Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 7 de Abril de 2008, aworldtowinns.co.uk

O povo do Irão está neste momento a passar por tempos muito difíceis, talvez a situação mais difícil há décadas em várias frentes. O regime islâmico passou a reprimir ferozmente os protestos e as reivindicações de mudança. Duas dezenas de estudantes universitários têm permanecido na prisão desde as manifestações do Dia do Estudante em Dezembro passado. Segundo as suas famílias e outras fontes, eles têm sido sujeitos a tortura para os forçarem a exprimir uma atitude mais “islâmica”. Diz-se que várias jovens foram violadas e mortas ou levadas ao suicídio. Depois de um jovem activista nacionalista curdo ter sido preso, o regime reuniu vários dos seus familiares e executaram-no à frente da sua irmã. As actividades do Dia Internacional da Mulher não se puderam realizar este ano no Irão, nem sequer semipublicamente, devido a uma série de detenções antes do 8 de Março e à ameaça de mais prisões. Ao mesmo tempo, a maioria da população também está a sofrer economicamente a uma escala não vista há muitos anos. A inflação oficial é de 19%, mas o preço do arroz, das galinhas, da fruta e de outros alimentos básicos estão a subir tão rapidamente que os comerciantes se queixam que por vezes têm que mudar as etiquetas três vezes por dia. Os alugueres duplicaram no último ano. Há tantas mulheres que foram forçadas à prostituição para apoiarem as suas famílias que o fenómeno se tornou num escândalo nacional.

Publicamos de seguida um comunicado do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista). (Página na internet: www.sarbedaran.org; contacto: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

Lutar para salvar a vida do dirigente dos trabalhadores Mahmood Salehi

O Irão hoje, ao mesmo tempo que geme sob o brutal governo do regime teocrata, também é o local de uma intensa super-exploração misturada com uma “legitimação” fundamentalista islâmica que criou horrendas condições para o povo trabalhador do Irão. Isso deu lugar a ininterruptos protestos dos trabalhadores. Enquanto o regime burocrata-capitalista do Irão leva a cabo políticas neoliberais motivadas pela globalização cada vez mais profundas e destrutivas, as fábricas e as empresas agrícolas fecham umas atrás das outras. Em cada mês que passa, mais milhares de pessoas descobrem que ficaram desempregados e sem recursos para sobreviverem. Os trabalhadores desempregados juntam-se às fileiras dos milhões de jovens desempregados que nunca terão qualquer hipótese de trabalhar num emprego relevante.

A República Islâmica recebe a protecção e o apoio não só dos centros internacionais do capitalismo, mas também da chamada Organização Internacional do Trabalho (que com mais fidelidade deveria ser chamada Organização Internacional Anti-Trabalho). Todos os anos, esse organismo da ONU reconfirma os representantes da República Islâmica como “legítimos” representantes dos interesses dos trabalhadores!

Nas suas furiosas manobras para tornar o Irão superlucrativo para o sistema mundial capitalista-imperialista, a República Islâmica do Irão (RII) tudo faz para forçar os trabalhadores a aceitarem níveis desumanos de exploração e uma vida humilhante. O número de trabalhadores que cometem suicídio está a aumentar rapidamente. Quando os trabalhadores e os famintos dos municípios da classe operária protestam, enfrentam a repressão militar, no solo e vinda do ar. Os Guardas Revolucionários (Pasdaran) do regime estão lá para garantir a super-exploração e a super-humilhação dos trabalhadores. Durante muitos anos, a RII dividiu os trabalhadores segundo linhas fundamentalistas islâmicas. Hoje em dia, é o próprio regime que está odiado e isolado. Os trabalhadores vêem cada vez mais como a religião foi usada para legitimar a exploração brutal e a humilhação, ao mesmo tempo que lhes ofereciam recompensas no “próximo” mundo. Os Conselhos de Trabalhadores Islâmicos ou as Casas dos Trabalhadores ficaram desacreditadas e deixadas a operar com base em certos bandos criminosos islâmicos que são pagos pelos seus amos em altos cargos para se banquetearem com o sangue dos trabalhadores. Esses bandos é que são reconhecidos pela OIT como “representantes dos trabalhadores iranianos”!

Como aviso sobre como lidará com a resistência, o regime islâmico tem mantido um muito amado dirigente dos trabalhadores, Mahmood Salehi, a apodrecer e morrer na prisão. Mahmood, que tem sido mantido dentro e fora da prisão, está agora em perigo de perder a vida na prisão porque os seus rins estão a falhar e o regime da RII se recusa a prestar-lhe cuidados médicos. Mahmood já tinha cumprido na prisão a sua pena “legal” e “legalmente” devia ter sido libertado a 25 de Março, mas não o foi. As autoridades dizem que isto se deve a ele ter enviado mensagens de solidariedade aos estudantes no Dia do Estudante e durante o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.

Mahmood Salehi tornou-se muito conhecido em 2004 quando ele e outros trabalhadores ousaram celebrar abertamente o 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, na cidade de Saghez, no Curdistão iraniano. Segundo a RII, isso é um crime punível com a prisão e a tortura. Esses trabalhadores foram atacados pela polícia e detidos. Quando o seu caso se tornou internacionalmente conhecido e a OIT foi exposta por ter cooperado com a RII para fazer passar bandos criminosos como “legítimos representantes dos trabalhadores iranianos”, o regime teve que recuar e libertá-los.

Num momento em que os EUA ameaçam atacar o Irão e dão ares de “libertadores” do povo iraniano, Mahmood tomou uma posição clara tanto contra a guerra imperialista norte-americana como contra a RII e recusou-se a apelar à “reconciliação nacional” com o regime islâmico.

Mahmood também rejeitou os duvidosos esquemas da “comissão trilateral” proposta pela OIT e, em vez disso, insistiu no direito inalienável dos trabalhadores a organizarem a sua resistência e unidade em organizações de trabalhadores independentes e não através das “organizações de trabalhadores” sancionadas pelo estado.

Mas a RII considera a luta dos trabalhadores por esse direito básico como um acto político de revolta e rebelião que deve ser punido por ser uma ameaça à sua existência.

Isso é uma prova de que a República Islâmica está profundamente isolada e é odiada no Irão. A sua propaganda “anti-imperialista” no palco internacional é escarnecida pelas massas nas ruas do Irão que a consideram nada mais que um acto que visa obter acordos mais agradáveis com os patrões capitalistas-imperialistas do mundo. Esse falso espectáculo não deve enganar ninguém sobre a verdadeira natureza do estado da República Islâmica e sobre a brutal classe dominante reaccionária que teceu o Irão intrinsecamente na teia internacional do sistema capitalista e intensificou a super-exploração e a pobreza do povo do Irão.

Mostremos a nossa afronta contra este regime antipopular e a nossa solidariedade com os trabalhadores e o povo do Irão – lutemos pela liberdade e pela vida de Mahmood Salehi. Mahmood é um bom e corajoso trabalhador que deve ser apoiado por todas as massas trabalhadoras e pelos progressistas de todo o mundo.

Tomemos iniciativas locais para levar este caso à opinião pública mundial. Organizemos protestos frente às embaixadas da RII em todo o mundo!