Sinais de desintegração do Exército Real do Nepal
27 de Junho de 2005. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Dois proeminentes acontecimentos que ocorreram no Nepal durante a última semana parecem indicar o crescente desespero do Exército Real do Nepal [ERN]. Um foi o rapto e assassinato de seis familiares de soldados de escalões inferiores do ERN, muito provavelmente pelo próprio ERN. O outro foi uma solicitação do ERN para compra de armamento e abastecimentos, alegando que estava a ficar sem balas e sem armas. Além disso, os partidos parlamentares anunciaram que iriam boicotar as eleições locais que a monarquia tenciona organizar.

O rei do Nepal pôs todos os meios noticiosos sob controlo das suas forças armadas, proibiu as populares estações locais de rádio FM de divulgarem toda e qualquer notícia e enviou censores para se estabelecerem nas instalações de outros órgãos da comunicação social e da imprensa escrita. No início de Junho, a comunicação social nepalesa noticiou que os maoistas tinham sequestrado seis familiares de soldados do ERN de uma casa que estes tinham alugado a cerca de quinhentos metros de um campo de treino do Exército Real em Badimalika, distrito de Kailali, no oeste do Nepal. No dia seguinte, a comunicação social noticiava que as pessoas raptadas tinham sido encontradas mortas a sangue frio. Diziam que todas as mulheres tinham sido violadas e que todos eles e ainda uma criança tinham sido cortados aos pedaços com uma faca. A comunicação social controlada pelos militares alegava que os maoistas tinham cometido esse crime como se isso fosse um facto provado, embora não tivesse havido nenhuma investigação. Muita gente ficou surpreendida com esta alegação, especialmente depois do recente incidente no distrito de Chitawan em que os guerrilheiros maoistas haviam feito explodir um autocarro cheio de civis. Finalmente, a comunicação social teve de admitir que os maoistas nada tiveram a ver com os repugnantes assassinatos dos familiares dos soldados do ERN, mas o ERN ainda tem que explicar quem foram os verdadeiros assassinos.

Imediatamente após a tragédia do autocarro no distrito de Chitawan, o Presidente Prachanda do Partido Comunista do Nepal (Maoista) emitiu um pedido de desculpas e uma severa autocrítica em nome do partido, afirmando que se tinha tratado de uma violação da política do partido de não atingir civis e suspendendo a direcção e os membros do Exército Popular de Libertação envolvidos no incidente.

O comandante da divisão ocidental do EPL, Camarada Pravakar, emitiu um comunicado sobre o assassinato dos familiares dos soldados. Nele dizia: “Em primeiro lugar, gostaríamos de tornar claro que o PCN(M) e o EPL não tiveram nenhum papel nesse incidente. Esse incidente é apenas mais um exemplo extremo das próprias contradições internas [do Exército Real]. Nem sequer conseguiríamos pensar em tais crimes desumanos, quanto mais chegar a cometê-los. Tendo em conta que libertamos os soldados capturados no campo de batalha, nem sequer poderíamos pensar em assassinar os seus familiares por nenhum motivo.

“Em relação ao crime em si, as seguintes razões podem estar por trás dele. Primeiro, podem ter tentado confundir a comunidade internacional e o público internacional ao cometer um tal crime e atribuindo-o aos maoistas numa situação em que eles têm sofrido derrotas totais no combate com o EPL. Segundo, podem ter cometido esses crimes deliberadamente, como artimanha para tentar controlar a divisão entre os escalões inferiores dos soldados do Exército Real. Terceiro, ao cometer esse crime, podem ter temido que os factos transparecessem e talvez a razão para atribuírem o incidente aos maoistas fosse impedir que o tiro saísse pela culatra contra o ERN.”

Num outro desenvolvimento, o Exército Real fez aos fornecedores globais uma solicitação de compra de armas para assassinar o povo nepalês. Muitos jornais nepaleses noticiaram que o regime do déspota feudal Gyanendra Shah procura fornecedores estrangeiros de armas. Depois do golpe de estado de Fevereiro do rei contra o parlamento, os principais fornecedores de armas ao Nepal, incluindo a Índia, os EUA e a Grã-Bretanha, anunciaram que iam suspender os fornecimentos. Neste momento, o regime real está quase sem armas e balas. Segundo a imprensa, o ERN disse estar à procura de vários tipos de munições, armas, explosivos, tanques de guerra, aviões, helicópteros normais e com metralhadoras, veículos blindados de transporte de pessoal, equipamento de comunicação de segurança, detectores de minas, coletes e casacos à prova de bala, pára-quedas e outro equipamento e partes suplentes. O Ministério da Defesa (MD) propôs um orçamento que duplica os valores do actual ano fiscal, reforçando o pedido do ERN de mais equipamento, segundo noticiaram outras fontes da imprensa.

O regime real anunciou que se iriam realizar eleições municipais em todo o país. Os municípios ficaram paralisados há cerca de três anos devido a demissões em massa dos seus dirigentes e ao estabelecimento do poder político revolucionário na maior parte do interior do país, tornando impossível desde então a realização de novas eleições. A aliança dos sete partidos políticos parlamentares declarou que iriam boicotar essas eleições, recusando assim o pedido do rei de que se juntassem a ele na luta pela salvação da monarquia.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese