Rebeldes maoistas enfrentam o exército turco
21 de Fevereiro de 2005. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

A 14 de Janeiro de 2005 ocorreu uma batalha entre guerrilheiros dirigidos pelo Partido Comunista Maoista (MKP) da Turquia e Curdistão do Norte e uma unidade das forças armadas turcas na zona de Tunceli (conhecida popularmente como Dersim, o seu anterior nome oficial) no norte do Curdistão. O Exército Popular de Libertação (EPL) sofreu cinco mortos. Embora um porta-voz militar turco tenha alegado que havia apenas sete vítimas entre os soldados do exército, dois mortos e cinco feridos, o MKP anunciou que os seus guerrilheiros tinham matado sete soldados inimigos, incluindo o chefe de operações na região de Dersim, e ferido dez. Vários soldados inimigos morreram quando os guerrilheiros conseguiram abater um helicóptero que transportava os comandantes da unidade. O líder das forças guerrilheiras, Yılmaz Göç, morreu quando, depois de comandar os seus guerrilheiros para conseguirem o feito invulgar de abater um helicóptero com armas ligeiras, as pás do helicóptero abatido o atingiram e feriram mortalmente.

Dersim fica no coração do Curdistão turco. É uma zona isolada no sudeste do país, cercada pelas montanhas de Munzur. Uma fortaleza natural, as suas poucas estradas atravessam vales profundos e estreitos com desfiladeiros espectaculares. Tem uma longa história de resistência aos repetidos esforços dos regimes nacionalistas turcos para turquizar essa zona predominantemente curda. Em 1938, o Exército turco esmagou uma rebelião massacrando 60.000 pessoas em Dersim.

Dersim tem continuado a ser um ponto forte da rebelião e da resistência às autoridades turcas. Após o golpe que impôs uma ditadura militar em 1980, tornou-se um centro de resistência aos generais. A partir de 1986 e ao longo dos anos 90, essa parte do Curdistão testemunhou insurreições violentas, dirigidas sobretudo pelas forças nacionalistas curdas do PKK (o Partido dos Trabalhadores Curdos) contra o estado turco. Também tem sido um bastião histórico das forças maoistas de guerrilha na Turquia. Essa zona enfrentou uma guerra contínua de contra-insurreição de baixa intensidade por parte do Exército turco. Quando o Exército lança uma campanha na zona, mobiliza habitualmente 5 a 10 mil tropas regulares, mais milícias de aldeia e forças especiais. Postos militares fortificados têm aparecido nessa zona, tornando-a numa das mais militarizadas do país. Uma das formas que o regime turco utilizou para tentar eliminar a resistência foram os massivos deslocamentos de populações – secando o mar em que os guerrilheiros procuram nadar, forçando dezenas de milhar de pessoas a abandonar as suas casas.

Mais de 300.000 dos 800.000 soldados das forças armadas da Turquia – o segundo exército mais numeroso da NATO – estão estacionados no Curdistão, no leste da Turquia. Isto esgota os orçamentos governamentais, com um custo anual de cerca de 8 mil milhões de dólares. Segundo a comunicação social, 80.000 pessoas perderam as suas vidas na luta que se travou durante esse período.

Segue-se um comunicado emitido pelo MKP e reproduzido do Devrimçi Demokrasi (Democracia Revolucionária), que é publicado em Istambul (Turquia).

Os combatentes pelo comunismo são imortais!

Foram mortos em Mazgirt-Sisik, mas não foram derrotados!

Todos eles se tinham juntado recentemente às fileiras do Exército Popular de Libertação.

Marchavam com um espírito de optimismo e esperança. Marchavam como se estivessem num mar vermelho turbulento, contra fortes correntes, desafiando a morte. Afinal de contas, esta é uma guerra popular. Alguns deles juntaram-se ao Exército Popular de Libertação depois do Congresso do Partido, alguns em 2003 e outros no Verão de 2004.

Marchavam armados do espírito marxista-leninista-maoista de conquistar o mundo, como o Partido e o seu Congresso tinham definido! Marchavam para içar mais alto a bandeira do MLM que ondula nos Andes, no Evereste e nas Montanhas Munzur da Turquia, contra todo o tipo de oposição política e ideológica reaccionária.

Tinham cerrado as suas fileiras contra a tendência político-ideológica do capitulacionismo e do liquidacionismo que ataca a compreensão e a prática da guerra popular, a luta armada de guerrilhas e a libertação dos povos como sendo “terrorismo”.

Marchavam de cabeça erguida, conscientes e corajosos, desafiando a morte graças à sua lealdade e devoção ao povo e ao seu Partido, não se rendendo nem ao inimigo nem à morte! Derrotaram-nos a ambos quando sacrificaram as suas próprias vidas pela guerra popular. Combateram até à última bala, tal como o camarada Mete e os 13 outros heróicos mártires que tombaram antes deles nessas mesmas montanhas em 1995. Militarmente, também infligiram um duro golpe ao inimigo, apesar da sua superioridade numérica e tecnológica. O equilíbrio de forças estava contra eles, mas os nossos heróicos combatentes deram lugar a novas lendas.

O inimigo sofreu grandes perdas... Após dois dias de combates ininterruptos, as baixas inimigas não foram “dois mortos e três feridos”, mas antes: foram mortos um major do exército, um capitão, um oficial não-comissionado das forças especiais, um major sargento especialista e três membros das forças especiais e ficaram feridos vários (até 10) membros das forças especiais. Após dois dias de ataques aéreos contínuos, foi destruído um helicóptero militar que transportava a unidade de comando.

Os soldados que foram mortos não eram apenas soldados comuns, como alegou a comunicação social vendida, mas membros das forças especiais...

O camarada Yılmaz Göç nasceu em 1980 em Adana-Yuregir e tinha-se juntado ao Partido depois de ter sido estudante universitário e activista juvenil. Era um representante regional de Dersim e tinha inspirado muitos combatentes a juntar-se ao EPL... O camarada Yurdanur Ozkan nasceu em Dersim-Plumur e juntou-se ao EPL em 2004... O camarada Akan Kucukdogan nasceu em Dersim-Mazgirt e conhecia o Partido e o seu exército desde a infância. Juntou-se ao EPL no Verão de 2003... A camarada Melahat Yalcin nasceu em Dersim-Plumur. Deixou o seu lugar de professora para se juntar às fileiras do EPL... O camarada Umit Catakci era do centro de Dersim e juntou-se ao EPL no Verão de 2004...

Nesta operação para apanhar o EPL desprevenido, o inimigo sofreu um duro e inesperado golpe. Isso forçou-o a interromper as suas operações. Nós sofremos perdas, mas o inimigo perdeu muito mais duramente.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese