Turistas visitam a guerra popular do Nepal
19 de Janeiro de 2004. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

As chegadas de turistas ao Nepal aumentaram mais de 50% em Novembro e Dezembro de 2003, quando comparadas com os dois últimos meses do ano anterior. Isso foi inesperado, porque o governo pôs o país inteiro sob o estado de emergência e muitos governos ocidentais aconselharam os seus cidadãos a evitar o país por causa da guerra popular, agora com quase oito anos. Mas, pelo menos de acordo com a BBC, parece que a guerra popular é uma das principais razões por que os jovens ocidentais estão a visitar o Nepal.

O Serviço Britânico de Radiodifusão relata que muitos jovens procuram activamente uma oportunidade de conversar com os rebeldes dirigidos pelos maoistas.

Uma guia canadiana de montanhismo, que regressava à região de Khumbu, onde se situa o Monte Sagarmatha (Evereste) disse a um repórter da BBC que para muitos dos seus turistas o ponto alto da sua visita tinha sido falar com os rebeldes maoistas. Uma profissional com 18 anos de experiência, ela disse que ela própria tivera vários desses encontros. "Tive conversas agradáveis com eles e eles foram bastante corteses comigo."

O presidente da Associação de Agentes de Montanhismo do Nepal disse-o deste modo: "Gostaríamos de ver um fim à insurreição. Mas o facto é que muitos montanhistas começaram a apreciar os seus breves encontros com os rebeldes."

Uma montanhista britânica que se encontrou com os maoistas na região de Annapurna, no Nepal Ocidental, no mês passado, disse: "Gostei de conversar com eles". No final da sua reunião, na qual os rebeldes explicaram as razões por trás da Guerra Popular, ela decidiu dar-lhes 500 rupias (cerca de €7) para apoiar a sua causa.

A BBC informou: "Chamado de organização terrorista pelo governo, o Partido Comunista do Nepal (Maoista) declarou oficialmente que não pretende causar danos aos turistas e, até agora, durante os sete anos da insurreição, tem mantido a sua palavra... Os rebeldes param nas casas de chá para falar com os turistas e pedir donativos. Os montanhistas normalmente entregam uma média de €14. Há muito poucos relatos de casos de turistas que são pressionados após se recusarem a pagar. E esses casos tendem a estar associados a indivíduos que se prova não estarem associados aos rebeldes. Muitos montanhistas ficam contentes por ficar com uma recordação, na forma de um recibo dos maoistas pelo seu donativo."

A dependência do Nepal do turismo é uma consequência da dominação do país e da opressão feudalista do povo que dificultam o seu desenvolvimento. Embora o PCN(M) torne clara a sua intenção de edificar uma economia auto-suficiente após a libertação do país, não se opõe às pessoas que visitam o seu país com intenções honestas, agora ou no futuro. O facto de jovens ocidentais estarem ansiosos por ver por si próprios uma revolução em desenvolvimento e ouvir o que os maoistas têm para dizer é um sinal muito mau para o imperialismo, o sistema mundial dominante que não oferece nenhum futuro a quaisquer dos povos do mundo. Estes turistas não vêm só para ver o Sagarmatha, a montanha mais alta do mundo, mas também para ver as alturas às quais os camponeses do Nepal e outras pessoas comuns aspiram levar o seu país e toda a humanidade, um país onde, para citar a Internacional, "um mundo melhor nascerá".

(Veja a revista Um Mundo A Ganhar nº 29, www.aworldtowin.org.)

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese