Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 21 de Agosto de 2006, aworldtowinns.co.uk

MRPM: “Apoiar a luta do povo – Tirem as mãos do Nepal”

A seguinte “Convocatória de Apoio ao Dia Internacional de Solidariedade com a Luta do Povo do Nepal para 2 de Setembro de 2006” foi-nos enviada pelo Movimento de Resistência Popular Mundial (www.wprm.org).

Diz-se frequentemente que “o futuro não está escrito”. Mas hoje em dia, no Nepal, no topo do mundo, o futuro está a ser escrito! Durante as duas primeiras semanas de Abril, esteve a ser escrito nas ruas de Katmandu, de Pokhara e de outras cidades e vilas em todo o país. Esteve a ser escrito nos rostos corajosos e determinados das centenas de milhares de mulheres e homens de todo o Nepal que arriscaram as suas vidas em defesa das suas reivindicações de que o déspota feudal de Katmandu fosse afastado do trono, que a monarquia fosse abolida e que o poder político fosse posto verdadeiramente nas mãos do povo. Foi uma muito Inesperada Primavera no Nepal e apanhou muita gente de surpresa.

Mas essa Inesperada Primavera não surgiu do nada. Este novo capítulo da história começou a ser escrito há mais de dez anos atrás. Largamente desconhecido da maioria do mundo, começou nas aldeias do vasto interior do Nepal: a Guerra Popular revolucionária liderada pelo Partido Comunista do Nepal (Maoista) que cresceu numa impetuosa torrente de uma ponta à outra do país, varrendo séculos de opressão e exploração baseadas na classe, na casta, no género e na nacionalidade. Num dos países mais pobres do mundo, as aparentemente inamovíveis barreiras ao progresso social, bem como as aparentemente imutáveis tradições e superstições medievais estão a ser destruídas e afastadas por esse futuro que se eleva vindo de baixo. Hoje em dia no Nepal, há coroas a rolar nas ruas e dalits (intocáveis) a assaltar os céus.

Agora que já tanta gente sabe disso, o futuro que está a ser escrito no Nepal requer que façamos muito mais do que simplesmente assistir deslumbrados ou mesmo aplaudir com entusiasmo. Exige que actuemos. Num mundo em que a globalização capitalista leva a degradação e o empobrecimento a cada vez mais pessoas, regiões e continentes inteiros; onde toda e qualquer coisa, incluindo as mais básicas necessidades da vida e a própria vida – do ar puro e da água ao sangue e aos órgãos humanos –, se transformou numa mercadoria que pode ser comprada e vendida para enriquecer um minúsculo punhado de poderosas pessoas, multinacionais e nações; em que guerras de conquista e domínio são declaradas “intermináveis”: no meio de tudo isto, um futuro radicalmente diferente – um futuro cujos objectivos são relegar todas as crueldades e injustiças para os museus – está a lutar por nascer no Nepal. Se for bem-sucedido, terá a possibilidade de libertar milhões de oprimidos do mundo e servirá de farol de esperança e de toque de clarim para inúmeras outras pessoas que actualmente partilham o seu destino.

O novo futuro que luta por nascer no Nepal necessita que toda a gente, em todo o lado, que partilha este ponto de vista actue agora para o apoiar e defender. A recente insurreição popular conduziu a uma fase nova e complexa. A luta por extirpar e eliminar as relações sociais feudais e o domínio estrangeiro está longe de ter terminado e o consenso popular de defesa de uma nova forma de regime político está ameaçado – seriamente ameaçado. As pessoas que em todo o mundo olham para este novo futuro e se opõe às agressões e aos crimes do imperialismo têm estado demasiado silenciosas há demasiado tempo. Os inimigos da luta popular dentro do Nepal, embora forçados pelos recentes golpes tão poderosamente dados pelas massas, a negociar e a fazer concessões, estão a reagrupar-se na esperança de lançarem contra-ataques de vários tipos.

Por trás deles estão os guardiães internacionais da velha ordem mundial, os traficantes da miséria humana que conspiram para esmagar esse futuro antes que possa amadurecer e sustentar-se. As grandes potências que durante décadas trataram o Nepal, os seus recursos naturais e sobretudo o seu povo como sua coutada privada de pilhagem – à frente das quais estão os EUA e a Índia – estão agora a colocar em acção os seus aparelhos de agressão numa tentativa de salvarem o seu leal servidor real ou, se isso não for possível, manterem tanto quanto puderem do actual sistema social opressor e com ele o seu domínio sobre essa geoestrategicamente importante nação dos Himalaias. Eles não hesitarão perante nada, incluindo uma intervenção militar e uma invasão aberta, para atingirem os seus fins. Aquilo a que chamam a sua “guerra ao terror”, ou por vezes a sua “cruzada pela democracia”, não é senão uma luta de vida ou morte pelo poder e controlo estratégico mundial. E agora o Nepal está na sua mira. As centenas de milhares de vidas que a actual fase do seu jogo mortal no Médio Oriente e sobretudo no Iraque já custou, são um preço que estão mais que dispostos a pagar – porque não é o seu sangue que está a jorrar e não são as suas lágrimas que estão a ser derramadas.

Não podemos, nem ousamos, deixar que eles saiam vitoriosos no esmagamento das aspirações do povo do Nepal. Porque se o fizerem, não será apenas o futuro do povo do Nepal que sofrerá as terríveis consequências, mas o de toda a humanidade.

A 7 de Maio de 2006, a Assembleia de Movimentos do 4º Fórum Social Europeu (em Atenas) aprovou uma proposta do Espaço Anti-Imperialista para convocação de um Dia Internacional de Solidariedade com a luta do povo do Nepal para 2 de Setembro de 2006 com o slogan: Apoiar a Luta do Povo – Tirem as Mãos do Nepal! Nós, as organizações e indivíduos abaixo-assinados, apelamos às pessoas em todo o lado para assumirem activamente esta convocatória e organizarem acções e actividades de todo o tipo nos seus países, cidades e comunidades a 2 de Setembro, em defesa da luta do povo nepalês, contra a ingerência e a intervenção estrangeiras e pela libertação de todos os presos políticos nepaleses ainda detidos na Índia e na China. Quebremos o silêncio e tornemos claro para todos que estamos determinados a permanecer ao lado do povo do Nepal e do futuro que ele está a escrever.

Signatários iniciais: União do Povo Trabalhador (Grécia); Movimento de Resistência Popular Mundial (MRPM); Confederação pelos Direitos Democráticos na Europa (CDDE); Formações de Massas da Juventude de Esquerda; Componente Anti-Imperialista (Grécia); Frente Unida Nepalesa (Europa); Comité de Solidariedade com o Nepal (Itália); Gegen-informationsbüro/GIB (Berlim); Lotta Unità (Itália); Comitato Informazione e Sostegno della Rivoluzione in Nepal (Itália); IKAD e.V. – Associação Contra o Racismo e pela Compreensão Internacional (Berlim); Fórum Progressista do Povo Nepalês (Bélgica e França); gruppe internationale solidarität (Magdeburg); Fórum Internacionalista de Solidariedade com o Nepal (Alemanha e Suíça); Nepali Samaj (Grã-Bretanha); Collettivo Comunista Antonio Gramsci (Itália)...