Regime do Nepal ataca jornalistas e EUA defendem a monarquia na ONU
19 de Abril de 2004. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Ao mesmo tempo que a monarquia do Nepal lançava um ataque sem precedentes contra os jornalistas em geral, os EUA movimentavam-se para bloquear a crítica internacional ao regime feudal.

Não foi a primeira vez que o regime real atacou jornalistas nos últimos anos. Krishna Sen, editor do semanário maoista Janadesh, foi preso e morto em custódia em 2002. Desde que a guerra popular para libertar o Nepal do sistema feudal e do domínio estrangeiro foi lançada em 1996, dezenas de jornalistas revolucionários, incluindo Milan Nepali, foram encarcerados ou “desapareceram”. Foram presos, torturados e mortos pela sua posição clara a favor do povo nepalês e contra o sistema reaccionário. Esses preciosos jornalistas não só dedicaram as suas vidas à exposição dos crimes sociais, económicos e políticos das classes dominantes, mas também a transmitir os ideais revolucionários e a indicar o caminho para a libertação do sistema.

Agora, no contexto dos grandes avanços da guerra popular dirigida pelo Partido Comunista do Nepal (Maoista), e em parte por causa do contributo dos pioneiros revolucionários para a comunicação social, centenas de jornalistas nepaleses abriram os seus olhos. Os jornalistas nepaleses transformaram-se numa poderosa força de divulgação das notícias de várias lutas populares e de exposição da autocracia feudal. Também fizeram muito para expor o apoio dos EUA a esse regime e aos seus crimes.

Desde 1 de Abril que as bases dos partidos parlamentares e particularmente das suas organizações de juventude se têm manifestado contra o regime e lutado diariamente com as forças governamentais de segurança em Katmandu, apesar de uma proibição de ajuntamentos de mais de cinco pessoas e das leis “antiterrorismo” TADA que permitem que as pessoas possam ser encarceradas durante 90 dias sem uma ordem de prisão. Estas acções começaram quando os partidos parlamentares apelaram a um dia de protesto contra o Rei Gyanendra, que dissolveu o Parlamento quando tomou todo o poder para si próprio há dois anos. O PCN(M) tem apoiado essas lutas e apelou aos participantes para que sigam outro caminho que não o regresso à monarquia constitucional como propõem os partidos parlamentares, e pelo contrário elevem a sua visão para a abolição da monarquia e o estabelecimento de uma república popular.

O lathi (bastão) do regime real acusou e prendeu 75 jornalistas que estavam a cobrir os acontecimentos nas ruas da capital. Dois deles foram acusados de lutar com a polícia. Mais de uma dúzia ficaram feridos. A polícia levou-os em custódia para Maharajgunj e o Clube de Polícia de Mahendra, em vez de levar os feridos para um hospital. Também foram presas muitas outras pessoas, mas os jornalistas foram um objectivo especial. Na área de Ratnapark, no coração da Katmandu metropolitana, foram presos jornalistas que mostraram cartões de identificação profissional, numa vã tentativa de se salvaguardarem dos ataques policiais e foram espancados. Noutros casos, a polícia foi buscar os jornalistas ao seu local de trabalho ou a suas casas. Segundo o nepalnews, desde 17 de Abril foram presos 200 jornalistas e outros 300 activistas políticos.

Ao mesmo tempo, os EUA representavam um importante papel no bloqueamento da passagem de uma resolução patrocinada pelo governo suíço sobre a situação de direitos humanos no Nepal, na sessão contínua do Comité da ONU para os Direitos Humanos, em Genebra. Segundo noticiou o Kathmandu Post de 17 de Abril, estão agora também a tentar bloquear a declaração do Presidente desse comité. “A declaração da próxima semana sobre o Nepal do Presidente (Austrália) da 60ª Sessão obrigaria o governo [do Nepal] a aceitar a ajuda técnica da ONU na monitorização de direitos pelo Comité Nacional de Direitos Humanos (CNDH). A Suíça e a Noruega estão a tentar fazê-lo, apoiadas pelo CNDH e pelo Fórum Advocacia, entre outras organizações de direitos humanos”, escreveu o jornal diário. “Os delegados da União Europeia e das organizações de direitos humanos em Genebra estão chocados com a tentativa dos EUA.”

O jornal também disse que um diplomata europeu avisou que se o governo do Nepal não chegasse a um “entendimento” com o Gabinete do Alto-Comissário para os Direitos Humanos (GACDH), a situação poderia ficar desconfortável para o governo na reunião de 5 e 6 de Maio do Fórum de Desenvolvimento do Nepal (FDN) e prejudicar os seus esforços para conseguir capitais estrangeiros. Quando questionada sobre os possíveis motivos por trás da mais recente tentativa dos EUA, uma fonte disse ao Post: “[Os EUA] têm fornecido apoio militar ao exército e [este] é o principal responsável pela deterioração da situação dos direitos humanos no Nepal. Os EUA querem esconder as atrocidades cometidas pelo Exército Real do Nepal, porque a lei dos EUA proíbe o apoio militar a países onde esse apoio possa conduzir a violações dos direitos humanos.” Além dos EUA, a Índia também tem apoiado militarmente o ERN. “Não é difícil ver por que esses países se opuseram à resolução. Eles têm medo que no futuro possam ser acusados de também serem responsáveis por crimes contra a humanidade”, escreveu o diário.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese