Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 15 de Janeiro de 2007, aworldtowinns.co.uk

Afeganistão: Protestos em Jalalabad contra os ocupantes norte-americanos

Quando o ano de 2006 estava a chegar ao fim, um grande número de pessoas indignadas encheu as ruas de Jalalabad, capital da província de Nangarhar, no leste do Afeganistão. Soldados liderados por norte-americanos tinham invadido, às primeiras horas da madrugada de 31 de Dezembro, uma casa numa aldeia a sul da cidade, matando duas pessoas e detendo outras três. Os manifestantes diziam que os mortos eram simples civis e estavam a protestar contra a brutalidade das forças lideradas pelos EUA e a exigir o fim dessas atrocidades.

Embora as autoridades militares norte-americanas se tenham recusado a confirmar as mortes e as prisões, o governador da província de Nangarhar, Gul Agha Shirazi, confirmou o incidente. Ele também disse aos jornalistas: “O ataque teve lugar sem que nos consultassem”.

Esta não foi a primeira vez que Jalalabad foi cenário de protestos das massas indignadas. A brutalidade das forças lideradas pelos EUA tem atingido o seu ponto mais elevado nessa zona. Os talibãs também têm estado activos e particularmente fortes nessa zona. Os EUA não têm conseguido derrotar os talibãs e sofreram derrotas às mãos desses reaccionários. Em vingança, as tropas lideradas pelos EUA têm atacado simples civis, lançando sobre eles a sua vingança pelas perdas norte-americanas e pela sua incapacidade em atingirem os seus objectivos.

As forças de ocupação de cerca de 40 000 soldados estrangeiros e as tropas do seu regime fantoche têm invadido constantemente as casas das pessoas nas aldeias, sobretudo no sul e no leste do Afeganistão. Isso tem acontecido em vários tipos de circunstâncias, incluindo buscas por soldados talibãs. Da mesma forma, os aviões norte-americanos têm frequentemente bombardeado gente comum em diferentes zonas desde o início da ocupação, matando e ferindo muitas crianças e velhos, bem como outras pessoas.

Os actos criminosos e a brutalidade das forças de ocupação lideradas pelos EUA e dos soldados do regime fantoche tornaram Jalalabad numa das zonas mais tensas do Afeganistão e o cenário de muitas manifestações contra os EUA, contra o regime e contra os senhores da guerra. Os estudantes de Jalalabad estiveram muito activos na série de violentas manifestações anti-EUA que fizeram estremecer o Afeganistão em Maio de 2005, durante as quais foram mortos 17 estudantes. Também na província de Nangarhar, quando, há cerca de um ano, as forças de ocupação prenderam uma família inteira, incluindo duas mulheres, milhares de pessoas encheram as ruas e bloquearam as vias-férreas até os prisioneiros terem sido todos libertados.

Apesar das promessas iniciais de uma vida melhor para o povo do Afeganistão, agora, após cinco anos de ocupação pelos EUA e outros imperialistas ocidentais e do estabelecimento de um regime fantoche, os resultados são claros para quem os quiser ver: os ocupantes trouxeram a humilhação, os insultos, a prisão e às vezes a morte às massas de gente comum. A situação económica, se não é pior, é pelo menos tão má quanto antes – o empobrecimento do país e o desemprego persistem. A chamada reconstrução é sobretudo um mito. As mulheres, que supostamente foram “libertadas” pelos ocupantes, tiveram que carregar o principal fardo da má situação económica, da insegurança e da persistência da opressão religiosa. A UNICEF, uma organização da ONU, relatou recentemente que as viúvas, que estão sujeitas a severas pressões económicas e sociais, recorrem cada vez mais ao suicídio como única forma de saída das suas dificuldades. As violações em grupo de mulheres, e sobretudo de jovens adolescentes, transformou-se num sério problema para a população. Esta situação torna o regresso ao Afeganistão uma opção não atraente para os quatro milhões de refugiados que ainda estão no Irão e no Paquistão. Pouco mais de 1000 dos 900 000 refugiados afegãos no Irão regressaram este ano e apenas 25 000 voltaram a casa vindos do Paquistão, muitos deles obrigados a sair quando o governo paquistanês fechou alguns dos campos de refugiados junto à sua fronteira com o Afeganistão.

Apesar dos grandes alardes iniciais do governo fantoche sobre a diminuição da plantação de papoilas, o ano passado registou uma produção record de ópio, com um enorme aumento em comparação com 2005.

Em resultado de todas estas questões políticas, económicas e sociais, muita gente no Afeganistão elevou a sua voz e protestou contra as atrocidades do regime fantoche, dos senhores da guerra e dos ocupantes que mantiveram a opressão sofrida pelo povo antes da invasão de 2001.

Em Maio do ano passado, Cabul foi palco de uma violenta revolta de jovens dirigida contra o exército dos EUA, depois de um camião militar norte-americano ter atravessado o trânsito nalguns cruzamentos e os soldados terem começado a disparar sobre as pessoas. Os gritos de “Morte aos Estados Unidos” encheram o ar da capital ao mesmo tempo que os rebeldes apedrejavam a coluna norte-americana envolvida no acidente, dirigindo-se depois ao centro da cidade e atingindo instalações imperialistas e edifícios governamentais, incluindo sedes de organizações internacionais de ajuda e esquadras da polícia, para mostrarem a sua crescente raiva contra os ocupantes. Nesse violento protesto, pelo menos 22 pessoas foram mortas pelas forças de segurança.

Não muito depois, no início de Julho de 2006, os residentes da aldeia de Chonghar, no distrito de Paghman, perto de Cabul, protestaram contra o confisco de cinco mil acres de terra por comandantes do poderoso senhor da guerra Abdul Rasul Sayyaf. As tomas de terras pelas quadrilhas dentro do governo fantoche são um fenómeno novo no Afeganistão ocupado.