Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 1 de agosto de 2017, aworldtowinns.co.uk

Recordando Amir Hassanpour, combatente comunista revolucionário, intelectual e internacionalista do Irão

A 24 de junho de 2017, Amir Hassanpour, um conhecido intelectual revolucionário e comunista revolucionário com ligações de longa data à luta no Curdistão, no Irão e noutros lugares, faleceu em Toronto, Canadá.

A 22 de julho, 250 pessoas de muitas nacionalidades reuniram-se na Universidade de Toronto para homenagear e aprender com a vida de Amir. Também estão planeadas homenagens noutras cidades.

A vida intelectual e política do camarada Hassanpour esteve entrelaçada com os acontecimentos no movimento comunista internacional e nos movimentos iranianos revolucionários e de esquerda. Amir nasceu em 1943 em Mahabad, no Curdistão iraniano, onde passou os seus anos de infância e adolescência. É uma região cujo povo, sobretudo os camponeses pobres, tem sido oprimido por relações sociais patriarcais feudais e reacionárias e que também sofre uma discriminação étnica.

A experiência em primeira mão da opressão nacional e do ambiente político de Mahabad levou Amir, na sua juventude, a juntar-se a um movimento nacionalista (o Kurdiati) mas, nas próprias palavras dele, depois de ter conhecido o marxismo, a perspetiva dele mudou. Passou a ver a realidade da exploração humana e da opressão nacional à luz das teorias marxistas que o ajudaram a ir além dos limites das teorias e perspetivas nacionalistas. Amir foi um teórico da questão nacional no Curdistão e no Médio Oriente e um proeminente académico e investigador nos campos da cultura, da língua, da literatura e da história do Curdistão, com muitas publicações académicas. Mas, acima de tudo, ele sempre tentou compreender e analisar os problemas da sociedade humana aplicando a ciência do comunismo. “Eu não tenho nenhuma identidade”, declarou com franqueza. “Se me fazem escolher uma identidade, devo dizer que sou um internacionalista”.

Amir juntou-se ao movimento estudantil iraniano em Teerão na década de 1960. Esta ligação manteve-se na década de 1970 com a participação dele na União de Estudantes Iranianos nos Estados Unidos. A 1 de maio de 1968, durante uma viagem como estudante aos EUA, passou por Paris e imediatamente se juntou às manifestações dos jovens no Quartier Latin e às lutas deles com a polícia. Este período de ativismo ligou-o ao futuro Partido Comunista do Irão (MLM) e ao Partido Comunista Revolucionário, EUA (PCR,EUA).

Amir foi, a um nível, típico dos intelectuais revolucionários que estiveram ativos na década de 1960. Foi um entusiástico participante e defensor da luta nacional revolucionária que então varria o mundo, do Curdistão e da Palestina ao Vietname e ao Brasil. Como estudante, saltou para dentro da rebelião e do fermento intelectual desses dias dos Estados Unidos e noutros países do mundo imperialista.

Tudo isto foi expandido e colocado numa base científica por Mao Tsétung e pela sua liderança da Revolução Cultural na China que estava a abalar o mundo e a mostrar em cores vivas a possibilidade de avançar para a meta final de uma sociedade que por fim elimine todas as divisões de classe e todas as relações e ideias putrefactas correspondentes à exploração. Amir também se preocupou profundamente com a emancipação das mulheres. Ele tornou-se um comunista, um maoista, e devotou os consideráveis talentos e energias dele à luta pela criação de um mundo comunista.

Ele foi um dos muitos intelectuais comunistas e revolucionários que se lançaram na luta no Irão quando o regime do Xá ruiu no final da década de 1970. Amir foi um dos fundadores em 1981 no Curdistão da organização Trabalhadores Peshmergas, afiliada à União de Comunistas do Irão (UCI).

Para os comunistas do Irão, a derrota da revolução chinesa após a morte de Mao Tsétung em 1976 foi acompanhada pela derrota da revolução iraniana e pela ascensão de movimentos islamitas reacionários no Irão, no Médio Oriente e no Norte de África. A isto seguiu-se a irrupção do conflito entre dois pilares historicamente obsoletos: o fundamentalismo islâmico e o imperialismo. Para aqueles que no movimento iraniano estavam determinados a fazer avançar a causa da revolução, a necessidade da brisa fresca de um novo comunismo e dos seus avanços científicos e políticos foi grandemente sentida. Amir, que estava cercado por muitos ex-intelectuais de esquerda arrependidos e ex-líderes comunistas da década de 1980, nunca abandonou o interesse pela causa da revolução comunista e da luta pela libertação dos oprimidos. O novo comunismo desenvolvido por Bob Avakian deu-lhe uma vez mais a oportunidade de desafiar a maneira de pensar dele e de se envolver nos avanços dos desenvolvimentos teóricos e políticos no movimento comunista.

Amir sabia que a ciência não é um fenómeno estático e congelado, mas que é marcado por voltas e reviravoltas, correções de erros anteriores e novos desenvolvimentos. Esta perspetiva da ciência ajudou-o a envolver-se muito mais com o novo comunismo, o qual Amir lutou por aprofundar, compreender e promover ativamente.

Na sessão de homenagem em Toronto, a vasta influência de Amir sobre os revolucionários e progressistas do Médio Oriente e na esfera académica esteve refletida em diversas declarações, mensagens e atividades culturais. A sessão começou com um curto espetáculo de tambores e com uma intervenção de Salah Hassanpour, filho dele. Depois de discorrer sobre as qualidades pessoais e políticas de Amir, Salah salientou: “O meu pai era um otimista mas não um idealista” – e que Amir fundava as esperanças e a luta dele por um futuro melhor para a humanidade no materialismo dialético e na ciência do comunismo.

Foi lido um poderoso tributo intitulado “Uma Declaração Sobre a Paixão de Um Rebelde”, do Comité Central do Partido Comunista do Irão (MLM). Esta declaração celebra o espírito apaixonado e rebelde de Amir, bem como a luta inflexível dele contra os opressores e pela busca da verdade ao longo de toda a vida dele. Uma busca destemida que, nos últimos anos da vida dele, o tornou num profundo apoiante da nova síntese do comunismo desenvolvida por Bob Avakian.

Um breve tributo de professores universitários da Palestina elogiou as contribuições de Amir e convidou as pessoas a continuarem no caminho dele na luta pela libertação da Palestina.

Uma declaração de KJA, um colaborador da Demarcations, a revista teórica do PCR,EUA, foi lida por um camarada dos EUA. Salientava que: “Confrontar o processo do ‘maoismo que se divide em dois’, aprender a peneirar o que é essencial e correto na nossa anterior compreensão e a rejeitar o errado, o prejudicial, a maneira de pensar não-científica, não tem sido muito fácil para a maioria de nós que viveu essa experiência partilhada, mesmo com a resplandecente luz de Avakian quanto a esta mesma contradição. Nesta perspetiva, o poder e a importância da firme adoção por Amir de uma posição política a favor da nova síntese, apesar de ter de levar a cabo uma batalha prolongada contra uma doença cruel, salienta-se de uma maneira ainda mais nítida.”

Alguns dos antigos estudantes de Amir também falaram na sessão de homenagem, louvando o ensino vivo dele, a encorajadora abordagem pedagógica dele que salientava a aprendizagem através da crítica. Um outro ativista e estudante de sociologia mencionou que, para ele, a característica especial de Amir foi o papel que ele representou na denúncia do chauvinismo persa que é tão forte no Irão contemporâneo.

Ativistas e líderes de outros partidos e movimentos, entre os quais o Satar Awehang Curdo (Partido Comunista do Irão – Komala) e o Fatih Sheikh (Partido Comunista dos Trabalhadores – Hekmatista), enviaram mensagens vídeo, enquanto outras pessoas, como o linguista Jafar Sheykholislami e Farid Partovi, leram pessoalmente as suas declarações. Embora os oradores representassem linhas políticas diferentes, todos eles concordaram que, como comunista revolucionário, Amir tinha lutado incansavelmente contra todos os tipos de opressão, entre os quais a opressão nacional, a opressão das mulheres e as divisões de classe. Além do inegável papel dele no movimento de libertação curdo, foram salientadas as contribuições de Amir para o estudo da história, da língua e da cultura curdas.

Sharyar Jamshidi tocou uma música profunda e triste, levando muitas das pessoas na sala a chorar.

A sala estava decorada com várias citações perspicazes de Amir. Uma delas dizia: “Sim, sou a favor de narrativas grandiosas. (...) Gostaria que fossem ainda mais grandiosas. (...) Não temos nenhum interesse em que um ser humano esteja acima de outro. (...) Nós queremos esse tipo de mundo e esse tipo de relações e esse tipo de ‘narrativas grandiosas’. E a ciência dá-nos isso, e com base nesta verdade científica temos de ter como meta saltar e alcançar esse horizonte que a humanidade tem sido capaz de explorar.”

A Professora Shahrzad Mojab, a companheira de toda a vida de Amir, colega e camarada, fez uma intervenção vigorosa e emocional. A voz de Shahrzad fugiu-lhe várias vezes devido à tristeza, mas rapidamente ela recordava um dos momentos bem-humorados de Amir e fazia a audiência sorrir com ela ao partilharem recordações animadas. Shahrzad falou sobre como Amir sempre esteve do lado certo, com os oprimidos e contra os opressores. Desde o boicote aos produtos israelitas às idas regulares ao Consulado-Geral de Israel em Toronto para falar com as pessoas e alertá-las sobre a opressão dos palestinianos. Sharzad salientou que Amir estava cheio de paixão por aprender, por viver e pela humanidade. Ela concluiu a intervenção dela com uma citação de um dos autores favoritos de Amir, Joe Hill, um poeta e cantor norte-americano do início do século XX: “Não chores! Organiza!”

A mensagem do Partido Comunista do Irão (MLM) concluía: “O mundo grita pela necessidade da revolução comunista. Sem comunistas revolucionários nunca haverá uma revolução comunista. É o momento de decidir e escalar novamente as montanhas. Liderando as novas vagas do comunismo, o sorriso vitorioso de Amir estará connosco.”

A cerimónia também foi transmitida em direto no Facebook (https://www.facebook.com/yadmanamir).