Manifestação em Deli de apoio à insurreição de Lalgarh
6 de Julho de 2009. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

Mulheres tribais com arcos e flechas durante uma manifestação de milhares de pessoas em Calcutá a 24 de April de 2009. Os manifestantes protestaram contra as atrocidades da polícia em Lalgarh
(Foto: AP/Sucheta Das)

6 de Julho de 2009. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar. Publicamos de seguido um comunicado à imprensa do Naujawan Bharat Sabha (NBS) e da Frente Democrática Revolucionária (FDR) da Índia. Descreve uma manifestação que teve lugar em Deli contra a repressão de uma insurreição dos adivasis (a população tribal) de Lalgarh, no Estado indiano do Bengala Ocidental, que em grande parte visava o governo do estado encabeçado pelo chamado Partido Comunista da Índia - Marxista (PCI-M), um partido reaccionário que, na realidade, é anticomunista. A insurreição foi liderada pelo Partido Comunista da Índia (Maoista) – ver o SNUMAG 29 de Junho de 2009.

Uma manifestação de protesto teve lugar hoje, 30 de Junho de 2009, em A. K. Gopalan Bhawan, contra a repressão dos adivasis pelas forças de segurança. Vários intelectuais, estudantes, jovens e trabalhadores participaram no programa, organizado pela Frente Democrática Revolucionária (FDR), pela Naujawan Bharat Sabha (NBS) e por diversas organizações de massas.

A polícia de Deli abateu-se sobre a manifestação frente à sede do PCI-M em Deli, de protesto contra a acção paramilitar-policial em Lalgarh, e prendeu 21 activistas e dispersou centenas de pessoas usando força violenta. Os presos foram levados para a esquadra da polícia de Mandir Marg. Quatro activistas ficaram feridos. Alguns membros da comunicação social foram espancados e maltratados.

Ao início da manhã, uma enorme força policial foi mobilizada para impedir os manifestantes de se concentrarem em Bhai Veer Singh Marg, onde se situa em Deli a sede do PCI-M para toda a Índia. A estrada que leva a essa sede foi fortificada com barricadas e fechada para que os manifestantes não pudessem lá chegar. Alguns dos manifestantes entraram furtivamente através de vias secundarias e de entradas de complexos comerciais. Então a polícia também fechou essas entradas. Cerca de 150 manifestantes chegaram ao portão da sede do PCI-M e gritaram palavras de ordem contra as atrocidades policiais sobre o povo de Lalgarh. Um grande número de intelectuais, jovens, estudantes e trabalhadores não foram autorizados a juntar-se pela polícia, que impôs ordens de proibição.

Manifestação em Lalgarh de apoio ao Comité Popular Contra as Atrocidades Policiais, a 16 de Junho de 2009

Porém, os grupos de manifestantes em várias esquinas condenaram a actuação conjunta da polícia e dos paramilitares do Governo Central e do governo do Bengala Ocidental encabeçado pelo PCI-M, que lançaram os COBRA, Eastern Rifles, Assam Rifles, BSF e CRPF, ao lado da polícia armada do estado, contra os cidadãos adivasis do país. Eles disseram à imprensa que a acção policial era uma vingança pela luta dos adivasis de Lalgarh contra as atrocidades policiais cometidas sobre eles em Novembro de 2008. Exprimindo solidariedade com a luta dos adivasis, os manifestantes exigiram:

  • a retirada imediata de Lalgarh e das zonas vizinhas das forças paramilitares centrais e das forças policiais do estado do Bengala Ocidental;
  • que o governo central e o governo do Bengala Ocidental iniciem o diálogo com a população tribal sobre as suas reivindicações para uma solução política e que satisfaçam imediatamente as reivindicações da população tribal de Lalgarh;
  • que pare a hostilização de mulheres e crianças por se recusarem a ser maltratadas e exploradas, e
  • que sejam dados passos imediatos para acabar todo o sofrimento da população tribal devido à acção das forças centrais e estatais.

    Os manifestantes condenaram o governo UPA encabeçado pelo Congresso por desencadear o terror das forças paramilitares contra os adivasis e denunciaram o governo do Bengala Ocidental encabeçado pelo PCI-M pela sua apatia em relação às condições de vida da população tribal e pelas permanentes atrocidades policiais contra ela durante as mais de três décadas do seu governo e a sua recusa em negociar com os adivasis sobre os seus problemas [e, em vez disso,] tentarem reprimir o seu movimento contra a opressão e a injustiça.

    Os manifestantes também condenaram as prisões e as FIR [ordens de prisão] contra activistas sociais e conhecidos realizadores envolvidos que tentaram estar com a população tribal de Lalgarh desde o início da gigantesca operação das forças de segurança na zona, que tentaram abrir caminhos para uma solução negociada dos seus problemas com a população tribal. Proeminentes activistas sociais foram impedidos de visitar a região para assim se esconder as enormes atrocidades cometidas pelas forças de segurança e pela polícia estatal, em conjunto com os criminosos militantes do PCI-M contra a população tribal em Lalgarh e nas zonas vizinhas.

    O protesto foi convocado pelo Naujawan Bharat Sabha (NBS) e pela Frente Democrática Revolucionária (FDR), ao mesmo tempo que várias organizações democráticas de Deli e intelectuais em nome individual se lhe juntaram.

    Posteriormente, nessa mesma tarde, foram libertados os manifestantes presos.

    Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese