Do jornal Público de 15 de Julho de 2001:

Exército do Nepal lança ofensiva contra maoístas

160 guerrilheiros mortos

Pelo menos 160 guerrilheiros maoístas do Nepal morreram nos dois últimos dias em confrontos com o Exército, que lançou uma enorme operação para tentar libertar 71 polícias raptados pelos rebeldes, marcando assim uma nítida escalada no conflito, noticiou a AFP.

O Exército cercou a localidade de Holery, a 390 quilómetros de Katmandu, a capital, depois de na sexta-feira a guerrilha maoísta ter reivindicado o rapto dos 71 polícias. Ontem o líder dos rebeldes, Puspa Kamal Dahal, conhecido como Prachand, anunciou que os polícias são considerados prisioneiros de guerra e que serão trocados por guerrilheiros presos.

Até aqui o Exército nepalês mantivera-se à margem do conflito com a guerrilha, que desde 1996 tenta derrubar a monarquia constitucional. Apenas a polícia, muito pior equipada e treinada, tem enfrentado os rebeldes.

Mas na sexta-feira as autoridades deram ordem de mobilização militar contra os maoístas, cuja pressão e os atentados têm vindo a aumentar nas últimas semanas – a decisão foi polémica e levou mesmo à demissão do vice-primeiro-ministro Ram Chandra Poudel, que não concordou com ela.

O líder maoísta declarou que os seus homens não lançariam nenhum ataque contra o Exército, mas responderiam se fossem atacados em primeiro lugar. Prachand elogiou ainda o falecido rei Birenda, assassinado juntamente com grande parte da sua família, pelo próprio filho, no início de Junho, referindo o facto de ele nunca ter lançado o Exército contra os rebeldes.

Os maoístas mostram-se muito críticos no novo rei Gyanendra, irmão de Birenda, considerado muito mais radical e que, aparentemente, decidiu declarar guerra aberta aos rebeldes. A captura dos 71 polícias, na quinta-feira, foi o culminar de uma série de ataques a postos da polícia em todo o país, que provocaram pelo menos 40 mortos.

Na sexta-feira, os maoístas conseguiram também paralisar Katmandu, com uma greve geral que registou elevada adesão. O objectivo era protestar contra uma nova lei que permite às autoridades prender qualquer pessoa considerada uma ameaça à segurança nacional.