Ratazanas da especulação Paraíso de Lisboa violentamente desocupado

A casa okupada que existia desde Dezembro no nº 26 da Rua do Passadiço em Lisboa, foi violentamente desocupada pela polícia hoje, sexta-feira 15 de Abril. De madrugada, quarenta agentes da Polícia Municipal, Polícia Judiciária e PSP entraram na casa okupada, conhecida como Paraíso, detendo cerca de 14 d@s companheir@s que aí dormiam. Tratou-se de uma aparatosa operação policial, à qual se seguiu o emparedamento total da casa.

A acção policial assumiu contornos ilegais, mesmo do ponto de vista da legalidade burguesa, uma vez que a Polícia não apresentou nenhum mandato judicial ou qualquer outro documento que justificasse a sua acção. Além disso, todos os detidos foram ilegalmente levados para a esquadra da PSP do Terreiro do Paço. Ao serem desalojados, os okupantes apenas tiveram a oportunidade de trazer consigo alguns bens pessoais. Durante todo o dia, os detidos foram identificados e interrogados. À hora a que escrevemos, alguns companheir@s já tinham sido libertad@s, mas a maioria continuava detida, não sendo clara a sua situação.

Há já alguns dias que se esperava uma acção de despejo, aparentemente na sequência de uma providência cautelar apresentada pelo proprietário e aceite por um juiz, que já teria assinado a ordem de despejo. Contudo, tratava-se de uma informação não confirmada recebida pelos okupantes que apesar de a tomaram a sério, tinham indicações de que teria lugar apenas na segunda-feira, dia 18.

Para denunciar a desocupação e tentar impedi-la, os okupantes organizaram uma série de actividades para o fim de semana, que começariam sexta à noite e culminariam na segunda-feira às 8h da manhã com uma concentração/pequeno-almoço frente à casa.

O Paraíso (a casa okupada da Rua do Passadiço) era a mais recente iniciativa em Lisboa de combate à especulação imobiliária. Era também uma tentativa de criar um espaço autónomo anticapitalista para actividades alternativas. Tratando-se de uma iniciativa anti-sistema, certamente que atrairia o ódio de capitalistas e seus lacaios, e sobretudo dos grandes especuladores imobiliários que enriquecem à custa da degradação das casas enquanto a maioria da população da cidade vive em condições miseráveis.

Apesar da sua curta duração, este projecto estava a conseguir manter um bom ritmo de actividades e a atrair muit@s companheir@s e camaradas, tanto portugueses como estrangeiros. Certamente que deixará saudades.

15 de Abril de 2005