Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 14 de maio de 2018, aworldtowinns.co.uk

Revolução comunista e nada menos!

Comunicado do Partido Comunista do Irão (MLM) por ocasião do 1º de Maio, Dia Internacional da Classe Operária

O original em farsi do seguinte comunicado do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista) está disponível em www.cpimlm.com.

Este 1º de Maio surge num momento em que o Irão e o mundo estão à beira de eventos e convulsões sem precedentes. Está a desenvolver-se uma situação que envolve grandes perigos para a maioria das pessoas no Irão e no planeta. Mas no interior desta mesma situação há importantes oportunidades a aproveitar para mudanças radicais no Irão, no Médio Oriente e em todo o mundo, oportunidades para avançar, através de tremendos sacrifícios e lutas das massas populares, sob a liderança dos comunistas, rumo à emancipação, para derrotar os estados reacionários e as potências imperialistas em muitos países, desferindo-lhes golpes e derrotando-os, avançando através de saltos e limitações, fazendo assim nascer no mundo um novo dia em que novas revoluções comunistas prevaleçam e novos estados socialistas sejam estabelecidos em vários cantos do globo. Apenas reconhecendo e concretizando estas oportunidades podemos confrontar os enormes perigos que enfrentamos.

Através do seu funcionamento diário, o sistema capitalista-imperialista atira cada vez mais povos para a miséria e o terror. O número de pessoas afligidas pela fome e pela guerra está a aumentar, o aquecimento global continua e o mundo enfrenta constantemente a terrível ameaça do surto de novas guerras e novas vagas de massacres. Nos Estados Unidos, o regime de Trump e Pence está a pôr fim à democracia burguesa e a estabelecer em seu lugar um regime fascista cristão. Se este regime se conseguir consolidar, irá impor às pessoas um mundo que é mais racista, mais misógino e mais pobre e irá intensificar as guerras destrutivas e a destruição do meio ambiente. Mesmo antes da ascensão do regime de Trump e Pence, o funcionamento do sistema capitalista global e as políticas das várias potências imperialistas, entre as quais o imperialismo norte-americano, já tinham transformado o Médio Oriente num campo de batalha entre os senhores da guerra islâmicos, os estados reacionários da região e os exércitos imperialistas. Mas, sob a governação do regime de Trump, a situação no Médio Oriente irá tornar-se ainda mais intensa. As rivalidades económicas e políticas entre as potências imperialistas (os Estados Unidos, a Rússia, a China e a União Europeia) estão a intensificar-se. Estas rivalidades têm alimentado as labaredas de guerras por procuração em lugares como a Síria e tornaram a situação aí ainda mais complexa e sem fim à vista. Nas guerras na Síria e no Iémen, além das potências imperialistas, potências regionais reacionárias, como o Irão, a Turquia, Israel e a Arábia Saudita, e vários grupos islâmicos xiitas e sunitas, estão a massacrar implacavelmente as pessoas e a incendiar as terras delas. A ascensão de um regime fascista nos Estados Unidos incentivou o crescimento de forças políticas fascistas na Europa. Em vários países europeus, incluindo a Alemanha, a França, a Polónia e a Hungria, os partidos de extrema-direita estão a expandir o seu poder e a sua influência.

A situação no Irão não ocorre isolada do palco internacional e é, de facto, moldada principalmente por tendências internacionais. O poder político da República Islâmica perdeu a sua coerência. Ao mesmo tempo, o regime continua a sentir as consequências da revolta dos pobres que teve lugar em dezembro de 2017. Além disso, vaga após vaga de protestos, greves e manifestações – o movimento operário, os professores e os reformados, as Mulheres da Praça da Revolução (como são chamadas as jovens que se puseram de pé na Praça da Revolução e que retiraram e acenaram com os hijabs delas), os agricultores de Isfahan (que protestam contra a falta de água) e as pessoas no Khuzestão (que protestam contra a poluição atmosférica, bem como contra os ultrajes do regime contra o povo árabe dessa província) – têm confrontado o regime com a verdadeira possibilidade de um colapso económico e social e de grandes movimentos de massas e revoltas. A situação é tão crítica que uma série de altos funcionários da República Islâmica e responsáveis pela segurança têm exprimido abertamente o seu medo de que o regime se possa desmoronar ou ser derrubado, e o seu alarme pela falta de uma visão clara do que irá acontecer ao longo deste ano. A República Islâmica tentou resolver a sua crise económica e política entrando num acordo nuclear com as potências imperialistas. Mas isso não resultou em estabilidade para o regime. A nomeação de John Bolton para Conselheiro de Segurança Nacional de Trump e Pence não só abriu um novo capítulo nos esforços norte-americanos para pressionar a República Islâmica, como também visa empurrar o Irão ainda mais para o pântano das guerras do Médio Oriente e mesmo para propagar essas guerras até ao próprio Irão.

O regime reacionário da República Islâmica do Irão alega que, através dos seus crimes de guerra e do envolvimento criminoso na guerra síria e da sua defesa do regime reacionário de Bashar al-Assad, tem protegido o Irão dos conflitos no Médio Oriente. Mas o que colocou o Irão em risco de se tornar “sirianizado” foi exatamente o regime em si e o próprio sistema da República Islâmica. As suas várias fações militares e de segurança competem entre si pelo monopólio do território, dos recursos naturais e dos altos cargos executivos. Ao mesmo tempo, o imperialismo norte-americano, baseando-se em forças suas afiliadas, está a preparar uma “mudança de regime” no Irão. No âmbito deste tipo de situação tensa, qualquer desenvolvimento atribulado, como um confronto militar direto entre a República Islâmica e os Estados Unidos, Israel ou a Arábia Saudita, ou uma tentativa de golpe por parte de qualquer uma das várias fações da República Islâmica contra as outras, acompanhada da violenta repressão do povo com o objetivo de reconstituir um novo núcleo duro do poder no interior da República Islâmica – poderia abrir a porta a um processo semelhante ao que tem vindo a ocorrer na Síria e na Líbia nos últimos anos.

Preparemo-nos para grandes batalhas

Neste tipo de situação carregada, as ilusões e a ambiguidade política, a incapacidade de se fazer uma análise científica e a incapacidade de estar à altura dos desafios do momento com uma linha revolucionária baseada na realidade poderão conduzir à destruição das forças progressistas e à eliminação do árduo trabalho revolucionário anterior. Temos de analisar a situação o mais profundamente possível, captar o seu caráter excecional e reconhecer a possibilidade de perigosas mudanças na situação. O verdadeiro desastre, o verdadeiro significado da sirianização do Irão, será se as massas populares vierem para as ruas e se levantarem contra as suas condições de opressão e exploração, mas os atores efetivos no terreno forem as várias forças reacionárias vindas de dentro e de fora do regime da República Islâmica.

O último aspeto da situação que tem de ser imediatamente alterado é a necessidade política que a atual situação apresenta. Para estarmos em posição de lidar com os grandes perigos em curso, a nossa tarefa é abrir um caminho radicalmente diferente à frente das massas – um caminho cujos objetivos e enquadramento económicos, políticos, sociais e culturais sejam determinados por uma verdadeira revolução comunista, e que atraia um número significativo de elementos das massas para este caminho de entre aqueles que se juntaram em diferentes locais de luta e resistência contra a República Islâmica.

Em 2017, ocorreram em várias cidades e regiões iranianas centenas de explosões de protestos, greves, comícios e manifestações de trabalhadores (900 segundo algumas estimativas). Isto mostra tanto a gravidade do estado das coisas enfrentado pelo regime, como o potencial do povo para o protesto e a luta. Mas a dimensão e o número dessas lutas, a sua persistência, a sua coragem, a sua iniciativa e a sua insistência em obterem reivindicações e direitos económicos e outros ainda estão longe de serem o que os trabalhadores realmente precisam.

As terríveis condições políticas e económicas no Irão, na região do Médio Oriente e em todo o mundo não irão melhorar através de meras melhorias económicas e da criação de empregos neste ou naquele ramo da indústria ou da vitória de algumas pessoas que recuperem os seus depósitos bancários. A crise de pobreza e desemprego irá continuar sob várias formas, e a cada dia mais e mais pessoas em todo o mundo serão arrastadas para a fome e a miséria, mesmo que “eu” ou “a minha família” e “o meu país” possam ficar temporariamente protegidos dos ataques diretos e indiretos do sistema. A luta contra as próximas tempestades devastadoras não pode ser vencida com uma perspetiva de vistas curtas sobre os interesses envolvidos ou com as políticas de identidade de um setor da sociedade (como o movimento das mulheres ou os movimentos das nações oprimidas, etc., cada um lutando separadamente pelos seus direitos). A exploração e opressão imposta pelo sistema capitalista é um fenómeno universal e global e há uma única solução pela qual temos de lutar em várias frentes de batalha, todas elas ao serviço dessa única solução real e abrangente.

Um importante campo de batalha na nossa luta para derrubar o regime da República Islâmica e abrir caminho à revolução comunista no Irão é a luta anti-imperialista. Hoje, essa luta anti-imperialista deve estar centrada em particular no apoio ao movimento antifascista generalizado nos Estados Unidos iniciado pelo Partido Comunista Revolucionário, EUA (revcom.us), com o slogan “Em nome da humanidade, recusamo-nos a aceitar uns Estados Unidos fascistas” (refusefascism.org).

Que tipo de revolução? Que tipo de liderança?

A situação é muito fluida e imprevisível, mas um entendimento científico de “qual é o problema” diz-nos com grande certeza que a revolução comunista é a única saída. Nós, comunistas, representamos os interesses de toda a humanidade, e é por ela que lutamos. Vamos travar a nossa batalha para mudar radicalmente o mundo com base na ciência do comunismo e não com base em noções e ilusões democrático-burguesas. Quando falamos em revolução comunista e em ciência do comunismo estamos a falar do que foi criado e desenvolvido por Bob Avakian em O Novo Comunismo, e não em diferentes narrativas do comunismo nem em noções que usam o nome do comunismo.

Hoje em dia, a fim de nos prepararmos para essa revolução no Irão, nada é mais importante do que levar esta ciência emancipadora do Novo Comunismo, e o caminho do nosso partido para fazer disso uma verdadeira revolução no Irão, a vastos setores dos trabalhadores militantes, das mulheres rebeldes, dos povos das nações oprimidas (curdos, árabes, balochs, turcos, afegãos, turcomanos, etc.). Sem isso e sem aumentarmos continuamente o número de comunistas, não seremos capazes de construir a liderança da revolução comunista e a sua espinha dorsal.

A mais importante campanha de massas que está na agenda dos comunistas revolucionários é a campanha para aumentar a consciencialização generalizada do novo comunismo e da revolução comunista no Irão. Para a levarmos a cabo, devemos fazer uma campanha de agitação e propaganda em toda a sociedade em torno da Nova Síntese do Comunismo e da obra de Bob Avakian (e em particular do livro O Novo Comunismo), bem como dos documentos fundamentais do nosso partido, como o Manifesto e Programa Para a Revolução Comunista no Irão (publicado em fevereiro de 2018) e também o Projeto de Constituição da Nova República Socialista do Irão (a publicar em breve). Precisamos que as pessoas avançadas e uma nova geração de comunistas se comprometam com esta ciência para compreenderem a situação e alterarem as condições através de um trabalho e esforços árduos com base no objetivo estratégico da revolução comunista.

Devemos colocar as seguintes perguntas aos ativistas conscientes e àqueles que estão hoje na vanguarda do movimento operário: Qual é o lugar da frase “Operários do Mundo, Uni-Vos!” nas vossas lutas atuais? Será que o problema da classe operária seria resolvido com algo menos que este tipo de revolução e este tipo de visão internacionalista? Qual é o significado do internacionalismo proletário em relação aos trabalhadores afegãos que estão aprisionados nos mais baixos e mais oprimidos escalões da classe operária no Irão, e onde está o internacionalismo proletário quanto a isto nas atuais lutas dos trabalhadores? Que posição devem tomar os trabalhadores em luta em relação à opressão das mulheres em geral sob este regime, bem como às condições das mulheres proletárias e da sua sobre-exploração? Como veem eles a relação entre a ausência de direitos e a fome dos trabalhadores e das famílias deles no Irão e os crimes que o regime iraniano está a cometer no Iraque e na Síria? Como estão todos eles relacionados com a rápida aceleração da escassez de água e da destruição ambiental e da supressão da dissidência política pelo regime?

Aqui, a questão não é sublinhar o facto de que este tipo de consciência e discussão deve ser assumido por diferentes movimentos sociais, como o movimento operário e o movimento das mulheres ou por outras áreas de luta na sociedade. É óbvio que devemos fazer isso. A questão fundamental aqui é que, para enfrentarmos a extraordinária situação resultante da intensificação das contradições internas e internacionais, devemos fortalecer e desenvolver a liderança comunista e a espinha dorsal para liderar a revolução antes que a situação atinja o ponto de explosão. Mesmo àqueles que não são comunistas e que estão a lutar contra o sistema capitalista com um objetivo curto da revolução comunista, devemos dizer que a única maneira de sair das próximas tempestades e turbilhões é lutar pelo tipo de sociedade que o nosso partido tem proposto e assumir o roteiro que o partido tem apresentado.

Há mais de cem anos, na véspera da I Guerra Mundial, Lenine escreveu:

Uma classe oprimida que não se esforça em aprender a usar armas, em adquirir armas, só merece ser tratada como escrava. (…) Em todas as sociedades de classes, quer sejam baseadas na escravidão, na servidão, ou, como atualmente, no trabalho assalariado, a classe opressora está sempre armada. (…) O nosso slogan deve ser: armar o proletariado para derrotar, expropriar e desarmar a burguesa.

Dar qualquer outro significado ao 1º de Maio é iludir a realidade e fugir da necessidade da transformação revolucionária das atuais circunstâncias. A seguinte declaração de Bob Avakian é um princípio básico da revolução proletária:

Precisamos de uma revolução. Qualquer outra coisa é, em última análise, uma mentira. Ora, isto não significa que não nos unamos às pessoas em todos os tipos de lutas sem uma revolução. Precisamos definitivamente de fazer isso. Mas oferecer qualquer outra solução a estes problemas e ultrajes monumentais e monstruosos é, francamente, ridículo.

O futuro pertence àqueles que ousarem dar grandes saltos rumo à emancipação!
Viva a revolução, viva o comunismo!
Lutemos pelo derrube da República Islâmica do Irão e pelo estabelecimento da Nova República Socialista do Irão!