Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 4 de Abril de 2005, aworldtowinns.co.uk

Notícias de Rolpa, Nepal: Construir uma estrada para difundir a revolução

Rolpa, Nepal. Do nosso correspondente.

Muitas dezenas de milhares de pessoas estão empenhadas na construção da estrada Nuwagaun-Thawang-Chunwang, que ficará conhecida como Sahid Marg, a Estrada dos Mártires. O projecto está a acontecer em Rolpa, um distrito do Nepal Ocidental onde o povo detém o poder político e famosa base revolucionária da guerra popular dirigida pelo Partido Comunista do Nepal (Maoista) que já expulsou o Exército Real da maior parte das zonas rurais. Os habitantes Nar Bahadur KC, Meera Gautam e Geeta Buda Magar estão ansiosamente à espera da sua conclusão, para que os veículos possam chegar a esta zona. A monarquia e, desde 1990, os partidos parlamentares prometeram construir a estrada. Pediram votos e espalharam sonhos de estradas, mas nunca as construíram. Agora, o PCN(M) e o novo regime revolucionário que ele dirige estão a honrar os desejos do povo oprimido. Em Rolpa, já começaram os trabalhos para construir os 100 km de estrada sobre rocha. Embora o plano inicial tenha sido completá-la em três anos, foram mobilizadas milhares de pessoas que já concluíram quase 40 por cento do trabalho em apenas quatro meses.

O regime autocrático suportado pelo notório Exército Real está empenhado em tentar impedir que a estrada seja construída. Mas o resultado tem sido negativo para o seu lado. Tentou mais de uma dúzia de vezes impedir a campanha de massas, sobretudo disparando a partir de helicópteros e lançando bombas de 81 mm. O Exército Real tentou impedir as massas de irem construir a estrada. Nar Bahadur KC, que tem 75 anos, desafiou essas tentativas. Ele veio do vizinho distrito de Rukum para ajudar nos trabalhos e disse-nos: “Esta campanha é ao mesmo tempo emocionante e um pouco assustadora. O novo regime está a tentar transformar em realidade um sonho que tínhamos há mais de 50 anos, pelo que é emocionante. Por outro lado, o Exército Real está a tentar aterrorizar-nos e nós tememos que nos possam matar com as bombas que lançam. O novo regime respondeu aos nossos sentimentos e tentou tornar realidade os nossos sonhos, pelo que nós estamos preparados mesmo para dar o nosso sangue por esta grande campanha.”

O camarada Pasang, Comandante da Divisão Ocidental do Exército Popular de Libertação, informou-nos que tinham sido tomadas suficientes medidas de segurança para proteger a campanha. E acrescentou: “Damos especial atenção à segurança das massas que vieram para construir a estrada.” Os combatentes do EPL estão ocupados 24 horas por dia a cumprir esse dever e o Exército Real não conseguiu alcançar por terra a zona de construção uma única vez. Tem mostrado a sua presença com aviões.

Meera Gautam, de 68 anos, reagiu da mesma maneira que Nar Bahadur KC. Ela disse que o regime monárquico nem trabalha nem deixa os outros trabalharem. E continuou: “Por que é que o antigo regime tem dores de cabeça quando o novo regime mobiliza as massas para construir uma estrada em lugares remotos? Eu estava mentalmente preparada para me tornar numa mártir quando vim para aqui para ajudar na construção. Mas quando aqui cheguei, descobri que os combatentes do EPL estavam a tomar medidas de segurança e não ocorreu nem um único incidente desagradável.” Ela está muito impressionada com o trabalho dos maoistas e, recordando os seus dias de juventude, disse: “Teria sido muito emocionante se este tipo de trabalho tivesse começado nessa altura!”

Um professor de Baglung concordou inteiramente com os comentários da senhora mais idosa. Disse: “Se os maoistas tomarem o poder a nível central, eu acredito que dentro de dez anos o Nepal terá mudado dramaticamente. O trabalho que os maoistas iniciaram nas zonas de base, envolvendo a agricultura, a indústria, a educação e a saúde, é novo, científico e positivo. Não podemos menosprezar este grande trabalho; é realmente grande porque os maoistas estão a promover o desenvolvimento em conjunto com a ofensiva estratégica.” O PCN(M) anunciou que a guerra tinha entrado na fase da ofensiva estratégica, cujo objectivo é a tomada do poder em todo o Nepal.

Um “Comité para a Construção da Sahid Marg” constituído por 17 membros e liderada por um membro do Comité Central do partido maoista, o camarada Prasant, está agora a acompanhar toda a campanha. A zona está sob a administração do Governo Regional Autónomo Magarat, formado sob a liderança do partido em Janeiro de 2004. O povo magar é uma nacionalidade minoritária que tem sido oprimida e estado sem poder político desde que Prithur Narayan Shah levou a cabo a unificação violenta do Nepal em 1768 e os conquistou a eles e a outros povos minoritários do Nepal – os quais em conjunto compõem a maioria do povo nepalês.

Cerca de 100 000 rupias foram inicialmente destinadas ao projecto, para serem usadas para comprar ferramentas, explosivos e outras necessidades. Gente de todos os distritos do governo autónomo empenhou-se no trabalho. As ferramentas de construção e os explosivos foram fornecidos pelo partido. As pessoas tratam da sua própria comida e alojamento. Claro que os habitantes dos distritos que beneficiarão directamente da estrada, como Rolpa, Rukum e Salyan, se ofereceram como voluntários. Um número significativo de pessoas também veio de outros distritos onde a estrada não terá um impacto directo. Algumas delas tiveram que caminhar durante vários dias para aqui chegar. A campanha gerou uma grande emoção entre as massas.

Um quadro maoista do distrito de Rukum, o camarada Samir, compartilhou esse sentimento. Disse: “Mudou o pensamento tradicional de que grandes empreendimentos como este não conseguem ser feitos sem assistência externa. Foram mobilizadas dezenas de milhares de pessoas e um projecto equivalente a milhões de rupias está a ser realizado pelo poder das mãos nuas do povo. As pessoas começaram a chamar a isto o ‘modelo maoista de desenvolvimento’.”

A campanha de construção está sob a orientação directa do camarada Prachanda, Presidente do PCN(M), e a ser organizada pelo Comité Regional Especial do partido. O projecto foi inaugurado em quatro locais a 20 de Novembro de 2004 por membros do Comité Central do Partido. A secção de Nuwagaun foi inaugurada pelo dirigente do Governo Regional Autónomo Magarat, Santosh Buda Magar, e pelos camaradas Asare Kaka e Prasant. A secção de Dui Kholi foi inaugurada pelos camaradas Namuna, Udaya e Suraksha. De modo semelhante, as secções de Chunwang e Thawang foram inauguradas pelos camaradas Kranti e Surya, respectivamente. Cerca de sete ou oito mil pessoas têm estado empenhadas na campanha desde então. Os habitantes dos distritos que beneficiam directamente da estrada trabalham durante 15 dias e as pessoas de outros lugares trabalham durante 10 dias.

Por que é que foi necessário iniciar este tipo de projecto gigantesco numa altura em que o partido decidiu lançar a ofensiva estratégica? Isto foi um importante foco de debate. Perguntámos ao camarada Biplab, Responsável Regional Especial do PCN (Maoista), que nos disse: “Queremos promover o desenvolvimento em conjunto com a revolução. Mas a construção da estrada está relacionada com algo mais que apenas o desenvolvimento e a economia. Os seus objectivos também são ideológicos e políticos e também servem a ofensiva estratégica.” E acrescentou: “Estamos a levar à prática as instruções do nosso Presidente Camarada Prachanda de tornar as pessoas auto-suficientes na agricultura, na indústria e nos transportes. O distrito de Rolpa, que é uma base revolucionária, é agora independente em termos de produção de alimentos. De facto, a expansão da produção de fruta, legumes, aves e animais começou mesmo a aumentar as reservas alimentares do povo. O desenvolvimento dos cuidados de saúde e da educação também são significativos. Após a conclusão da estrada, todos esses desenvolvimentos certamente que aumentarão radicalmente.”

O factor mais significativo do “modelo maoista de desenvolvimento” é que as populações locais participam e supervisionam todos os planos e projectos de desenvolvimento, tanto nas zonas de base como nas zonas onde os maoistas têm influência mas ainda não têm conseguido chegar ao estabelecimento do poder político revolucionário. Esta campanha de construção da estrada é o maior projecto do seu género até agora. O camarada Santosh Buda Magar, dirigente do governo autónomo, disse que a campanha de construção da estrada trouxe novos níveis de emoção, entusiasmo e consciência. “Isto tornou as pessoas em geral mais conscientes, em especial do seu próprio poder. Fortaleceu a ligação ideológica, política e organizativa entre o partido e as massas.”

Esta campanha de construção também gerou controvérsia dentro do antigo regime e dos partidos políticos parlamentares. Surgiram debates dentro do antigo regime sobre se se deveria permitir ou impedir a campanha. Gente de outros países ficou surpreendida pela enorme mobilização e pelos seus espantosos resultados num período muito curto. Alguns representantes de ONGs internacionais envolvidas em trabalhos de “desenvolvimento” no Nepal comentaram-no a dirigentes centrais do PCN(M). O próprio regime monárquico estava e continua politicamente amarrado a uma posição de não atacar as massas que constroem a estrada, tomada por membros de outros partidos políticos e de organizações nacionais e internacionais. Um chefe distrital da polícia num distrito vizinho ficou tão impressionado com a campanha que encorajou mesmo as pessoas a irem ajudar na construção da estrada. Pessoas que não foram ajudar no período inicial porque estavam assustadas, estão agora alegremente envolvidas na campanha.

Como explicou um combatente do EPL, o camarada Arjun, esta estrada não está a ser construída apenas para os veículos, mas também para transmitir a toda a nação e para o exterior a história da luta e o significado revolucionário de Thawang (uma aldeia que simboliza a luta revolucionário de Rolpa). A estrada funcionará como ponte entre esta base revolucionária e o mundo inteiro.