Protestos nos EUA continuam no Natal e Ano Novo

Os seguintes artigos foram traduzidos da edição online n.º 366, datada de 22 de Dezembro de 2014, do jornal Revolution/Revolución (revcom.us), voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA. Alguns são actualizações de 23, 24 e 25 de Dezembro. As notas entre parênteses rectos são da resonsabilidade da PV.

 

1500 pessoas protestam no Mall of America: “Enquanto estão no vosso frenesim de compras, os negros não conseguem respirar”

Os manifestantes gritam: “Enquanto estão no vosso frenesim de compras, os negros não conseguem respirar”. (0'29'')

20 de Dezembro de 2014 – Os manifestantes que protestavam contra o crescente assassinato policial de negros nos EUA encheram a rotunda do Mall of America de Bloomington, Minnesota. A acção foi organizada pela secção de Minneapolis do As Vidas dos Negros São Importantes. Os relatos noticiosos disseram que cerca de 1500 pessoas participaram no protesto.

Este protesto surgiu no pico da época de compras de Natal no segundo maior centro comercial da América. O protesto forçou algumas partes do centro comercial a fecharem.

Os polícias deram um aviso final para dispersarem e, após 30 minutos, a polícia com equipamento antimotim começou a esvaziar a rotunda. Nesse momento, os manifestantes organizaram um die-in. As pessoas também se concentraram fora do centro comercial. Cerca de 25 pessoas foram presas.

Vídeo do protesto, incluindo um die-in e a multidão à volta. (8'36'')

A enorme rotunda do centro comercial ecoou com os gritos dos manifestantes, entre os quais: “As Vidas dos Negros São Importantes”, “Sem Justiça, Não Há Compras”, “Mãos Ao Ar, Não Disparem” e “Enquanto vocês estão no vosso frenesim de compras, os negros não conseguem respirar” – referindo-se ao assassinato de Eric Garner em Staten Island, Nova Iorque, que foi sufocado até à morte por um polícia do NYPD [Departamento de Polícia de Nova Iorque].

As pessoas também gritaram: “É por isso que estamos furiosos, é por isso que estamos aqui. O Pai Natal não vai ver o Tamir este ano”! – referindo-se a Tamir Rice, de 12 anos, que foi recentemente morto por um polícia de Cleveland porque estava entretido com uma arma de brincar.

Um dos organizadores do As Vidas dos Negros São Importantes, Michael McDowell, disse: “Nós vamos continuar os protestos. Planeamos transformar este momento num movimento, e não nos vão parar”.

 

Milwaukee: Fechar a I-43 para exigir justiça para Dontre Hamilton

Auto-estrada I-43, Milwaukee, 19 de Dezembro

19 de Dezembro de 2014 – Os manifestantes fecharam a auto-estrada I-43 em Milwaukee em ambas as direcções durante a hora de ponta para protestarem contra o assassinato policial de Dontre Hamilton.

Auto-estrada I-43, Milwaukee, 19 de Dezembro

A 30 de Abril deste ano, o polícia Christopher Manney, de Milwaukee, disparou 14 vezes contra Dontre Hamilton e matou-o. O polícia supostamente teria recebido uma queixa de trabalhadores de um café Starbucks sobre um homem que dormia no Parque Red Arrow. Hamilton, de 31 anos, sofria de uma doença mental. Dois outros policiais já tinham falado com Hamilton e não o tinham prendido. Mas Manney identificou Hamilton como sendo “perigoso”, com base em ter observado a doença mental dele, e revistou-o. Manney alega que Hamilton tinha resistido antes de ele ter disparado repetidamente sobre Hamilton.

Os manifestantes concentraram-se no parque onde Dontre Hamilton foi morto, antes de se dividirem em vários grupos e se dirigirem à auto-estrada. O bloqueio durou cerca de 75 minutos, com um grupo a ficar nas faixas rumo a sul e outros nas faixas rumo a norte. Depois de 74 pessoas terem sido presas no bloqueio da auto-estrada, 100 pessoas cercaram o edifício administrativo da Polícia de Milwaukee exigindo que aqueles que foram preços na auto-estrada fossem libertados. Entre os manifestantes estava o irmão de Dontre Hamilton, Nathaniel Hamilton, e a mãe, Maria Hamilton.

 

Fechar a Walmart! Justiça para John Crawford

"Fechem-na", gritam as pessoas no exterior da Walmart de Beavercreek

20 de Dezembro de 2014 – Os manifestantes fizeram uma desobediência civil massiva na Walmart de Beavercreek, Ohio, um subúrbio de Dayton, fechando a loja durante mais de duas horas para exigirem justiça para um jovem negro abatido a tiro pela polícia nessa mesma loja.

A 5 de Agosto, John Crawford, de 22 anos, foi atingido a tiro e morto nessa Walmart por um polícia de Beavercreek que respondeu a um relato de que alguém estava a caminhar à volta da loja com uma arma. Crawford tinha retirado uma pistola de ar comprimido de uma das estantes da loja. Em Setembro, um grande júri especial não indiciou o polícia, Sean Williams, de nenhuma acusação criminal. E, a semana passada, a família de Crawford iniciou um processo judicial contra a cidade de Beavercreek, os agentes individuais envolvidos e a empresa Walmart, pedindo compensações pela morte dele.

O protesto na Walmat a exigir justiça para John Crawford ocorreu juntamente com outros protestos no mesmo dia em Cleveland relacionados com o assassinato policial em Novembro de Tamir Rice, um jovem negro de 12 anos.

Cerca de 100 manifestantes fizeram um die-in dentro ou próximo do corredor onde John Crawford foi morto. O reverendo Jerome McCorry, de Dayton, um dos organizadores da acção, colocou um ramo de flores no local onde Crawford morreu.

Os manifestantes saem da Walmart depois de terem conseguido fechar a loja

A polícia – que tinha sido chamada de vários departamentos locais da polícia – ordenou aos manifestantes que dispersassem e de seguida evacuou toda a loja. Quando o protesto continuou lá lado, a polícia atacou um manifestante negro, Elias Kelly, que estava a falar ao megafone e prendeu-o. Kelly gritou “Acusem o sistema” quando foi levado num carro da polícia.

Uma irada mulher de idade perguntou à polícia, “Porque é que vocês o escolheram a ele?” Devido a isso, a polícia de Beavercreek embateu nela com um veículo todo-o-terreno e depois prendeu-a. A polícia ainda prendeu mais três pessoas.

O reverendo McCorry, que foi um dos signatários do Mês de Resistência Contra o Encarceramento em Massa, o Terror Policial, a Repressão e a Criminalização de uma Geração, em Outubro de 2014, disse aos jornalistas:

“Estamos aqui para fazer uma declaração muito séria. Nós estamos juntos, negros e brancos, nós estamos juntos, homens e mulheres. Nós estamos juntos enquanto representantes desta comunidade que simplesmente quer divulgar a mensagem de que as vidas dos negros são importantes. Não foi feita justiça no caso de John Crawford III. [...] Este tipo de acções irá ocorrer de uma forma contínua até que seja feita justiça. [...] Soubemos que a vitória já era nossa hoje quando a Walmart teve de fechar a loja. Nós vamos ver isto de uma forma contínua, vamos fazer isto até que a justiça comece a aparecer nesta comunidade e estamos preocupados por não ter sido feita justiça.”

Uma mulher que estava a fazer compras disse a um jornalista: “Bem, eu estava apenas a fazer compras, sabe, preocupada com a minha vida e só vi um grupo de pessoas a entrar e eles estavam unidos e eram pacíficos. Acho que foi maravilhoso que toda a gente estivesse unida, a defenderem algo que é importante, uma causa, ou uma vida. Vidas que estão a ser desperdiçadas por quase nada. [...] Penso que é uma coisa maravilhosa porque alguém mentiu e alguém morreu e é bom que as pessoas estejam a juntar-se para isso. É preciso que se faça justiça.”

Um manifestante disse: “Estamos aqui para fazer uma declaração, para questionar e combater um sistema que na realidade não está a falhar, mas sim a operar exactamente como previsto. Quanto à injustiça para com os negros e outras pessoas de cor neste país: está a extenuar-nos, está a matar-nos e nós estamos fartos disto.”

 

Protesto em Detroit na noite de Natal

De um leitor:

A noite de Natal é um acontecimento anual em Detroit. Dezenas de milhares de pessoas inundam o centro para aproveitarem este acontecimento “amigo da família” que inclui museus gratuitos, música, dança e poesia em toda a zona. Mas, este ano, para grande alegria de muitos e pesar de alguns, a atmosfera festiva foi perturbada por gritos de “As Vidas dos Negros São Importantes” quando uma desafiadora manifestação saiu às ruas.

Começou com 50 pessoas animadas, mas à medida que continuava nas ruas ao longo de duas horas, por vezes cresceu para mais de 400 pessoas, à medida que as pessoas, que vinham para o festival mas que encontraram algo mais, se lhe juntaram. Os que não o fizeram ou que não se puderam juntar à manifestação aplaudiram e gritaram connosco à medida que a manifestação caminhava pelas ruas da zona do festival. As pessoas gritavam: “Eles disparam sobre nós. Nós paralisamo-los” enquanto perturbávamos o trânsito e passávamos entre os carros que estavam parados. E durante tudo isto, a manifestação era encabeçada por uma faixa que dizia “Ferguson É em Todo o Lado, A Brutalidade e os Assassinatos Policiais Têm de Acabar. Revcom.us”

Houve uma concentração e um speak-out frente ao Instituto de Artes de Detroit, o epicentro da noite de Natal, quando uma multidão bastante multinacional de negros, brancos e árabes de todas as idades se mantiveram unidos contra a destruição injustificada de vidas de negros pela polícia. O protesto terminou com um die-in de cinco minutos com cerca de 200 pessoas.

 

Cientistas da Universidade de Washington dizem:
Os assassinatos de negros pela polícia têm de acabar
23 de Dezembro de 2014

De um leitor:

Cientistas da UW dizem "Mãos Ao Ar, Não Disparem"

Na quinta-feira, 18 de Dezembro, cientistas da Universidade de Washington, em Seattle, agiram para se oporem ao assassinato de negros pela polícia. A convocatória dessa acção dizia:

“Como alguns de você podem ter ouvido, estudantes de medicina de todo o país juntaram-se aos protestos para exigir justiça para Michael Brown, Eric Garner e outras pessoas mortas pela polícia. Eles reuniram-se com batas brancas e tiraram fotos disso para mostrarem o seu apoio, fazendo die-ins, etc.”

“Inspirados por isto, alguns de nós reunimo-nos e apelámos aos cientistas com quem trabalhamos na Universidade de Washington para usarem batas brancas, para trazerem cartazes com sentimentos, etc., e levantarmos as nossas mãos para dizer 'Mãos Ao Ar, Não Disparem', no que se tornou um gesto universal de que As Vidas dos Negros e Todas as Vidas São Importantes e de que esta brutalidade e assassinatos policiais têm de acabar. Vamos fazer uma foto disto para pôr no Twitter e propagar nos meios sociais para fazer com que seja amplamente conhecido que as pessoas que trabalham nas ciências também estão a tomar uma posição nesta questão. As pessoas que participaram querem fazer um evento maior em Janeiro quando as pessoas regressarem de férias e quando a mensagem pode ser divulgada de uma forma mais ampla.”

(Para informação do leitor, o número “43” que algumas pessoas agarram na fotografia refere-se aos 43 estudantes da faculdade para professores de Ayotzinapa em Guerrero, México, que desapareceram após um ataque da polícia e dos gangs de narcotraficantes.)

 

20 de Dezembro: Os desafiadores de Ferguson juntam-se ao protesto de Cleveland
23 de Dezembro de 2014

Cleveland, 20 de Dezembro

De um leitor:

40 pessoas de Ferguson – e outras de Washington, D.C., Akron, Mississippi, e de universidades vizinhas – juntaram-se a mais de 150 manifestantes aqui para se solidarizarem com a família de Tamir Rice e exigirem o fim dos assassinatos policiais. Tamir era uma criança negra de 12 anos que estava entretido com uma arma de brincar e foi abatido em Novembro por um polícia de Cleveland.

Os jovens de Ferguson trouxeram uma enorme faixa colorida que dizia “Ferguson é em Todo o Lado” com fotos de vítimas de todo o país – e esta mensagem marcou o dia com 10 horas de interrupção da situação do costume. Do princípio ao fim, houve uma intensa divulgação da mensagem de que iremos protestar até que o genocídio de pessoas negras e castanhas acabe, e todos nós sentíamos a grande energia e combatividade que impregnou o dia e que os desafiadores de Ferguson trouxeram aqui. E as autoridades, os seus agentes e os racistas sentiram o espírito das pessoas de nunca se deixarem ir abaixo. Não há nenhuma dúvida em relação a isto.

O protesto durou 10 horas, começando com uma concentração no parque onde Tamir foi abatido por ter uma arma de brincar, seguindo depois para a esquadra da polícia do Primeiro Distrito (a esquadra de onde era o polícia que matou Tamir), onde as pessoas deram os braços e bloquearam a rua durante quase uma hora a gritar “Tamir não tinha de morrer/Nós sabemos porquê/Todo o maldito sistema é culpado” e “fap, Foda-se a polícia”. Uma grande faixa que dizia “Nem Mais Um Assassinato Policial/Precisamos da Revolução!/revcom.us” estava presente. Dois homens avançaram com os seus camiões contra a multidão, gritando porcarias. Quando um dos camiões recuou, o homem puxou de uma arma.

Cleveland, 20 de Dezembro

Avançámos para a esquadra da polícia, chamámos o assassino a sangue frio de Tamir e fizemos lá um die-in. Depois, andámos pelos quarteirões até um cruzamento cheio de trânsito e bloqueámo-lo. A situação ficou tensa quando duas carrinhas avançaram contra nós e uma deles embateu numa jovem de Ferguson que teve de ir para o hospital. O que fez a polícia? Limitaram-se a assistir a tudo e, mesmo quando a mulher foi atingida, os polícias não prenderam o homem por ter embatido nela.

Entrámos numa loja da Walmart, porque foi numa Walmart perto de Dayton que John Crawford III foi morto pela polícia por ter uma pistola de ar comprimido que tinha retirado de uma estante da loja. Havia cerca de 50 de nós a andar pelos corredores a gritar e a empunhar cartazes. Houve alguns empregados que ergueram os polegares para cima e muitas pessoas que faziam compras que apoiaram o protesto. Uma mulher branca e os filhos dela sorriram em sinal de apoio. A certa altura, os seguranças da loja alinharam os empregados, para que nós já não pudéssemos andar pelos corredores. Nesse momento, um manifestante dirigiu-se à fila apelando aos empregados para se juntarem a nós e disse aos empregados negros: “Este poderia ser o vosso filho”. Houve um verdadeiro desafio dentro e fora da Walmart para que as pessoas se juntassem a este movimento pela justiça e para acabar com os assassinatos policiais. Dois empregados abandonaram o trabalho e juntaram-se a nós. Com gritos, cartazes e a nossa determinação, afastámos algumas pessoas de apenas pensarem nas compras de Natal para pensarem no nosso apelo à acção para acabar com os assassinatos policiais.

Cleveland, 20 de Dezembro

Quando estávamos a gritar “As Vidas dos Negros São Importantes”, um cliente na caixa gritou: “Todas as Vidas São Importantes”. Uma pessoa de Ferguson respondeu: “Todas as vidas são importantes, OK – mas ele é uma pessoa que não vem para aqui e marcha connosco, é uma pessoa que não sofre o que nós sofremos. Mas ainda assim ele está na fila da caixa e nós estamos a gritar, e ele está a comprar algo – por isso quando alguém me diz que todas as vidas são importantes – é aí, que deve pôr as suas compras na caixa, e começar a olhar para essas compras e deixá-las onde estão e sair daquele edifício. 'Porque eu quero que você perceba tudo, NÓS somos importantes, independentemente de alguém olhar para ti da forma errada... Se deres uma olhada à tua volta, estão aqui pessoas de diferentes cores, eu acho que somos todos seres humanos, somos todos pessoas, todos defendemos alguma coisa!”

Depois, na Praça Pública (o centro da baixa) falaram algumas pessoas. Um vendedor do jornal Revolution/Revolución lembrou como o sistema é ilegítimo – desde o encarceramento em massa à destruição do meio ambiente – e a revolução é a única resposta. Uma mulher cujo filho foi morto pela polícia falou sobre a forma como foi inspirada pela determinação da manifestação e que era um dos melhores dias que ela já viu.

Fomos até à Tower City para perturbar as compras nesse opulento centro comercial, mas a polícia encerrou o edifício e recusou-se a deixar alguém entrar ou sair até o protesto se ir embora. Eles chegaram a manter um manifestante no edifício durante quase uma hora. Depois, caminhámos pelo centro da cidade perturbando o trânsito e bloqueando o trânsito no bairro do teatro, incluindo um die-in, e as pessoas repararam. Depois de uma pausa para comer, caminhámos por um bairro social onde algumas pessoas responderam ao apelo “Saiam de casa e venham para a rua!”, fazendo exactamente isso. Várias juntaram-se à manifestação e algumas compraram o jornal Revolution/Revolución. Uma pessoa falou sobre quão isoladas e cercadas as pessoas se sentem nos bairros sociais e que elas querem fazer parte de um movimento para acabar com o abuso diário por parte da polícia dos bairros e da policia da cidade.

Ao longo do dia, a polícia esteve lá para nos cercar e nos impedir de sair dos passeios (tal como tínhamos feito algumas semanas antes) e para nos impedir de entrar na Tower City. Ao início do dia, o chefe da polícia tinha dito ao irmão de 16 anos de Tamir, Tavon, que a polícia estava lá para “proteger toda a gente”. Era ultrajante que o principal bófia, Calvin Williams, lhe tenha dito isto quando o irmão dele foi abatido num parque onde os jovens brincam. O parque deixou de ser seguro de facto quando os polícias chegaram de carro e abateram Tamir em 2 segundos à queima-roupa. Proteger quem? Não os jovens negros e castanhos.

Manifestantes dentro da esquadra da polícia. Cleveland, 20 de Dezembro

Com toda a sua merda sobre “protegerem” as pessoas, nós sabemos pelos factos que, tal como disse Bob Avakian (BAsics 1:24), “O papel da polícia não é servir e proteger as pessoas. É servir e proteger o sistema que oprime as pessoas. Impor as relações de exploração e opressão, as situações de pobreza, miséria e degradação para as quais o sistema lança as pessoas e nas quais está decidido a manter as pessoas. A lei e ordem que interessa à polícia, com toda a sua brutalidade e assassinatos, é a lei e ordem que impõe toda esta opressão e loucura.”

Ao longo do dia, os desafiadores de Ferguson entusiasmaram a multidão – porque nós temos a verdade do nosso lado e vamos definir as condições, e as condições são que vamos acabar com o genocídio de negros e latino-americanos, e não apenas fazer com que as nossas vozes sejam ouvidas. Eles ajudaram a colocar a revolução nesta mistura. Gritos como “Vocês Não Podem Parar a Revolução” e “Qual é a Solução? Revolução!!” ecoaram em voz alta e clara por várias vezes ao longo do dia. Muitos cartazes do revcom.us, como o “Organiza-te Para Uma Verdadeira Revolução”, foram empunhados pelas pessoas. Um grande número de jornais Revolution/Revolución foram distribuídos, bem como convites para o Jantar de Celebração BA Em Todo o Lado, no domingo.

Como me disse uma pessoa que caminhou todo o dia: “Eu senti a determinação das pessoas, tão furiosas e querendo tanto justiça. Senti que não era o fim, mas sim o início.”

 

Houston: Vigília e manifestação exprimem pesar e ira pelo assassinato policial de Jordan Baker
23 de Dezembro de 2014

De vários leitores:

Houston, 20 de Dezembro

Há onze meses, a 16 de Janeiro, Jordan Baker, um negro desarmado de 26 anos, foi abatido a tiro por um agente do Departamento de Polícia de Houston, Juventino Castro, na zona das Acres Homes, porque “correspondia à descrição”. A narrativa policial oficial lê-se como um guião: “O suspeito estava a correr, depois virou-se, agachou-se e moveu a mão para a cintura. Eu temi pela minha vida.”

No domingo, 21 de Dezembro, duas noites antes de um grande júri do Município de Harris ir anunciar se o assassino seria acusado ou não, cerca de 45 pessoas juntaram para uma vigília à luz das velas no parque de estacionamento onde ocorreu o assassinato. À medida que um helicóptero da polícia pairava por cima e os carros de patrulha circulavam a zona, os amigos, familiares e conhecidos de Jordan juntaram-se a muitos outros que não o conheciam para prestarem os seus cumprimentos e mostrarem determinação em obter justiça para Jordan Baker. Alguns jovens latino-americanos que trabalhavam em lojas vizinhas de comida rápida vieram e juntaram-se à aglomeração sobretudo de negros. As pessoas gritaram e rezaram e cantaram “As Vidas dos Negros São Importantes! A Vida de Jordan É Importante!”

Uma brigada de revolucionários juntou-se à vigília e distribuiu cópias do Revolution/Revolución e cartões do Diálogo de 15 de Novembro entre Cornel West e Bob Avakian sobre religião e revolução. A maioria das pessoas com quem falámos disseram que estavam realmente fartos e exprimiram que muitas outras pessoas sentem o mesmo. De várias formas, as pessoas estão a unir os pontos e à espera de unir mais. Muitas exprimiram, em muitas palavras, que a opressão dos negros está profundamente embutida na sociedade norte-americana. Algumas disseram que ainda estamos a viver uma forma de escravidão. Os pontos de vista variavam em relação a porque é que isto está a acontecer e para onde é que isto vai.

Uma jovem perguntou com grande seriedade, “Porque é que eles nos estão a fazer isto?! Os negros são as pessoas mais simpáticas!” Ela tinha concluído que o poder derrotou a insurreição dos anos 1960 matando os seus líderes e interrogava-se como poderíamos impedir isso desta vez – e quis saber mais sobre este líder, Bob Avakian, e sobre a estratégia para a revolução. Uma outra jovem via a sociedade a deslizar para uma “guerra civil”, o que “seria mau”, e sentia que um grande problema era os negros não votarem. Dissemos às pessoas que agora há a liderança que é necessária para vencermos de facto. Houve muito interesse no Diálogo entre Bob Avakian e Cornel West. Muitas pessoas foram desafiadas pela citação de Bob Avakian, “O que falta és tu”. E algumas ficaram com cartões para divulgarem o Diálogo e organizarem outras para assistirem ao vídeo, enquanto continuam a lutar pela justiça para Jordan Baker.

***

A 20 de Dezembro, 45 pessoas, cercadas por quase 100 polícias de Houston, manifestaram-se na Galleria, no bairro financeiro elegante de Houston, exigindo justiça para Jordan Baker. Um grande júri está actualmente nas suas deliberações finais e espera-se que tome uma decisão em breve. Segundo o jornal Houston Chronicle, desde 2008, os grandes júris do Município de Harris nunca acusaram os polícias de Houston em nenhum dos 121 tiroteios.

Ao longo do dia de sábado, a polícia fez continuamente ameaças e bloqueou a manifestação. Muitas das pessoas que saíram à rua ficaram encorajadas pela sublevação nacional de protestos em torno de Michael Brown e Eric Garner e estavam irredutíveis em que os assassinatos policiais de jovens não podem continuar a acontecer. No meio de tudo isto, muitas pessoas exprimiram a sua fúria e frustrações à polícia, e as discussões sobre como acabar com estes assassinatos policiais continuaram entre a multidão.

 

Houston: INDIGNAÇÃO! Mais um bófia assassino fica livre!
24 de Dezembro de 2014

23 de Dezembro de 2014 - Em Janeiro passado, um bófia do Departamento de Polícia de Houston [HPD] assassinou Jordan Baker nas Acres Homes. Agora, a apenas dois dias do Natal, um Grande Júri do Município de Harris decidiu que o polícia assassino não seria acusado de nenhum crime. Isto é um ultraje e não deve ficar assim!

Quantas mais vezes vão estes polícias escapar ao assassinato de pessoas, sobretudo ao assassinato de jovem negros e homens latino-americanos?

Jordan Baker estava desarmado. Ele estava a andar na sua bicicleta pelo bairro onde vivia. E esse polícia assassino exigiu ver o cartão de identificação de Jordan. Os polícias alegam que Jordan atacou o polícia assassino e que Jordan “encaixava na descrição” das pessoas que supostamente tinham roubado umas lojas locais – porque ele tinha um capuz negro.

Quantas vezes mais vão estes bófias fazer este tipo de coisas? Uma vez mais, um negro desarmado foi abatido por um polícia. Uma vez mais, o “procurador” apresenta o caso de forma a deixar o polícia assassino escapar. Uma vez mais, um grande júri deixa o polícia safar-se. Segundo os próprios registos da polícia, 121 pessoas foram abatidas pelo HPD entre 2008 e 2012. Nem um único polícia foi acusado de alguma coisa por estes crimes.

Como disse Janet Baker, a mãe de Jordan Baker, sobre a versão do polícia: “Eu não acredito que isso foi o que aconteceu. Eu acho que isso é ele a tentar justificar o resultado do que aconteceu.”

Uma recente declaração de Carl Dix, do Partido Comunista Revolucionário, pôs as coisas claramente: “Hoje na América, a polícia assassina pessoas e escapa sem castigo. Isto acontece repetidamente. Mas algo de novo também começou a acontecer e as pessoas revoltaram-se contra isto, às dezenas de milhares, em todo o país. A efusão de resistência a este assassinato policial injustificado tem sido bela, poderosa e muito necessária. O nosso movimento de resistência tem de se alargar e tem de se tornar ainda mais diverso, e a sua determinação em acabar com os assassinatos por polícias deve ser fortalecida e aprofundada. Tem de continuar e de escalar até que estes horrores realmente acabem.”

“Quando a polícia assassina pessoas como fizeram com Eric Garner e Michael Brown, isto é ilícito, ilegítimo e não deve ser tolerado em nenhuma sociedade em que alguém queira viver”.

O assassinato pela polícia de Jordan Baker não deve ser tolerado. TODOS OS ASSASSINATOS PELA POLÍCIA TÊM DE ACABAR e tem de haver Justiça para Jordan Baker! Agora é a altura para levar a luta contra a brutalidade policial e os assassinatos pela polícia a um nível mais elevado e de trazer mais pessoas para esta luta. Agora é a altura para levarmos a sério o acabar com esta merda e de nos organizarmos em organizações decididas a fazer isso acontecer.

Contacta a Rede Acabar com o Encarceramento em Massa, junta-te a ela e ajuda a organizar as suas actividades para acabar com os assassinatos e a brutalidade policial, ajuda a divulgar a sua mensagem em toda a sociedade. Vai a revcom.us e junta-te às pessoas que estão a construir um movimento pela verdadeira revolução para nos libertarmos do sistema que se banqueteia no interminável sofrimento da humanidade, como os assassinatos policiais – um movimento para emancipar toda a humanidade.

PROTESTO – Sexta-feira, 26 de Dezembro @ 13:00

Concentração na Sede do HPD, 1200 Travis, Houston, Texas

PROTESTO – Segunda-feira, 29 de Dezembro @ 15:30

Gabinete do Procurador Distrital do Município de Harris, 1201 Franklin, Houston, Texas

Encontro às 13:30 no Centro Comunitário SHAPE/Harambee Bldg., 3903 Almeda, para marchar até ao protesto.

#JordansLifeStillMatters #FergusonTX

 

Declaração da Coligação Pela Justiça sobre a recusa em acusar o polícia que matou Dontre Hamilton
24 de Dezembro de 2014

Nota dos editores: O seguinte texto foi enviado para o revcom.us em resposta à decisão de 21 de Dezembro de não acusar o polícia que matou Dontre Hamilton. A 30 de Abril este ano, o polícia Christopher Manney, de Milwaukee, disparou 14 vezes contra Dontre Hamilton e matou-o, depois de supostamente ter recebido uma queixa de trabalhadores de um café Starbucks sobre um homem que dormia num parque.

 

Para Divulgação Oficial da Coligação Pela Justiça:

Ao Milwaukee e ao Nosso País,

A decisão divulgada hoje pelo Procurador Distrital de Milwaukee, John Chisholm, não é de forma nenhuma uma afirmação de que o sistema de justiça da nossa cidade, estado e país falhou uma vez mais. Não há nenhuma justificação que possa ser fornecida que nos permita fazer acreditar que este polícia tenha agido dentro da lei quando o encontro inicial entre Dontre Hamilton e Christopher Manney foi originado por uma revista inconstitucional que violou o direito básico/fundamental de Dontre como cidadão deste país e como ser humano.

O vosso sistema de justiça provou uma vez mais que os negros continuam a ser vistos como nada mais que 3/5 de seres humanos e um bem que pode ser destruído e/ou terminado de acordo com os caprichos de polícias que foram ensinados a ver a pele negra como uma ameaça, muito antes de sequer receberem a sua arma e distintivo. É nossa convicção que pode haver inúmeras “agências de investigação externas” e “peritos” que analisam casos como este; porém, enquanto o sistema de justiça criminal se basear em práticas, princípios e políticas que subordinam e denigrem grupos de pessoas com base na raça, nenhuma verdadeira justiça alguma vez prevalecerá.

A verdade continua a ser que Dontre Hamilton foi racial e criminosamente visado porque era negro e dormia num parque público. Sentimos que quando direitos rudimentares como o descanso se tornam ilegais para as pessoas deste país, perdemos verdadeiramente o caminho e mudámos de rumo direcção para uma rampa escorregadia que irá justificar mais assassinatos injustos como o que aconteceu no Parque Red Arrow a 30 de Abril de 2014.

Assim. vocês deixaram os membros desta comunidade sem nenhuma outra alternativa a não ser levantarem-se, protestarem e exigirem a justiça que é legitimamente nossa por nascimento. Não há justiça. Por isso, não pode haver paz nem compromisso.

Assinado Com Desdém Pelo Vosso Sistema Corrupto,

A Coligação Pela Justiça

 

Antonio Martin, 18 anos – O mais recente negro morto pela polícia na ameriKKKa
24 de Dezembro de 2014

O papel da polícia não é servir e proteger as pessoas. É servir e proteger o sistema que oprime as pessoas. Impor as relações de exploração e opressão, as situações de pobreza, miséria e degradação para as quais o sistema lança as pessoas e nas quais está decidido a manter as pessoas. A lei e ordem que interessa à polícia, com toda a sua brutalidade e assassinatos, é a lei e ordem que impõe toda esta opressão e loucura

Bob Avakian, BAsics 1:24



14 de Dezembro de 2014. Ontem à noite, um polícia atingiu a tiro e matou Antonio Martin, um jovem negro de 18 anos, em Berkeley, Missouri – um subúrbio predominantemente negro de St. Louis, a apenas algumas milhas de Ferguson.

Os detalhes do que aconteceu são desconhecidos e o relato da polícia não deve ser assumido como facto. O que É um facto é que mais um negro foi morto pela polícia, que há uma epidemia de assassinatos e terror policial e que isto tem de ACABAR.

Imediatamente após a morte, juntou-se uma multidão e emergiram diferentes formas de indignação. As seguintes imagens reflectem o horror, a dor e a justa raiva momentos depois da morte, incluindo um die-in naquele mesmo local. Outras formas de protesto continuaram pela noite dentro.






Berkeley, Missouri, noite de 23 de Dezembro de 2014. Fotos: Especial para o revcom.us
 

Indignação em Milwaukee depois de mais um polícia assassino ter sido ilibado
24 de Dezembro de 2014

De um leitor:

Dontre Hamilton: Atingido a tiro 14 vezes por dormir num parque, pelo crime de ser negro e mentalmente doente

A 30 de Abril, o polícia Christopher Manney disparou 14 vezes sobre Dontre Hamilton, de 31 anos, num parque de Milwaukee. O assassinato ocorreu depois de dois outros policiais já terem ido ver Hamilton e concluído que ele não estava a fazer nada de errado. Hamilton sofria de esquizofrenia paranóica e era bem conhecido do departamento de polícia. Manney abordou Dontre Hamilton por trás e começou a revistá-lo. A autópsia mostrou que uma das balas disparadas por Manney atingiu Hamilton por trás. Manney foi despedido por não ter seguido os “procedimentos adequados” – mas, a 22 de Dezembro, o Procurador Distrital do Município de Milwaukee anunciou que Manney não iria ser acusado, alegando que o uso de força mortal pelo polícia foi “justificado” e em “autodefesa”.

Dontre Hamilton foi executado pelo polícia por ser mentalmente doente e estar a dormir num parque, sendo negro. Isso ocorreu no final de Abril de 2014. Na segunda-feira, 22 de Dezembro, a “investigação independente” a este flagrante assassinato exonerou totalmente o bófia. A Coligação pela Justiça, de Milwaukee, um grupo que, juntamente com outros, se manifestou muitas vezes sobre este assunto, saiu imediatamente à rua e convocou um protesto e manifestação para o dia seguinte às 17h.

Protesto contra a decisão oficial de não acusar o polícia que matou Dontre Hamilton, Milwaukee, 23 de Dezembro

O protesto começou no Parque Red Arrow, no centro da cidade de Milwaukee e o mesmo lugar onde Dontre foi morto. Face às declarações do poder a que as pessoas se devem opor, os manifestantes foram desafiadores e inflexíveis na sua exigência de justiça. Pouco tempo depois, cresceu de duas dezenas de pessoas para cerca de 500. Foi encabeçado por Nate Hamilton, o irmão de Dontre que na segunda-feira tinha feito uma conferência de imprensa onde afirmou em termos inflexíveis que esta luta não acabou e denunciou a crueldade e hipocrisia do sistema de justiça. “A minha família, nós chorámos demasiado tempo. Como pessoas, deixámos de chorar em relação à injustiça. Não vamos encobrir a injustiça com as nossas lágrimas. Não vamos ser afastados e ficar abrigados da justiça, nós merecemos justiça.” (Ver o vídeo da conferência de imprensa.)

Nate Hamilton liderou os gritos e uniu a multidão. Cerca de 50 cartazes que diziam “Ferguson É Em Todo o Lado! Acabar Com a Brutalidade e os Assassinatos Policiais. StopMassIncarceration.net” foram avidamente erguidos. Foram distribuído duzentos folhetos a convocar o “Rock no ano novo com a Resistência aos Assassinatos Policiais”.

Saindo do parque, os manifestantes invadiram a rua, uma avenida de seis faixas, e tomaram-na por inteiro. A multidão era constituída sobretudo por jovens, numa mistura de jovens negros e brancos que incluía estudantes universitários e jovens negros da vizinhança. À medida que caminhávamos, a multidão gritava: “Polícias no meu bairro, isso não é bom, Polícias no teu bairro, isso não é bom; Em quem confias? Não na polícia”; “Acusem, condenem, mandem os polícias assassinos para a prisão. Todo o maldito sistema é culpado como o inferno!”; “Acreditamos que venceremos” (enquanto saltavam para cima e para baixo); “Incrementar, não reduzir, estamos a fazer isto agora pelo Dontre!”; “Sem Justiça, Não Há Compromissos”. Tudo o que os polícias podiam fazer era escoltar a manifestação, que serpenteou pelo centro da cidade até chegar à arena onde os Milwaukee Bucks estavam prestes a jogar. A maioria da multidão deu os braços à frente das duas entradas principais da arena. Os fãs de basquetebol que estavam a chegar tiveram de dar a volta à arena para irem para uma entrada lateral. Por qualquer razão, a polícia decidiu não prender ninguém.

De regresso ao parque, os familiares fizeram uma “momento de amargura” em relação à polícia. Um padre activista local afirmou que “ESTA é a nova normalidade”, referindo-se às pessoas nas ruas que se recusam aceitar o assassinato de mais um jovem negro. Por todo o parque emergiu o grito “De quem é o parque?” E a resposta “O parque de Dontre!” Foram criadas ligações à Rede Acabar com o Encarceramento em Massa e distribuídos muitos jornais Revolution/Revolución e cartões sobre o Diálogo Cornel West/Bob Avakian.

 

Conferência de imprensa da Rede Acabar Com o Encarceramento em Massa, Nova Iorque: “Não a um ano novo debaixo deste velho sistema. Não conseguimos respirar”!
24 de Dezembro de 2014

Conferência de imprensa da Rede Acabar Com o Encarceramento em Massa, Nova Iorque

A Rede Acabar com o Encarceramento em Massa (SMIN) deu uma conferência de imprensa na terça-feira, 23 de Dezembro, nas escadas da Câmara Municipal da Cidade de Nova Iorque para convocar o “Rock no Ano Novo Com a Resistência aos Assassinatos Policiais”, sob o lema “NÃO A UMA ANO NOVO DEBAIXO DESTE VELHO SISTEMA. NÃO CONSEGUIMOS RESPIRAR!”

Rock no Ano Novo Com a Resistência aos Assassinatos Policiais! NÃO A UMA ANO NOVO DEBAIXO DESTE VELHO SISTEMA. NÃO CONSEGUIMOS RESPIRAR!

Um Apelo de Carl Dix

A SMIN anunciou as actividades a realizar na Cidade de Nova Iorque na véspera do Ano Novo – com um apelo para se fazer chegar a mensagem com as seguintes exigências:

Justiça para Michael Brown, Eric Garner, Akai Gurley e Todas as Vítimas de Assassinatos Policiais!

Os Assassinatos Policiais Têm de Acabar!

Entre os oradores na conferência de imprensa estiveram: Carl Dix, co-fundador da Rede Acabar com o Encarceramento em Massa juntamente com Cornel West e representante do Partido Comunista Revolucionário, EUA; Travis Morales, Comité Dirigente da Rede Acabar com o Encarceramento em Massa, Nova Iorque; Richard Marini, da O Mundo Não Pode Esperar; Sumumba Sobukwe, da OWS/Occu-Evolve; B. M. Marcus, organizador comunitário de Brooklyn e activista na SMIN.

Por trás dos oradores na conferência de imprensa, as pessoas mantiveram-se de pé, segurando um longo rolo de fita policial amarela que se esticava por quase 30 metros – com os nomes de negros e latino-americanos mortos pela polícia na Cidade de Nova Iorque e em todo o país.

Travis Morales falou sobre o pedido do Presidente da Câmara de Nova Iorque, de Blasio, e de outras pessoas para que se parasse de imediato os protestos contra os assassinatos policiais, dizendo: “Bem, eu vou dizer-vos o seguinte, o NYPD e a policia de todo o país não pararam de assassinar o nosso povo. [...] Não houve nenhuma moratória aos assassinatos policiais do nosso povo com total impunidade. Não podemos desistir.” Também falou sobre como os responsáveis e a comunicação social têm caracterizado as palavras de ordem que chamam racistas aos polícias e comparam o NYPD ao KKK como sendo “nocivas, odiosas e imorais”, dizendo: “A minha pergunta seria: O que é que nessas palavras de ordem não é verdade?”

Morales apelou a que as pessoas se juntassem à SMIN para fazerem um ano novo de resistência: “Estamos a apelar às pessoas a que se concentrem às 21h na véspera do Ano Novo na Union Square e depois a que se manifestem às 22h até à Times Square para levarem esta mensagem ao mundo, às pessoas de todo o mundo – Rock no Ano Novo com a resistência aos assassinatos policiais. Todos os milhares e dezenas de milhares de pessoas que estiveram nas ruas, que têm protestado, que têm exigido justiça para Michael Brown e Eric Garner, todos esses milhares e dezenas de milhares de pessoas precisam de estar na Times Square na véspera do Ano Novo, erguendo as suas vozes, levantando os seus cartazes, erguendo as suas faixas, exigindo justiça para Michael Brown, justiça para Eric Garner, justiça para todas as vítimas de assassinatos policiais - 'Acusem, Condenem e Mandem Estes Polícias Assassinos Para a Prisão'... Enquanto estes assassinatos continuarem, nós continuaremos a estar nas ruas a exigir justiça e a exigir que esses assassinatos acabem.”

Carl Dix disse: “Eles não têm nenhum direito a silenciar a nossa voz. Nós temos de ser ouvidos. [...] Vocês não têm nenhum direito a dizer-nos quando, como e se podemos protestar.”

Dix também falou sobre a necessidade de continuar a resistência: “Tem havido uma série aparentemente sem fim de pessoas que são assassinadas pela polícia. [...] Isto acontece repetidamente. E estes polícias não são castigados por esses crimes. Mas entretanto algo belo, poderoso e necessário aconteceu, tendo começado em Ferguson e propagado a todo o país quando as pessoas se levantaram dizendo NUNCA MAIS a isto.”

“Agora, estão a dizer-nos para acalmarmos, para recuarmos - 'Que tal uma moratória?' NÃO! A nossa posição deve ser, enquanto continuarem estes assassinatos policiais, enquanto o sistema de justiça criminal se recusar a acusar e a condenar estes polícias assassinos, então a nossa resistência tem de se manter, a situação do costume não pode continuar.”

Para saber mais sobre a SMIN, vá a www.stopmassincarceration.net.

 

Uma véspera de Natal fora do habitual na sequência do assassinato policial de Antonio Martin
25 de Dezembro de 2014

Vigília em Berkeley, Missouri, a 25 de Dezembro de 2014

De um leitor:

As pessoas juntaram-se para uma vigília na véspera de Natal no local onde Antonio Martin tinha sido abatido a tiro por um polícia 19 horas antes em Berkeley, Missouri, próximo de Ferguson onde Michael Brown foi assassinado em Agosto pelo polícia Darren Wilson. 50 pessoas juntaram-se a membros da família de Antonio para construírem um memorial em honra da vida de Antonio, ao lado do posto de gasolina onde ele foi assassinado.

Vigília em Berkeley, Missouri, a 25 de Dezembro de 2014

O posto de gasolina da Mobil tinha sido o local de uma poderosa efusão de ira na noite anterior. Um par de horas depois do assassinato de Antonio, 300 pessoas, entre os quais muitos jovens desafiadores dos bairros vizinhos, tinham-se apressado a ir ao local e enfrentaram a polícia de choque.

Vigília em Berkeley, Missouri, a 25 de Dezembro de 2014

Depois da vigília e de a construção do memorial ter sido concluída, os manifestantes foram para a rua e manifestaram-se na auto-estrada 170, fazendo parar o trânsito do feriado nas faixas rumo a sul. A manifestação saiu da 170 e de seguida fechou as principais ruas de Berkeley. As pessoas condenaram a continuação dos assassinatos policiais em St. Louis e em todo o país, gritando “Não conseguimos respirar!” e “Quem acaba com esta merda? Nós acabamos com esta merda!” os manifestantes desafiaram os condutores a perdoarem a inconveniência e a saírem às ruas.

Vigília em Berkeley, Missouri, a 25 de Dezembro de 2014

Os manifestantes regressaram ao posto de gasolina onde começaram confrontos entre os manifestantes e as linhas da polícia de choque. As autoridades mobilizaram a Polícia Municípal e a Patrulha Rodoviária do Missouri, bem como polícias de cidades vizinhas. Vários manifestantes foram presos e outros foram atacados com gás. Não houve só jovens, mas também pessoas mais velhas do bairro que saíram e ficaram no local. Um homem mais velho falou com orgulho sobre como os jovens que ele conhecia se tinham erguido correcta e militantemente perante a polícia na noite anterior.

Posteriormente, nessa noite, 75 pessoas celebraram uma vigília de véspera de Natal numa proeminente catedral de St. Louis. Começou às 23h, marcando as 24 horas que haviam passado desde que Antonio tinha sido morto. Ao cimo das escadas à porta da igreja estava uma linha de policiais de choque, e os polícias de choque também estavam alinhados na calçada onde as pessoas passavam para irem à vigília. As pessoas cantaram e falaram. Um jovem explicou que tinha vindo directamente de uma reunião de véspera de Natal em casa, mostrando o pijama que usava. Ele leu uma lista de pessoas assassinadas pela polícia nos EUA em 2014.