12 de Outubro de 2003

RIBEIRO SANTOS:
UM COMBATE DE ONTEM E DE HOJE!

Um grupo de revolucionários resolveu manter a tradição da romagem ao Cemitério da Ajuda para marcar a passagem de mais um aniversário do assassinato de Ribeiro Santos, o dirigente estudantil morto pela PIDE em 1972, com a cumplicidade dos revisionistas do PCP.

A romagem efectuou-se durante a manhã do domingo, 12 de Outubro. Dadas as condições da luta política revolucionária em Portugal, o número de pessoas presente foi reduzido, mas o ambiente foi muito combativo. Foram feitas intervenções evocativas junto à campa de Ribeiro Santos e lido um poema (ver abaixo) a propósito do seu exemplo.

A romagem incluiu também uma homenagem a Alexandrino de Sousa, outro estudante revolucionário assassinado alguns anos mais tarde pelos neo-revisionistas, quando integrava uma brigada de divulgação de uma outra homenagem a Ribeiro Santos, organizada pelo MRPP, a organização política em que tanto Alexandrino de Sousa como Ribeiro Santos militaram.

José António Ribeiro Santos foi um conhecido dirigente estudantil, militante de uma organização maoista então na clandestinidade, o MRPP. A sua morte pesou enormemente no movimento estudantil e revolucionário de então, mobilizou um grande número de pessoas até então não despertas para a luta política e o seu funeral transformou-se numa grande batalha contra o fascismo e contra a guerra colonial. O exemplo político e o exemplo do carácter pessoal de Ribeiro Santos perduraram durante décadas e, apesar das actuais tentativas para os diluir ou mistificar, continuam bem fundas no coração dos revolucionários e antifascistas portugueses.

Mais informação sobre Ribeiro Santos

POEMA LIDO NA HOMENAGEM A RIBEIRO SANTOS

Por mais que se calem
por mais voltas que dê o mundo
por mais que neguem os acontecimentos;
por mais repressão que o estado instaure;
por mais que lavem a cara com a democracia burguesa;
por mais assassinatos de estado que cometam e calem;
por mais greves de fome que silenciem;
por mais que tenham saturado os cárceres;
por mais pactos que engendrem os controladores de classe;
por mais guerras e repressão que imponham
por mais que tentem negar a história e a memória
da nossa classe

Mais alto diremos:
assassinos de povos
miséria de fome e liberdade
negociadores de vidas alheias
mais alto que nunca, em grito ou em silêncio,
recordaremos os vossos assassinatos
de gentes, vidas, povos e natureza.
De boca em boca, passo a passo, pouco a pouco.

SALVADOR PUIG ANTICH
(Jovem anarquista assassinado pelo regime franquista.
Pouco antes de ser garrotado, em 2 de Março de 1974, escreveu na cela este poema
)