Trânsito parado durante duas horas contra o governo do Nepal
30 de Outubro de 2006. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Do nosso correspondente Purna, um apoiante do Partido Comunista do Nepal (Maoista) que explica a perspectiva do partido.

A 25 de Outubro, o dia seguinte ao fim do festival Dipawali no Nepal, o Partido Comunista do Nepal (Maoista) convocou uma paralisação de duas horas de todo o trânsito no vale de Katmandu. A convocatória foi divulgada na noite do dia 24 e a paralisação teve lugar entre as 8 e as 10 horas da manhã do dia seguinte.

Todo o trânsito de veículos esteve parado. O vale de Katmandu esteve quase totalmente cortado do resto do país durante esse período.

A paralisação foi convocada contra o aumento da criminalidade e o envolvimento da polícia nessa criminalidade no vale de Katmandu. A 24 de Outubro, um DSP (superintendente de divisão da polícia), juntamente com um arruaceiro, atacaram e feriram gravemente um habitante local com um kukuri (uma faca de grandes dimensões) na zona de Bouddha, um subúrbio a norte de Katmandu. Os habitantes locais prenderam os dois, o polícia e o arruaceiro, e entregaram-nos à unidade maoista local. Os maoistas prenderam-nos e puseram-nos num carro para o levarem para outra zona. Mas, no caminho, cerca de 200 polícias com armas sofisticadas fizeram parar o veículo e cercaram-no. Quando os habitantes locais souberam disso, cercaram por sua vez os polícias. Houve uma discussão. Os habitantes exigiam que os criminosos fossem colocados sob controlo do novo estado. Mas a polícia tentava puxá-los para o seu controlo. O círculo de pessoas à volta da polícia aumentou. A polícia iniciou uma carga de bastões. As massas responderam com pedras. A polícia acabou por conseguir levar os criminosos. O ministro do interior disse que o seu estado puniria os criminosos.

Tal como noutros países onde o estado reaccionário utiliza e frequentemente protege o submundo do crime, também isso acontece no Nepal. Essa quadrilha de arruaceiros locais era protegida pelo estado quando assaltava os comerciantes e causava sofrimento entre a população.

Esse tipo de submundo do crime foi eliminado nas zonas rurais no decurso dos dez anos da guerra popular. Agora, esses criminosos concentram-se nas cidades. O poder popular revolucionário e as transformações sociais nas zonas rurais fizeram com que lhes fosse difícil manter aí a sua actividade. Mas, nas cidades, incluindo a capital, ainda está a funcionar o velho estado. Por outro lado, embora um novo estado revolucionário esteja a começar a ser erguido, o poder estatal a nível global ainda não foi tomado. Por causa desta situação de transição, o submundo do crime protegido pelo velho estado ainda não foi esmagado.

Numa tentativa de o fazer, o PCN(M) levou a cabo uma campanha em que foram presas cerca de 37 dessas pessoas. Foram-lhes confiscados meia dúzia de veículos de quatro rodas, duas dúzias de motocicletas, algumas pistolas, telemóveis e outro equipamento.

Assim que esses arruaceiros foram presos, os líderes do Partido Comunista do Nepal (União Marxista-Leninista), o Congresso Democrático Nepalês e mesmo o ministro do interior do Partido do Congresso Nepalês começaram a telefonar aos maoistas a pedir-lhes que libertassem os criminosos. Esses presos foram apresentados aos jornalistas. Mas alguns ditos activistas dos direito humanos que recolhem dólares ao serviço do imperialismo norte-americano e da monarquia feudal protestaram pela prisão desses criminosos.

O povo nepalês está à espera do dia em que o estado reaccionário seja eliminado e não haja mais arruaceiros destes no novo Nepal.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese