Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 5 de Março de 2007, aworldtowinns.co.uk

Londres: Em memória do nosso camarada Ho

A seguinte declaração foi lida numa reunião realizada em Londres a 2 de Março de homenagem a Ho Piow que morreu a 11 de Fevereiro durante uma reunião do Movimento de Resistência Popular Mundial – Grã-Bretanha.

Toon Chin Ho, conhecido como Camarada Ho Piow, era de Singapura e ao longo da sua vida apoiou a causa da revolução. Juntou-se ao movimento revolucionário numa altura em que o Partido Comunista da Malásia liderava uma guerra revolucionária. A revolução na Malásia e em Singapura aparecia frequentemente nas primeiras páginas da comunicação social mundial lado a lado com uma outra pequena mas crescente luta num canto do mundo de que muito pouca gente tinha ouvido falar, chamado Vietname. Nessa altura só havia um Partido Comunista para os dois territórios, a península malaia e a ilha de Singapura. A esquerda nessa região em geral, no que viria a ser chamado de Federação da Malásia e de República de Singapura, nunca reconheceu a criação da Malásia.

O camarada Ho foi membro fundador e dirigente do Sindicato dos Marinheiros de Singapura, na Singapura governada pelos britânicos. No final dos anos 50 e princípio dos anos 60, ele também representou um papel fundamental na fundação de vários outros sindicatos, incluindo o dos trabalhadores tipógrafos e o dos trabalhadores da indústria eléctrica. Nas condições da Malásia dessa altura, marcada por uma luta armada de massas, isso foi uma posição extremamente arriscada e em 1963 o camarada Ho acabou por ser detido e encarcerado. No início, foi violentamente espancado várias vezes. Mas disse que os carcereiros acabaram por parar depois de terem percebido que ele nunca iria trair a causa dos oprimidos.

Os nomes de Ho e de outros revolucionários que com ele estavam na prisão tornaram-se todos muito conhecidos no país por causa das muitas lutas que levaram a cabo contra as brutais condições da sua detenção na Prisão de Changi, no Centro de Detenção Lua Crescente e noutros centros da polícia secreta de Singapura. Uma delas foi uma greve da fome de 56 dias.

Porém, o que para o camarada Ho acabou por ser ainda mais difícil que os espancamentos físicos e a prisão solitária foram os acontecimentos que tiveram lugar em 1976, depois da morte de Mao Tsétung. Como em muitas outras prisões do terceiro mundo, como na Turquia, os revolucionários passavam muito tempo em celas comuns. Faziam muitas das tarefas quotidianas, como cozinhar e lavar roupa, em conjunto. Também estudavam, discutiam, cantavam, faziam teatro e, como todos sabemos, Ho partilhava o seu amor de toda a vida pela poesia. Nestas severas condições de prisão colectiva, os camaradas desenvolveram relações intensamente fortes. Depois veio o golpe de estado na China e a prisão do chamado Bando dos 4. O grosso da liderança do PC da Malásia e quase todos os camaradas de Ho na prisão tomaram o lado de Hua Guofeng contra os revolucionários. O camarada Ho ousou lutar contra a maré. Usou o seu entendimento da nossa ciência revolucionária para apoiar destemidamente a causa do comunismo, embora isso o tivesse levado a ser evitado pelos seus camaradas mais chegados e apesar de ele não ter a mais pequena ideia se haveria alguém fora da sua prisão que também estivesse a apoiar a linha revolucionária de Mao. Ele manteve-se como um farol luminoso entre a confusão e a traição generalizadas.

O camarada Ho tornou-se num firme apoiante do Movimento Revolucionário Internacionalista depois de vir morar para a Grã-Bretanha. Aparecia frequentemente nas reuniões e lia um dos seus poemas. Foi deixando uma poderosa impressão em muitas reuniões de jovens quando este indivíduo de Singapura, no fim dos seus 60 anos, se levantava e corajosa e apaixonadamente declamava versos sobre os horrores do imperialismo e as alegrias da revolução.

Apesar da idade avançada de Ho e da fraca saúde que tinha depois de passar quase duas décadas nos calabouços do inimigo, era um membro regular do MRPM local e era conhecido por ser incansável na sua vontade de discutir as questões políticas importantes. Trabalhou duramente para construir o apoio à Guerra Popular no Nepal, ao mesmo tempo que também insistia arduamente em debater as grandes questões políticas e ideológicas que a revolução actualmente enfrenta. Enquanto a ambulância chegava, Ho colocou o seu CD favorito, de canções revolucionárias chinesas. Quando foi levado, deu-o a um dos camaradas mais jovens. Talvez tivesse um pressentimento de que não iria conseguir sobreviver. Mas mesmo enquanto nos seus ouvidos ecoavam as canções dos feitos revolucionários do povo chinês no passado, também sabemos que o seu coração estava cheio de uma confiança ilimitada no futuro da causa revolucionária à qual ele tinha dedicado a sua vida. Sentiremos muito a sua falta.