Irão: «Apelo urgente a que os jovens presos sejam protegidos da tortura e do desaparecimento»
6 de Julho de 2009. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Estudantes manifestam-se junto à entrada principal da Universidade de Teerão a 14 de Junho de 2009
(Foto: AP)

Este texto é um apelo emitido a 3 de Julho pela newsletter estudantil iraniana Bazr (www.bazr1384.com, www.bazr1384.blogfa.com, e-mail: bazr1384@gmail.com).

Notícias horripilantes chegam-nos das prisões e centros clandestinos de detenção onde estão detidas as pessoas presas nas recentes insurreições. É importante iniciarmos uma enorme campanha de denúncia dos crimes e massacres em curso e exigir a libertação incondicional e imediata de todos os presos políticos. No Irão, as famílias dos antigos e recentes presos políticos podem ser o núcleo de iniciação da campanha. Mas, neste momento, os iranianos podem representar um papel muito importante no estrangeiro em relação a esta questão. Mesmo as reuniões para marcar o aniversário dos massacres [de comunistas e outros presos políticos revolucionários] de 1988 podem ser uma ocasião para o fazer.

Fala-se de brutais e desumanas torturas infligidas aos jovens e a outras pessoas detidas na recente insurreição, com a intenção de os matar. Ao mesmo tempo, está a ser feita pressão sobre pessoas marcadas e conhecidas, como os jornalistas e activistas dos campos de Mousavi e Karoubi [as duas principais figuras da oposição eleitoral], para confessarem os seus alegados crimes. Parece que, no caso dos jovens, estão a adoptar a política de fazer «desaparecer» os presos, desenvolvida na América Latina. Um guarda prisional que presta serviço na prisão de Evin explicou que nas instalações prisionais atribuídas aos basiji [membros da milícia] e no centro de informações dos Guardas Revolucionários (Pasdaran) onde mais ninguém está autorizado a entrar, há diariamente graves torturas e eles estão todos assustados devido aos gritos e choros que vêm lá de dentro; e que diariamente pelo menos 10 cadáveres de pessoas mortas sob tortura são atirados para ambulâncias e levados para serem enterrados em sepulturas não marcadas.

Membros da milícia Basij atiram pedras aos manifestantes que estão dentro da Universidade de Teerão a 14 de Junho de 2009. (Foto: AP)

O objectivo das prisões e abusos físicos em massa, tanto em locais públicos onde as pessoas estão a ver, como em centros de detenção, é assustar toda a gente. Eu sei de alguns casos em que as pessoas foram presas devido à sua idade ou aparência física. Elas foram libertadas após 10 horas de espancamentos e abusos verbais, com a esperança de enviarem uma mensagem. Esta não é a única táctica das autoridades. Eles estão analisar as imagens captadas pelas câmaras de vigilância para escolherem os jovens mais militantes e activos que estiveram envolvidos nos combates de rua dentro e à volta dos centros da Basij e de instituições estatais, numa tentativa de os eliminar da insurreição de massas. Nos últimos dias, as pessoas que gritaram palavras de ordem dos seus telhados foram apanhadas e levadas para centros de detenção. As autoridades estão a tentar assassinar algumas centenas de pessoas antes do início do ano escolar, quando provavelmente irão enfrentar problemas tanto com os professores como com os estudantes.

Também é provável que as escolas fiquem meio vazias quando abrirem. O secretário da educação anunciou recentemente que 300 mil estudantes elegíveis para fazerem o exame de entrada na universidade não foram levantar os seus cartões de exame de entrada, nem fizeram os exames nacionais. Quem são essas pessoas? Porque é que não fizeram os exames? Algumas pessoas dizem que foi uma forma de protesto e outras que perderam o interesse em fazer a prova e que não tinham nem cabeça nem disposição para isso. Algumas centenas delas podem ter-se tornado em fugitivos.

O secretário da educação também anunciou que este ano apenas serão atribuídas 20 % das vagas dos exames de entrada a «revolucionários» islamitas e aos basiji, em vez dos habituais 40 %. Isto, insinuou ele, quer dizer que haverá muito mais vagas para todos os outros. Mas, na realidade, sabia-se que essas vagas já não existiam, pelo que a intenção é a oposta da que ele alegou. Isto pode ser o sinal de um plano para encher as universidades de basiji para esmagarem o movimento estudantil.

É de uma importância extrema que os nossos camaradas na diáspora iraniana façam uma campanha maciça sobre a questão dos detidos que estão a ser «desaparecidos». Os golpistas nem sequer estão a mostrar qualquer clemência para com as próprias facções do regime. Um indício de como eles estão a tratar as pessoas envolvidas nos seus próprios conflitos internos é o caso de uma proeminente figura reformada do Ministério da Informação, que é agora um membro activo do campo Rafsanjani/Mousavi [oposição]. Ele enviou uma carta a Zarghami (dirigente da autoridade de rádio e televisão do Irão) dizendo que tinha sido sequestrado, espancado durante várias horas e libertado. Se eles se comportam desta maneira com os seus próprios membros, poderemos imaginar o que fazem com os estudantes e jovens que se revoltaram contra eles?

A situação é urgente – não desperdicemos tempo!

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese