Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 8 de Março de 2004, aworldtowinns.co.uk

Importante batalha no Nepal oriental, greve no Dia Internacional da Mulher e outras greves

No Nepal, vários desenvolvimentos na última semana marcaram o agudizar do conflito entre as forças revolucionárias dirigidas pelos maoistas e a monarquia apoiada pelos EUA.

A BBC relatou o que chamou a maior batalha no Nepal desde o fim do cessar-fogo em Agosto passado. Disse que centenas de rebeldes atacaram as forças de segurança que guardavam uma sede de distrito e uma torre de comunicações em Bhojpur, no Nepal oriental. A torre, os escritórios da administração do distrito e um banco foram destruídos e pelo menos dez soldados governamentais foram dados como “desaparecidos” às mãos dos rebeldes. Notícias mais recentes mencionavam 29 soldados governamentais mortos. A BBC disse que os maoistas capturaram 30 espingardas na batalha de 2 de Março. O seu correspondente relatou que as comunicações entre o distrito - descrito como uma “praça-forte dos maoistas” - e o governo central tinham sido completamente cortadas. Isso, disse ele, representava “a consolidação do seu poder aí”. A comunicação social considerou esse ataque no leste como particularmente significativo porque as forças armadas da monarquia se tinham concentrado na região centro-ocidental do país, num esforço para eliminar aí as forças armadas maoistas.

A capital do Nepal e os distritos vizinhos ficaram totalmente paralisados a 4 de Março devido a uma greve convocada por um sindicato dirigido pelos maoistas. Esta foi a quinta bandh (paralisação geral) com sucesso na capital num mês. A monarquia reagiu proibindo greves nos transportes, turismo, telecomunicações, serviços públicos e outras indústrias.

Contudo, outra bandh de um dia convocada para 8 de Março (Dia Internacional da Mulher) por uma organização de mulheres dirigida pelos maoistas continuou marcada. A comunicação social do Nepal informou que a maioria do comércio, escritórios, escolas e mercados nas principais cidades e outras esteve fechada e que houve pouco tráfico civil nas estradas do país.

Nos últimos meses, o Partido Comunista do Nepal (Maoista) anunciou a formação de oito dos nove governos regionais autónomos que o seu programa prometia, em preparação para uma futura tomada do poder político a nível nacional, decisiva na guerra popular que começou em 1996. E diz controlar agora 80 por cento do país.

Uma medida do cruel desespero da monarquia foi revelada a 28 de Fevereiro quando a Amnistia Internacional denunciou que continuava desconhecido o paradeiro de uma menina de 13 anos, chamada Renu Ale e levada de sua casa por agentes governamentais de segurança há mais de quatro meses. O Exército Real não negou o relatório. No dia seguinte, emitiu uma declaração dizendo que “Ale estava envolvida em actividades terroristas; até fez assassinatos. As forças de segurança não a sequestraram, apenas a tomaram sob custódia. Ale disse às forças de segurança que se sentiria ‘insegura’ se continuasse cá fora”. Isto equivale a uma confissão de que essa jovem foi sequestrada e tem estado detida ilegalmente.

O apoio norte-americano, que está a ficar cada vez mais importante para a sobrevivência da monarquia feudal, ficou mais visível com uma notícia de 2 de Fevereiro do site nepalês de notícias Kantipur Online, que descreve uma “reunião clandestina” de “funcionários de segurança norte-americanos com os seus congéneres nepaleses”, ocorrida na sede da Divisão Centro-Ocidental do Exército Real do Nepal, em Nepalgunj, uma cidade controlada pelo governo situada perto da fronteira com a Índia e que o rei visitou a 5 de Fevereiro. O Governo Regional Autónomo de Tharuwan, dirigido pelos maoistas, declarou ilegal a programada “recepção cívica” ao rei e fechou a região inteira, com excepção de uma pequena zona da cidade.

O Kantipur Online indicou que “[uma] equipa dos EUA liderada por um general se tinha encontrado com funcionários nepaleses. A fonte dizia mais adiante que os funcionários dos EUA sugeriram proporcionar ao governo nepalês mais ajuda para eliminar a insurreição com oito anos. Os líderes maoistas têm-se oposto à presença norte-americana no Nepal, chamando isso de interferência nos assuntos internos do país. Deve ser recordado que o Embaixador dos EUA no Nepal, Michael E. Malinowski, e o seu secretário pessoal, também tinham vindo a Nepalgunj e visitado as sedes de distrito de Accham e Salyan há aproximadamente dois anos. Depois do seu regresso à capital, o embaixador dos EUA empenhou-se em fornecer todo o apoio possível ao governo do Nepal na sua luta contra os maoistas.”

A embaixada dos EUA confirmou a presença do embaixador dos EUA e do Adido de Defesa em Nepalgunj, embora tenha minimizado a reunião como sendo de “rotina”. Os homens chegaram num pequeno avião vindos de Islamabade e depois voaram para Katmandu. Os transportes terrestres na região foram paralisados por uma bandh. O embaixador partiu mesmo a tempo. Poucos dias depois, mesmo os transportes aéreos tiveram uma paragem abrupta quando os controladores aéreos e outros trabalhadores se juntaram à greve convocada pelos maoistas.