Ondas de choque atravessam os EUA após um supremacista branco ter assassinado nove negros

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 22 de Junho de 2015, aworldtowinns.co.uk

Muitas pessoas fora do país, e algumas nos Estados Unidos, acreditam que, com a presidência do afro-americano Barack Obama, os EUA se tornaram numa sociedade “pós-racial”. Na realidade, o país está a tornar-se cada vez mais – e violentamente – polarizado a favor e contra a opressão dos negros.

Apesar dos enormes protestos contra o assassinato policial de negros que começaram a crescer depois do assassinato em 2012 na Florida de Trayvon Martin por um vigilante branco, e depois sobretudo após a morte a tiro do adolescente negro desarmado Michael Brown em Ferguson, Missouri, o ano passado e da sufocação até à morte de Eric Garner em Nova Iorque, a polícia norte-americana tem continuado a matar negros e membros de outras minorias a uma taxa aterradora. Para dar uma estatística que revela alguma coisa sobre a diferença entre os EUA e outros países imperialistas, apesar da prevalência do racismo em todos eles, este ano, até agora, a polícia norte-americana atingiu mortalmente quase 400 pessoas, não contando com as que foram sufocadas até à morte, mortas por choques eléctricos (tasers) ou assassinadas de alguma forma em custódia. Metade delas eram membros de minorias, e os negros têm muito maior probabilidade de serem mortos quando estão desarmados e alegadamente a cometer um delito secundário (como o de não obedecer a ordens policiais) ou mesmo a não fazer nada.

Isto tem tudo a ver com o legado da escravatura e de outras formas de opressão dos negros que têm continuado desde o fim da guerra civil em que os estados do Sul dos EUA (a Confederação) lutaram para preservarem o “direito” a escravizar os afro-americanos. Há uma enorme controvérsia sobre a remoção da bandeira confederada que é actualmente usada em eventos e locais oficiais, incluindo na capital da Carolina do Sul, um estado onde os escravos chegaram a ser em muito maior número que os brancos, e onde começou a guerra civil.

Quando Dylann Storm Roof, de 21 anos, entrou numa igreja em Charleston, Carolina do Sul, cuja história está profundamente enraizada na resistência à escravatura e à opressão dos negros, ele usava uma t-shirt com os símbolos dos regimes minoritários brancos que antes governaram o Zimbabué e a África do Sul. O sítio da internet dele também incluía a bandeira confederada. A governadora do estado começou por negar que o massacre de nove pessoas nessa igreja tivesse alguma coisa a ver com racismo. Depois, ela alegou que a lei do estado não lhe permitia retirar essa bandeira. Enquanto outros políticos apelavam à remoção da bandeira, como se a própria bandeira oficial norte-americana não fosse ela mesma um símbolo da opressão no país e no mundo, o facto de muitas figuras políticas proeminentes terem defendido a bandeira confederada ou se terem recusado a condená-la mostra a profundidade a que as fissuras se estão a acelerar na sociedade norte-americana. Roof explicou o acto dele dizendo ter querido provocar uma nova guerra civil.

Na sua cobertura do massacre e do seu resultado, o Revolution/Revolución, o jornal do Partido Comunista Revolucionário, EUA, relatou as seguintes observações feitas por uma brigada de revolucionários, entre os quais membros do Clube Revolução de Atlanta, Geórgia, num serviço memorial a 21 de Junho que se realizou naquela igreja, localizada no que se tornou uma zona branca depois de os negros terem sido empurradas para fora dela. Centenas de pessoas encheram o interior da igreja e juntaram-se na rua à frente dela, muitas vindas de igrejas vizinhas.

“Uma mulher branca mais velha de uma outra igreja trouxe a bandeira confederada dela de casa. Essa bandeira tinha sido passada durante gerações na família dela e tinha estado na parede da cozinha dela. Ela trouxe-a para a igreja e disse que não a queria mais na parede. Um grupo de crianças brancas com tesouras cortou-a cerimonialmente.”

“Nós não fomos os únicos a desafiar os termos do ‘luto’ – antes de a doença ter sido sarada. Uma ‘mana’ chegou com um cartaz que dizia ‘Basta!’ de um lado e ‘O Jesus Branco Não Voltará’ do outro. Ela também foi um foco de controvérsia. Eu falei com ela sobre porque é que ela estava a fazer esta declaração aqui. Ela disse: ‘Eles estão a continuar a mascarar o ódio subjacente’.”

“Ela disse: ‘As pessoas negras são 13 por cento deste país, mas nós temos a mais alta taxa de encarceramento e morte. Nós estamos a matar-nos uns aos outros – o que é que fazemos com o ódio? Esta Kumbaya [uma canção popular afro-americana frequentemente assumida como significando que Deus vai ajudar toda a gente –que é a posição de Obama] não está a funcionar para toda a gente. Aquele jovem branco estava enfurecido, o que fazemos? Eu não estou a dizer que saiam daqui e matem alguém, eu não aceito o ódio até esse ponto, mas nós temos de poder exprimir a [nossa] raiva...”

“‘[Eu estou focada] naqueles que estão a lutar na economia, que não têm nenhuma esperança, nesta geração seguinte, eles são aqueles que podem fazer uma mudança. [...] Toda a gente que vem ter comigo com raiva tem 23-24 anos ou são ainda mais jovens. Aqui, eles estão a tentar encobrir a raiva. Este país foi erguido sobre as costas dos negros. Disseram-me que eles empurraram as pessoas negras para fora desta comunidade. Nós estamos furiosos com este atirador, mas não ele está sozinho. Seria estúpido pensar que isto é apenas um homem com uma arma!’”

O Presidente do PCR, Bob Avakian, escreveu: “Não haveria Estados Unidos tal como os conhecemos hoje sem a escravatura”. Para saber mais sobre isto, ver “A Opressão dos Negros, os Crimes Deste Sistema e a Revolução De Que Precisamos” no sítio revcom.us.

O texto que se segue é uma declaração de Carl Dix, co-fundador da Rede Para Acabar com o Encarceramento em Massa e representante do Partido Comunista Revolucionário, EUA, feita a 18 de Junho de 2015. Logo a seguir está um artigo sobre as armas e a supremacia branca nos EUA, do jornal Revolution/Revolución n.º 392, de 22 de Junho de 2015. Ambos foram ligeiramente editados para utilização neste serviço noticioso.

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Indignação em Charleston – Isto É a América!

Ultrajante! Um supremacista branco movido pelo veneno racista entra na Igreja Episcopal Metodista Africana Emanuel em Charleston, Carolina do Sul, durante uma sessão de estudo da Bíblia. Ele senta-se aí durante algum tempo e depois começa a disparar sobre as pessoas, assassinando seis mulheres negras e três homens negros. Ele recarrega calmamente a arma enquanto cometia esses assassinatos fétidos, dizendo às suas vítimas que tinha de o fazer, “porque vocês (querendo dizer os negros) violam as nossas mulheres e estão a tomar o controlo do nosso país!”

Um assassinato em massa levado a cabo numa igreja – um lugar que é suposto ser um santuário face à injustiça. Isto traz à lembrança o atentado contra a Igreja Baptista da 16th Street em Birmingham em 1963, que matou quatro meninas pequenas. E a vaga de incêndios de igrejas negras nas últimas décadas.

Um assassinato em massa levado a cabo nesta igreja que tem uma história de ser um lugar onde os negros se reúnem para se organizarem para resistirem à selvagem opressão que este sistema lhes tem imposto há séculos. Esta história vem desde a fundação da igreja em 1816. Entre os seus fundadores esteve Denmark Vesey, que foi enforcado em 1822 juntamente com 35 outros negros por estar a planear uma insurreição de escravos.

O sangue das nove pessoas assassinadas em Charleston escorre das mãos dos governantes deste país. Quer este individuo tenha ou não agido só, ele estava a agir num clima que tem sido deliberadamente fomentado. A supremacia branca tem estado embutida na estrutura da América desde o seu próprio início. Este país foi fundado com base no roubo de terras, no genocídio infligido aos habitantes nativos e no arrastar de milhões de africanos para estas costas com grilhetas de escravos. E a supremacia branca continua até hoje a estar no âmago desta sociedade.

O que nos diz sobre este país o facto de George Zimmerman ter podido assassinar Trayvon Martin quando este caminhava para casa com umas [barras] Skittles e um ice tea e ter podido livrar-se sem qualquer punição? E o facto de polícias terem podido estrangular Eric Garner até à morte, ignorando os gritos dele de “Não consigo respirar”, e terem ficado completamente impunes? E que um polícia da Carolina do Sul pudesse sentir que conseguiria escapar depois de ter atingido Walter Scott pelas costas quando ele corria? E que as comunidades negras sejam construídas em zonas tóxicas que envenenam as pessoas? E que famílias negras com bons historiais de crédito tenham sido visadas para empréstimos subprime que levaram a que na crise económica de 2007 elas tenham perdido de uma forma desproporcionada as suas casas? E que mais de um milhão de pessoas estejam encarceradas neste país, sendo de uma forma imensamente desproporcionada negros e latino-americanos? Estes e mais factos equivalem a um programa genocida de repressão e privação que tem como alvo os negros. E eles têm contribuído para um clima em que é legítimo ver os negros como criminosos e que seja justificado assassiná-los. Destas e de mil outras formas é passada uma mensagem de que as vidas dos negros não têm importância.

Tudo isso coloca-nos a todos nós face a uma pergunta urgente: De que lado estão? Estão do lado da selvagem opressão e brutalidade que este sistema impõe aos negros? Ou estão contra este tipo de horrores?

As lágrimas de crocodilo que estão a ser derramadas por aqueles que presidem à brutalidade e aos assassinatos que este sistema inflige às pessoas são piores que inúteis. Será preciso uma revolução, e nada menos que isso, para erradicar a supremacia branca e acabar com a opressão dos negros e todos os outros horrores que este sistema inflige à humanidade. Se queres acabar com estes horrores, há um movimento ao qual te podes juntar, um movimento pela revolução que o Partido Comunista Revolucionário está a construir.

Todas as pessoas devem compreender que nesta luta não há nenhum campo intermédio onde as pessoas possam ser neutras enquanto este sistema continua a moer, a esmagar os corpos e a quebrar os espíritos daqueles que estão no fundo da sociedade. Se tens um pingo de humanidade, tens de juntar a tua voz àqueles que exigem que horrores como estes ACABEM! Já!

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O “controlo de armas” não é uma solução para a violenta supremacia branca

Quando um supremacista branco assassinou nove pessoas numa histórica igreja negra em Charleston, Carolina do Sul, ele disse às suas vítimas: “Vocês têm violado as nossas mulheres e estão a tomar o controlo do país. [...] Eu tenho de fazer o que tenho de fazer.” Segundo os relatos da imprensa, ele disse às autoridades que tinha cometido o crime para iniciar uma “guerra de raças”.

Face ao que é inegavelmente um assassinato racista em massa numa sociedade racista, a resposta de Barack Obama ao massacre foi: “Nalgum momento, nós como país teremos de avaliar o facto de que este tipo de violência em massa não acontece noutros países avançados. Não acontece noutros lugares com este tipo de frequência. E está nas nossas mãos fazer algo quanto a isto.”

Só depois disso, Obama reconheceu: “O facto de isto ter ocorrido numa igreja negra também levanta obviamente questões sobre uma parte sombria da nossa história. Esta não foi a primeira vez que igrejas negras foram atacadas.”

Um factor específico definidor da história e cultura dos Estados Unidos é que este país foi erguido com base no genocídio e na violência supremacista branca levadas a cabo não só pelas forças oficiais de repressão violenta (o exército e a polícia) mas também por sectores significativos dos brancos armados.

Os horrendos assassinatos em Charleston são um produto e uma componente da cruel e violenta supremacia branca na sociedade, que vai da bandeira confederada à frente da Casa do Estado da Carolina do Sul à bandeira ameriKKKana nas camisas dos polícias que assassinam negros, de Nova Iorque à Califórnia e a todos os lugares entre elas. [KKK é uma referência ao Ku Klux Klan, uma milícia branca organizada para aterrorizar os negros após o fim da escravatura e que existe até hoje.]

Sim, os Estados Unidos não têm igual entre países imperialistas poderosos como os da Europa Ocidental, o Japão, a Austrália ou o Canadá, no número de armas nas mãos das pessoas e na dimensão da violência associada a isso. A questão é saber por quê, o que é que isso serve e qual a solução? E depois, como é que os apelos ao “controlo de armas” (entre aspas porque os defensores do “controlo de armas” não estão de maneira nenhuma a pedir o controlo de todas as armas!) se ajustam a este quadro?

Vivemos numa sociedade de intensa exploração, alienação e – correspondentemente – um etos da “lei do mais forte”. De que quem tem mais e maiores armas consegue impor os seus interesses. E um factor específico definidor da história e cultura dos Estados Unidos é que este país foi erguido com base no genocídio e na violência supremacista branca levadas a cabo não só pelas forças oficiais de repressão violenta (o exército e a polícia) mas também por sectores significativos de brancos armados.

Das minas de ouro do Dacota do Sul às fazendas do Oklahoma, à medida que o exército afastava os nativos americanos das suas terras, os colonos armados que ocuparam essas terras foram formal ou informalmente tornados “ajudantes” na imposição do seu “direito” àquelas terras roubadas com armas. Os mexicanos também foram frequentemente os alvos de turbas de linchamento no Sudoeste dos EUA, desde meados do século XIX até muito tarde no século XX, para afastarem os proprietários mexicanos das suas terras.

O icónico mito norte-americano do “indivíduo rugoso” que supostamente defende a sua fazenda, o seu rancho, a sua reivindicação ou a sua propriedade dos chamados “selvagens” ocorreu numa época de massacres genocidas de nativos americanos e de roubo de terras ao México.

[Em O Comunismo e a Democracia Jeffersoniana (RCP Publications, 2008), Bob Avakian] analisa os ideais do jeffersonismo [a ideologia fundadora dos EUA] e localiza mesmo, de uma forma convincente, as suas “grandiosas aspirações” nas relações sociais de exploração e opressão – as relações sociais a partir das quais cresceram esses ideais e as quais eles serviram e continuam a servir. Ao fazê-lo, ele utiliza uma vasta gama de investigação académica e analisa de uma forma polémica os principais defensores contemporâneos da democracia jeffersoniana. Avakian demonstra por quê e como esses ideais de democracia coexistiram – e, na realidade, surgiram com base nisso – com a escravização dos negros e a profunda incrustação da supremacia branca no corpo político e na psique ideológica dos EUA. Mas ele vai mais longe: não só mostrando porque é que as coisas ocorreram dessa forma, mas porque é que esses mesmos ideais só poderiam e só podem gerar e servir relações de exploração e a divisão, e polarização, das pessoas em classes antagónicas, em opressores e oprimidos. Além disso, ele aponta convincentemente para uma visão e um futuro que são verdadeiramente emancipadores – para uma visão de liberdade muito mais radical e sistemática que qualquer outra coisa imaginável dentro dos horizontes constringidos do jeffersonismo. Ao fazê-lo, Avakian inclui uma crítica devastadora do “mercado livre de ideias”, contrastando-o com uma busca da verdade genuinamente criativa – e mostra que tipo de sistema económico e político seria necessário para que isso floresça.

Após a guerra civil, a opressão dos negros em condições do tipo da escravatura e a imposição das leis Jim Crow assumiram a forma de violência oficial de estado, mas também de turbas de linchamento, de gangues no Texas e o KKK. Filmes como O Nascimento de Uma Nação glorificaram o linchamento e o terror do Klan como “defesa da cultura tradicional e do modo de vida do Sul” –que era uma tradição e cultura de escravatura.

E a história dos Estados Unidos é uma história de guerras de agressão em todo o mundo, contra potências reaccionárias rivais e contra revoltas e revoluções. Os assassinos são glorificados como “heróis” e as vítimas demonizadas com veneno racista (como “Japs”, “Chinks”, “Gooks” ou “Sand Niggers”). George Bush II disse aos generais dele no Iraque: “Kick ass! Se alguém tentar parar a marcha para a democracia, nós iremos procurá-los e matá-los-emos!”

Esta “lógica” e “moralidade” gângster da “lei do mais forte”, “kick ass” e intimidação propaga-se e infecta esta sociedade de uma forma muito vasta. Nos Estados Unidos, todo o tipo de pessoas recorre à violência com armas por todo o tipo de razões – e muitas dessas razões são muito más, incluindo um demasiado número dos mais oprimidos a matarem-se uns aos outros por nada. Mas este sistema e os seus porta-vozes legitimam a violência armada supremacista branca, chauvinista masculina, anti-imigrante e racista, tanto através dos seus agentes oficiais (como a polícia e o exército) como de vigilantes e “lobos solitários” racistas e reaccionários.

Vários comentadores têm apontado o facto de que o massacre em Charleston não está a ser tratado como um ataque terrorista pela comunicação social. Se o assassino fosse muçulmano, ele teria sido marcado a ferros como terrorista. E será que alguém pode negar que se o assassino de Charleston tivesse sido negro, ele teria sido marcado a ferros como “assassino” e os negros em geral teriam sido culpabilizados e vilipendiados? Em qualquer dos casos, o incidente teria sido usado para matraquear a demonização e a repressão racistas. E imaginem que uma das recentes vítimas de violência racista – seja às mãos da polícia como Eric Garner, seja às mãos de um racista como a pessoa que matou Trayvon Martin – tivesse exercido o direito à autodefesa armada? O que pensam vocês que as autoridades, ou a National Rifle Association [Associação Nacional de Armas], teriam a dizer sobre isso?

Nem todos os donos de armas estão a fazer, ou a planear fazer, algo nefasto com a sua arma. E a propriedade individual de armas e a possibilidade de treinar o uso de armas de fogo é de facto um importante direito das pessoas contra o estado, um direito que é defendido pela Constituição Para a Nova República Socialista da América do Norte (Proposta). Ao mesmo tempo, neste mesmo momento, na América capitalista-imperialista, há uma epidemia de violência reaccionária cometida com armas. Mas ao serviço de quê estaria a aprovação de novas leis de restrição da propriedade de armas, tendo em conta tudo o que apontámos sobre a natureza deste sistema?

Primeiro: a polícia assassina centenas de pessoas todos os anos nos Estados Unidos, muitas delas negras ou latino-americanas e desarmadas. Está alguém a defender o desarmamento da polícia? Os militares norte-americanos infligem mortes em massa em todo o mundo. Só a invasão norte-americana do Iraque foi responsável pela morte de mais de um milhão de pessoas. Está algum defensor do “controlo de armas” a falar em retirar as armas (e os drones, armas nucleares e gases venenosos) das mãos deles?

E porque é que o poder, no seu todo, ou não quer ou não ousa agir para desarmar estas milícias supremacistas brancas, os vigilantes de fronteira e outros fascistas armados? Porque algumas pessoas na classe dominante contam com esses fascistas paramilitares para imporem a actual situação e para serem uma força violenta em futuros confrontos na sociedade, e para estarem prontos e capacitados para tentarem esmagar uma tentativa séria de uma revolução libertadora.

Quanto a outras pessoas da classe dominante, elas não ousam remexer no ninho de vespas que seria desencadeado se agissem de uma forma séria para desarmarem essas forças. As pessoas deveriam lembrar-se que há um ano, em que um fascista chamado Cliven Bundy organizou todo o tipo de pessoas brancas para pegarem em armas para “defenderam a propriedade dele” contra o governo federal e ficou completamente livre. O que é que pensam que aconteceria se pessoas negras ou latino-americanas fizessem qualquer coisa mesmo que remotamente semelhante nos bairros pobres deste país? Uma coisa sem dúvida – o governo não teria “recuado”!

A realidade é que o “controlo de armas” tem sido historicamente usado e seria usado como ferramenta para matraquear a repressão dirigida contra os oprimidos. Nós não estamos aqui a defender nada, mas a colocar uma situação hipotética: Como é que pensam que leis mais rígidas de “controlo de armas” (ou mesmo aquelas que agora estão nos livros) seriam usadas numa futura situação onde pudesse haver uma legítima resistência e autodefesa contra ataques racistas quer da polícia quer de vigilantes racistas não oficiais? E como é que essas leis seriam usadas no caso de uma tentativa de revolução – em condições que não existem hoje mas que podem emergir?

E sejam realistas: Quem é que pensam que seria visado por qualquer endurecimento do “controlo de armas”? Já vimos como as leis “Stand Your Ground” [“Defendam a Vossa Posição”], que originaram uma atmosfera onde um racista branco pôde matar Trayvon Martin na Florida, foram aplicadas de uma forma completamente diferente quando uma mulher negra se defendeu a ela própria e aos filhos dela – disparando um tiro de aviso para o tecto do seu próprio apartamento –de um homem que os estava a ameaçar. [Ela foi condenada a 20 anos de prisão num primeiro julgamento e enfrenta até 60 anos num recurso porque disparou a arma na presença dos filhos.]

Novas leis que dão às autoridades – ao Estado – um maior monopólio do controlo de armas não iriam enfrentar nem resolver o problema da supremacia branca imposta de uma forma violenta. E não seriam uma coisa boa. Mas a revolução pode resolver o problema da supremacia branca, além de fornecer a base para ultrapassar e acabar com toda a opressão e assim pôr fim a todos os conflitos antagónicos entre as pessoas. Isso seria uma coisa boa!