A 2 de Junho, o Partido Comunista do Nepal (Maoista)
realizou um enorme comício público em Katmandu, com uma dimensão que o
país nunca antes vira. Esta foi a primeira vez que os maoistas puderam
desenvolver qualquer actividade pública na capital há vários anos.
Estimativas da dimensão da multidão iam de “pelo menos 200 mil
pessoas” (BBC) até meio milhão. O trânsito foi desviado do centro da
cidade por causa das enormes multidões que enchiam as ruas. Centenas
de veículos de transportes públicos emprestados trouxeram as pessoas
das zonas libertadas revolucionárias e outras zonas rurais de todo o
Nepal central. Muitas das pessoas nunca antes tinham estado na
capital. Houve quartos de hotel a preços especiais e foram erguidas
tendas por todo o lado. Entre os moradores das zonas urbanas
presentes, muitos eram apoiantes dos maoistas e outros queriam ouvir o
que os maoistas tinham para dizer. A responsabilidade pela protecção
da multidão e por manter tudo organizado e disciplinado foi atribuída
a milhares de jovens voluntários, incluindo um grande número de
raparigas. Todos usavam t-shirts vermelhas com uma imagem do
Presidente Prachanda do PCN(M). As forças governamentais tinham
instalado perigosas redes de arame farpado e forças de segurança
fortemente armadas estavam preparadas para impedir a multidão de
marchar rumo ao palácio real, situado a apenas algumas centenas de
metros do local do comício.
A localização tinha um grande significado político. A
multidão extravasou largamente o teatro ao ar livre e espalhou-se pelo
Tudikhel, um terreno para paradas militares situado atrás do teatro,
que nunca antes estivera aberto ao público. Até essa altura, servira
exclusivamente para as cerimónias do rei. As pessoas sentaram-se nas
cadeiras que até aí raramente tinham visto traseiros que não os do rei
e dos seus generais feudais. Foram colocadas bandeiras vermelhas
comunistas na tribuna da parada, que nunca antes tinha visto outros
símbolos que não os da dinastia feudal dos Shah.
Além de espectáculos de música e de dança, o principal orador foi Kirshna Bahadur Mahara, líder da equipa que prepara as negociações entre o PCN(M) e o parlamento recentemente reinstalado. Ele criticou os partidos parlamentares por se terem afastado do acordo em 12 pontos com o PCN(M) que levou à insurreição nacional contra o rei e pela sua teimosa relutância em dissolver o parlamento e convocar eleições para uma assembleia constituinte.
| Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Camarada Krishna Bahadur Mahara |