Livros: A guerra secreta de Churchill na Índia
Por Susannah York
11 de Abril de 2011. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Churchill em 1940

O livro de Madhusree Mukerjee, Churchill’s Secret War: The British Empire and the Ravaging of India During World War II [A Guerra Secreta de Churchill: O Império Britânico e a Devastação da Índia Durante a II Guerra Mundial, Basic Books, New York, 2010], é de uma leitura profundamente comovedora. O seu tema é a fome de 1943 que devastou a Índia durante um ano, tirando a vida a 3 milhões de pessoas. Mukerjee defende que este número deve ser corrigido para cima, para mais de 5 milhões de pessoas. Quando se pensa nos milhões de mortos que resultaram da II Guerra Mundial, muitas atrocidades vêm à mente: 6 milhões de judeus mortos nos campos de concentração, meio milhão de Roma [ciganos], 20 milhões de cidadãos soviéticos, 8 milhões de chineses, só para citar alguns exemplos. Não tão conhecidos, sobretudo entre os habitantes das cidadelas imperialistas, foram os que sofreram e morreram naquela que Mukerjee chama de fome «criada pelo homem» na Índia, uma catástrofe humana que poderia ter sido facilmente evitada se Churchill não se tivesse recusado a ceder os navios que estavam disponíveis na Austrália para levarem o seu excesso de cereais para a região de Bengala. Essa fome raramente é mencionada na história britânica.

A preocupação de Mukerjee, uma ex-colunista/editora da revista Scientific American e uma cientista treinada por direito próprio, com a questão da fome e da escassez alimentar levaram-na a investigar de uma forma profunda e completa os arquivos do Gabinete de Guerra e dos Ministérios britânicos da Guerra e dos Transportes, a correspondência entre os principais britânicos envolvidos e as memórias deles durante a II Guerra Mundial. Muito desse material foi tornado disponível pela primeira vez em meados dos anos 2000. Entre os envolvidos estão o Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill, o Secretário de Estado para a Índia Leopold Amery (que pensava que o império britânico devia ser contíguo e estender-se da Cidade do Cabo a Sydney, passando pelo Cairo, Bagdad e Calcutá) e os vice-reis sucessivos da Índia, Lordes Linlithgow e Wavell. Numa entrevista, Mukerjee reconhece que, devido ao rumo que a sua investigação estava a tomar, ela sabia que se não fosse extremamente cuidadosa seria despedaçada pelos que iriam odiar as suas conclusões.

Famílias famintas sentadas ao sol escaldante
(Foto: LIFE Magazine)

O prólogo de Mukerjee fornece-nos o pando de fundo sobre a forma como o governo britânico subjugou a Índia em 1757 e como continuou a roubá-la através de uma acentuada taxação, do saque dos seus recursos, do comércio desigual e da exploração do seu povo durante os 200 anos de domínio colonial até à sua independência em 1947. Os camponeses eram forçados a pagar à Companhia da Índia Oriental britânica o aluguer das terras que cultivavam e a entregar uma grande percentagem dos rendimentos das colheitas. Os antes prósperos exportadores da região de Bengala, no Nordeste da Índia (a qual incluía o que agora é o Bangladesh) ficaram empobrecidos, ao mesmo tempo que navios britânicos carregados de ouro, prata, sedas e outros bens valiosos rumavam a Londres.

Mukerjee descreve muitas das características interligadas que contribuíram para a fome, contextualizando-as na violenta guerra mundial e no movimento de independência contra Inglaterra que então acumulava força. Entre esses factores, esteve a queda da Birmânia para os japoneses; o açambarcamento de arroz pelos intermediários de Bengala, de outras províncias indianas e também do Ceilão, de que resultaram preços exorbitantes; o intenso racismo e o ódio de Churchill aos indianos e, acima de tudo, na opinião deste crítico, a sua implacável determinação em preservar o império britânico. Com o início da II Guerra Mundial, manter os interesses do império era o objectivo supremo de Churchill e ele tomou decisões quanto ao esforço de guerra de acordo com isso. A Índia já contribuía para o esforço de guerra em muitas frentes, desde os soldados que combatiam no Médio Oriente ao envio de cereais e outros bens.

O exército britânico teve milhares de tropas estacionadas na Índia, tanto britânicas como indianas. O enorme exército indiano foi pouco treinado pelos britânicos, com medo que as armas viessem a ser viradas contra eles. Alimentar os soldados, bem como todos os envolvidos nas indústrias vistas como essenciais para o esforço de guerra, foi considerado uma prioridade. Isso incluía os trabalhadores nas indústrias noutras colónias, tais como os trabalhadores da borracha no Ceilão (agora chamado Sri Lanka). Alimentar os outros civis não se ajustava aos cálculos do esforço de guerra.

O império britânico estava a levar uma tareia no teatro de guerra do Sul da Ásia. Em 1942, os japoneses capturaram Singapura, então parte da Birmânia, um dos maiores exportadores de arroz para as colónias britânicas e para a própria Grã-Bretanha. A Birmânia fornecia 15 a 20 por cento do arroz consumido na Índia. A tomada da Birmânia também significou que o Japão estava às portas da Índia, com a ameaça de uma invasão iminente.

Indianos esfomeados à espera de comida em Calcutá
(Foto: LIFE Magazine)

A resposta britânica, eufemísticamente chamada de «Política de Negação», visava privar os japoneses de quaisquer bens úteis que pudessem capturar numa invasão. Em todo o litoral de Bengala, todo o tipo de veículos (camiões, carros, milhares de bicicletas e barcos, carros de bois, etc.) foram requisitados pelas autoridades militares e as reservas de arroz foram destruídas ou deslocadas. Além disso, 35 mil famílias perderam as suas casas e fontes de sustento, transformadas em quartéis militares e pistas aéreas.

Como descreve Mukerjee: «Os barcos eram o principal meio de transporte do Bengala fluvial. A maioria dos camponeses era tão pobre que ou andava a pé ou de balsa. Os barcos levavam os comerciantes ao mercado, os pescadores ao mar, os oleiros aos seus barreiros e os camponeses às suas terras, as quais muitas vezes estavam isoladas entre vastas extensões de rios. [...]» Mesmo o secretário do vice-rei, Leonard Pinnell, entendeu que destruir os barcos significava a destruição dos recursos das pessoas. Ele disse que «para qualquer pessoa que conheça os cultivadores de Bengala, isso foi uma tarefa completamente desoladora».

Com a queda da Birmânia, não só a Índia tinha que sobreviver sem as habituais toneladas de importações de arroz, também tinha que fornecer arroz a todas as partes do império britânico que antes recebiam exportações de arroz da Birmânia. Com a escassez veio o açambarcamento pelos comerciantes indianos que passaram a obter enormes lucros quando o preço de arroz subiu muito e rapidamente.

À medida que aumentava a evidência de um desastre iminente, em várias ocasiões o vice-rei Wavell e o Secretário para a Índia Amery apelaram a Churchill, ao Gabinete de Guerra e ao Ministério dos Transportes, avisando-os da iminente crise alimentar. A Amery, Churchill respondeu; «Se a comida é tão escassa, porque é que Gandhi ainda não morreu?» (Gandhi, um líder do movimento Saiam da Índia que estava encarcerado com outras pessoas que lutavam pela independência, fazia nessa altura uma greve da fome). A outros, Churchill respondeu que não havia barcos. Os submarinos alemães U2 tinham andado a afundar barcos britânicos de abastecimento. Mas, em 1942, esse problema tinha terminado, dado que os EUA tinham começado a construir navios para uso britânico e a mandar aviões para protegerem as colunas britânicas contra os submarinos alemães. Em vez de não haver suficientes navios, havia um excesso de navios que não tinham carga suficiente para os encher, segundo documenta Mukerjee. Ela alega que esse foi o momento crítico em que Churchill poderia ter alocado à Índia as remessas de trigo da Austrália. (O Canadá e os EUA também se ofereceram para fornecer ajuda.) Isso teria feito com que o açambarcamento deixasse de ser lucrativo e que os alimentos ficassem acessíveis à população rural da província de Bengala.

Rapariga bengali que morreu enquanto dormia à beira da estrada (Foto: LIFE Magazine)

Para complicar a questão, em Outubro de 1942 um grande ciclone atingiu o Bengala e inundou as terras com água salgada, destruindo todas as casas e árvores nas planícies adjacentes ao mar, arrastando os animais agrícolas e deixando uma camada de areia que arrasou as culturas de arroz. A humidade causou uma infestação de pestes, destruindo os escassos cereais que os camponeses tinham adquirido. Alguns sobreviventes locais datam a fome a partir dessa tempestade.

A ajuda às vítimas do ciclone foi retida pelas autoridades britânicas porque a população estava «infestada» de apoiantes do movimento Saiam da Índia. Em vez disso, eles andaram a caçá-los e incendiaram as poucas casas que estavam de pé e queimaram todo o arroz que tinha sobrevivido à tempestade.

A fome atingiu ferozmente o Bengala rural. Mukerjee descreve vividamente o seu efeito, com base em entrevistas com sobreviventes. Muitos suicídios, mortes de clemência e casos de abandono de crianças ocorreram entre as famílias que já não podiam aguentar ver os rostos esfaimados e de olhar enlouquecido dos seus filhos. A prostituição em massa de mães, esposas ou filhas das aldeias com qualquer pessoa que tivesse cereais salvou muitas vezes famílias inteiras. Os bordéis para os soldados eram fornecidos com jovens famintas vindas das zonas rurais. Muitas foram atraídas por promessas de um verdadeiro emprego e depois foram forçadas à servidão, tal como hoje as mulheres são forçadas à prostituição em todo o mundo.

As ruas de Calcutá ficaram inundadas de figuras esqueléticas à espera em filas por um magro caldo de aveia, que muitas vezes nem sequer chegava para as manter vivas. Uma mãe agitada apelava aos trabalhadores humanitários: «Por favor, ajude-nos primeiro», por causa do seu bebé, mas quando finalmente chegou à frente da fila cheia de outras pessoas igualmente desesperadas, o bebé já tinha morrido. A situação ficou tão séria que nas festas nocturnas em que participavam as classes altas, as pessoas começaram a discutir soluções. Os corpos, mortos ou quase vivos, eram tanto quanto possível acarretados para fora da cidade ou mantidos longe da vista. Até os cães pilhavam e banqueteavam-se com os quase mortos. No meio desta tragédia, os hotéis de Calcutá continuavam a servir refeições de cinco pratos aos que as podiam pagar.

Jovem distribui comida a indianos famintos
(Foto: LIFE Magazine)

Também houve muito heroísmo no confronto com a falta de alimentos, com vizinhos ou irmãos mais velhos a de alguma forma manterem vivos os mais jovens. As crianças constituíam metade dos refugiados que se acumularam em Calcutá. Surgiam muitas vezes sós, sem que ninguém soubesse de que aldeia tinham vindo nem o que tinha acontecido aos pais delas. Os bebés eram abandonados à porta dos hospitais na esperança de serem salvos. Um sobrevivente, Gourhori Majhi, relata como sobreviveu graças a um trabalhador humanitário. Ele disse a Mukerjee: «A comida servida na cozinha humanitária era quase água. A família tinha vendido todos os seus utensílios e servia a sopa em folhas com a forma de taças, mas algumas pessoas chegavam a arrebatá-las das mãos deles. A criança (Gourhori) teve sorte, apesar de tudo, por a sua barriga inchada ter atraído a atenção de um homem que trabalhava nas operações de ajuda e que o chamou à parte. ‘Ele deu-me alguns grãos de arroz e observou-me enquanto eu os comia’. Dia após dia, durante meses, o homem alimentou-o em segredo e pouco de cada vez, pelo que lentamente o seu corpo recuperou.» Os oficiais repreendiam os soldados (indianos e britânicos) aí estacionados que davam as suas rações a quem passava fome.

Embora os japoneses tenham chegado a bombardear a cidade de Calcutá, nunca a invadiram. O exército japonês ficou atolado na China, que mostrou ser «uma peça dura de roer» (como disse Mao Tsetung) para os ocupantes. Ao contrário de Churchill, que temia treinar adequadamente os soldados da Índia dominada, Mao não temeu mobilizar as massas chinesas que viram ser do seu interesse combater o exército invasor japonês e por fim derrotá-lo, tal como as massas soviéticas partiram a espinha ao exército de Hitler.

Incineração de pessoas mortas de fome, no
Memorial Myrone em Calcutá
(Foto: LIFE Magazine)

No pano de fundo das complexidades da situação de guerra, a luta pela independência em relação a Inglaterra escalou. O Congresso Nacional Indiano, liderado por Nehru e Gandhi, fazia parte da coluna vertebral do movimento Saiam da Índia. O Congresso estava disposto a negociar a independência indiana em troca de apoio à guerra britânica contra o Japão. Embora Gandhi tenha querido manter o movimento contra os britânicos não violento, a posição dele teria significado arrastar o povo indiano ainda mais para a guerra – uma guerra em que o objectivo britânico era manter a Birmânia, a Malásia, Singapura e as outras colónias.

Apesar disso, os líderes independentistas foram presos e milhares de pessoas foram encarceradas pelo que foi considerado ser uma obstrução ao esforço de guerra. «Não me tornei Primeiro-Ministro do Rei para presidir à liquidação do império britânico», disse Churchill numa conhecida declaração.

Em 1940, o Gabinete de Guerra britânico tinha declarado que «se houver um conflito com o Congresso, ele deveria aparecer como sendo o resultado de uma necessidade de guerra em vez de como uma disputa política sem ligação à guerra». Mukerjee diz que a ascensão da luta pela independência levou Churchill a odiar os indianos mais que nunca. Mas, na realidade, Churchill percebeu o que estava objectivamente em jogo. Um forte movimento pela independência era uma ameaça ao império britânico e a Índia era uma das muitas colónias que se revoltavam e lutavam pela independência em relação aos colonizadores.

As crianças espetam arames nos vagões de cereais, na tentativa de furar sacos e fazer sair algum cereal
(Foto: LIFE Magazine)

A intensidade que se desenvolveu na luta pela independência foi recebida pela polícia com o assassinato de revoltosos, o incêndio completo de casas e bens, incluindo dos restantes cereais que os camponeses ainda tinham, e a violação de mulheres em grupo. Nalgumas zonas rurais, os revoltosos organizaram os camponeses para impedirem que os cereais fossem levados aos açambarcadores em Calcutá e foram recebidos com saraivadas de balas da polícia. Como parte da política dos britânicos e de Churchill de dividir para conquistar, a polícia encorajou os muçulmanos de várias aldeias a juntarem-se a eles na pilhagem de casas hindus mais abastadas.

Para provar a sua perspectiva, Mukerjee cita muitas estatísticas de um vasto número de fontes sobre os fornecimentos de alimentos durante os anos de guerra, o número de barcos disponíveis para transporte e a alteração da situação em 1943, quando a fome se tornou virulenta. Embora reconheça muitos factores contributivos, ela expõe a monstruosa mentira de Churchill de que não havia nenhum navio disponível, quando de facto havia um excesso de navios disponíveis, que navegavam com os porões meio vazios.

Churchill espicaçou a Liga Muçulmana contra o Congresso Nacional, agitando a fúria religiosa e outras rivalidades, encorajando-a a insistir na criação de um estado separado para os muçulmanos (os actuais Paquistão e Bangladesh). Com os líderes do Congresso na prisão, o líder muçulmano Mohammad Ali Jinnah (que tinha prometido apoiar o esforço de guerra britânico em troca do reconhecimento britânico da sua Liga Muçulmana como única organização representativa dos muçulmanos indianos) assumiu o comando do palco político da Índia. Apelando ao nacionalismo muçulmano, a ideia da criação de um estado muçulmano inflamou as paixões e encorajou um banho de sangue entre muçulmanos e hindus. Uma vez mais, sempre atento aos interesses do império, Churchill pensou que a criação do Paquistão iria tornar esse estado grato à Grã-Bretanha, permitindo assim à Grã-Bretanha manter uma base na região do Sul da Ásia.

Indianos famintos esperam que abra a Loja de Cereais controlada pelo governo (Foto: LIFE Magazine)

Embora ainda hoje os estudos de opinião na Grã-Bretanha apontem Winston Churchill como grande estadista, talvez o maior de sempre, muita gente continua a desconhecer os crimes de guerra dele. Contudo, Churchill nunca escondeu o seu desejo de manter o império britânico intacto. Muitas das suas declarações afirmam abertamente as suas motivações mais fortes. No início da guerra civil espanhola, Churchill apoiou o fascista General Franco contra os Republicanos, mas ultrapassou esses sentimentos íntimos a favor do interesse do império britânico. O livro de Hugh Thomas The Spanish Civil War (A Guerra Civil Espanhola, Harper & Row, 1961) cita Churchill: «Franco tem todo o direito do seu lado porque ele ama o seu país. Além disso, Franco está a defender a Europa do perigo comunista – se se quiser pôr nestes termos. Mas eu, eu sou inglês, e prefiro o triunfo da causa errada. Prefiro que o outro lado vença, porque Franco pode ser um transtorno ou uma ameaça para os interesses britânicos.»

Churchill tinha um entendimento de «bulldog» do que era melhor para os interesses do capital monopolista britânico, tanto no país como nas colónias e neocolónias, onde a sobre-exploração estabeleceu a riqueza do império. As relações económicas e sociais representadas pelo capitalismo requerem brutais formas de exploração e opressão dos povos e das colónias que subjuga ao seu esforço de estar sempre em expansão. Pelo lucro e pelo império, não há nenhum horror ou crime que um estadista de um império capitalista-imperialista não cometa. Os exércitos de todas as potências imperialistas têm cruzado o globo numa guerra pela forma de o dividirem entre elas. Na opinião deste crítico, o significado do título deste livro, A Guerra Secreta de Churchill, é que a Grã-Bretanha estava a usar a Índia para fazer uma guerra contra o Japão e, ao mesmo tempo, a levar a cabo um não menos letal conflito contra o povo indiano, que foi uma presa de guerra que ambos os lados da II Guerra Mundial cobiçavam.

Tão desprezível e criminoso como o foi, o racismo de Churchill sem dúvida nenhuma que o poupou de qualquer angústia pelas mortes de milhões de súbditos de Sua Majestade, a Rainha de Inglaterra. Do ponto de vista dos interesses do imperialismo britânico, a fome na Índia não teve nenhuma importância.

Os dias em que as potências europeias desfrutavam de um governo directo das colónias podem ter terminado, mas o imperialismo enquanto sistema económico e político em que um punhado de países domina e sangra o mundo ainda se mantém. Embora os dias de hoje não sejam marcados por uma guerra entre imperialistas, as suas invasões, ocupações e outras acções armadas em nome de ideais «humanitários» e da «democracia» são motivadas pelo mesmo tipo de interesses, mesmo que em diferentes circunstâncias das que Churchill tão violentamente encarnou.