Região autónoma revolucionária proclamada no Nepal ocidental
19 de Janeiro de 2004. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Num passo enorme para a emancipação de todo o Nepal, o povo da região Magar, na parte ocidental do país, estabeleceu o seu próprio governo regional autónomo revolucionário. O povo Magar constitui uma nacionalidade minoritária que foi oprimida e ficou sem poder político desde que Prithur Narayan Shah os conquistou, bem como a outros povos minoritários do Nepal - os quais, em conjunto, constituem a maioria dos nepaleses - quando levou a cabo a violenta unificação do Nepal em 1768.

A Região Autónoma Magar foi anunciada a 9 de Janeiro de 2004, perante uma multidão de 75.000 pessoas daquela região. Uma convenção dos 130 representantes da Região Autónoma Magar, realizada a 7 e 8 de Janeiro, elegeu uma Comissão de Trabalho com 27 membros.

A Guerra Popular dirigida pelo Partido Comunista do Nepal (Maoista) infligiu severas derrotas às forças armadas da monarquia e tornou possível a muitos habitantes do Nepal rural tomarem o poder político e formarem os seus próprios Comités Populares de Unidade, com poder governativo. A política do PCN(M) é lutar por um governo nacional de unidade com todas as forças patrióticas antifeudais e anti-imperialistas, dentro do qual as nacionalidades oprimidas tenham direito à autodeterminação.

O Camarada Prachanda, presidente do PCN(M) e comandante supremo do Exército Popular de Libertação, e o camarada Baburam Bhattarai, convocador do Conselho Revolucionário de Unidade Popular (o embrião do futuro governo revolucionário de todo o Nepal) enviaram as suas saudações a esta assembleia de massas. O Camarada Diwakar, membro do comité permanente do PCN (Maoista), o Camarada Krishna Bhadur Mahara e o Camarada Ravani, do movimento revolucionário maoista da Índia, discursaram nesse evento.

De acordo com um relato da Krishnasen Sambad Samiti (KSS), uma página internet maoista em língua nepalesa, a aldeia de Thawang, no distrito de Rolpa, foi especialmente decorada para o acontecimento. Arcos de boas-vindas foram arranjados para saudar os representantes e delegados que vieram de diferentes zonas da região e do município. As colinas vizinhas foram enfeitadas com bandeiras vermelhas comunistas.

Thawang é a aldeia onde em 1980 o povo boicotou totalmente as eleições e todas as urnas eleitorais foram esvaziadas. Isso devido a uma iniciativa do precursor do PCN (Maoista), o Partido Comunista do Nepal Mashal, que apelou ao povo para se opor às eleições para os conselhos locais (chamados Panchayats) liderados por notáveis feudais sob autoridade do rei. Imediatamente após o boicote, o Exército Real veio à aldeia e destruiu-a. Os maoistas de Thawang mantiveram-se firmes no seu compromisso. Esta grande baliza revolucionária encorajou o povo de todo o país a defender a completa destruição do sistema reaccionário e a lutar para uma Sociedade de Nova Democracia, como parte do avanço para o socialismo e, no final, para o comunismo, um mundo sem classes nem qualquer forma de opressão. Assim, esta aldeia permanece o centro de gravidade do movimento revolucionário maoista no Nepal. Desde o início da Guerra Popular a 13 de Fevereiro de 1996, que as massas revolucionárias de Thawang são um firme pilar da revolução. Apesar da destruição da aldeia e de várias operações subsequentes do Exército Real, com atrocidades horríveis, esta aldeia permaneceu uma inspiração para a região Magar e o país inteiro. Agora, foi o local histórico da declaração do governo autónomo da comunidade Magar.

O Nepal é um país multinacional e multilíngue, dominado pelas castas Brâmane e Chhetrie desde a unificação forçada do país. A sociedade nepalesa, sob o regime monárquico feudal centralizado, não estava unida pela harmonia fraternal entre as pessoas, mas pela opressão, a repressão e a discriminação. Uma verdadeira unidade popular só pode ser alcançada através da revolução para esmagar essas grilhetas, para tornar o povo politicamente soberano e assim poder ser pavimentado o caminho para o desenvolvimento económico e cultural.

Porque este passo foi dado como parte da guerra popular dirigida por um partido marxista-leninista-maoista, é um passo para acabar com a opressão de classe, de casta e nacional do povo nepalês e com a dominação do país pela Índia e pelas potências imperialistas. A declaração da região autónoma é dirigida ao regime monárquico que representa e mantém aquele sistema de opressão.

De acordo com o serviço de notícias KSS, o povo de outras regiões de nacionalidades oprimidas também declararão a autonomia regional e de nacionalidade em diferentes partes do país.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese