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| Mulheres
tribais com arcos e flechas durante uma manifestação de milhares de
pessoas em Calcutá a 24 de April de 2009. Os manifestantes protestaram
contra as atrocidades da polícia em Lalgarh
(Foto: AP/Sucheta Das) |
A zona inclui vastas áreas de floresta dos distritos de Midnapore Ocidental, Purulia e Bankura, no Bengala Ocidental, e liga partes dos estados de Jharkhand e Orissa, onde o PCI (Maoista) desfruta de um forte apoio de massas. A agitação em Lalgarh tem estado a decorrer há vários meses, tendo atingido o ponto de ebulição em Novembro passado com as prisões, a tortura e a violação de mulheres e crianças, depois de uma explosão que quase matou um Ministro Chefe do Bengala Ocidental. O estado tem sido governado por uma pretensa Frente de Esquerda reaccionária liderada pelo Partido Comunista - Marxista. Há várias décadas que este partido opressor abandonou qualquer aparência de pensamento marxista ou comunista e juntou forças com as classes dominantes indianas para reprimirem e explorarem o povo e roubarem as suas terras. Depois de terem feito uma série de reivindicações, a população tribal da zona tomou a questão nas suas próprias mãos, expulsando os agentes governamentais e a polícia. Agentes do PCI-Marxista foram corridos das aldeias e alguns foram mortos. As suas sedes, bem como muitas esquadras da polícia, foram incendiadas. Foram derrubadas árvores para bloquear as estradas e impedir as forças de segurança de regressarem à zona.
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| Mapa do Bengala
Ocidental |
O texto que se segue é uma versão condensada de um artigo que apareceu na revista People's Truth [Verdade Popular] nº 5, de Abril-Junho de 2009. Dá a perspectiva deles sobre a situação na zona de Lalgarh e o seu enquadramento e descreve os acontecimentos de finais de 2008. Para ler todo o artigo, vá a http://peoples-truth.blogspot.com/.
Descrita como a maior revolta adivasi de sempre no estado e como a segunda revolta santhal [os santhals são o maior grupo tribal da Índia], a insurreição militante de massas em Lalgarh gerou manchetes durante as várias semanas que se seguiram ao ataque com minas terrestres à coluna do Ministro Chefe do Bengala Ocidental, Buddhadev Bhattacharjee, e a um conjunto de outros VIPs a 2 de Novembro de 2008 perto de Salboni, no distrito do Midnapore Ocidental. As guerrilhas maoistas atacaram a coluna quando ela regressava de Salboni depois da inauguração por Buddhadev de um megaprojecto de aço, para o qual foram adquiridos 4500 acres de terra pelo governo da chamada Frente de Esquerda. Três polícias, entre os quais um inspector e dois guardas, foram suspensos na sequência da explosão das minas.
O que desencadeou a revolta foi o brutal reinado de terror desencadeado pela polícia na região de Lalgarh, cometendo atrocidades indescritíveis contra pessoas inocentes, no rescaldo da explosão. Conjugado com o terror do estado, criminosos social-fascistas [socialistas no nome, fascistas nos actos] pertencentes ao PCI-Marxista têm atacado aldeias com armas de fogo, sequestrando e espancando pessoas suspeitas de serem simpatizantes dos maoistas. A 3 de Novembro, a polícia do Midnapore Ocidental invadiu aldeias isoladas de Lalgarh no extremo Belpahari de Jangalmahal, e deteve 15 pessoas. Três delas eram crianças do ensino secundário que foram barbaramente torturadas e acusadas de sedição [incitamento à revolta] ou de fazer guerra contra o estado, conspiração e uso de explosivos. Elas regressavam a casa à noite depois de terem assistido a um festival de aldeia, quando a polícia as apanhou com quatro outros «suspeitos». Estes incidentes desencadearam os protestos iniciais. Mas a polícia continuou com a sua campanha de terror.
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| Manifestação
em Lalgarh de apoio ao Comité Popular Contra as
Atrocidades Policiais, a 16 de Junho de 2009 |
A agitação que dura há um mês foi inicialmente encabeçada por habitantes locais sob a bandeira do Sara Bharat Jakat Majhi Madowa Juran Gaonta, uma organização santhal de anciões adivasis, mas foi depois liderada por uma organização independente que foi criada exclusivamente para combater a repressão estatal – o Comité Polishi Santras Birodhi Janasadharaner ou Comité Popular Contra as Atrocidades Policiais.
Foi elaborada uma Carta Popular em 12 Pontos. Entre outras coisas, exigia a anulação de todas as «falsas acusações» impostas às pessoas desde 1998, a adequada compensação das vítimas das atrocidades policiais, o fim imediato das rusgas policiais aos clubes geridos por santhals, um acordo para não haver rusgas sem a presença da Majhi Maroas [uma organização tribal], etc. Mas a exigência mais importante do comité foi a de que o Superintendente da Polícia do Midnapore Ocidental, Rajesh Singh, e os responsáveis pela afronta às mulheres, levantassem as orelhas e rastejassem com o nariz no chão ao longo de todo o caminho entre Dalilpur Chowk e Chhotopelia Chowk, pedindo desculpa pelas rusgas e detenções policiais desde a explosão das minas a 2 de Novembro. Exigia também que o Ministro Chefe se desculpasse pela brutalidade dos seus agentes policiais. E embora a maioria das outras exigências tenha sido satisfeita, foi esta exigência que se tornou na força motriz por trás da agitação que dura há quase dois meses.
Para liderar o movimento, foram criados comités chamados Comité Gram (GCs) ao nível das bases. Cada comité tinha cinco homens e cinco mulheres, algo de que nunca se tinha ouvido falar no quadro social da Índia, semifeudal, altamente patriarcal e dominado pelos homens. Além disso, cada comité tinha que levar as suas decisões a ratificação numa assembleia geral do povo que funcionava como supremo decisor. Foram formados Comités Gram, baseados em genuínos valores e tradições democráticas, nas aldeias de Belpahari, Binpur, Lalgarh, Jamboni, Salboni, Goaltore e em zona vizinhas. Foram criados 85 GCs só na zona de Lalgarh e 65 GCs na zona de Belpahari.
A partir de Lalgarh, a agitação
rapidamente se propagou às zonas de Goaltore, Garbeta, Salboni,
Gopiballavpur e Nayagram. As tentativas do governo e dos criminosos do
PCI-Marxista para isolarem os adivasis dos maoistas fracassaram
miseravelmente. Um troço de 65 quilómetros da estrada de Banspahari
para Lalgarh foi bloqueado pelos habitantes durante a agitação.
O Comité Popular Contra as Atrocidades Policiais, que liderou os protestos em Lalgarh, manteve-se inflexível na sua principal exigência de que o SP do Midnapore Ocidental se deveria desculpar perante o povo fazendo elevações (sit-ups). Devido à incessante molestação, humilhação, tortura e prisões de adivasis pobres e indefesos pela polícia durante décadas, essa exigência não constituí nenhuma surpresa.
A agitação obteve um vasto apoio de vários sectores do povo em todo o estado. Estudantes de todo o Midnapore Ocidental, Purulia, Bankura e outros distritos do estado vieram em grande número exprimir a sua solidariedade para com a insurreição de Lalgarh. Estudantes de instituições de elite de Kolkata como o Colégio da Presidência e a Universidade de Jadavpur e alguns activistas dos direitos humanos foram a Belpahari em defesa do movimento. O Partido Jharkhand Disam organizou uma bandh [greve] de 12 horas no distrito, a 16 de Novembro. O trânsito na NH-6 foi interrompido quando o Comité Kurmi Chhatra Yuva Sangram bloqueou a estrada no ponto Lodhasuli em Jhargram. A cidade de Jhargram manteve-se inacessível devido ao bloqueio da estrada Lodhasuli-Jhargram com troncos de árvores abatidas em Kalaboni e na estrada Belphari-Jhargram.
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| A população tribal ataca uma
sede do PCI-M em Lalgarh, em Junho de 2009 (Foto: The Hindu) |
Incapaz de reprimir a agitação de massas, o governo social-fascista do PCI-Marxista tinha preparado um odioso plano para pôr adivasis contra adivasis, tal como o tinha feito a coligação governamental BJP-Congresso no Chhattisgarh, com o nome de Salwa Judum, que obteve uma condenação mundial. Hordas de criminosos do PCI-Marxista atacaram as aldeias e desencadearam uma onda de terror entre as massas tribais. A 4 de Dezembro, pelo menos 50 camiões de homens armados do PCI-M, com a bandeira do Adivasi O Anadivasi Shramajibi Janasadharan, e acompanhados por polícias, limparam todos os bloqueios ao longo de todo o troço de 22 km entre Gurguripal, perto da cidade de Midnapore, e Dherua. Fizeram avisos de morte aos adivasis se continuassem com a agitação. Uma operação semelhante foi planeada para Kalabani, onde dois altos funcionários do distrito tinham sido presos pelo povo no dia anterior.
A 27 de Novembro, submetendo-se à pressão do Comité Popular Contra as Atrocidades Policiais [CPCAP], o governo do Bengala Ocidental retirou todos os treze acampamentos da polícia nas zonas de Ramgarh, Lalgarh, Belpahari e Salboni, no Midnapore Ocidental, quando os manifestantes escavacaram a estrada que se ramifica da NH 6 para Jhargram, cortando a cidade do resto do estado. Esses acampamentos tinham sido criados a 10 de Novembro. O CPCAP exigiu que os acampamentos policiais fossem retirados em 24 horas ou eles confinariam os agentes policiais aos acampamentos e boicotariam a polícia e a administração civil. A colocação dos acampamentos policiais em edifícios escolares tinha impedido as crianças de continuarem os seus estudos nas escolas e tinha despertado a fúria das massas. A maioria dos 700 polícias colocados nesses acampamentos e postos policiais foi deslocada. «A retirada dos acampamentos policiais foi uma virtual ‘rendição’ aos maoistas, uma vez que isso fazia parte das exigências em 12 pontos do CPCAP apoiado pelos maoistas», escarneceu um jornal.
Entretanto foram libertadas sete das pessoas presas pela polícia de Midnapore Ocidental que tinham sido levadas a tribunal e que continuaram sob custódia policial até 14 de Novembro. As acusações de sedição, conspiração, assembleia ilegal, uso de explosivos e ataque ao ministro que lhes tinham sido imputadas tiveram que ser abandonadas após dez dias sem que pudessem ser encontradas quaisquer provas contra qualquer um deles.
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| Camponeses de Pirakata
abandonam as suas casas apenas com os bens que conseguem transportar
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A agitação de massas intensificou-se ainda mais quando, a 1 de Dezembro, os adivasis bloquearam as novas estradas de Sankrail e Nayagram. Eles também exigiram a retirada do principal acampamento policial da cidade de Lalgarh. A cidade de Jhargram foi novamente cortada do resto do estado. A fúria do povo também assumiu a forma de vários ataques às sedes e aos criminosos do PCI-Marxista. Quando os quadros do PCI-Marxista limparam à força os bloqueios das estradas instalados pela população tribal da zona, esta incendiou uma sede do PCI-Marxista na zona de Belatikri em Binpur, no Midnapore Ocidental, a 1 de Dezembro.
A agitação adivasi de um mês sob a bandeira do CPCAP em Lalgarh, Jhargram, Belpahari, Binpur e nas zonas vizinhas do Midnapore Ocidental foi cancelada na noite de 7 de Dezembro. Foi obtido um
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| Localização dos bloqueios na
estrada Lalgarh-Banspahari |
Um dia depois da trégua em Lalgarh, chegou uma enorme generosidade governamental para o desenvolvimento adivasi numa Jangalmahal em dificuldades. O magistrado distrital do Midnapore Ocidental, Narayan
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| Posto de controlo montado
na estrada para Ramgarh em Ratanpur pelo Comité Popular Contra as
Atrocidades Policiais (Foto: Sanat Kumar Sinha) |
A insurreição de Lalgarh destaca-se como exemplo luminoso de como o povo pode defender as suas vidas e liberdade face ao cada vez maior terror do estado e terror patrocinado pelo estado, organizando um movimento de resistência de massas resoluto, unido e militante. Mostra como as massas populares comuns se podem tornar parte do processo de decisão e como podem fazer história através da participação activa nos movimentos populares de base. Hoje em dia, em que as classes dominantes reaccionárias da Índia, conluiadas com os imperialistas, conspiram para fortalecer o aparelho de estado para desencadearem o mais cruel dos terrores estatais na repressão das massas em luta, em nome da «luta contra o terrorismo», Lalgarh mostra-nos um caminho para unirmos as massas numa resistência organizada.
| Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese |