Greve geral na Índia oriental e central contra a ofensiva antimaoista em preparação

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 12 de Outubro de 2009, aworldtowinns.co.uk

O Partido Comunista da Índia (Maoista) convocou uma bandh (greve geral) de dois dias para toda a Índia oriental e central, com início a 12 de Outubro, contra as atrocidades policiais e os planos do governo central de enviar uma grande força paramilitar para as zonas florestadas onde o partido lidera uma insurreição revolucionária entre os povos tribais e outras populações.

Segundo os relatos iniciais do jornal The Hindu e da BBC, a paralisação armada foi especialmente forte nos estados indianos do Bihar, onde todo o movimento cessou e os mercados das zonas rurais estiveram encerrados, e do Jharkhand, onde a circulação de autocarros e comboios e a extracção de carvão foram paradas. Sabe-se que os estados do Chhattisgarh, do Maharashtra, do Andhra Pradesh e do Bengala Ocidental também foram afectados. Alguns comboios foram redireccionados e a Força de Protecção dos Caminhos-de-Ferro foi colocada ao longo de outras linhas.

O governo central anunciou que iria enviar 70 mil polícias paramilitares, comandos e unidades de forças especiais para sete estados. Cerca de 20 mil serão enviados para o Chhattisgarh e o Jharkhand, onde já operam 35 mil tropas (Christian Science Monitor, 6 de Outubro). A Força paramilitar de Segurança de Fronteira representará um importante papel, sob a protecção de helicópteros da força aérea. Funcionários do governo indiano disseram que o objectivo era “aniquilar a liderança de topo” e assegurar o controlo de cerca de 40 mil quilómetros quadrados de território, em grande parte agora controlados pelos maoistas. Em Setembro, o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh avisou sobriamente numa reunião de chefes de polícia que as campanhas do governo contra os naxalitas (como os maoistas são conhecidos na Índia) até agora não produziram resultados (BBC, 9 de Outubro).

“Tenho defendido constantemente e de muitas formas que o extremismo de esquerda constitui talvez a mais séria ameaça à segurança interna”, disse ele. “Gostaria de dizer francamente que não obtivemos tanto sucesso quanto teríamos gostado na contenção dessa ameaça” (The Hindu, 11 de Outubro).

Enquanto decorriam os preparativos para esta ofensiva do governo central, as guerrilhas atacaram uma esquadra da polícia no distrito de Gadchiroli, no estado ocidental do Maharashtra, matando pelo menos 17 polícias, incluindo um “comandante de topo” (BBC, 8 de Outubro). Este foi o terceiro grande ataque vitorioso a unidades da polícia este ano nessa zona florestada perto da fronteira do Chhattisgarh.

Os preparativos para a ofensiva antimaoista estão a ser acompanhados por uma campanha nos jornais de anúncios pagos pelo governo para retratar os maoistas como assassinos cruéis.

Houve algumas prisões muito graves a acompanhar essa propaganda. A 5 de Outubro, a polícia do Bengala Ocidental prendeu em Kolkata (a antiga Calcutá) dois importantes membros da Frente Democrática Revolucionária [RDF, na sigla em língua inglesa]. Eles foram acusados de ligação ao PCI (Maoista), o qual foi ilegalizado a nível nacional em Junho. Ao abrigo da Lei de Prevenção de Actividades Ilícitas, de 2008, as pessoas podem ser encarceradas por culpa por associação, mesmo que não haja nenhuma acusação específica contra elas. Os dois homens, Raja Sarkhel e Prasun Chatterjjee, são conhecidos activistas de longa data do Bengala Ocidental, segundo um comunicado à imprensa da RDF (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.), de 6 de Outubro. Os dois têm estado envolvidos no movimento contra as atrocidades policiais em Lalgarh, uma zona do Bengala Ocidental onde, sob a liderança do PCI(M), os povos tribais das florestas se sublevaram no final do ano passado.

Antes disso, a 26 de Setembro, polícias que se apresentaram como jornalistas tinham sequestrado Chhatradhar Mahato, o conhecido líder do Comité Popular Contra as Atrocidades Policiais em Lalgarh. O Comité para a Libertação dos Presos Políticos (CRPP, 185/3, Fourth Floor Zakir Nagar, New Delhi 25, India) disse que ele foi preso sem um mandato de prisão e que foi ilegalmente retido e torturado antes de ser acusado de “20 a 22 casos forjados”. Também isto foi acompanhado de uma campanha inspirada oficialmente de vilipêndios contra ele na comunicação social. O CRPP salientou que as autoridades estavam a tentar usar estes casos para assustar os intelectuais de Kolkata que têm apoiado brilhantemente o povo de Lalgarh, procurando “não só humilhar a luta de Lalgarh mas também forçar os intelectuais a desassociarem-se do movimento popular de Lalgarh através de constantes ameaças de prisão e de outras formas de intimidação”.

Como explicava o artigo “Insurreição em Lalgarh”, no SNUMAG de 29 de Junho de 2009, “as tropas do governo central e as polícias e milícias do estado prosseguem a sua brutal agressão aos adivasis (populações tribais) e ao Partido Comunista da Índia (Maoista) em Lalgarh e nas redondezas, na zona de Midnapore Ocidental, no estado indiano do Bengala Ocidental, iniciada em meados de Junho. Helicópteros da força aérea indiana lançaram panfletos às massas, avisando-as a não apoiarem os maoistas. Embora as forças de repressão se vangloriem de que irão obter uma vitória rápida, as guerrilhas lideradas pelos maoistas desapareceram e reapareceram noutras aldeias e florestas vizinhas, com o apoio das massas populares. Os intelectuais urbanos de Kolkata que têm visitado a zona de Lalgarh têm confirmado que as forças armadas estão a espancar e a humilhar as massas em todos os sentidos imagináveis e a concentrá-las em campos de refugiados.”

“A zona inclui vastas áreas de floresta dos distritos de Midnapore Ocidental, Purulia e Bankura, no Bengala Ocidental, e liga partes dos estados de Jharkhand e Orissa, onde o PCI (Maoista) desfruta de um forte apoio de massas. A agitação em Lalgarh tem estado a decorrer há vários meses, tendo atingido o ponto de ebulição em Novembro passado com as prisões, a tortura e a violação de mulheres e crianças, depois de uma explosão que quase matou um Ministro Chefe do Bengala Ocidental. O estado tem sido governado por uma pretensa Frente de Esquerda reaccionária liderada pelo Partido Comunista - Marxista. Há várias décadas que este partido opressor abandonou qualquer aparência de pensamento marxista ou comunista e juntou forças com as classes dominantes indianas para reprimirem e explorarem o povo e roubarem as suas terras. Depois de terem feito uma série de reivindicações, a população tribal da zona tomou a questão nas suas próprias mãos, expulsando os agentes governamentais e a polícia. Agentes do PCI-Marxista foram corridos das aldeias e alguns foram mortos. As suas sedes, bem como muitas esquadras da polícia, foram incendiadas. Foram derrubadas árvores para bloquear as estradas e impedir as forças de segurança de regressarem à zona.”

“O PCI (Maoista) tem um vasto apoio na zona de Lalgarh devido à sua inflexível posição contra os proprietários ricos e os funcionários corruptos. Recentemente, declararam a zona como a sua primeira zona libertada no Bengala Ocidental.”

Para obter uma versão condensada de um artigo que apareceu na revista People's Truth sobre a situação na zona de Lalgarh e o seu contexto, ver o SNUMAG de 29 de Junho de 2009 ou, para aceder à versão completa [em inglês], ver www.bannedthought.net/India/PeoplesTruth/index.htm.