Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 17 de Janeiro de 2005, aworldtowinns.co.uk

“Mao para sempre o nosso líder”: Autoridades chinesas encarceram pessoas que distribuem panfletos pró-Mao

As notícias mais recentes chegadas da China vinham cheias de histórias de greves de trabalhadores desesperados e de violentos motins de camponeses contra as autoridades tirânicas. Nas últimas semanas, o medo do governo de que uma faísca de dissidência se transforme num grande incêndio tornou-se tão grande que mil polícias enchem todas as manhãs a Praça de Tiananmen em Pequim antes de ela abrir, para evitar qualquer tentativa de manifestação. Recentemente, a página da Internet da revista Monthly Review, com base nos EUA, noticiou uma onda de apoio a quatro pessoas presas e encarceradas por distribuírem um folheto que apoia Mao Tsétung e declara que o que existe na China não é socialismo mas sim capitalismo e apelidando os dirigentes do Partido Comunista de “inimigos do socialismo e do povo”.

A 24 de Dezembro, num julgamento à porta fechada, Zhang Zhengyao e Zhang Ruquan foram declarados culpados de espalhar falsidades deliberadamente para estragar reputações e minar a ordem social e os interesses nacionais. As acusações iniciais e mais graves de “subversão” foram retiradas. A data do julgamento das outras duas pessoas ainda não foi marcada. Sabe-se que muita gente esteve no tribunal para assistir a esse julgamento e apoiar os réus, embora tenham sido mantidos no exterior. Alguns vieram de outras cidades da China. Notícias sobre o caso e o conteúdo do folheto foram distribuídos através da Internet.

Na China, tal como na União Soviética, o socialismo foi derrubado de dentro do próprio Partido Comunista, mas depois os países seguiram caminhos diferentes. Na URSS, por causa das políticas levadas a cabo de um modo decisivo pelo Partido Comunista após a morte de Estaline, as instituições da que fora a União Soviética socialista transformaram-se em instrumentos para oprimir e explorar os povos. Cerca de duas décadas depois, a nova elite dominante decidiu livrar-se dessas instituições e transformar-se em capitalistas de estilo ocidental. Depois da morte de Mao, o poder político na China foi tomado por gente dentro do partido contra a qual o próprio Mao avisara. Ele apelidara-as de “seguidores da via capitalista” porque queriam implementar o mesmo tipo de políticas que aqueles que tinham tomado o poder na URSS nos anos 50. Mas, ao contrário da Rússia de hoje, a classe capitalista dominante da China ainda finge ser “comunista”, retendo a anterior forma de governo e mantendo alguma da economia estatal.

As “três representações” a que esse folheto se refere ilustram essa situação. Os dirigentes do partido chinês alegam representar “as forças produtivas avançadas” (por outras palavras, o desenvolvimento económico a qualquer preço, em vez do desenvolvimento no interesse do povo), “a cultura avançada” (uma cultura adoradora do dinheiro, servilmente pró-ocidental onde a gente comum da China é considerada lixo) e “os interesses da maioria do povo” (impossível para um partido que serve as duas primeiras “representações”, e portanto apenas uma mentira).

Esse folheto foi considerado perigoso pelas autoridades chinesas porque arranca a sua máscara “socialista” e expõe a sua verdadeira natureza de classe. Representa claramente o sentimento de incontáveis milhões de chineses de que a sociedade no tempo de Mao era de longe melhor do que é agora ou mesmo do que promete ser e a sua determinação em perceber o que é que aconteceu e trazer de volta o socialismo. Parte do folheto é surpreendente. Os excertos reproduzidos abaixo, escolhidos e traduzidos pelo Grupo de Estudo da China, acusa Teng Siaoping, o homem que organizou o derrube dos sucessores de Mao, e Jiang Zemin, dirigente do partido até final de 2002, mas não menciona Hu Jintao que substituiu Jiang como dirigente do partido e do governo. Ainda mais surpreendentemente, e reflectindo pelo menos alguma confusão, o folheto parece avançar a ideia de que a China poderia voltar à via socialista sem uma revolução violenta, uma revolução dirigida por um novo partido maoista que derrube o estado dirigido pelo partido que já foi o de Mao.

Tal como Mao advertira que poderia acontecer depois da sua morte, algumas das próprias palavras usadas pelos verdadeiros revolucionários maoistas que procuraram pôr fim à divisão da sociedade em classes sociais e edificar tudo o que disso surgiu, estão agora a ser usadas por uma nova classe capitalista nascida dentro do partido. Esta nova clique capitalista começou por se opor aos passos do progresso pela via socialista e depois tomaram todo o poder nas suas próprias mãos através de um golpe militar e da prisão e assassinato de muitos dos apoiantes de Mao. Isso mostra a importância da aprendizagem para saber distinguir entre o verdadeiro e o falso Marxismo, conhecido como revisionismo porque revê e retira ao Marxismo o seu conteúdo revolucionário.

A Monthly Review noticiava: “A 21 de Dezembro, quatro maoistas foram julgados em Zhengzhou por terem distribuído folhetos que denunciavam a restauração do capitalismo na China e pediam um regresso à ‘via socialista’. Os folhetos tinham sido distribuídos num parque público da cidade de Zhengzhou por ocasião do 28º aniversário da morte do Presidente Mao Tsétung. Dois dos acusados, Zhang Zhengyao, de 56 anos, e Zhang Ruquan, de 69, foram ambos declarados culpados de calúnia e cada um recebeu uma pena de prisão de três anos a 24 de Dezembro.”

“Em anos recentes, no aniversário de Mao que ocorre a 9 de Setembro, junta-se muita gente em Zhengzhou em frente à estátua de Mao na Praça de Zijinshan para prestar tributo à memória de Mao, colocando grinaldas ou recitando poemas. Em cada ano há uma gigantesca presença policial que inevitavelmente leva a incidentes de confrontos e a prisões.”

“Este ano juntou-se novamente uma multidão a 9 de Setembro; o evento foi relativamente calmo, porque nenhum polícia foi mobilizado para dispersar violentamente a multidão. Porém, por volta das 10 da manhã, um residente local, o Sr. Zhang Zhengyao, foi levado em custódia por agentes à paisana, aparentemente porque estava a distribuir folhetos cujo conteúdo foi considerado inflamatório ou de natureza subversiva. O que Zhang distribuíra foram cópias de um texto comemorativo intitulado ‘Mao Para Sempre o Nosso Líder’, escrito especificamente para essa ocasião. A 10 de Setembro, à 1 hora, a Polícia da Cidade de Zhengzhou trouxe Zhang Zhengyao em algemas de volta ao apartamento dele para fazer uma busca; apreenderam o seu computador, as cópias que sobravam do texto comemorativo e outros documentos. Outras três pessoas foram implicadas nesse caso.”

Segue-se uma tradução do folheto obtida a partir da tradução abreviada para inglês feita pelo Grupo de Estudo da China:

Mao Tsétung para sempre o nosso líder! – Uma declaração em comemoração do 28º aniversário da Morte de Mao Tsétung

Vinte e oito anos decorreram desde que o Presidente Mao nos deixou. Nos últimos 28 anos, as forças reaccionárias encabeçadas pelos seguidores da via capitalista dentro do nosso Partido usurparam o poder no Estado e no Partido e dividiram entre si os recursos estatais. Ao mesmo tempo, têm vomitado um ódio e um veneno profundos contra Mao Tsétung e o seu legado socialista. Fizeram o máximo para atacar e caluniar Mao Tsétung, usando tácticas como a de elaborar resoluções do Partido, emitir documentos ou relatórios oficiais e publicar artigos e editoriais na comunicação social oficial; além disso, nas suas tentativas de caluniar Mao Tsétung, recorreram a golpes tão baixos como cartazes no “Muro da Democracia”, rumores e insinuações, memórias pessoais e entrevistas dadas a jornalistas estrangeiros.

Mas a grande maioria do povo chinês, incluindo mais de 95% da população, e os operários e camponeses em particular, estarão sempre ao lado de Mao Tsétung. Sob a direcção de Mao Tsétung, servir o povo de todo o coração fora fixado como o preceito fundamental que guiava o trabalho do Partido, do governo e do exército. Ele tinha urgido repetidamente todos os membros do Partido e todos os seus quadros para manterem sempre a linha de massas e se manterem ao lado de 95% do povo; ele declarou firmemente que: “manter a linha de massas é um princípio fundamental do Marxismo”. Ao longo da sua vida, ele lutou pela libertação do povo, até ao seu último suspiro.

Da sua experiência directa, o povo chinês percebeu que Mao Tsétung e eles próprios estavam intimamente ligados, nos tempos bons e nos maus, na vitória e na derrota: com Mao Tsétung como seu líder, o povo chinês foi senhor do país e desfrutou de direitos democráticos invioláveis. Viveu uma vida feliz, confiante, optimista e segura de melhores dias à sua frente. Mas depois do falecimento de Mao Tsétung, a classe operária da China foi derrubada pela burguesia do dia para a noite; já não é mais senhora do seu próprio país. Nesta sociedade de “socialismo com características chinesas”, o dinheiro significa poder e estatuto social. A polarização da riqueza conduziu o povo trabalhador a uma pobreza abjecta; como resultado, perdeu o seu estatuto social e todos os direitos que antes tinha desfrutado. Já não são trabalhadores socialistas dignos; pelo contrário, são forçados a vender a sua força de trabalho como mercadoria para sobreviverem: transformaram-se em ferramentas que podem ser livremente compradas pelos capitalistas.

Parte do povo trabalhador trabalha para as chamadas empresas estatais, mas o termo “estatal” significa de facto capitalista porque todo o estado é propriedade da classe capitalista. Os trabalhadores já não trabalham para si próprios; estão a trabalhar para criar mais-valia para a classe capitalista. Uma outra parte do povo trabalhador transformou-se em escravos efectivos dos grandes e pequenos capitalistas. Sofrem uma cada vez maior e mais cruel exploração e opressão. Além disso, centenas de milhões de trabalhadores e camponeses estão constantemente sujeitos a despedimentos e à migração forçada e vivem miseravelmente, mudando constantemente de local, procurando trabalho e lutando pela mera sobrevivência. O trabalho tornou-se no seu único meio de sobrevivência e das suas famílias. O trabalho já não é um direito garantido. Em resultado da mercantilização da educação, dos cuidados de saúde, das actividades culturais, do desporto e da assistência legal, foram efectivamente privados do direito a enviar os seus filhos à escola, de acesso a cuidados de saúde, do direito a uma pensão e de outros direitos associados a uma idade avançada, do direito a participar em actividades culturais, recreativas e desportivas e mesmo do direito a protecção legal. Além disso, em resultado do desperdício de recursos e da poluição ambiental causados directamente pelo ávido desenvolvimento provocado pela classe capitalista, o povo trabalhador perdeu até o seu direito a uma alimentação saudável, água limpa e ar fresco. A pobreza trouxe-lhe um sofrimento inenarrável!

Deng Xiaoping, Jiang Zemin e outros como eles auto-proclamam-se arquitectos nucleares, ou principais, das reformas da China, ou orgulhosos autores da “Teoria das Três Representações”; um olhar mais cuidadoso ao seu desempenho e actos levará à conclusão de que eles só representam os interesses do imperialismo e os interesses da burguesia. A prática histórica e a dura realidade social dos últimos 28 anos abriram os nossos olhos e elevaram a nossa consciência de classe; os elementos burgueses no interior do nosso Partido são a cabeça e a coluna vertebral da classe burguesa chinesa. Eles são pessoas extremamente egoístas e obstinadamente à procura da via capitalista. São muito mais sinistros, desumanos, avaros e desonestos que os capitalistas comuns de fora do Partido. Basta dar uma olhadela ao que aconteceu num período relativamente curto de pouco mais de vinte anos: os grandes e pequenos seguidores da via capitalista dentro do Partido e os seus familiares tornaram-se todos milionários e mesmo bilionários; ninguém pode negar que toda a conversa deles sobre o socialismo e as “Três Representações” não passa de pura mentira. O que eles realmente querem é o capitalismo, porque só o capitalismo lhes trará maiores benefícios. Eles são os inimigos do socialismo e do povo.

Porém, não devemos esquecer que, afinal de contas, o PCC é um Partido que foi fundado e dirigido por Mao Tsétung e que tem uma longa tradição revolucionária. É um Partido que travou uma luta resoluta contra o revisionismo de Khrushchev e que foi moldado pela Revolução Cultural. E, por conseguinte, tal como há seguidores da via capitalista dentro do Partido, também há certamente seguidores da via socialista no interior do Partido, particularmente ao nível das bases. Entre os membros de base e das estruturas dos níveis inferiores do Partido, a esmagadora maioria está ressentida com os líderes revisionistas do Partido. Eles desejam ver o Partido mudar a sua actual linha e voltar à via socialista. Alguns deles já não podem tolerar mais isto. Eles apareceram para desafiar abertamente a actual liderança, mas muito mais gente ainda acha que é mais seguro para si ou para as suas famílias não manifestarem as suas opiniões. Estamos convencidos que, em conjunto com o aprofundamento das tentativas da clique revisionista para a privatização, as contradições de classe na China estão destinadas a agudizarem-se; e as massas intensificarão certamente a sua luta em escalas cada vez mais alargadas.

Quando o desenvolvimento das contradições e a luta das massas a nível nacional atingir o clímax, as pessoas dentro do Partido, do governo e do exército que compreenderam a verdadeira natureza do revisionismo travarão uma luta resoluta contra isso e juntar-se-ão às fileiras da classe proletária para erguer bem alto a bandeira de Mao Tsétung e retomar a luta pelo socialismo na China. Enquanto as classes e a luta de classes continuarem a existir no nosso mundo, Mao Tsétung permanecerá vivo, para sempre o líder das classes oprimidas e exploradas. Como mostrou repetidamente toda a história da revolução na China, enquanto os revolucionários seguirem firmemente as orientações de Mao Tsétung, a sua luta avançará seguramente de vitória em vitória.

A luta do povo é a fonte inesgotável da nossa confiança e da nossa força.