Peru: Cancelado o Julgamento do Camarada Gonzalo
15 de Novembro de 2004. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.

O actual julgamento de Abimael Guzmán (Camarada Gonzalo) chegou a um impasse a 15 de Novembro quando dois membros do painel de três juízes se retiraram do caso, cada um emitindo uma declaração amargamente crítica do outro. As autoridades tinham exigido a resignação do terceiro juiz que presidira a uma anterior sessão que o Camarada Gonzalo e outros réus líderes do Partido Comunista do Peru (PCP) transformaram numa humilhação para o Estado pelos seus cânticos e desobediência. A contenda entre os três magistrados foi tão rancorosa que um deles teve o seu microfone cortado. Embora desta vez os acusados não tenham sido autorizados a sentar-se juntos, eles pareciam estar a desfrutar completamente o espectáculo. Numa mudança em relação à anterior sessão principal e à actual prática no Peru, o tribunal não permitiu que os trabalhos fossem transmitidos, fotografados ou gravados. Apenas cerca de cem pessoas, incluindo jornalistas, ilustradores de tribunal e familiares, foram autorizadas a estar na sala.

Nas três sessões do tribunal até agora realizadas no total, incluindo uma breve sessão a 12 de Novembro e uma ainda mais curta em que o julgamento foi declarado cancelado, os juízes não foram mais longe que perguntar aos acusados se tinham um advogado ou queriam um advogado designado pelo tribunal. No rescaldo imediato do colapso dos trabalhos, não ficou claro se as autoridades começariam tudo de novo formando um novo painel de juízes para julgar os 18 réus com acusações relativamente secundárias que envolvem o alegado uso de uma escola privada para financiar actividades do partido, ou se, em vez disso, estabeleceria o há muito prometido “mega-julgamento” combinando 14 conjuntos de acusações contra os dirigentes do PCP relacionadas com a Guerra Popular iniciada em 1980. O Estado insiste em rotular essa guerra civil revolucionária de “terrorismo”, apesar do incontestável envolvimento ou simpatia de milhões de camponeses, operários e outros elementos das massas. A comunicação social de Lima especulou que em qualquer caso o Camarada Gonzalo poderá voltar aos tribunais dentro de um mês.

As autoridades estão a castigar os acusados sem esperarem por qualquer condenação. Numa entrevista a um jornal, Manuel Fajardo, o advogado do Camarada Gonzalo e da maioria dos outros acusados, disse que já não lhe permitiam o contacto directo com o seu principal cliente, depois de três anos de reuniões semanais. Esta interdição, disse ele, contraria oito ordens judiciais distintas. Ele chamou ao cancelamento do julgamento uma “retirada táctica” e contestou a legitimidade de qualquer julgamento nos tribunais especiais do “terrorismo” do Peru, com regras especiais em vez dos procedimentos judiciais ordinários. As autoridades declararam que após a sua última presença no tribunal, a dirigente do partido Elena Iparraguirre (Camarada Miriam), que tem estado encarcerada durante os últimos 11 anos numa cela adjacente à do Camarada Gonzalo num calabouço subterrâneo na base naval de El Callao, foi transferida para a prisão de mulheres de Santa Monica (Chorrillos) para ser mantida em instalações de alta segurança, separada das centenas de prisioneiros políticos que aí existem.

Fonte (em inglês): Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG), em aworldtowinns.co.uk ou no perfil facebook Awtw Nese