Turquia: Ataques de grande dimensão contra alegados apoiantes do MKP

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 3 de Dezembro de 2012, aworldtowinns.co.uk

Um boletim da agência noticiosa da Federação para os Direitos Democráticos comunica uma vaga muito grave de prisões e outros ataques contra a resistência popular na Turquia.

O boletim, datado de 13 de Novembro, noticiava: “Inquieto com o seu controlo de interferência na luta das massas e a meio de uma crise social, o estado tem levado a cabo extensas rusgas contra organizações democráticas de massas no nosso país, e em particular contra a Federação para os Direitos Democráticos [FDD], nas cidades de Dersim, Ancara, Izmir, Istambul, Adana, Mersin, Kayseri, Zonduldak, Antália, Usak, Sivas, Diyarbakir, Canakkale e Isparta. Cerca de 60 membros e simpatizantes da FDD foram detidos numa rusga simultânea. Um grande número de casas e centros de reunião foram saqueados.”

“Entre os presos estavam representantes centrais e membros da FDD e representantes em Izmir do jornal The People's Daily [Diário do Povo]. Tomámos conhecimento das declarações oficiais de que estas operações simultâneas em 14 cidades foram conduzidas sob a supervisão dos gabinetes dos altos procuradores estatais de Malatya, Izmir, Ancara e Adana...”

“As violações do estado de direito e dos procedimentos legais têm ficado fora de controlo, segundo os advogados de defesa. Estes têm alertado para que ‘O que parece estar a acontecer é a fabricação de acusações para alegarem relações entre as actividades democráticas dos membros da FDD presos e as actividades do Partido Comunista Maoista e do Exército Popular de Libertação (MKP-HKO)’.”

As acusações contra os presos são muito graves e podem resultar em longas penas de prisão devido a acusações muito exageradas. Por exemplo, a punição pelo alegado lançamento de um cocktail Molotov numa manifestação de rua foi tornada equivalente à de um ataque com rockets a uma esquadra de polícia.

Durante esse mesmo período de tempo, as notícias na comunicação social turca indicavam um sério golpe contra os combatentes armados do HKO. Numa operação militar governamental na região do Curdistão central foram detidas cerca de 25 pessoas.

Este ataque coordenado surge numa altura em que o regime do partido AKP dirigido por Recep Tayip Erdogan está a perder algum do seu apoio entre as massas e enfrenta um crescente ressentimento e oposição. O principal argumento demagógico de Erdogan, a promessa de uma “abertura” às reivindicações do povo curdo, mostrou ser vazio e gerou uma nova vaga de raiva e resistência entre os curdos. Um outro componente desta atmosfera é o ressurgir das ameaças governamentais de enforcar o dirigente encarcerado do Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK), Abdullah Öcalan. Ao mesmo tempo que o governo vira abertamente as costas às negociações com o PKK, afastando-se mesmo dessa promessa de “abertura”, tem havido confrontos militares cada vez maiores entre os peshmergas armados do PKK e o exército turco. Na altura das prisões acima referidas, decorria uma greve de fome generalizada nas prisões, iniciada por prisioneiros do PKK e à qual se juntaram outros presos, bem como outras pessoas no exterior em solidariedade, nalgumas das principais cidades da Turquia e mesmo nalgumas cidades da Europa. Os presos receberam um apoio popular muito generalizado.

Tudo isto é particularmente problemático para as ambições do regime turco de desempenhar um maior papel nas convulsões pela reconfiguração do Médio Oriente. O regime enfrenta interna e externamente uma situação instável pelo que decidiu dar severos golpes à luta popular.