pessoas para um ou outro dos pólos. Os imperialistas norte-americanos usam essa dinâmica para fazerem a sua cruzada pelo império parecer uma violência justificável contra religiosos “fanáticos e bárbaros que odeiam a democracia e a liberdade”, embora estejam ao mesmo tempo a mudar a própria sociedade norte-americana rumo a um fascismo teocrático baseado na Bíblia. Do outro lado, as forças islâmicas política e ideologicamente reaccionárias procuram apresentar os seus sonhos e interesses historicamente reaccionários como uma “jihad justa” contra os “ocupantes infiéis”. Não podemos permitir que continue esta dinâmica de reforço mútuo da mistificação reaccionária das verdadeiras relações de classe e sociais de opressão e exploração no mundo.

É preciso urgentemente um poderoso movimento dos povos do mundo que se oponha e inverta a monopolização e a polarização da atmosfera política dos estados e das forças reaccionárias. O palco político da região do Médio Oriente tem sido deixado à iniciativa dos reaccionários já há demasiado tempo.

Agora, entre largos sectores da população, há um crescente ressentimento, agonia e rejeição contra a sangrenta cruzada dos EUA e os seus opositores reaccionários.

Uma verdadeira e clara perspectiva que represente os genuínos interesses e aspirações revolucionárias dos povos deve dirigir e transformar este crescente sentimento numa força efectiva política e ideologicamente no campo político. Esse movimento político que exprima fortemente os interesses e as aspirações fundamentais e genuínas das massas dará ânimo e fornecerá uma saída para o cerco das forças e dos programas imperialistas e reaccionários.

Não se pode negar que nuvens negras se estão a acumular no horizonte e que enfrentamos tempos perigosos.

As forças revolucionárias mais avançadas têm que se mobilizar para se unirem a todas as forças progressistas de forma a desencadearem urgentemente a acção histórica independente das massas. Isso requer uma perspectiva revolucionária de largo alcance para transformar radicalmente a sociedade, procurando ao mesmo tempo unir todos os que se opõem sinceramente aos crimes dos imperialistas e reaccionários. Esse movimento tornará a situação mais favorável e criará melhores condições para uma luta revolucionária que vise refazer o mundo para o povo e com o povo – lutando colectivamente por uma sociedade humana radicalmente diferente neste planeta!

Temos que abrir os nossos olhos e sentir a gravidade da situação. Vejam como as intoleráveis afrontas de ontem estão a ser apresentadas como um facto de hoje que deve ser aceite: Eles estão agora a falar em lançar bombas nucleares sobre o povo iraniano. Como é que podemos tolerar isso? Será que irá parar aí, se permitirmos que isso aconteça? Tornou-se comum falar na possibilidade do fim da civilização humana em resultado de uma catástrofe ecológica. Mas as pessoas não estão autorizadas a pensar no fim desta ordem capitalista-imperialista através de revoluções populares!

É altura de pôr fim a estes “Hausverbots” e “Denkverbots” (pensamentos e actos proibidos). Sim, o mundo precisa de ser refeito, mas não pelos Bushes, Blairs, Merkels, Sarkozys, Putins ou pelos pequenos reaccionários locais que abundam no Médio Oriente. Deve ser refeito colectivamente pelos povos do mundo e para os povos do mundo.

Fim da ocupação imperialista e das guerras de agressão no Médio Oriente!
Promover o pensamento, a unidade e as lutas revolucionárias!
Contra o imperialismo e a reacção!
Povos do Médio Oriente: juntemos forças numa unidade internacionalista e lutemos contra os imperialistas e todos os estados reaccionários da região!