Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 14 de Janeiro de 2008, aworldtowinns.co.uk

Intensifica-se a luta estudantil no Irão

O 6 de Dezembro é o Dia do Estudante no Irão. É um dia em que frequentemente a luta dos estudantes ganha um impulso que se pode manter até ao fim do ano lectivo e mesmo depois. Este ano lectivo no Irão também foi um ano de alta tensão entre os estudantes iranianos e o regime islâmico.

No início de Dezembro, o Ministério da Informação do regime prendeu entre 30 e 50 mulheres e homens estudantes de esquerda que estavam a preparar-se para comemorar o Dia do Estudante em Teerão e noutras cidades, entre as quais Ahvaz e Mazendaran. Embora as autoridades não tenham divulgado nenhuma informação sobre o paradeiro desses presos, crê-se que estejam detidos na Secção 29 da Prisão de Evin (construída para presos políticos durante o regime do Xá e que continua a ser usada pelo regime islâmico). Essa secção é conhecida pelas suas horríveis condições e pela tortura.

Apesar do sério aviso que essas prisões deveriam ter dado, o de um reino de terror das forças de segurança e outras ameaças e obstáculos das autoridades, milhares de estudantes da Universidade de Teerão e outros de todo o Irão (como a Universidade Alammeh de Teerão, a Universidade de Isfahan, a Universidade de Ahvaz, a Universidade BuAli de Hamadan e muitas outras) realizaram-se eventos para assinalar o Dia do Estudante, marcados por palavras de ordem antigovernamentais. Na Universidade de Teerão, os estudantes reuniram-se frente à Faculdade de Engenharia. Foi lida uma mensagem de “estudantes à procura da igualdade e amantes da liberdade”. Depois, os oradores discutiram a situação do movimento estudantil e a repressão que ele enfrenta. Todos exigiram a libertação imediata dos estudantes presos.

Durante essas manifestações, os estudantes exprimiram a sua oposição à intervenção estrangeira e à guerra e o seu apoio aos movimentos de trabalhadores e de mulheres, exigiram a libertação dos seus camaradas desses movimentos presos e apelaram a um boicote das próximas eleições parlamentares. Muitas estudantes cobriram as suas caras, não em sinal de devoção mas como forma sarcástica de protesto porque as tornava mais difícil de identificar. Uma mulher cobriu-se completamente com uma burca, que é raramente vista no Irão.

Para esconder o que estava a acontecer na universidade nesse dia, o regime cercou o campus por todos os lados com autocarros altos de dois pisos.

À medida que as notícias da tortura dos estudantes presos continuam a sair para fora da prisão, os estudantes e outros elementos revolucionários do Irão e de fora do país têm intensificado os seus protestos contra esse acto criminoso do regime iraniano.

Campanha europeia de apoio aos estudantes iranianos

A 22 de Dezembro teve lugar um dia internacional de acção de apoio ao movimento estudantil do Irão. Foi organizado pelo Colectivo de Estudantes e Jovens Iranianos que Vivem na Europa, pelo Partido Socialista de Esquerda da Bélgica e pela organização de juventude deste partido e apoiada por outros grupos e personalidades da Bélgica e de outros lugares da Europa, do Canadá e dos EUA. Além do evento central em Bruxelas, tiveram lugar manifestações na Alemanha, na Dinamarca, na Grã-Bretanha e noutros lugares, algumas em coordenação com o evento de Bruxelas.

Em Bruxelas, cerca de 140 pessoas protestaram frente à embaixada dos EUA e condenaram as intenções norte-americanas de atacar o Irão e as suas agressões em toda a região. Gritaram “EUA vão para casa”, bem como “Abaixo a República Islâmica do Irão”. Uma exposição de fotografias dava aos transeuntes um vislumbre do movimento estudantil iraniano. Depois, os manifestantes deslocaram-se à embaixada da República Islâmica do Irão. Pessoas de diferentes nacionalidades, incluindo nepaleses, chilenos e ex-jugoslavos, bem como iranianos e belgas participaram nas duas manifestações, acrescentando-lhe um espírito internacional.

Uma moção aprovada pelos manifestantes traçou uma clara linha de demarcação com os imperialistas e contra qualquer intervenção imperialista no Irão e exigiu a libertação imediata e incondicional de todos os estudantes presos.

O papel do movimento estudantil do Irão

O movimento estudantil iraniano – tanto no país como no estrangeiro – tem representado um importante papel na luta do povo iraniano durante as últimas cinco ou seis décadas.

A 6 de Dezembro de 1953, alguns meses após o golpe de estado patrocinado pela CIA que derrubou o governo nacionalista de Mohammad Mossadeq e levou o Xá (rei) ao poder, Richard Nixon, então vice-presidente dos EUA, foi recebido por vigorosos protestos estudantis quando foi ao Irão. Três estudantes foram mortos nessa manifestação num ataque das forças de segurança do Xá. Durante o regime do Xá, todos os anos há protestos a marcar essa data como símbolo da luta dos estudantes e da oposição à intervenção estrangeira.

Muitos revolucionários mais velhos na Europa, nos EUA, na Turquia, na Índia e noutros países ainda se devem lembrar de como, nos anos 60 e 70, os activistas estudantis iranianos, pertencentes sobretudo à Confederação de Estudantes Iranianos, celebravam o 6 de Dezembro convocando manifestações e outras actividades, incluindo a ocupação de embaixadas iranianas e outras instituições iranianas, frequentemente em batalha com a polícia. Essas actividades expuseram os crimes do Xá e dos seus apoiantes imperialistas à escala mundial. Eles também estabeleceram contactos e cooperação com outras forças revolucionárias noutros países e treinaram milhares de revolucionários e comunistas empenhados no movimento revolucionário do Irão. Muitos tornaram-se mais tarde activistas e líderes de organizações comunistas e de esquerda e um grande número deles deram as suas vidas pelo movimento revolucionário do Irão e do mundo.

O regime islâmico que substituiu o do Xá depois da revolução estava consciente do poder e do papel do movimento estudantil e tudo fez para o reprimir e para eliminar o 6 de Dezembro da memória dos estudantes e do povo.

Mas, após a brutal repressão da revolução e a temporária redução do movimento estudantil, uma nova geração de jovens começou a emergir. As ideias de esquerda também começaram a recuperar força entre eles. O 6 de Dezembro retomou uma vez mais o seu legítimo lugar no movimento estudantil revolucionário.

O ressurgir do movimento estudantil tem horrorizado o regime islâmico do Irão que teme uma nova geração de comunistas. É esta a principal razão por que eles estão a perseguir esse movimento. Mas no passado o movimento estudantil mostrou a sua capacidade de resistir a esses ataques. Muitos elementos das massas iranianas apoiam e adoram afectuosamente o movimento estudantil pelo papel que desempenhou no movimento revolucionário e porque vêem os estudantes e o seu movimento como seus filhos e como futuro do país.

Agora que a intervenção estrangeira e mesmo uma guerra encabeçada pelos EUA ameaçam o Irão, o regime islâmico está a tentar reprimir as lutas populares em nome do esmagamento de uma conspiração dos inimigos do país. O Ministro da Informação Mohseni Ezheiy acusou oficialmente os activistas estudantis e as mulheres de envolvimento nessa conspiração.

Infelizmente, esta posição tem sido partilhada de uma forma ou de outra por algumas correntes de esquerda no Ocidente que apelam às massas iranianas, incluindo aos estudantes e mulheres, para acabarem com as suas lutas contra o regime. Mas o único caminho para a libertação é a continuação do combate contra esse regime reaccionário e, ao mesmo tempo, também continuar a oposição a qualquer intervenção ou agressão estrangeira.