Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 17 de Março de 2008, aworldtowinns.co.uk

Relato da comemoração do 8 de Março em Los Angeles

O seguinte artigo baseia-se num relato da Organização de Mulheres 8 de Março, Irão-Afeganistão (www.8mars.com), e noutras fontes. Também inclui algum material do n.º 124, 23 de Março de 2008, do Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA (revcom.us/a/124/iwd-los-angeles-en.html em inglês ou revcom.us/a/124/iwd-los-angeles-es.html em castelhano).

A comemoração do Dia Internacional da Mulher em Los Angeles atraiu uma multidão muito diversificada de cerca de 300 pessoas. A entusiástica manifestação começou numa praça movimentada e atravessou diferentes zonas da cidade, incluindo o bairro de Westwood, onde vivem muitos iranianos. Entre as manifestantes multinacionais que cantavam e transportavam cartazes estavam refugiadas iranianas mais velhas, adolescentes iraniano-americanas, estudantes universitárias, feministas de várias nacionalidades, operárias da indústria do vestuário, dançarinas astecas (um povo nativo americano) e imigrantes de outros países.

O evento foi coordenado pelo Comité de Mulheres Norte-Americanas e pela Organização de Mulheres 8 de Março. O slogan central foi “Não ao regime fundamentalista islâmico antimulheres do Irão! E não ao imperialismo norte-americano!”. Entre as palavras de ordem estavam “As Mulheres do Irão, do Afeganistão e do Iraque não precisam dos imperialistas para se libertarem” e “Viva a solidariedade internacional”.

Esta manifestação foi de apoio à marcha do Dia Internacional da Mulher em Bruxelas organizada pela Karzar (Campanha de Mulheres pela Abolição de toda a Legislação Misógina e Baseada no Género e das Leis Islâmicas Punitivas contra as Mulheres no Irão).

Foi montado um palco em cima de um grande camião decorado com bandeiras e com o slogan central da marcha.

A primeira oradora foi a conhecida activista contra a guerra Cindy Sheehan, cujo filho morreu quando combatia no Exército norte-americano no Iraque. Envergando uma t-shirt da Karzar, falou da solidariedade do Dia Internacional da Mulher e declarou o seu apoio à marcha e à luta das mulheres iranianas. Carol Downer, co-fundadora do Centro de Saúde das Mulheres Feministas, escreveu uma carta em que explica porque apoia as mulheres iranianas nessa luta e porque é que as outras feministas também o devem fazer. Eve Ensler, a dramaturga e artista que escreveu Os Monólogos da Vagina, enviou uma declaração de solidariedade com as mulheres do Irão. Suheir Hammad, uma poetisa que actuou em “Def Poetry Jam on Broadway” e que foi uma das primeiras palestinianas na Broadway, enviou um poema para ser lido na marcha. A internacionalmente conhecida poetisa Sonia Sanchez enviou uma mensagem gravada para ser reproduzida no palco. Entre as restantes oradoras estavam uma estudante membro da Coligação do Dia Internacional da Mulher em Los Angeles, a co-fundadora da organização Code Pink [Código Rosa], Jodie Evans, Dolly Veale do Partido Comunista Revolucionário, EUA, a professora de direito da UCLA Frances Olsen, a poetisa de performance e anfitriã da rádio KPFK Jerry Quickley e a cantora folk Dennis Davis.

Mary Lou Greenberg, do Partido Comunista Revolucionário, EUA, enviou uma mensagem de solidariedade com a manifestação de Bruxelas que decorria no mesmo dia em que dizia: “Ao cuspirem na cara das duas alternativas de opressão, vocês estão a mostrar que é possível às mulheres – e aos homens – confiarem em si próprias e forjarem um outro caminho”.

Esta manifestação foi o resultado do trabalho internacionalista das mulheres iranianas da Organização de Mulheres 8 de Março e de outras activistas e apoiantes. Elas distribuíram 85 mil panfletos nos campi universitários e em bairros proletários como o de Watts. Elas falaram nas salas de aulas das escolares secundárias, com jornalistas progressistas, em emissões de rádio e noutros lugares, partilhando histórias da sua experiência de encarceramento e resistência. O seu desafio revolucionário foi uma lufada de ar fresco e um corajoso desafio a que muitas pessoas responderam conscientemente.

Uma das oradoras da Organização de Mulheres 8 de Março disse: “Embora as formas de opressão das mulheres possam ser diferentes em países diferentes, a realidade da opressão das mulheres é a mesma, seja com o uso obrigatório do hijab nos países islâmicos ou com o não terem nenhum direito reprodutivo nos países imperialistas. É por isso que eu estou aqui hoje convosco – em solidariedade com as mulheres iranianas e afegãs que lutam contra o fundamentalismo islâmico antimulheres e contra o imperialismo norte-americano. A solidariedade das mulheres iranianas e afegãs na nossa luta contra o sistema patriarcal dos regimes fundamentalistas islâmicos e contra o imperialismo norte-americano é fortalecida por termos as mulheres norte-americanas ombro a ombro connosco... Estamos aqui hoje para trazermos as vozes das mulheres iranianas a todas vós para anunciarmos que somos a favor de um mundo livre de regimes reaccionários, incluindo o governo patriarcal dos Estados Unidos. Estamos aqui para dizer que as mulheres iranianas acreditam que um outro mundo é possível. Eu estou aqui hoje para dizer que nós não temos medo do poder do imperialismo norte-americano – nós acreditamos e precisamos do poder dos povos de todo o mundo.”