Imigrantes manifestam-se em Lisboa contra a Europa-Fortaleza
Por B. Lisboa

Realizou-se no passado dia 12 de Outubro uma muito combativa manifestação em defesa dos direitos dos imigrantes, pela regularização dos indocumentados, contra o Pacto Sarkozy e a onda xenófoba e contra a Europa-Fortaleza. Foi convocada por uma vasta plataforma de grupos e associações.

A manifestação decorreu num ambiente de grande combatividade, com mais de mil pessoas que se concentraram às 15h no Largo do Martim Moniz, em Lisboa, atravessando depois o Rossio antes de se dirigirem para o Terreiro do Paço. A intensa chuva que caiu durante o percurso não desmobilizou os manifestantes, antes pelo contrário aumentou a sua determinação. No Terreiro do Paço foram feitas várias intervenções e, no final, os manifestantes juntaram-se à volta de uma instalação montada no chão, que representava a Europa-Fortaleza e denunciava os milhares de vítimas que têm morrido a tentar chegar às suas fronteiras.

A manifestação realizou-se numa altura em que se intensifica aquela que se está a configurar como a mais grave crise de sempre do capitalismo e em que se preparam graves medidas restritivas e repressivas contra os trabalhadores e, em particular, contra o seu sector mais desprotegido, os trabalhadores migrantes. Os governos europeus aprovaram recentemente um desses conjuntos de medidas gravosas, o Pacto Europeu sobre a Imigração e o Asilo, conhecido pelo nome do seu principal e sinistro autor, o Pacto Sarkozy.

Este pacote de medidas irão restringir ainda mais os direitos dos imigrantes, nomeadamente dificultando a sua legalização e facilitando a sua expulsão. Em paralelo, e conjugado com isto, têm-se intensificado por toda a Europa as campanhas da comunicação social e a actividade de grupos de extrema-direita, tudo isto visando criar uma vaga racista e xenófoba favorável à aplicação dessas medidas. Este pacto tornará ainda mais difícil a vida dos milhões de imigrantes que vieram para a Europa tentando escapar a terríveis condições de miséria, fome e guerras, condições essas que, por sua vez, foram criadas exactamente pelas potências ocidentais que ao longo dos últimos séculos as têm usado para facilitar a pilhagem das suas riquezas e da sua força de trabalho (nomeadamente forçando-a cada vez mais a deslocar-se para as próprias metrópoles ocidentais, onde pode ser mais facilmente explorada).

Também em Portugal se tem assistido a desenfreadas campanhas de perseguição policial a pretexto de um pretenso aumento da criminalidade, as quais são o veículo da criação de um clima de terror contra os imigrantes que facilite a sua exploração, tornando-os dispostos a aceitarem condições de trabalho e salariais cada vez mais miseráveis, fazendo baixar os salários e acabando definitivamente com as poucas garantias que ainda restam aos trabalhadores. Tudo isto faz parte da ofensiva do grande capital para tentar recuperar a sua ameaçada economia, mas que tem enfrentado uma vaga de oposição e resistência por toda a Europa, e de que esta manifestação fez parte.

18 de Outubro de 2008