Uma entrevista com Amir Hassanpour sobre os recentes acontecimentos no Iraque e no Curdistão iraquiano

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 18 de Agosto de 2014, aworldtowinns.co.uk

A seguinte entrevista com Amir Hassanpour, da Universidade de Toronto, foi inicialmente publicada na edição de Julho do Atash (Fogo), um jornal comunista do Irão.

Atash: Aproveitamos esta oportunidade para falar com o camarada Amir Hassanpour sobre os recentes acontecimentos na região, e em particular no Curdistão iraquiano, e sobre a actual discussão do referendo sobre a independência proposta pelo Governo Regional do Curdistão.

Pergunta: Camarada Amir, sabemos que, numa entrevista à Voz da América, Massoud Barzani, presidente do Governo Regional Curdo do Iraque, disse que o sistema de governo do Iraque se tinha desmoronado e que os curdos não eram a razão disso. Ele disse que os curdos não tinham defendido antes a independência do Iraque, nem sequer quando foram atingidos por bombardeamentos químicos [em 1988, no tempo de Saddam Hussein]. E que foram outros que criaram uma situação tal que o país está efectivamente em estado de colapso. Os curdos têm direito a proteger a sua pátria, o Curdistão, para que se torne num lugar a partir do qual eles possam ajudar os outros irmãos iraquianos. Que os curdos deveriam submeter a independência da zona sob controlo do Governo Regional do Curdistão a um referendo. Qual é a tua posição e perspectiva sobre estas questões?

Amir Hassanpour: É claro que os curdos são uma nação oprimida no Iraque e noutros países da região. A maioria do povo curdo tem ansiado por um estado independente. Não há nenhuma dúvida de que, enquanto nação oprimida, os curdos têm direito à autodeterminação. Barzani tinha iniciado a discussão da independência ainda antes dos recentes acontecimentos [o controlo de parte do Iraque pelo ISIS], sem conseguir ou querer dar qualquer verdadeiro passo nesse sentido. Mas agora há uma situação nova. O Iraque praticamente desintegrou-se, devido à acção do ISIS, das forças tribais e da milícia islamita de Moqtada Sadr, bem como das políticas do governo do primeiro-ministro Nouri Maliki.

O Governo Regional do Curdistão [GRC] foi um resultado da primeira guerra dos EUA contra o Iraque em 1991. Evoluiu gradualmente e assumiu a sua actual forma na segunda guerra dos EUA em 2003. Agora, devido ao avanço militar do ISIS, as condições para uma declaração de independência amadureceram. Na realidade, porém, até agora o GRC tem sido semi-independente e qualquer referendo ou outras acções subsequentes iriam formalizar o que já existe.

Devo referir que nas duas últimas décadas ou assim, com base no direito internacional, foram criados vários novos países de uma forma semelhante – por exemplo, o Sudão do Sul, Timor-Leste e países que emergiram em resultado da desintegração da Jugoslávia e da União Soviética. Mas se o Curdistão se tornasse independente, isso aconteceria nas particulares condições regionais e internacionais em que os nacionalistas curdos do Curdistão iraquiano já têm estado no poder.

Este governo representa um nacionalismo que está no poder e tem um parlamento, um aparelho executivo [um governo, uma administração, um exército chamado Peshmerga, uma polícia, um sistema de segurança, prisões] e um departamento de justiça, embora os seus poderes sejam mais limitados que os dos estados norte-americanos e das províncias canadianas. Mas como o governo central do Iraque não tem assim tanto poder, o GRC é quase independente. A oposição dos EUA, do Irão e da Turquia é uma das razões por que este projecto não foi concretizado, mas esta situação pode mudar. Embora os EUA se lhe possam opor actualmente, o problema principal que os EUA têm com isto não é a formação de um estado curdo. Aquilo com que os EUA mais estão preocupados é em assegurarem a sua influência política, económica e militar em toda a região. Por exemplo, eles estão à procura de mudanças que garantam os interesses dos EUA e dos seus aliados, como Israel. E uma coisa é certa, se os EUA se opuserem à independência, os líderes curdos irão obedecer-lhes.

Pergunta: Estás a dizer que o Curdistão iraquiano é de facto independente. Mas algumas correntes políticas alegam que se o Curdistão se tornar independente numa região em que o Islamismo e as forças reaccionárias estão a crescer em todo o lado, pode tornar-se numa base para as forças não-religiosas e laicas. Um poder em que o sistema patriarcal feudal desaparecerá e em que não haverá nenhum sinal do tipo de guerras religiosas e étnicas que estão a acontecer noutras partes do Iraque. Em que é que esta imagem corresponde à realidade?

Resposta: Parece mais um sonho que a realidade. Ao fim de 23 anos, a experiência do GRC tem demonstrado algo diferente. É verdade que durante um curto período de tempo após o colapso do regime de Saddam, os curdos puderam pensar que já não sofriam uma opressão nacional. Muitos ficaram contentes por terem uma administração, um exército e um sistema de justiça em que podiam falar em curdo, mas essa celebração não durou muito. Eles perceberam rapidamente que a nova classe capitalista que tomou o poder está a recorrer à violência, mas desta vez em língua curda.

Mas mesmo que [assumindo] que a opressão nacional tenha diminuído em grande parte nesta região, a opressão colonial dos EUA substituiu a opressão nacional do regime de Saddam. O governo do Curdistão tornou-se completamente dependente, económica e politicamente, dos EUA. Em relação aos interesses do povo curdo, e em particular da maioria que é explorada, e também das mulheres, metade da população, o GRC e a independência formal não poderiam introduzir nenhuma mudança nessas relações. A alegação de que o Curdistão poderia ser uma base independente para o laicismo ou uma alternativa para o tipo de teocracia visto no Irão, no Afeganistão e no Iraque é bastante falsa.

Depois de os teocratas terem tomado o poder no Irão, os dois partidos que controlam o governo curdo, a União Patriótica do Curdistão (PUK) e o Partido Democrático do Curdistão (KDP), tal como a maioria dos regimes do Médio Oriente, tentaram tornar-se mais islâmicos. A maioria dos nacionalistas curdos iraquianos que eram não-religiosos tem recorrido cada vez mais a rezas e jejuns. Apesar de os movimentos nacionalistas a seguir à II Guerra Mundial não serem maioritariamente religiosos, os líderes e intelectuais destes dois partidos curdos não incluíram o laicismo nos seus programas políticos, nem sequer de uma forma muito limitada, ou seja, defendendo a separação entre estado e religião, e na realidade em grande parte fizeram compromissos com forças religiosas. Sob o regime desses partidos, o Curdistão tem-se enchido de mesquitas e as cidades transformaram-se em cidades de minaretes [torres de mesquitas]. Portanto, este governo não pode ser considerado verdadeiramente laico. É difícil acreditar que este governo seja uma força progressista ou que possa ajudar as pessoas de outras partes do Iraque, dado que, durante os últimos 23 anos, tem empurrado cada vez mais o povo do Curdistão para a religião. Apesar das diferenças no interior da liderança, este governo tem-se orientado para Israel, a Turquia e o Irão, e eu não consigo ver nenhum indício de progressistas ou libertadores nas suas palavras ou actos.

P: Disseste que o GRC se orientou para Israel, mas muitos curdos não vêem nada de errado nisso. Eles alegam que Israel criou um estado para uma nação oprimida e que internamente é governado por um sistema democrático. E como o GRC é um governo, deve ter relações com os outros governos da região, pelo que é natural também ter relações com a Turquia e o Irão. Eles alegam que embora no passado assumir uma posição contra Israel e o genocídio dos palestinianos fosse uma característica distintiva de uma posição progressista, isso já não é assim. O problema é que algumas pessoas não vêem nada de errado com um alinhamento com Israel. Alguns sonham mesmo em ser tratados pelas potências mundiais da mesma maneira que Israel tem sido tratado por elas, para que eles possam construir o Curdistão na região da mesma maneira que Israel foi construído.

R: Isso é verdade. Um dos sonhos dos nacionalistas curdos nos últimos vinte anos tem sido o de se tornarem como Israel, e para isso eles quiseram usar os planos das potências imperialistas para a região [para promoverem a sua própria independência]. Pior ainda, alguns dos seus intelectuais idealizaram o projecto sionista como um movimento de libertação nacional, e consideram terroristas como Menachem Begin como combatentes da liberdade. Eles traduziram mesmo algumas das obras dele para curdo. A ironia é que ao mesmo tempo que alguns judeus progressistas fora de Israel consideram o regime sionista como um apartheid e um regime explorador, muitos dos nacionalistas curdos consideram-no um símbolo de democracia e libertação nacional. Isto [é grave] e levanta algumas questões sobre a própria natureza deles.

Aqueles que não vêem o que Israel está a fazer ao povo palestiniano, que não vêem a limpeza étnica, os crimes contra a humanidade, que não têm nenhuma simpatia pelo povo palestiniano e que não estão a protestar contra isso, ou negam estes crimes, não só não estão a lutar pela libertação como estão, consciente ou inconscientemente, a ajudar a que estes crimes continuem. Isto faz parte da limitação de todos os movimentos nacionalistas que vêem os seus interesses como coincidentes com os interesses das potências imperialistas e do sistema imperialista. De facto, há um interesse comum que os compele a trabalhar dentro do quadro do mesmo sistema e não contra ele. O GRC tornou-se parte da engrenagem deste sistema e deseja tornar-se como Israel.

Mas tendo em conta as actuais condições na região em geral, mesmo que houvesse um referendo, parece improvável que esse país pudesse tornar-se [verdadeiramente] independente, mesmo que se torne num membro da ONU.

Todos os pilares em que se apoia são dependentes de outros regimes da região, sobretudo do Irão, da Turquia e certamente de Israel, e também dos EUA, mais dos EUA que da União Europeia. Isto tem sido e continua a ser assim desde que o GRC foi criado há 23 anos. A sua economia é completamente dependente, e mesmo a sua água engarrafada vem da Turquia e do Irão. Os seus alimentos vêm da Turquia, do Irão e dos EUA. Até a Ranak va Chookha [a roupa tradicional curda] é feita na China. A economia agrícola do Curdistão é incapaz de satisfazer as necessidades do seu próprio povo.

Saddam destruiu as aldeias curdas durante a operação de genocídio Anfal [desencadeada em 1988 pelo regime do partido Baath] e o governo curdo não tem conseguido revitalizar essas aldeias para que elas possam ser auto-suficientes e dependerem da sua própria produção. Por exemplo, vejamos a produção de petróleo. O GRC não pode exportar o seu petróleo sem depender completamente da Turquia. Na actual situação, não é claro o que irá acontecerá ao sul do Iraque, mas mesmo que os nacionalistas curdos estejam a pensar numa [verdadeira] independência, eles não a conseguirão concretizar. Este governo tem estado económica, politica e militarmente dependente, desde o princípio e até agora, de outros. De facto, qualquer forma de independência formal não irá anular essa dependência, antes a irá oficializar.

P: Algumas pessoas referem-se à realidade da vida sob o regime do GRC. Dizem que é um governo opressor. Os incidentes de mortes de honra estão a aumentar enormemente, o Islamismo está a crescer; nem sequer há uma biblioteca de confiança. Os intelectuais curdos que têm estado a estudar noutras partes do mundo estão relutantes em voltar para o Curdistão porque no Curdistão não têm a liberdade necessária para agirem e poderem servir o povo e levarem o seu conhecimento e experiência ao povo. Os curdos iranianos são explorados no Curdistão iraquiano e há uma hierarquia entre curdos iranianos e curdos iraquianos. Também os operários e os serventes imigrantes das Filipinas, do Nepal e do Bangladesh são duramente explorados no Curdistão iraquiano. A economia agrícola não foi revitalizada e não há nenhum sinal de indústria básica. Mas mesmo tendo em conta tudo isto, essas pessoas alegam que, dado que o Médio Oriente está em fogo, o Curdistão seria um abrigo seguro para o povo curdo e para os que lá queiram encontrar refúgio. Numa entrevista, Barzani também dá a impressão de que o Iraque está em fogo e que ele quer salvar “este quarto” da “casa” iraquiana. Isto é verdade? Não tem um aspecto positivo?

R: Poderia ser, se o governo tivesse uma linha revolucionária, mas não tem.

P: Por exemplo, na II Guerra Mundial, a Rússia socialista não pôde ficar de fora do fogo da guerra. Eles eram auto-suficientes, revolucionários e tinham indústria. Claro que pagaram um preço elevado, porque tantos dos seus habitantes foram mortos. Como é que é possível, numa tal situação, salvar “um quarto”?

R: Em relação à propagação do fogo, não é possível ao GRC salvar nem sequer um pequeno espaço, em primeiro lugar devido à natureza e à linha política do GRC. Sob orientação da Turquia, o GRC tem combatido o PKK e massacrado as forças deles (no Curdistão iraquiano). Ambos os partidos (KDP e PUK) têm participado nesse projecto. Os curdos sírios declararam recentemente a autonomia de algumas zonas do Curdistão sírio, mas o GRC liderado por Barzani decidiu construir um canal ao longo da fronteira com a Síria para separar as duas partes do Curdistão. A guerra de meados dos anos 1990 entre a PUK e o KDP, conhecida como “guerra suicida”, é um outro exemplo. O KDP pediu a ajuda do exército de Saddam para eliminar a PUK. A unidade curda e a ideia de que se ajudariam uns aos outros não têm funcionado até agora.

Em relação à questão dos trabalhadores curdos que lá vão trabalhar vindos da Turquia e do Irão, ou ao tratamento das forças políticas e dos trabalhadores de outras partes do mundo ou outros exemplos, eu não quero dizer que não há um outro tipo de relação com os curdos da Turquia ou do Irão. Há alguns que estão melhor. Alguns curdos do Irão ou da Turquia abriram lojas ou restaurantes ou têm outras actividades económicas. Mas a linha política e ideológica do GRC é globalmente como a dos outros governantes nacionalistas. Por exemplo, quando a Índia se tornou independente em 1948, toda a península era governada por uma força nacionalista. Esse país tem um exército poderoso e uma indústria relativamente poderosa. Também tem muitos outros recursos. Mas a pobreza é inacreditável. A Índia tem mais escravos que qualquer outro lugar do mundo. Também conhecemos a situação das mulheres na Índia. É este o resultado da governação de uma força nacionalista na Índia.

Mas, até certo ponto, o movimento nacional que poderia ser considerado mais comparável com o do Curdistão é o palestiniano. Neste momento, uma parte da força que governa a Palestina transformou-se no gendarme do estado israelita. A outra parte é uma força teocrática, o Hamas. Estas forças não têm capacidade para darem qualquer passo para libertarem o povo palestiniano.

Claro que o Curdistão tem a sua própria área geográfica, ao contrário da Palestina que foi completamente ocupada e onde o brutal processo de limpeza étnica continua. Mas o resultado da governação do GRC não tem sido assim tão brilhante. O outro problema é a linha política e ideológica e o programa dos dirigentes nacionalistas curdos.

Em suma, os dirigentes nacionalistas curdos estão orgulhosos por fazerem parte da engrenagem do sistema imperialista. Eles dizem isso abertamente. Não têm nenhuma alternativa e não querem experimentar nenhuma outra alternativa.

Eles alegam orgulhosamente que, ao contrário de muitos outros países do Médio Oriente, no Curdistão há uma comunicação social livre. Mas nem sequer isso é verdade. Durante os últimos 20 anos, houve muitos casos de mortes de jornalistas e de sufocação de qualquer tipo de crítica.

A verdade é que, independentemente de como se olha para isto, não é possível ver nenhum progresso. Muitas pessoas argumentam que o Curdistão iraquiano agora tem um aeroporto internacional, estradas construídas, há muitos centros comerciais, muitas atracções turísticas nas regiões montanhosas para os turistas internos e estrangeiros e por aí adiante. Mas quando se vê o povo do Curdistão, apesar dos seus muitos recursos naturais, como o petróleo, tem uma economia agrícola destruída e nenhuma economia industrializada formal para melhorar a situação económica global das pessoas e criar empregos. Por isso, eu não vejo nenhum futuro luminoso para um Curdistão independente. Isto não é por causa das limitações do povo curdo, mas devido à natureza de classe e à ideologia dos dirigentes nacionalistas.

P: Então, a solução, tal como noutras partes do mundo, é fazer a revolução, uma revolução socialista, e criar um estado socialista (no Curdistão). Algo que já não está na moda. Quais são as bases potenciais e materiais para uma tal revolução nas regiões curdas? Pensas que seria possível que uma força comunista pudesse emergir dos escombros do movimento de “esquerda” do Curdistão?

R: Neste momento, os fundamentalistas islâmicos, os nacionalistas árabes, curdos, assírios e turcomanos e os chefes tribais árabes têm vantagem no Iraque. Eles [os dirigentes tribais e os fundamentalistas islâmicos] detêm a iniciativa em toda a região, à excepção de parte do Curdistão sírio. Mas todos eles estão a trabalhar dentro do quadro das actuais relações capitalistas. As potências ocidentais e o capitalismo no seu todo estão eles próprios num caos e presos a estas contradições regionais ou, para dizer isto de outra forma, eles fazem parte dessas contradições. Eu não vejo uma corrente revolucionária, i.e., liderada por comunistas. Do ponto de vista histórico, é mais claro que nunca que não há nenhuma outra saída a não ser a revolução. Mas, dada a situação do movimento comunista internacional, não há nenhum movimento comunista na região que possa assumir com sucesso essa pesada responsabilidade.

Mais que qualquer outra coisa, devido à restauração do capitalismo na União Soviética e, em última análise, na China e à experiência destas derrotas, o movimento comunista está a passar por um estado de desatenção e falta de iniciativa. Não houve nenhum verdadeiro balanço do anterior movimento comunista da região, e não só do Curdistão. Durante este tempo, o movimento comunista tem vindo a recuar. Porém, apesar destas condições desfavoráveis, ao mesmo tempo também posso ver a melhor oportunidade. Nós estamos a viver um sério caos do sistema imperialista e da ordem que eles criaram após a I Guerra Mundial. Há agora uma situação que torna possível pôr fim a este sistema. Mas sem a existência de um movimento comunista e de uma correcta linha política, ideológica e organizativa isso nunca poderá ser conseguido.

P: Queres dizer que não há nenhuma esperança e que nada deve ser feito?

R: Não. As condições históricas durante as últimas três ou quatro décadas mostraram que a linha ideológica e política é ainda mais decisiva. É claro que sem uma teoria revolucionária não é possível fazer a revolução. O marxismo proporciona-nos essa teoria, mas sem o seu desenvolvimento e uma síntese revolucionária das nossas vitórias e derrotas do passado, não será suficiente. O que eu estou a tentar dizer é que os elementos subjectivos estão atrasados em relação às possibilidades objectivas.

P: Quais são os elementos potencialmente favoráveis à revolução nestas situações difíceis?

R: A própria situação difícil faz parte da base material. Quer dizer, a situação está a clamar por uma mudança. É possível inverter a situação em que os fundamentalistas e as potências imperialistas detêm a iniciativa. A situação é tal que o movimento comunista pode intervir e mudá-la. Claro que isto significa um movimento comunista que tenha uma linha correcta para analisar correctamente a situação e torná-la no seu oposto.

P: Tens alguma outra coisa a dizer, qualquer mensagem para aqueles que querem mudar o mundo mas estão chocados com as várias forças reaccionárias e imperialistas no terreno?

R: Não há nenhuma via intermédia; ou se está com os fundamentalistas islâmicos e os imperialistas de um lado ou com o povo e as forças comunistas ou qualquer combatente da liberdade que estão contra ambos os pólos antipopulares, do outro lado. Se há alguma força comunista ou revolucionária que pensa que é possível colocar-se no meio, então deveríamos perguntar que experiências do passado demonstraram que esse era o caminho. Os indivíduos e forças conscientes deveriam decidir seriamente se querem fazer parte da inaceitável situação actual ou querem criar um outro mundo e romper as grilhetas da escravidão. Os comunistas e o movimento comunista podem mudar o curso da história ao mesmo tempo que se estão a reconstruir e a revitalizar a si próprios, tal como o fizeram muitas vezes no passado.