Nepal: Importantes batalhas a leste e a oeste
13 de Junho de 2005. Serviço Noticioso Um Mundo a Ganhar.

Um contingente de 500 membros do Exército Real foi derrotado a semana passada numa importante batalha no distrito ocidental de Kailali e uma outra unidade do Exército Real foi esmagada numa batalha no leste do Nepal. Também a semana passada, a União Independente Nacional de Estudantes de Todo o Nepal (Revolucionária), dirigida pelos maoistas, convocou uma greve por tempo indeterminado contra as escolas privadas de gestão.

A batalha do distrito de Kailali envolveu um ataque a uma posição do Exército Real na aldeia de Amphaiya. A situação era semelhante à do exército norte-americano em Falluja, no Iraque. O Exército dos EUA tinha avisado os habitantes da cidade para se renderem ou morrerem. Do mesmo modo, o Exército Real do Nepal apoiado pelos EUA tentou aterrorizar os habitantes da aldeia, dizendo-lhes que era um “Batalhão Ranger” (o nome de uma unidade de combate de elite dos EUA) e avisando os habitantes para mandarem sair os maoistas ou enfrentarem eles próprios a morte. Esse seria o último dia dos maoistas, vangloriavam-se eles. Mas, em vez disso, os maoistas atacaram esse “Batalhão Ranger” e perseguiram-no durante três quilómetros. Depois disso, 48 mortos do Exército Real foram contados no campo de batalha. Mais de cem soldados ficaram feridos e o resto dos 500 soldados fugiu. O EPL capturou muitas armas e 15 000 cartuchos de munições. Dez comandantes e vice-comandantes de companhia do EPL foram mortos na batalha que durou quatro horas.

A Divisão Ocidental do EPL tem levado a cabo uma série sistemática de pequenas e grandes acções nas zonas de montanhas e de planícies. Entre as mais importantes estão uma emboscada à sede distrital de Jumla, uma emboscada em Sirighat, um confronto em Jogbudha, um ataque a uma força de retaguarda do Exército Real em Gadda Chauki e um ataque em Trafic Chauk, no distrito de Nepalgunj. Nesta última acção contra uma grande unidade do Exército Real, que ocorreu na própria cidade, foram mortos sete membros do Exército Real e 20 outros ficaram feridos, tendo custado a vida a um combatente do EPL.

Num comunicado sobre essa campanha no oeste do país, o Comandante de Brigada Camarada Pravakar disse: “Ao mesmo tempo que estão a ser activamente feitas exigências, vindas de pontos de vista políticos reaccionários e revisionistas, de que as massas entreguem as armas nas suas mãos e que se fala numa luta conjunta contra a autocracia feudal de Gyanendra Shah, há um ponto que temos de salientar sempre. O que aqui queremos tornar claro é que, para derrotar as armas dos gendarmes reais cujo alvo é o povo nepalês, são necessárias armas nas mãos do povo.” O comunicado continuava: “O nosso partido tem repetidamente tornado claro que as armas que estão nas mãos do Exército Popular de Libertação, não só pertencem ao Partido Comunista do Nepal (Maoista), como também são um direito das forças antifeudais e anti-imperialistas que têm lutado pela liberdade e pela emancipação do povo.”

Uma nota da agência noticiosa maoista nepalesa krishnasenonline.org relatava que um contingente da 5ª Brigada Bethan Smirti da Divisão Leste do EPL entrou em acção contra o Exército Real em Mangaltar, no distrito de Kavre, a leste de Katmandu. Nessa batalha que decorreu ao final da tarde, as forças armadas reaccionárias foram derrotadas em minutos. Vinte soldados foram mortos e crê-se que mais de vinte e quatro ficaram feridos. Uma grande quantidade de armas e equipamento ficou nas mãos dos revolucionários. Os membros do Exército Real capturados durante os combates foram libertados imediatamente após a batalha.

A associação estudantil maoista convocou uma greve por tempo indeterminado contra os internatos privados com fins lucrativos nos chamados centros educativos de gestão de todo o país. Os estudantes revolucionários denunciaram a política do governo nepalês de lavar as mãos da sua responsabilidade de promover uma educação livre e decente e de entregar a educação a empresas que buscam o lucro. Os estudantes revolucionários salientam que isso tem levado à bancarrota famílias nepalesas que têm a esperança de que uma educação dispendiosa possa trazer um futuro melhor para os seus filhos e também tem contribuído para que o país esteja a alargar o fosso da alfabetização, ao colocar uma educação adequada fora do alcance da maior parte das crianças.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese